terça-feira, 14 de junho de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 319: Marina despede-se de Brian que retorna aos Estados Unidos



Atrás de duas meninas, Brian aguarda para poder pegar bebidas para ele e Marina em um dos pontos da festa. Uma mão segura em seu ombro e ele olha para a pessoa em questão.
   — Jaque, eu combinei com a Marina...
   — Eu sei o que vocês combinaram, mas eu não me importo — corta a loira.
   — Mas não é bem assim...
Jaqueline segura com força na gravata dele e o traz para perto.
   — Pelos próximos minutos você é meu e ninguém vai nos impedir.

Em uma extremidade da pista, Yasmin e Felipe conversam praticamente aos berros por causa da música alta. Isabela chega bufando e os dois estranham o comportamento dela:
   — O que aconteceu dessa vez? — questiona Yasmin. 
Quando Isabela está prestes a responder, Victor chega e ela fala:
   — Isso aconteceu.
Os irmãos olham para o loiro.
   — Ela está bravinha porque ouviu certas coisas — conta Victor.
   — Olha — fala Felipe —, vamos deixar uma coisa bem clara? Chega de provocações e "verdades". Caramba, a gente está aqui para se divertir e até agora eu não consegui fazer isso.
   — O Felipe tem toda razão — apoia Yasmin no momento em que Vinícius se junta a eles.
   — Razão de quê? — indaga o rapaz.
   — De que a gente tem que parar de se provocar — Felipe explica.
   — Quem estava se provocando agora?
   — Te dou um doce se você adivinhar — resmunga Isabela.
Marina chega perto dos amigos enquanto Vinícius palpita:
   — O Victor?
   — Óbvio, né!
   — Eu ouvi um pedido de sem provocações — fala Victor —, até agora eu estou cumprindo com ele, mas se você não está eu vou deixar pra lá também.
Sem dar tanta importância para a discussão dos amigos, Marina busca o olhar de Vinícius.
   — Para com isso — pede Yasmin olhando pra Victor.
   — Ué, ela pode ficar falando as coisas e eu não?
   — Ela não vai falar mais nada — garante Vinícius sem sequer olhar para Marina.
   — Não fale por mim — pede Isabela.
   — Colabora, Isa — Felipe fala enquanto Marina passa pelo irmão para chegar até o namorado.
   — É que vocês adoram falar por e de mim.
   — Eu não perco muito do meu tempo falando de você não — corta Victor. — Muito menos por você.
Marina passa um dos braços pelos ombros de Vinícius. Ele não a afasta, mas também não retribui o toque dela
   — Chega disso, gente — exige Yasmin. Ela entrelaça seus dedos nos do namorado e diz: — Vem, vamos lá pra baixo.
   — Eu quero dançar — retorque Victor.
   — Mas eu quero descer.
O rapaz não contesta e sai arrastado pela namorada.
   — Vamos dançar por eles — fala Felipe para Isabela.
   — Vamos — responde a morena e olha para o outro casal. — Vocês vêm?
   — Sim — responde Vinícius, mas Marina fala o contrário:
   — Não. — Ela olha para o namorado e completa: — Vamos ficar um pouco só nós dois.
Vinícius entende o que ela quer dizer e assente.
   — A gente vai depois — fala para a irmã e o cunhado, que não percebem nenhuma tensão entre eles.

