sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Imagine Chamel 4 Temporada (Filhos) - Capítulo 144: Yasmin e Isabela discutem



Um olhar intenso é lançado de Yasmin para Isabela. 
   — A gente vai ter que ter essa conversa uma hora ou outra. 
   — Mas eu não quero que a hora seja agora. 
   — Você vai fugir? — provoca Yasmin e Isabela cerra os dentes.
   — Definitivamente já passou a fase em que eu fugia das coisas. 
   — Então converse comigo — fala a loira tirando o casaco pesado. Isabela respira fundo e se senta em sua cama novamente. Entendendo o significado da ação da amiga, Yasmin senta na cama e coloca o casaco ao seu lado. — O Felipe me pediu para ajudar na vingança contra o Jonas, porque sabia que você ia ficar brava — começa a contar. — Eu não pensei duas vezes e aceitei.
   — É óbvio — comenta Isabela em um tom que Yasmin interpreta como desprezo. Mordendo o lábio para controlar a súbita raiva que se espalha por suas veias, a loirinha prossegue:
   — Conhecendo o Victor como conheço, pedi a companhia dele nessa. Ele concordou e quando eu tive a ideia, a Marina também entrou no plano. Eu não sabia que ela era hacker, mas o irmão dela sim, por isso ela foi de extrema importância. 
   — Quer dizer que eu e o Vinícius éramos os únicos que não sabiam de nada?
   — Sim.
Isabela fecha os olhos e inspira profundamente, buscando manter a calma.
   — Eu não vim aqui para contar como o plano foi executado, porque acho que o Felipe já fez isso. O que eu queria te dizer, Isa, é que você não tem que ficar brava com a gente.
   — Ah não?
   — Nós só fizemos isso pensando em fazer o Jonas pagar pelo o que ele fez com você.
   — Eu não pedi para vocês fazerem isso! — Isabela explode e levanta da cama. — Caramba, vocês me traíram.
   — Fala sério, Isabela!
   — Vocês agiram pelas minhas costas, sabiam que eu não ia gostar nem um pouco disso e mesmo assim seguiram em frente! Eu não tenho palavras para explicar o quanto eu estou magoada com todos vocês. — Seus olhos se enchem de lágrimas e Yasmin não consegue perceber se é de tristeza ou de raiva, mas desconfia que a segunda opção é a correta. 
   — É um direito seu ficar assim, mas saiba que você está cometendo um erro. Com todos nós. 
   — O único erro que eu vejo foi cometido por vocês — rebate Isabela com a voz pesada. 
Yasmin também levanta, elevando o tom da voz ao dizer:
   — Você não pode apontar o dedo para nós, Isabela! A gente fez o que você não teve coragem de fazer, porque desde que o Jonas terminou com você, a única coisa que você dizia era que ele ia pagar um dia. Só que isso nunca aconteceu! Você não fez o que falou, mas a gente fez por você.
Isabela ergue o braço, mas paralisa com a mão no ar. Yasmin tem a mesma reação que ela e fita a palma da mão pequena da morena com uma surpresa no olhar. Segundos se passam e Isabela abaixa o braço lentamente, arrependida do impulso que teve. 
   — Pelo jeito você mudou mesmo — fala Yasmin com a voz inexpressiva. Ela balança a cabeça, chocada com a situação que acabou de ocorrer, e pega seu casaco sobre a cama. Isabela assiste a melhor amiga deixar o quarto silenciosamente. 
   Quando a porta bate, ela se ajoelha e com uma mão na boca, diz:
   — O que acabou de acontecer aqui?

A noite cai, mergulhando a cidade em uma névoa gelada. Aquecido no flat em que está morando, Chay toca lentamente uma de suas composições para o novo CD. Seus dedos agem mecanicamente enquanto sua mente navega por recordações com sua família. Duas em especial mexem mais com o seu coração. Uma delas é o nascimento do seu primeiro filho:
Chay está ao lado de Mel, com a câmera na mão, gravando tudo. Gotas de suor se formam pelo rosto de Mel, que usa toda a sua força para dar luz ao pequeno Vinícius. Vivian, a obstetra da cantora, diz:
   — Vai, Mel! Está quase, mais um pouco, só mais um pouco.
Mel está ofegante, muito cansada.
   — Eu não aguento mais... Não tenho mais forças — fala baixinho.
