domingo, 7 de fevereiro de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 279 [Parte 2]: Primeira noite na fazenda é marcada por tensão



Luíza senta em um sofá próximo da janela e passa a mão pelo rosto antes de responder ao questionamento do marido.
   — Ele disse que viu novamente um homem observando a gente. 
   — Sério? — indaga Daniel.
   — Sim. Eu não sei mais o que fazer, Dan. No começo, eu realmente achava que tinha alguém, poderia ser a mando do Augusto. Acontece que... acontece que não tem ninguém! Aquele dia no supermercado eu corri atrás de um cara que só estava comprando bolachas para o filho.
   — Isso não deve ter passado de coisa de criança, Lu.
   — E se não for? — ela questiona olhando intensamente para ele.
   — O que você quer dizer isso?
Luíza esfrega as mãos nas coxas.
   — Eu tô pensando em levar o Nícolas na franquia infantil da minha clínica.
   — Como? — questiona Daniel com os olhos estreitos.
   — Talvez se ele começar a fazer terapia isso passe.
   — Luíza, ele não precisa de terapia — devolve Daniel. — Isso deve ser só coisa de criança.
   — Tudo bem, mas fazer terapia seria algo muito positivo pra vida dele.
   — Mas ele não precisa de terapia!
   — Daniel, se todo mundo pudesse fazer terapia, seria ótimo pra sociedade, sabia? Eu faço e isso ajuda muito na minha vida. Eu já te expliquei como isso funciona, não vou falar de novo.
   — Eu sei — concorda Daniel. — Mas você não acha que o Nícolas é muito novinho pra isso?
   — Quanto mais cedo melhor, vai crescendo um ser humano mais evoluído.
   — Eu não concordo com isso, Luíza.
   — Qual é o problema?
   — O meu filho não é louco! — exclama Daniel com fervor.
Luíza levanta lentamente do sofá, cravando o seu olhar mais venenoso no marido.
   — O que é que você disse?
Daniel passa a mão pelo cabelo, nervoso.
   — Desculpa, eu falei sem pensar. 
   — O que foi que você disse? — berra Luíza com raiva. — Você conhece muito bem a minha profissão, Daniel. Como você pode dizer uma coisa dessas?

No centro da sala da fazenda, espalhados por sofás, poltronas e pelo tapete, estão Vinícius, Thiago, Samuel, Brian e Jaqueline. Eles contam, em inglês, para Brian sobre as festas de aniversário que houveram no local no final do ano anterior. 
   — A mais legal foi a da Marina — opina Vinícius.
   — Eu concordo — Thiago fala. — Teve vários brinquedos.
   — Crianças são assim mesmo, basta ter um brinquedinho que se vende — ri Samuel.
   — Qual foi a melhor na sua opinião? — questiona Brian.
   — A que ele ficou com a Talita — provoca Jaqueline e eles caem na gargalhada, exceto o próprio Samuel. 
   — Vai se f*der, Jaque.
Thiago começa a falar sobre outros assuntos e Jaqueline acomoda-se mais no sofá com Brian enquanto Vinícius levanta do tapete e vai para o corredor.
   — Tô cansada e com fome — ela ri.
Brian dá um beijinho na testa dela.
   — Quer dormir um pouco?
   — Não, eu quero ficar mais um pouquinho com você.
Eles sorriem e se beijam. O afeto não dura muito, pois o som de um instrumento musical desperta o interesse deles. Os dois olham para Vinícius, que está encostado em uma parede tocando uma música do cantor Cícero. A maioria dos jovens também observam o rapaz e Yasmin afasta-se da janela e começa a dançar perto de Vinícius. A primeira vista, Marina fecha a cara por causa da loirinha.
   — Esse seu namoradinho é gostosinho e fofinho, hein? — brinca Malu no ouvido dela e Marina sorri. Ela então deixa de prestar atenção em Yasmin e fica apenas fitando Vinícius.
   — Eu não sou ninguém de mais e você também não é — canta baixinho junto com ele. — É só rodopiar em busca do que é belo e vulgar.