Assim como os filhos dos ex-rebeldes fizeram, Jaqueline tranca a porta de um dos banheiros após entrar com Brian.
   — Jaque, isso não é certo.
   — A gente merece uma despedida no nível que foi o que a gente teve — argumenta a loira caminhando até ele enquanto tira seu casaco de pele preto. — Vai dizer que você não quer?
   — Claro que eu quero — responde Brian cobiçando o corpo dela com o olhar. — Acontece que eu não quero magoar a Mari.
   — Ela não vai ficar magoada. — Jaqueline prende o corpo dele contra a pia. — Eu preciso desse momento com você, Brian. — Ela acrescenta em português, propositalmente para ele não entender: — Eu vou sentir muito a sua falta.
   — O quê? — ele pergunta pegando carinhosamente no pulso dela.
Jaqueline se lança contra o corpo dele e une seus lábios aos dele. Brian percorre seus braços pelas costas dela, retribuindo o beijo com a mesma intensidade. Sem interromper o beijo, a jovem abre o botão do paletó dele e tira a peça, deixando-o sobre a pedra da pia. O americano intensifica ainda mais o beijo e abre lentamente o zíper do vestido de paetês dela. 
   Minutos depois, o casal está semi-nu trocando carícias intensas e beijos de tirar o fôlego. 
   — Eu quero te dizer uma coisa — fala Brian parando um dos beijos com selinhos.
   — Não precisa — retruca Jaqueline com medo de que ele fale algo que a faça cair aos prantos.
   — Eu preciso, Jaque — diz o americano com seriedade. — Não vou conseguir ir embora sem te dizer isso.
A loira umedece os lábios e encosta na pia, afastando-se alguns centímetros dele.
   — Fala.
Brian respira fundo e desvia o olhar do dela.
   — Eu queria te agradecer, na verdade, por tudo o que você me proporcionou nessas férias. Eu amei te conhecer e não tenho dúvidas de que vou sentir muita falta do seu jeito em casa. Se pudesse, te levaria dentro da minha mala só pra não ficar sem você. Você é muito especial pra mim, Jaque.
Com os olhos marejados, Jaqueline assente e dá um abraço apertado nele.
   — Você também se tornou muito especial pra mim. Não quero perder o contato com você.
   — Isso não vai acontecer — garante Brian. — Eu te prometo.
Eles sorriem um para o outro com tristeza no olhar e se abraçam com força.
   — Tem certeza de que não quer ir na minha mala? — sussurra o americano no ouvido dela, que cai na gargalhada. Em seguida, Jaqueline afasta o rosto do ombro dele e acaricia a sua bochecha com carinho.
   — Eu nunca vou esquecer o que a gente viveu. — Ela dá um beijo muitíssimo apaixonado nele. A carícia vai ganhando um ritmo mais acelerado e instantes depois eles se despem por completo.

Assim que ficam a sós, Marina pergunta para Vinícius:
   — Você está bravo comigo?
   — Não — ele responde.
   — Mentiroso. Vini, você interpretou mal o que eu disse.
   — Eu interpretei mal?
   — Sim, sei que o que eu disse soou estranho, mas eu não quis dizer o que você entendeu.
   — Eu entendi o que você quis dizer.
   — Não, você entendeu que nós jamais teremos o vínculo que eu tive com o Brian. É isso que eu quis dizer, mas não nesse sentido.
Vinícius cruza os braços e fala:
   — Marina, eu não estou entendendo essa conversa.
   — Ai, é que eu me atrapalho! — ela exclama. — Eu quero te falar tudo o que está passando pela minha cabeça, mas a minha fala não acompanha.
   — Respira fundo e fala com calma — sugere Vinícius um pouco menos chateado.
Seguindo as indicações dele, Marina recomeça segundos depois:
   — O que eu quis dizer é que o vínculo que eu tenho com o Brian é único, assim como o que eu tenho com você. Não tem como comparar um relacionamento com o outro, ambos foram importantes na minha vida. O que nós temos é só nosso, Vini. 
Ele assente.
   — Ok.
Marina pega nos braços dele, chegando mais perto do rapaz.
   — Ei, não quero ficar brigada com você.
   — Nós não estamos brigados. 
   — Então por que você está distante?
   — Porque a gente combinou, lembra?
   — Você sabe muito bem que não é disso que eu estou falando — Marina olha intensamente nos olhos dele.
Vinícius ergue uma das mãos e acaricia o queixo dela.
   — Eu te amo muito e você sabe disso, só preciso de um tempinho. Curte o resto da festa com o Brian como você quer e depois quando a gente se encontrar já vai estar tudo bem de novo.
Marina afaga o rosto dele e fita os seus olhos intensamente por longos instantes. Depois dá um beijo demorado e muito apaixonado nele.
   — Você não sabe o quanto é importante pra mim.
   — Eu sei — ele responde passando os dedos com suavidade pelo braço dela.
   — Não sabe, nem eu sei. Só quando essas coisas acontecem e eu acho que vou te perder que percebo o quanto te quero na minha vida.
Vinícius não diz nada, apenas a beija novamente.

No meio da pista, Aline tenta fazer Iago se soltar ao máximo ao som de músicas pop. Ela sorri e dança com ele, trocando beijos e carinhos.
   — Até que a festa não está ruim — ele opina falando perto do ouvido dela.
   — Você tem que começar a ir mais nas festas, sempre são legais — sorri Aline.
   — Antes eu não tinha a sua companhia — confessa Iago sem olhar nos olhos dela. A garota sorri e dá um selinho nele.