   — Tem, sim, você é forte, vamos lá. Vai!!
Mel dá um leve grito, fazendo força. Depois ela respira fundo. Chay se aproxima mais de sua mulher, dizendo:
   — Vai, Mel. Você consegue, por nós, pelo nosso filho. Você consegue, te amo.
   — Vamos Mel, mais uma vez — incentiva Vivian.
Mel pensa em Chay e no rostinho de Vinícius que viu nas gravações da ultrassonografia e usa toda as suas forças.
   — Estou vendo a cabecinha. Vamos Mel, falta pouco! — fala Vivian. 
Mel começa a chorar, não aguentando mais tanta dor, mas ao mesmo tempo está feliz por está prestes a dar a luz ao seu filho. Ela olha para Chay, que também está emocionado, com a câmera na mão.
   — Você ouviu, falta pouco. Você consegue! — ele diz sorrindo.
Chay pega na mão de Mel, que está suada. Mel respira fundo, lembrando da primeira vez que viu Chay, da primeira noite de amor dos dois, do casamento, da lua de mel... Nutrida de amor, ela faz força, gritando e apertando a mão de Chay. Ela sente Vinícius vindo ao mundo, Vivian o pega e o envolve em um pano. Mel sorri, chorando muito. Chay está encantado, chorando ao ver a enfermeira dando os primeiros cuidados à Vinícius. Chay e Mel se olham, ambos chorando muito. Ele diz encantado:
   — Você tem que olhar para ele, é tão lindo quanto você.
Mel chora muito, super feliz, ela pega na mão de Chay novamente.
   — Obrigada por estar do meu lado nesse momento.
Chay sorri de maneira terna e diz:
   — Eu sempre vou estar ao seu lado, sempre.
Uma lágrima escorre do rosto de Chay e outra memória invade sua mente: O nascimento de Isabela.
Mel reúne as suas energias e dá um grito. Ela e Chay ouvem um choro de bebê e se olham, ambos chorando.
   — Nasceu! — diz Mel aliviada e cansada.
   — Nasceu! Nossa menina nasceu. — Chay sorri alegremente. 
Uma das enfermeiras, entrega a garotinha a Mel, que determina:
   — Isabela! Ela irá se chamar Isabela.
   — Nome melhor não existe — apoia Chay.  Ela tem cara de Isabela.
Mel beija a bochecha de Isabela.
   — Seja bem-vinda, filha! Te amo!
   — Papai te ama, Isabela! — fala Chay acariciando a cabecinha dela. 
Ele e Mel se olham.
   — Eu te amo, Roobertchay! Você é tudo para mim.
   — Eu também te amo, Melanie! Não vivo sem você.
O casal se beija.
Chay deixa o violão de lado e esconde o rosto nas mãos. A sensação que percorre o seu corpo é de angústia e saudade. 

Depois de ouvir a revolta de Yasmin, que desabafou por uma hora consigo, Victor decide ir conversar com Isabela. Vera abre a porta e uma lufada de ar gélido entra na mansão de Chay e Mel. A governanta se espanta ao ver a vestimenta do loiro, que usa apenas uma calça jeans, tênis e uma segunda pele preta. 
   — Você não está com frio? — pergunta primeiramente. 
   — Não — responde o jovem surpreso com a pergunta. Vera se ergue as sobrancelhas tão surpresa quanto ele.
   — Entra — diz abrindo passagem. — O Vinícius está na sala de jogos. 
   — Hum... eu não vim falar com ele. A Isabela está? — pergunta colocando as mãos no bolso.
   — Ah, sim, está. No quarto dela. 
   — Ok, eu vou lá. 
Victor passa pela governanta e sobe a escada rapidamente.
   — A Isabela bateu o recorde de visitas hoje — comenta Vera consigo mesma. 
No corredor, Victor passa a mão no cabelo loiro e para em frente a porta do quarto de Isabela. Ele dá duas batidinhas e ouve passos se aproximando da porta do lado de dentro. Isabela abre e se surpreende ao vê-lo.
   — Victor?
   — Em carne, osso e gostosura.
Mesmo estando chateada com ele, Isabela não consegue controlar o sorriso. 
   — O que você quer? — pergunta depois de um instante. 
   — Falar com você. 
   — Ai, Victor, esse assunto já deu pra mim. Estou cansada de conversar sobre isso — ela desabafa apoiada na porta. Victor ignora o comentário dela e entra em seu quarto. — Ei! Isso é invasão de privacidade. 
