Imagine 5ª Temporada | Capítulo 55: Consequências


Gotículas de suor se acumulam na testa de Victor. Ele praticamente corre pelo condomínio, da mansão dos Abrahão-Borges até a residência em que os pais dele moram. Assim que cruza a porta principal, ouve risadas vindas da cozinha. Imediatamente, reconhece os donos das vozes e segue em passos rápidos até o cômodo.

Marina conversa com Vinícius sobre um programa de entrevistas que os dois assistiram antes de dormir na noite anterior. Eles lembram das piadas do apresentador e caem na gargalhada assim como quando assistiram o programa. O casal está tão envolvido pelo clima de descontração que se assusta quando Victor invade a cozinha com os olhos cintilando de ódio.

— Eu achei que fôssemos todos amigos! — berra o loiro para Vinícius. O irmão mais velho de Isabela abaixa a xícara de café que bebia, deixando sobre a mesa. Com inteligência, ele analisa o emocional de Victor e deduz o que causou o comportamento do rapaz.

— Você já está sabendo — conclui com a voz grave.

Marina olha do namorado para o irmão sem entender o diálogo e as reações de ambos.

— Já!? — devolve Victor. — Dois meses se passaram e vocês ficaram me fazendo de idiota!

— Não foi isso — responde Vinícius. Ele levanta devagar, ainda observando Victor com atenção. — A Yasmin esteve todo esse tempo se sentindo mal e também foi muito doloroso para ela.

— Cala a sua boca! — Victor dá um soco em Vinícius. — Você não sabe o que é dor.

Sons diversos de vidro se quebrando e objetos caindo ao chão são emitidos no mesmo instante em que Vinícius despenca sobre a mesa de café da manhã e Marina pula da cadeira, atordoada, soltando um grito de espanto. 

O café que minutos antes era consumido por Vinícius se espalha sobre a mesa e começa a gotejar no chão. O líquido atinge uma coloração amarronzada quando o sangue do rapaz se mistura à bebida.

— Alguém ajuda aqui! — grita Marina em pânico. No segundo seguinte, Lua chega à cozinha.

— O que está acontecendo aqui? — questiona olhando para a bagunça que minutos antes era o café da manhã de Vinícius e Marina. — Para onde o Victor foi?

Só então Marina se dá conta de que o irmão já não está mais na cozinha. Sem hesitar, ela sai correndo do cômodo e cruza a sala até chegar na porta que dá acesso à garagem. O portão está aberto e Victor dá ré no carro de Arthur.

— Victor! — chama Marina correndo até o veículo. — Victor, não sai desse jeito — pede batendo o punho contra o vidro do motorista. O rapaz sequer olha para a irmã e sai com o carro em alta velocidade.

Ofegante, Marina recua para não ser atingida pelo portão que fecha automaticamente. 

— O que está acontecendo? — se questiona. Confusa, ela retorna para o interior do casarão e se encontra com Vinícius na sala. O jovem está com um pano de prato enrolado no braço esquerdo e é seguido de perto por Lua. — O que foi isso? — ela indaga ao namorado.

— Desculpa — pede Vinícius passando por ela —, mas eu preciso ver a Yasmin. — Caminhando até a porta principal, ele completa: — Liga para a Isabela ou para o Felipe que eles vão te explicar.

— O… o quê? Como assim? — pergunta Marina, mas Vinícius já saiu pela porta.



Não tão rápido quanto Victor, mas em um curto espaço de tempo, Vinícius caminha de uma mansão para a outra. 

— A Yasmin está trancada no quarto — informa Sophia ao ser questionada sobre a filha. — Não quer sair, nem atender ninguém. Você sabe o que aconteceu?

— Sei — ele responde, agitado —, eu só preciso de um tempo com a Yasmin. Pode ser?

Diante do comportamento inesperado de Vinícius, Sophia assente e deixa o rapaz subir até o quarto de Yasmin.

— Sou eu — fala Vinícius ao bater na porta do quarto. A jovem abre a porta e abraça o amigo com força.

— Sinto que dessa vez é definitivo — diz aos prantos.



O Sol já está se pondo quando Felipe deixa o hospital com Vinícius. O cozinheiro está com antebraço protegido por curativos, no local onde levou três pontos após estilhaços da xícara de café terem cortado sua pele. 

Cerca de sete horas depois de ter saído abruptamente da mansão de Lua e Arthur, ele retorna para ver Marina. Sozinhos no quarto dela, eles conversam sobre o que se passou.

— O motorista do meu pai foi buscar o carro no Galeão — conta a estudante do MIT.

— Como assim? — indaga Vinícius, não querendo ouvir a resposta da namorada.

— O Victor embarcou de volta para os Estados Unidos — diz Marina sem emoção.

— Sem bagagem, sem nada?