Os primeiros raios de Sol começam a despontar no horizonte, mas os jovens continuam enlouquecidamente animados na festa de Isabela. A aniversariante do mês pula e dança com seus melhores amigos no meio da pista. Malu, Samuel e Alexandre fazem coreografias engraçadas, Marina e Brian dançam juntinhos, Yasmin, mais comedida do que de costume, curte com o namorado e com Vinícius. 
   Isabela canta a plenos pulmões e sacode a cabelo, já sem o chapéu preto. Ela rodopia com Felipe e cai na gargalhada com o namorado. 
   — Que horas são? — questiona-se Isabela horas depois sozinha em sua cama. A jovem estica o pescoço para a sua estante e focaliza o relógio. 11h45. Recordando-se dos compromissos para o domingo, ela pula da cama e se arrasta até o banheiro, usando apenas o top e a hot pant preta que estavam sob seu vestido na noite anterior.

No andar de baixo da mansão de Mel, especificamente na cozinha, Vinícius lê uma matéria em seu iPad juntamente com Vera, Marina apenas observa sentada em uma banqueta com uma xícara de café nas mãos e os olhos inchados de sono.
   — O que mais está escrito aí? — pergunta a governanta ao rapaz.
   — Apenas isso — Vinícius responde ainda com o olhar fixo na tela do aparelho. — O meu pai foi fotografado saindo da festa da MelPhia com uma mulher.
   — Tem a foto aí? — Marina pergunta com a voz ainda rouca.
   — Tem. — O rapaz vira o iPad na direção dela, mas ainda assim Marina tem que levantar e se aproximar dele para enxergar.
   — Bonitona — opina parando descalça ao lado do namorado.
   — A Dona Mel é mais — compara Vera.
   — A minha mãe já está namorando outro, Vera — lembra Vinícius lendo novamente a notícia. — O que eu queria saber é quem é essa mulher, só que não fala aqui.
   — Não é mais fácil você perguntar pro seu pai? — sugere Marina.
   — É o jeito. Mais tarde eu vou ligar pra ele.

Ainda deitados na cama, Mel e Reinaldo conversam sobre o sucesso da festa, no apartamento dele.
   — Acho que foi a festa mais prestigiada da história da grife — comenta a empresária.
   — Estava tudo muito bonito e bem organizado — opina Reinaldo com a cabeça no travesseiro.
   — Fruto de muito trabalho.
   — Não tenho dúvidas disso. Espero que os portais de notícia apenas elogiem a festa, porque é impossível criticar.
   — Ah, mas eles sempre encontram um jeito — ri Mel. — Só que eu não me importo, tudo saiu como eu queria. Claro, por exceção da Isabela.
Reinaldo ri.
   — Ela só queria um pouco de atenção, Mel.
   — Ela queria me punir, isso sim. Mas tudo bem, depois eu vou ter uma conversa com ela.
O empresário passa a mão pelo cabelo dela.
   — Cuidado com o que você vai dizer.
   — Eu não vou brigar com ela, não quero isso. Na verdade, só o que eu quero é o meu relacionamento com a minha filha de novo.
   — Você está sentindo falta, né?
   — Óbvio, ela é a minha menininha. É complicado estar nessa situação com ela. Eu só queria que ela aceitasse o nosso namoro.
   — Ela vai aceitar, só precisa de um tempo.
   — Só que a gente não tem todo o tempo do mundo. Eu quero curtir com você e com os meus filhos, é pedir muito? Eu só quero ser feliz com a minha família.
Reinaldo sorri apaixonadamente.
   — Você me considera da família.
   — Claro — Mel sorri de volta. — Nós estamos juntos, você faz parte da minha vida agora.
Eles sorriem e trocam um beijo cheio de paixão.