   — Mais um erro cometido por mim? — pergunta Victor sentando em uma poltrona. Isabela fecha a porta se atentando no jeito com que ele fala.
   — Você conversou com a Yasmin, não foi? — deduz.
   — Exatamente. Os meus ouvidos estão inchados de tanto que eu tive que ouvir ela falar. Sabia que ela até chorou?
   — Larga de ser mentiroso! Eu conheço a Yasmin, sei que ela não chorou — Isabela fala com firmeza e senta em sua cama de frente para Victor. 
   — Ok, pode ser que ela não tenha chorado, mas ela ficou muito brava e triste.
   — Olha, agora ela sabe como eu me sinto! — exclama Isabela com uma animação forçada. 
Victor revira os olhos.
   — Por que você é tão babaca? 
   — Como é que é?
   — O seu namorado e sua melhor amiga se vingam por você e o que você faz? Termina com ele e quase bate nela. Isso é ser babaca. 
   — Primeiro, o meu relacionamento com o Felipe não é da sua conta; Segundo, eu não ia bater na Yasmin, foi mais um impulso; E terceiro, quem você acha que é pra me chamar de babaca?
   — Eu sou o garoto que ficou do lado da garota que eu gosto em uma vingança em vez de terminar com ela porque ela simplesmente fez uma coisa para o meu bem. 
   — Se encrencar os outros é me fazer bem, eu não quero que o Felipe me faça bem. 
   — O Jonas não é os outros, Isabela! É o garoto que te deixou no fundo do poço. 
   — O meu passado não te diz respeito — diz Isabela na defensiva. 
   — A partir do momento em que envolve um dos meus parceiros e a minha... melhor amiga, me diz respeito sim. 
   — O que você veio fazer aqui, Victor? 
   — Vim tentar colocar nessa sua cabeça que o que você está fazendo não é certo. 
   — Não foi certo o que vocês fizeram comigo!
   — A gente só se vingou do seu ex-namorado. 
   — Vocês armaram para ele transar com a filha do diretor!
   — Não! Nós armamos para ele se encontrar com a filha do diretor, ninguém colocou uma arma na cabeça do Jonas e mandou ele transar com a garota lá. Ele fez isso porque é um galinha.
   — E se fosse você? Não teria feito o mesmo que ele?
   — A gente não está falando sobre mim.
Isabela ri sem nenhum humor.
   — Ah, agora você diz isso. Por que você pode se meter na minha vida e eu não posso me meter na sua?
   — Porque você age como uma otária e eu não. Simples assim! — Ele dá de ombros.
Isabela pula de sua cama e caminha até a porta, a escancarando. 
   — Some do meu quarto, da minha casa! Você é um... escroto. 
Victor não se move e diz:
   — Não sei o que é escroto, mas pelo modo que você falou deve ser um xingamento. 
   — Sai — pede Isabela e ao ver que Victor permanece intacto, grita: — Sai daqui! Eu já estou péssima por ter descoberto que os meus melhores amigos agiram pelas minhas costas, péssima por ter terminado com o meu namorado, péssima por ter brigada com a minha melhor amiga... Não quero fechar esse dia horroroso tendo que ouvir insultos de você. — Ao terminar de falar, Isabela sente sua garganta se fechar e seus olhos se encherem de lágrimas que ela não consegue controlar. 
Victor levanta e caminha até ela, fechando a porta antes de abraçá-la. Devido a diferença de altura, o rosto de Isabela  fica no peito dele. 
   — Por que toda a vez que a gente conversa sério você chora? Lembra lá na fazenda?
   — Não — responde a adolescente entre as lágrimas.
   — É claro, você tava bêbada. Só que agora você está... — ele tenta lembrar da palavra — lúcida. 
   — Sóbria — corrige Isabela.
   — Isso aí. 
Isabela continua chorando e Victor acaricia o cabelo dela. 
   — Para de chorar — pede. 
   — Por que tinha que acontecer justamente comigo? Eu não queria que vocês se rebaixassem ao nível do Jonas. 
   — Mas você parou para pensar que a gente fez isso porque quis? Eu, pelo menos, adoro revenge.
   — Ai, Victor, mas isso é baixo.
Victor segura o rosto de Isabela entre suas mãos, obrigando ela a encará-lo. 