Daniel também fica em pé, o rosto vermelho de nervosismo e raiva.
   — Desculpa! — pede. — Eu falei sem pensar, não quis dizer aquilo.
Luíza respira fundo.
   — É muita falta de consideração e respeito pela profissão dos outros.
Ele rodeia a mesa e caminha até ela.
   — Luíza — diz com firmeza segurando nos braços dela. — Eu falei sem pensar. Eu respeito e admiro a sua profissão, eu não quis dizer aquilo. Saiu! — Ela não fala nada. — Me desculpa, por favor.
   — Ok, vou esquecer isso. Agora, com relação à terapia, eu vou levar o Nícolas.
   — Não — discorda Daniel e recebe um olhar raivoso da esposa, por isso emenda com suavidade: — Deixa eu conversar com ele primeiro, depois a gente vê isso de terapia.
   — Quer dizer que o Nícolas conversar com você pode, mas com um profissional que vai ajudá-lo, não?
   — Eu sou o pai dele.
   — E a pessoa é um profissional que tem muito conhecimento sobre o assunto.
   — Luíza, por favor, deixa eu conversar com ele primeiro, ver realmente o que eu acho sobre isso.
Como sabe que o esposo não vai ceder antes de conversar com o filho e que não pode tomar as decisões sobre a vida da criança sem a consulta dele, Luíza assente.
   — Tudo bem. 
Daniel dá um leve sorriso e a abraça com força.
   — Desculpa, de verdade. Você sabe que eu nunca quis ofender a sua profissão. 
   — Tá, deixa isso pra lá.
Ele segura o rosto dela entre suas mãos e eles se beijam.

Em um barzinho alternativo da cidade, Jonas e Maísa comem uma porção de batata frita. O casal passou alguns momentos juntos na pista de dança, mas a loira pediu para eles sentarem em uma mesa para comer algo. 
   Jonas fala calmamente sobre uma viagem de férias de anos atrás e Maísa assente, olhando ao redor. Seu olhar para em uma mesa de sinuca mais adiante, onde dois rapazes jogam animadamente. Ela observa cada detalhe do corpo de um e parte para o outro. Jonas continua falando, mas nota que ela não está mais com toda a atenção nele, por isso para com uma batata a caminho da boca e olha por sobre o ombro para o lugar em que está o olhar de Maísa. Seus olhos esfriam e ele volta a fitar a jovem.
   — Maísa?
   — O que foi? — ela olha para ele.
   — Você vai ficar secando esses dois na minha frente? — indaga.
   — Eu não estou secando ninguém, Jonas — mente ela. — Só estava olhando.
   — Olhar é uma coisa, comer a pessoa com os olhos é outra. 
   — E se eu tiver "comendo" eles com os olhos, qual é o problema? 
   — O problema é que você está aqui comigo, né? Tem que me respeitar.
Maísa ri.
   — Respeitar, Jonas? Você não é nada meu. 
   — Mas a gente está junto.
   — Sim, mas você não é meu namorado, não é nada meu.
   — Mesmo assim, eu não gosto de te ver olhando para outros caras. Eu posso sentir ciúmes pelo menos, ou só namorado pode? — questiona com raiva. 
A expressão de deboche de Maísa suaviza-se e ela dá um leve sorriso.
   — Então toda essa ceninha é por que você está com ciúmes de mim? 
Jonas desvia o olhar e coloca a batata que está em sua mão na boca, tomando mais tempo para responder.
   — Não foi isso que eu quis dizer — desconversa em seguida.
   — Mas foi exatamente isso o que você disse.
   — Ai, Maísa. — Ele revira os olhos e levanta da mesa, indo para a pista. A loira pega sua bolsa e vai atrás dele, segurando em seu braço antes que ele chegue até lá.
   — O que é que tem dizer que sente ciúmes? — indaga com o rosto bem próximo ao dele.
   — Eu não sinto ciúmes de ninguém.
   — Mas sentiu de mim — ela sorri. Jonas tenta sair de perto dela, mas Maísa não permite.
   — Larga de ser bobo.
   — Bobo eu fui minutos atrás.
   — Isso não é bobagem — retruca Maísa. — Significa que você gosta de mim. 
   — Um pouquinho — ele sorri.
   — Quando é pouco a gente não sente ciúmes.
   — Para de ficar repetindo essa palavra.
Maísa ri e balança a cabeça.
   — Eu não sei qual é o meu problema, porque só tendo um pra estar com você.
   — Concordo — ri Jonas. — Mas que bom que você tem esse problema.