Usando um vestido solto, Isabela desce e se encontra com o irmão e a cunhada na cozinha.
   — Bom dia! — fala sorrindo para os dois. — Foi difícil acordar, hein?
   — Foi — concorda Marina coçando os olhos.
Enquanto Isabela pega alguns itens na geladeira, Vinícius lança um olhar questionador para Marina e ela assente, incentivando-o com a cabeça.
   — Isa — chama Vinícius.
   — Hum? — Ela coloca um queijo sobre a bancada.
   — Eu li uma coisa hoje que é do nosso interesse.
   — Se for sobre o meu vestido eu não quero saber — corta a morena.
   — Não, não é sobre isso.
Marina apenas analisa os irmãos quieta em um canto.
   — O que é? — Isabela pergunta olhando para Vinícius.
   — Uma notícia sobre o pai.
   — Que notícia?
Vinícius hesita, mas fala sem dar voltas:
   — Ontem ele foi embora da festa da MelPhia acompanhado.
Isabela olha demoradamente para ele.
   — O que você quer dizer com "acompanhado"?
   — O que você entendeu.
A garota demora um tempo para processar a informação.
   — Só acredito falando com o pai. Eu vou ligar pra ele — diz afastando-se do balcão.
   — Eu achei melhor ligar mais tarde — fala Vinícius segurando a irmã pelo braço. — Você sabe... ele pode estar... ocupado.
Isabela sente o estômago embrulhar.
   — Ok.

Com o cabelo bagunçado e os olhos ardentes de sono, Brian desperta à força. Ele vira na cama, fugindo da claridade da janela, e se depara com as suas malas. Nesse momento é que a ficha dele realmente cai e ele fala para si mesmo:
   — Hoje eu estou indo embora.
Ele vira novamente na cama, preferindo enfrentar o Sol quente do que o quê as suas malas representam.

Ao contrário da angústia presente no olhar do americano, no de Victor há apenas serenidade enquanto ele observa Yasmin dormindo. Deitado na cama da jovem, ele fita cada detalhe do rosto dela, sentindo uma leveza no peito por ela estar novamente em segurança e com a saúde estável. Yasmin se mexe suavemente e faz uma leve careta, afundando o rosto no travesseiro. Victor se aproxima mais dela, erguendo uma mão no ar sem saber se deve ou não acordá-la. No entanto, a loirinha move-se novamente e se aconchega no peito dele.
   — Bom dia — ela sussurra instantes depois dando um beijo na pele dele.
   — Tudo bem? — questiona Victor de maneira protetora. 
   — Sim. — A jovem coça os olhos e deita novamente de barriga para cima. — Dormi muito bem essa noite. Acho que foi a melhor desde que saí do hospital.
Victor sorri.
   — É porque eu dormi com você, né?
Yasmin sorri e volta a aproximar do corpo dele.
   — Deve ter um pouco disso mesmo. Eu senti muito a sua falta durante a minha recuperação.
   — A culpa não é minha, você sabe que não podia ficar recebendo visitas.
   — Sim.
O rapaz passa um dos braços cuidadosamente pelo corpo dela.
   — Mas agora a gente tem todo o tempo do mundo pra ficar junto.
Yasmin dá um beijo no queixo dele.

Poucas horas depois, Marina reúne-se com sua família para o último almoço de Brian no Brasil. A família faz os pratos favoritos do americano e o clima é de alegria e certa nostalgia.
   — Passou tão rápido — comenta Lua fazendo carinho na mão dele. — Você tem que voltar mais vezes, Brian.
   — Ou vocês irem me visitar — responde o loiro sorrindo.
   — Quem sabe ano que vem quando a gente for fazer a matrícula dos meninos, né? — brinca Arthur, mas nenhum de seus filhos ri com ele.
   — Você aprendeu alguma coisa de português? — pergunta Lua mudando o rumo da conversa.
   — Algumas palavras a mais.
   — Como?
   — Hum... — Brian começa a falar um português com muitíssimo sotaque: — Oi; Meu nome é Brian; Não falo português; Eu te amo.
   — Pra quem você andou falando "eu te amo"? — Lua indaga sorrindo.
   — Pra ninguém — ele ri. — Eu aprendi ainda lá nos  Estados Unidos quando namorava a Marina.
Ele e a ex-namorada trocam um breve olhar carinhoso.
   — Hum, sei — Lua continua desconfiada. — Fiquei sabendo que você estava de rolo com uma menina do colégio da Marina.
   — Jaqueline — lembra Victor mastigando um pedaço de frango.
   — A Jaqueline — fala Brian olhando para Lua — é uma amiga que eu conheci aqui.
   — E já considera amiga? — Arthur observa com um sorrisinho malicioso no rosto.
   — Vamos mudar de assunto? — interrompe Marina não gostando de ouvir Brian falar de Jaqueline.
Os pais dela caem na gargalhada.
   — O namoro acabou, mas o ciúmes continua o mesmo, hein filha? — provoca Arthur.
Marina ri ironicamente e continua comendo. 
   — Eu queria de novo te pedir desculpas pelo o que aconteceu lá na fazenda — fala Lua adotando um tom de voz mais sério.
   — A senhora não teve culpa — Brian diz.
   — Eu sei, mas eu me sentiria muitíssimo culpada se algo tivesse acontecido com você. O que eu falaria para os seus pais?
Brian faz um carinho na mão da ex-sogra.
   — Mas não aconteceu nada comigo. Ainda bem!
   — Graças a Deus!
Eles continuam almoçando e conversando, Brian sendo sempre o assunto principal. 
   Quando se retiram da mesa, o americano diz:
   — Vou subir para guardar algumas coisas que ainda estão fora.
   — Eu te ajudo — prontifica-se Marina e os dois sobem para o andar de cima.