   — Se você é santinha, mas a gente não. Entende isso!
Isabela fecha os olhos e Victor enxuga o rosto dela com os polegares. 
   — A Yasmin ficou tão mal e me disse que o Felipe também. Eu acompanhei tudo de perto, Isabela, e posso te dizer que os dois viviam se questionando em como você reagiria. Eles sempre se preocuparam com você. 
   — Mas mesmo assim fizeram tudo o que fizeram. 
Victor suspira e aperta Isabela em seus braços.
   — Acho que você precisa pensar um pouco sobre tudo isso, aí verá realmente que o que a gente fez foi por um bom motivo.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 143: Isabela termina namoro com Felipe



Isabela está sentada em uma poltrona quando Felipe termina de contar da armação. Ela respira fundo e diz:
   — Eu não sei como expressar o quanto eu estou magoada com você. Poxa, Felipe, eu pedi para você deixar o Jonas para lá! Você sabe muito bem o quanto eu odeio esse tipo de ação. Armação, intriga, plano... tudo isso é coisa de gente baixa. 
   — O Jonas precisava de uma lição, Isa, por tudo o que ele já fez com você.
   — Você não acha que quem precisaria se vingar sou eu? Se eu não quero isso, porque você quer?
   — Porque eu te amo.
   — Não coloca o nosso amor no meio! 
   — Mas eu só fiz isso pelo nosso amor. 
   — Larga de ser clichê! — pede Isabela. — Você se rebaixou no mesmo nível do Jonas... Eu não esperava isso de você. Essa foi uma atitude do antigo Felipe, aquele playboyzinho pegador. 
   — Eu nunca deixei de ser eu mesmo. Melhorei, sim, mas aquele Felipe sempre vai estar em mim. 
   — É, pelo visto eu me enganei quando pensei que você tinha mudado. 
   — Não, Isa! Você me melhorou muito, mas eu não deixei de ser quem eu sou. 
    E nem vai deixar — ela fala mais para si mesma do que para Felipe. — Talvez seja um equívoco nós continuarmos juntos. 
Felipe se espanta.
   — Como?
   — O que você fez provou que nós temos diferentes concepções do que é certo e errado. 
   — Por isso você quer terminar comigo? Porque nós não somos exatamente iguais? Isabela, um namoro é assim, as pessoas não podem ser iguais porque se não nenhuma vai aprender nada com a outra.
   — Sim, eu concordo com você! No entanto, as diferenças que devem existir precisam ser pequenas, não uma coisa tão séria como caráter. 
   — Você está falando que eu não tenho caráter? — indaga Felipe revoltado. Isabela não se assusta com o tom de voz elevado dele e permanece com a cabeça erguida e o olhar fixo no rosto dele. 
   — Não exatamente. Eu acho que o seu comportamento foi consequência de um desvio de caráter, mas acredito que você tenha um pouco disso. 
   — Um pouco? — A indignação é aparente na voz de Felipe. — Eu tenho um caráter completo, Isabela! Você está me ofendendo. 
   — Suas atitudes te ofendem. Mas não é o seu caráter que está em discussão, é o futuro do nosso relacionamento.
Felipe esfrega as mãos na calça.
   — Você sabe muito bem o que eu quero para o futuro do nosso relacionamento. 
   — Eu achava que sabia, mas agora não tenho mais certeza. 
O adolescente morde o lábio inferior. 
   — Isa, por favor, não toma nenhuma decisão com a cabeça quente. 
   — Eu não estou com a cabeça quente. Eu quero apenas... — Ela olha para baixo e os seus olhos se enchem de lágrimas. — Eu quero terminar — diz com a cabeça abaixada, não querendo ver o rosto de Felipe. O adolescente fecha os olhos e o quarto mergulha em um silêncio pesado.
   — Isabela... — ele diz depois de um tempo, mas a jovem o interrompe.
   — Não, a minha decisão já foi tomada. — Ela levanta. — Por favor, me deixa sozinha.
   — Tudo bem. 
Felipe levanta e caminha até a porta, antes de sair, diz:
   — Por mais que isso te afaste de mim, eu não me arrependo do que eu fiz. Eu te amo e não é pouco. 
   — Sai — pede Isabela de costas para ele. Felipe fica olhando para ela por um momento e em seguida deixa o quarto. Isabela se joga na cama e liberta as lágrimas que a sufocam. 