Minutos depois de ter conversado com Luíza, Daniel esgueira-se para dentro do quarto do filho. O garotinho está assistindo um desenho na televisão.
   — Posso falar com o meu campeão um instantinho? — pergunta o engenheiro sorrindo.
   — Pode, pai.
Daniel silencia a televisão e senta ao lado do filho na cama dele.
   — A sua mãe me contou que você viu de novo um homem seguindo vocês, é verdade?
   — É — confirma Nícolas. — Mas a mamãe não acredita, ela acha que eu tô mentindo.
Daniel passa a mão pelo cabelo do filho, falando com calma e naturalidade:
   — Ela não acha isso, filho. É que ninguém consegue ver esse homem, só você.
   — É porque ele se esconde! — exclama Nícolas com seriedade e vendo o olhar de descrença de Daniel, acrescenta: — Eu não tô mentindo, papai. Não tô!
O homem olha intensamente para o filho e vê toda a irritação e a frustração que ele sente por ninguém estar levando a sério o que ele diz. Por causa do que analisa, Daniel sente que o filho realmente acredita no que diz.
   — Não fica nervoso — pede dando um abraço nele. 

Depois de ter dançado várias músicas indies que Vinícius tocou, Yasmin encaminhou-se para a cozinha, porém no corredor foi alcançada por Victor. O casal de namorados trocou várias carícias e afetos, até que ela finalmente chegou à cozinha. 
No espaço estão Vera, Sandra e uma senhora que é a responsável pelo gerenciamento da fazenda. Assim que seus olhos caem nela, Yasmin percebe as mãos calejadas de muito trabalho e as rugas nos olhos, os quais com toda a certeza já viram muita história para contar. 
   — Boa noite — cumprimenta a loirinha enquanto Victor faz um aceno de cabeça atrás dela.
   — Boa noite — responde a senhora.
   — Esses são Yasmin e Victor — apresenta Vera.
   — A senhorita é muito bonita — elogia a senhora e Yasmin sorri.
   — Obrigada — responde. Seu namorado dá um leve sorriso, concordo plenamente com a velhinha. — A gente veio saber se os quartos já estão prontos — conta Yasmin.
   — Estão — responde Sandra, anos mais jovem do que as outras duas.
   — Os lençóis estão limpos, né? — Vera confere com a senhora.
   — Sim, eu mesma lavei eles ontem. Eu ia lavar hoje, mas não pode lavar roupa na segunda-feira.
Yasmin estreita os olhos.
   — Não pode?
   — Não! — responde a senhora com convicção. — Se você lava roupa na segunda, nos outros dias sempre vai ter alguma peça pra você lavar. 
A loirinha nem precisa olhar para Victor para saber que ele está prestes a rir, por isso coloca um dos braços para trás, acertando uma cotovelada no estômago dele. O rapaz, que realmente estava quase gargalhando, passa os braços ao redor dela. Contudo, o abraço é forte demais para um simples carinho e Yasmin tem que se controlar para não reclamar com ele na hora. 
   — Entendi — responde para a senhora com um pouco de falta de ar.
Nenhuma das funcionárias repararam nas ações deles, tudo o que viram foi Victor abraçar a namorada.
   — A gente precisa fazer a separação de quem vai ficar em cada quarto — fala Sandra para Vera.
   — A gente pode fazer isso — Victor fala com tanta naturalidade que suas segundas intenções ficam muitíssimo disfarçadas. 
   — Não — discorda Vera. — Temos ordens para nós mesmas organizar isso.
Victor fica levemente desapontado, pois sabe que não dormirá com Yasmin. A loirinha sente isso e sorri, fazendo questão de virar o rosto para que ele veja, mas logo se arrepende, pois Victor aperta ainda mais o seu corpo.
   — Vamos lá para sala arrumar logo isso — chama Sandra. — Já está tarde.
A senhora despede-se deles e sai da casa pela porta da cozinha, Vera e Sandra passam pelo casal de loiros e vão para a sala.
   — A gente já tá indo — avisa Yasmin. Assim que fica sozinha com o namorado, pede: — Para, eu não tô conseguindo respirar!
   — Isso é pela cotovelada — ele diz no ouvido dela.
   — Victor, eu tô falando sério.
O rapaz vê que é verdade e solta a namorada, que puxa o ar para dentro dos pulmões e se vira para ele.
   — Quer me matar sufocada? 
Victor aproxima-se novamente dela e segura em seu pescoço.
   — Só se for de beijo. — Ele dá um selinho nela.
   — Só que não vai ser nessa noite. Você viu, nós com certeza vamos dormir em quartos diferentes.
   — Vi. 
   — Ctor — Yasmin ri. Ele também sorri e coloca as mãos na mesa que está atrás dela, deixando Yasmin cercada.
   — Só porque eu queria transar na segunda-feira — ele comenta —, vai que é igual lavar roupa, daí no resto da semana eu vou transando de novo. 
Eles gargalham e Yasmin dá um passo na direção dele. 
   — Relaxa, a gente ainda tem muito tempo pela frente.
   — Não tanto — retruca Victor e os dois ficam tensos.
   — Como será que elas vão organizar a separação de quartos? — questiona Yasmin, tentando disfarçar a tensão entre eles.
   — Não sei — ele responde pousando as mãos na cintura dela. A loirinha passa alguns segundos apenas olhando nos olhos dele. Em seguida, os dois se beijam com tranquilidade.
   — Vem — chama Yasmin após o afeto —, vamos lá ver como vai ficar isso.