— Ele anda com o passaporte junto com a carteira — detalha Marina. — Para ele foi o suficiente. — Ela umedece os lábios e questiona: — Por que você não me contou nada?

Vinícius massageia as têmporas. Desde que decidiu deixar Marina de fora da verdade, sabia que em um determinado instante esta conversa precisaria acontecer.

— Eu não queria que você mentisse para o seu irmão.

— Eu jamais mentiria para o Victor. Eu teria contado a verdade para ele.

— Isso também passou pela minha cabeça e foi a outra razão para eu não ter te falado nada — ele responde com franqueza.

— Vocês não tinham o direito de esconder o que aconteceu por dois meses! — exclama Marina, finalmente deixando as emoções transparecerem. 

Vinícius encara o rosto decepcionado e triste dela e tenta não se afetar pelos sentimentos.

— A Yasmin achou que era melhor falar pessoalmente e a gente respeitou a decisão dela — justifica.

— A Yasmin traiu o Victor! — grita Marina. A verdade paira entre eles como uma nuvem de distanciamento e mágoa. — Ela traiu todos nós quando tomou essa decisão sabendo que todo mundo seria afetado.

— A gente não precisa ser afetado — responde Vinícius de imediato. Ele pega na mão de Marina e aperta os dedos dela com força. A nuvem se dissipa e os dois se conectam com o olhar. — Isso não precisa ficar entre a gente.

— Já está — sussurra Marina com os olhos marejados. — Ao ajudar a mentira da Yasmin, você também mentiu para mim. Isso que aconteceu com o Victor foi muito grave e saber que todos vocês já sabiam torna tudo ainda pior. 

“A minha vontade era embarcar para os Estados Unidos e me juntar ao Victor. Acontece que eu nem sei para onde ele foi, já que ele não me disse nada além da mensagem avisando que ia voltar para o nosso país. A Yasmin traiu o Victor quando ficou com aquele cara, vocês nos traíram quando optaram por esconder a verdade da gente por dois meses.

“Quando eu fui perguntar para o Felipe e ele me disse o que houve, eu me senti enganada também. E o que eu estou sentindo dói muito, mas não chega perto do que o meu irmão está sentindo. E apesar da distância, apesar de não saber exatamente onde ele está, eu sinto que ele está sofrendo. Não tem como ignorar isso.

— Você não precisa ignorar — diz Vinícius. — Só não deixa que isso afete a nós dois.

— Já afetou — rebate Marina. — E por isso… Por isso que eu preciso de um tempo.

— Marina, não faz isso — pede o rapaz.

— Eu te amo — ela se declara com a voz embargada. — Mas eu preciso de um tempo para pensar e digerir tudo o que houve.

Vinícius suspira e afaga o rosto dela enquanto uma lágrima escorre.

— Tudo bem — responde por fim. — Eu sempre vou respeitar a sua vontade. Mas eu não vou desistir da gente por isso. Eu nunca vou desistir da gente.

Marina puxa as mãos do aperto de Vinícius e esconde o rosto entre os dedos.

— Eu preciso pensar!

Vinícius levanta, dá um beijo no topo da cabeça da namorada e sai do quarto.



Quase uma semana se passa. Na manhã do último dia do ano, Victor acorda, acompanha a neve se acumular no batente da janela por alguns minutos e então deixa o quarto de hóspedes da casa de James e Claire. Ele desce as escadas e encontra o filho dos donos da casa na sala de estar.

— Obrigado por me receber aqui, cara — diz após eles conversarem por alguns instantes.

Brian dá um leve sorriso e balança a cabeça.

— Não precisa agradecer. Apesar das nossas diferenças e da distância dos últimos anos, a gente se conhece desde pequeno. Jamais viraria as costas para um amigo de infância.

— Amigo é exagero — provoca Victor e eles riem. Logo depois, ambos voltam a ficar sérios.

— Você precisa contar para a sua família que está aqui em Nova York, na casa dos meus pais — aconselha Brian. — A Marina não para de falar em você.

— Eles sabem que eu estou bem, tenho dado notícias — diz Victor. — Saber que eu estou em um lugar seguro e bem é o suficiente por enquanto. 

— Você não está bem — observa Brian.

— Eu estou bem paz — afirma Victor, olhando para a lareira. — Fiz o que tinha que ser feito.



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Comentários

  1. RENATA, VC TA VIVA

    Marina? Larga de fogo no cu, isso não tem NADA HAVER COM VC E VINI, ELE NÃO PODIA CONTAR UM SEGREDO Q NÃO ERA DELE. SEU IRMÃO É MUITO MIMADINHO E AGRESSIVO.

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  2. ESSE MOMENTO É MEU, ME SINTO MUITO SENSITIVA PARA VER QUE VC POSTOU MAIS CAPITUL HOJE, QUE SAUDADES EU ESTAVA DISSO MDS

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