Com a sensação de alívio, Mel deixa seu escritório e encontra Felipe no corredor, apoiado em uma mesinha de flores. Ao se aproximar dele, percebe que ele está chorando.
   — Felipe — chama assustada. — O que houve? — perguntando abraçando-o.
   — Nada, Mel — responde o adolescente enxugando as lágrimas.
   — Aconteceu alguma coisa, se não você não estaria chorando. 
   — Eu... eu e a Isabela terminamos. 
   — Por quê? — pergunta Mel com completo espanto.
   — Eu fiz uma coisa que ela não compreendeu.
   — Quer conversar? 
   — Não — ele responde entre as lágrimas. 
   — Tem certeza? — insiste Mel e como ele não responde, diz: — Vem, vamos conversar ali no escritório. 
Mel leva Felipe até o cômodo em que ficam o seu escritório e o de Chay. Eles sentam no sofá e Mel pega nas mãos dele, dizendo:
   — Me conta direitinho o que aconteceu. 
Felipe respira fundo e começa a narrar para Mel o que fez e as consequências de seus atos. 

Em seu quarto, Yasmin repensa nas coisas que fez. Com o ar condicionado aquecendo o ambiente, tira seu casaco, ficando apenas com uma segunda pele e deita na cama. Nesse instante, a porta é aberta e ela senta para ver quem entrou. 
   — Oi — fala Victor.
   — O que você quer? — pergunta Yasmin.
   — Nossa, eu não posso vir apenas te ver? — O loiro indaga fechando a porta.
Yasmin dá um leve sorriso.
   — Desculpa, é que eu tava pensando aqui. — Ela volta a se deitar de barriga para cima na cama. Victor deita sobre ela, perguntando:
   — Pensando no quê?
   — Será que o que a gente fez foi muito errado?
   — Óbvio que não, Yasmin — diz Victor dando um beijo no queixo dela. 
Yasmin vira o rosto para um lado. 
   — Eu não quero perder a amizade da Isabela.
   — Você não vai perder. Relaxa! — Victor começa a dar beijinhos no pescoço dela. 
   — Para, Victor! O lance é sério — diz o loirinha empurrando o rosto dele. 
   — Só estou deixando o clima mais descontraído.
   — Para, eu estou falando sério. 
Victor assente e dá o último beijo na clavícula dela. 
   — Ok, estou indo embora. 
O adolescente tenta levantar, mas Yasmin segura o seu braço.
   — Fica aqui comigo. 
   — Você está me deixando confuso.
Yasmin empurra ele para o lado e o abraça.
   — Fica aqui comigo, mas quietinho. Preciso pensar um pouco.
   — Ok, entendi. 
Victor coloca um braço na cintura dela e Yasmin afunda o rosto no pescoço dele.
   — Victor, promete que nada desse gênero vai abalar a gente?
   — Claro que não. Nós dois somos... como se diz? Malévolos.
Yasmin ri e dá um beijinho no pescoço dele.
   — Eu te amo.
   — Pra você ter dito isso a situação realmente é séria. Nem ontem que a coisa tava boa entre a gente lá no carro, você não disse. 
   — Por isso que eu estou dizendo agora. 
Victor acaricia o cabelo dela.
   — Também te amo, minha coisinha. 

Em um café, Maria Luíza e Samuel comem petit gateau e conversam, tentando afastar o frio. 
   — Então — fala Malu — a gente começou a conversar na beira da praia e como já era bem tarde, fomos assaltados. — Ela gargalha. — Foi horrível!
   — Posso imaginar — ele responde rindo também. — O que é mais engraçado, é a minha imaginação da reação da Graziele.
Malu gargalha e lágrimas surgem em seus olhos.
   — Cara, ela ficou apavorada! Pensa, nós duas sozinhas na praia, daí do nada aparece um cara e leva todas as nossas coisas. Eu pensei que ela não pudesse ficar ainda mais branca, mas ela ficou.
Eles riem mais um pouco.
   — E quando foi isso mesmo?
   — No começo do ano passado — conta Malu enxugando as lágrimas. — Ai — ela suspira —, até chorei. 
Samuel, que está ao seu lado, leva uma de suas mãos ao rosto dela. Malu fica observando o gesto dele e sente os dedos gelados no garoto encostando em sua pele. 