Quando chegam na sala, Yasmin e Victor veem que todos estão reunidos olhando para Vera e Sandra que estão em pé na frente do armário. Em um sofá, Jaqueline e Brian estão juntamente com Thiago. Em outro, Malu, Graziele e Isabela acomodam-se enquanto Samuel e Felipe estão em poltronas. Vinícius e Marina estão juntos no tapete com os braços apoiados na mesinha de centro, onde o ukulele dele repousa. Yasmin e Victor param atrás do sofá de Isabela e ouvem Vera dizer:
   — Temos ordens de separar meninas e meninos. Como vocês são seis meninas e também seis meninos, pensamos em colocar três em cada quarto.
   — Por isso — continua Sandra —, tivemos a ideia de em um quarto ficarem a Isabela, a Marina e a Yasmin. Em...
   — Não — Isabela interrompe. — Eu não quero ficar num quarto com a Marina e a Yasmin juntas de novo não. — Mesmo sabendo que o relacionamento entre elas melhorou bastante desde a última vez em que estiveram ali, tem consciência de que há recaídas. — A Jaqueline pode ficar no lugar da Yasmin — sugere, pois compreende que as duas loiras não podem ficar no mesmo quarto.
Victor faz outra interpretação e brinca:
   — A Isabela está trocando a Yasmin pela Jaqueline.
Sua maneira de ver a situação é mais simples do que a de Isabela, por isso a maioria acredita no comentário dele e o clima fica pesado. Isabela olha para a amiga e vê que não precisa se explicar, porque Yasmin entendeu suas intenções.
   — Tá bom — concorda Sandra. — Então em um quarto ficarão Isabela, Marina e Jaqueline. Em outro, Yasmin, Graziele e Malu. 
   — Os meninos — Vera prossegue —, ficarão em um quarto Vinícius, Brian e Victor e em outro, Samuel, Thiago e Felipe.
O americano fica atento ao ouvir o seu nome, mas assim mesmo não entende nada, porém fica tranquilo porque sabe que depois alguém vai explicar a ele o que está se passando. 
   Felipe imagina que Vinícius não vá se sentir confortável de ficar no mesmo quarto que o ex de Marina, por isso fala:
   — Eu posso trocar de lugar com o Brian? 
Nem Vera nem Sandra entendem a razão para isso, mas não encontram motivos para negar.
   — Pode — responde Vera.
   — Ainda bem! — Victor comemora sussurrando para Yasmin. — Não queria ficar junto com o Brian. — A loirinha revira os olhos, sorrindo levemente.
   — Ok — responde Felipe.
Ao contrário delas, os jovens entenderam muito bem o porquê de Felipe ter feito a troca, o que deixa o clima ainda mais denso.
   — Gente, hoje é só a primeira noite — lembra Malu rindo.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 279 [Parte 1]: Proximidade do aniversário de Malu torna-se assunto entre os jovens