   — Um cílio ia entrar no seu olho — ele fala mostrando o cílio em seu dedo indicador. 
   — Vamos fazer assim. — Malu coloca o seu dedo indicador sobre o dedo e fala: — No três a gente solta e vê quem ficou com o cabelinho.
   — Qual é a lógica disso? — pergunta Samuel rindo.
   — Quem ficar com o cílio faz um pedido.
Ele ri e assente.
   — Ok. 
   — Um, dois, três — ela conta e eles soltam os dedos. 
   — Ficou comigo — comenta Samuel.
   — Agora faz um pedido mentalmente. 
Ele fita a mesa por alguns segundos e em seguida assopra o cílio.
   — Não! — exclama Malu. — Você tinha que guardar perto do peito.
Samuel começa a gargalhar e joga a cabeça para trás.
   — Você acredita mesmo nisso? — pergunta olhando para a morena.
   — Não, mas dizem que funciona. — Ela dá de ombros. — Agora que você assoprou, não vai funcionar, sendo assim, me conta o que você pediu.
Samuel não faz rodeios ao responder:
   — Um beijo seu. 
Malu sorri e olha para o seu petit gateau. Samuel completa:
   — Pelo visto o pedido realmente não vai funcionar.
   — Quem falou? — ela pergunta olhando para ele, que sorri e se aproxima ainda mais dela.
   — Isso quer dizer que...?
   — Você é muito lento, moleque. — Assim que termina de falar, Malu beija Samuel. 

A noite cai, assim como, a temperatura. Aquecida em seu quarto, Isabela lê um livro tentando esquecer seus problemas.
   — Posso atrapalhar um pouquinho? — pergunta Mel colocando a cabeça para dentro do quarto. Isabela sorri, fechando o livro, e responde:
   — A senhora nunca atrapalha, mãe.
Mel sorri e fecha a porta ao entrar. 
   — Estava querendo conversar com você.
Pelo tom de voz da mãe, Isabela deduz que ela já sabe o que aconteceu entra ela e Felipe.
   — A senhora já está sabendo?
   — Sim — Mel responde se sentando na cama ao lado da filha.
   — Como?
   — Eu e o Felipe conversamos.
    Sério?
   — Por que o espanto? Esqueceu que eu sou a madrinha dele?
Isabela ri levemente.
   — Não é isso, é que... sei lá. O que ele te falou? — pergunta com curiosidade.
   — Me contou o que ele fez e o que você fez por causa do que ele fez. 
Isabela pisca rapidamente.
   — Confuso, mas entendi. — Elas riem e a adolescente pergunta: — O que a senhora acha realmente disso?
Mel abre a boca para responder, mas é interrompida por duas batidas na porta. 
   — Entra — fala Isabela. Vera, a governanta, abre a porta.
   — Com licença. Isabela, a Yasmin quer falar com você?
A expressão de Isabela se endurece.
   — Ela está aqui? — pergunta friamente. A porta é escancarada e a filha de Sophia e Micael entra.
   — Estou. 
Isabela olha para a sua mãe, que diz:
   — Vou deixar vocês a sós. — Mel levanta da cama e caminha para a saída do quarto. — Vamos, Verinha.
As duas saem do quarto e fecham a porta. Sozinhas no cômodo, Isabela e Yasmin se olham intensamente. 
   No corredor, Vera fala para sua patroa:
   — Dona Mel, eu não deixei ela subir. Ela que apareceu lá atrás de mim e entrou.
   — Tudo bem, Verinha, eu conheço bem o jeito da Yasmin — responde a empresária sorrindo levemente. — Elas precisam conversar — emenda. 
   Isabela levanta da cama, perguntando:
   — O que você quer aqui?
   — Você conversou com o Felipe e tal, mas acho melhor você conversar com a responsável pela vingança. Eu. 
   — Você não foi a única responsável.
   — Mas fui eu quem arquitetou tudo. Isabela, o Felipe só deu o incentivo, quem fez tudo fui eu. 
   — Não adianta tentar puxar toda a culpa pra você, Yasmin. Você não vai conseguir defender o seu irmão, se você veio para isso está perdendo o seu tempo.
   — Eu não vim até aqui para defender o Felipe, vim porque nós somos amigas e precisamos conversar a respeito disso.
Isabela cruza os braços e encara Yasmin, questionando:
   — E quem disse que eu quero conversar com você?