   A lua está tomando espaço no céu quando a van em que os adolescentes estão para em frente a casa principal da fazenda de Chay. Os carros das famílias Borges e Fronckowiak param logo atrás com Vera e Sandra. Todos descem e caminham para o interior da casa, sendo recebidos pelos funcionários que trabalham na propriedade.
   Em um pequeno grupo, Marina, Vinícius, Thiago, Isabela e Malu cruzam o jardim. O casal anda abraçado e Marina boceja.
   — Sabe que dessa vez eu cansei? — ela comenta.
Vinícius aperta com mais força o ombro dela e dá um beijo em seu cabelo.
   — Pelo o que eu vi da galera, todo mundo vai dormir cedo hoje.
Yasmin é carregada nas costas de Victor, suas pernas rodeiam a cintura dele e seus braços, os ombros.
   — Tá pesada — ele brinca. Yasmin não responde de imediato, apenas dá um beijo na nuca dele.
   — Muito amor para você — resmunga depois.
Brian e Jaqueline seguem os dois, de mãos dadas.
   — É a primeira vez que eu venho aqui — ele comenta em seu idioma. 
   — Você vai gostar — responde a loira sorrindo.
Os outros também se acomodam na sala logo em seguida.

Em uma loja de fantasia, na área específica para crianças, Luíza busca algo do agrado do filho. Nícolas perdeu-se entre as fantasias e ela é capaz apenas de ouvir as risadinhas dele uma hora ou outra. 
   — Já encontrou o que deseja? — questiona a vendedora que Luíza despachou minutos atrás. 
   — Não — ela responde.
   — Você tem alguma fantasia em mente?
   — Não — repete a psicóloga. — É que o meu filho tem uma festinha à fantasia de férias no colégio.
   — Ah, sim! Eu vou buscar umas fantasias que chegaram ontem para a senhora ver.
   — Obrigada — sorri Luíza. A funcionária afasta-se e segundos depois, Luíza sente algo se chocar contra as suas pernas e quadril e olha para baixo. — Até que enfim o senhorzinho apareceu. 
Nícolas dá um leve sorriso, olha por sobre o ombro e volta a encarar a mãe.
   — Tem um homem olhando pra mim, mãe!
Luíza respira fundo.
   — O quê, Nícolas?
   — Tem um homem me seguindo.
Ela ergue a cabeça e olha rapidamente ao redor.
   — Não, filho, não tem ninguém — diz já cansada dessas situações. Ela pensou bem e chegou à conclusão de que tudo não deve passar de delírios infantis de Nícolas. 
   — Tem sim! — ele insiste.
   — Não, tem, Nícolas — repete pausadamente. — Agora encontra logo a sua fantasia para a gente poder ir embora.
   — A senhora não acredita mim! — resmunga Nícolas com irritação.
   — Nícolas — Luíza olha com autoridade para o filho. — Encontra a sua fantasia. Chega com essa história!

A sala da casa principal da fazenda está cheia e os sons de vozes é captado até do jardim. Em um grupo perto da lareira, Isabela, Victor e Graziele conversam.
   — Eu já pensei em várias atividades que a gente pode fazer — conta a morena, sorrindo com os olhos iguais aos de Mel brilhando.
   — Eu também — fala Victor apoiando o braço na cabeça dela.
   — Sai, Victor — ela pede desviando. O loiro passa os braços pela cintura dela e a puxa para perto de si, causando gargalhadas em Graziele.
   — Quais são os planos de vocês? — indaga olhando para os dois, Isabela está presa no braços de Victor e tenta a todo custo sair de lá.
   — Eu não posso contar os meus planos — responde Victor olhando para a ruiva.
   — Cruzes! — exclama Isabela parando de se debater. — Você falando isso me agarrando parece até um tarado.
Graziele ri.
   — Isso porque vocês não estão se vendo — ela diz. — Porque parece um tarado querendo pegar uma garotinha inocente, porque você é toda pequenininha, Isa.
Victor ri e abaixa a cabeça para falar no ouvido de Isabela.
   — É quase isso, né? 
Isabela dá um chute na canela dele e sai de seu aperto.
   — Você é muito idiota, Victor.
   — Eu sei que vocês me amam — ele ri e estica os braços na direção de Graziele, mas a ruiva é mais ágil que Isabela e consegue desviar dele.
   — Nem vem — resmunga rindo. 
Próximos da janela, Felipe e Yasmin, Malu e Marina conversam.
   — Você vai passar o seu aniversário aqui, né? — comenta Marina.
   — Vou — responde Malu dando um abraço nela. — Nosso primeiro aniversário juntas.
Os quatro riem.
   — A gente tem que fazer algo inesquecível — comenta Yasmin entusiasmada ao pensar sobre o assunto.
   — Será — garante Felipe. — Eu vou estar presente.
   — Uau! — exclama Marina rindo.
   — Você sempre esteve presente nos meus aniversários — retruca Malu ainda abraçada na namorada de Vinícius.
   — E todos eles foram inesquecíveis! — responde Felipe. — Você lembra de mim em todos eles.
Eles riem novamente.

No quarto de Iago, no apartamento da sua família, Aline dá vários beijos nele. Os dois estão deitados na cama dele, a garota por cima beijando o seu pescoço. Iago está com as mãos nas costas dela e não deixa que ela se afaste muito. Eles voltam a se beijar intensamente e Aline abaixa as mãos até a barra da camisa dele.
   — Não — ele fala entre o beijo.
   — Está quente — justifica ela erguendo a peça. Relutante, Iago retira a camisa e Aline joga ela no chão. — Você é tão lindinho.
   — No diminutivo — ele fala sem pensar, mas ela ri.
   — Sim, porque você é fofo e tudo tem que ser no diminutivo. — Aline senta no colo dele. — Você é o meu fofinho, o meu lindinho.
Iago acaba sorrindo e volta a beijá-la. Passado alguns minutos de intensos beijos, Aline distancia-se e tenta tirar a própria blusa, mas dessa vez Iago consegue impedir.
   — Não, Aline — fala colocando as mãos sobre as dela.
   — Por quê? Eu quero ficar igual a você.
   — Eu sei o que você quer.
Aline sorri maliciosamente.
   — Que bom!
Embora ela ria, Iago permanece sério.
   — Esse não é o melhor momento, Aline.
   — Por que não? — ela indaga. — Eu estou aqui, você está aí, seus pais não estão aqui. Eu quero, sei que você também quer.
   — Eu quero — ele confessa —, mas não agora. Não é momento certo.
   — Iago? — Aline não esconde a decepção.
   — Por favor, entenda.
   — Como eu vou entender isso? — ela questiona e sai de cima dele, deitando ao seu lado.
Os dois ficam em silêncio por um instante. Lentamente, Iago vira de lado e acaricia a mão dela.
   — Eu gosto de você, Aline. 
   — Eu também. Muito!
   — Então não vamos estragar tudo.
   — Eu não vejo como isso pode estragar? Eu só...
   — Shiu — ele pede com suavidade colocando o dedo indicador nos lábios dela. — Não vamos falar mais nada.
Ele abaixa o rosto e beija com suavidade os lábios dela.

Depois de comprar a fantasia do filho, Luíza chega na cobertura em que eles moram. Nícolas corre para o seu quarto, triste e emburrado com a mãe. Luíza revira os olhos e vai para o escritório e biblioteca. 
   — Nossa, o Nícolas está terrível hoje — comenta assim que entra.
Daniel ergue a cabeça de um mapa e olha para ela.
   — O que aconteceu? — questiona com seriedade, pois o rosto da esposa não está nem um pouco tranquilo.