Após terem almoçado cada um em um canto do apartamento, Bernardo e Anelise continuam seus afazeres sem trocar uma só palavra. O médico checa alguns e-mails sentado na sala enquanto assiste televisão e Anelise responde comentários do canal da MelPhia no YouTube no quarto do casal. Ela se levanta, alonga as costas e caminha para fora do cômodo. Ao passar pela sala, sente o olhar do marido em si, mas não retribui e passa direta e silenciosamente para a cozinha, onde pega uma bandeja de uvas e retorna para o quarto. 
Minutos depois, Bernardo deixa o seu notebook de lado e vai até o quarto. Ele tira o casaco de lã e a camisa, ficando apenas com uma bermuda. Em seguida, senta na cama e tira as meias. Anelise ergue os olhos da tela de seu notebook e observa as costas nuas dele. Quando o médico endireita-se, ela volta a encarar a tela com rapidez. Bernardo levanta, pega uma toalha no armário e entra no banheiro da suíte. A jornalista ouve os barulhos produzidos por ele e o som da água instantes depois. Ela se recorda das vezes em que eles tomaram banho juntos exatamente naquele banheiro e sente uma onda de calor e prazer inundar seu corpo. Ela não percebe o tempo passar até Bernardo sair do banheiro já de banho tomado.
   O clínico geral despe-se da toalha, ficando completamente nu, e Anelise tem que se esforçar para continuar fazendo o seu trabalho enquanto finge não notar a presença dele. Como se estivesse fazendo de propósito, ele demora o dobro do tempo para se secar e se vestir. De repente, Anelise larga o notebook sobre a cama e sai do quarto, indo apressadamente para a cozinha mais uma vez. 
   Depois de se vestir, Bernardo também deixa o cômodo e retorna para a sala. Quando está prestes a sentar no sofá, decide ir até a cozinha buscar algo para comer. Ao entrar no ambiente, sente que Anelise se espantou com a sua chegada. A irmã caçula de Chay enche um copo com água, mas Bernardo repara que a nuca dela está molhada, como se ela tivesse refrescando a região antes dele a surpreender. Ele dá uma risadinha, Anelise deixa o copo no escorredor e sai da cozinha.

Marina está sentada na cama do quarto de hóspedes acompanhando Brian guardar seus últimos pertences na mala.
   — Quando você disse que ia me ajudar — ele fala — pensei que seria algo diferente de ficar sentada na cama.
A garota ri.
   — Eu só vim pra passar mais um tempo com você.
O americano sorri ao fechar sua mala e se senta ao lado dela na cama.
   — Eu vou sentir muita falta disso.
   — Disso o quê?
   — De estar assim, sentado na sua frente, respirando o mesmo ar que você, vendo o brilho dos seus olhos, sentindo o seu hálito quando você ri, secando suas lágrimas quando você chora. Tudo isso.
Com os olhos marejados, Marina assente.
   — Eu também vou sentir muita falta disso. — Ela estica lentamente a mão e toca no braço dele. — Nunca pensei que só de tocar em você eu ficaria emocionada.
Brian se arrasta para mais perto e cola a lateral de sua coxa na dela.
   — Uma coisa que eu percebi nessas férias, Mari, além do fato do Rio ser incrível — os dois riem —, foi o quanto eu gosto de você. O que a gente teve foi muito mais que um namoro, foi o início de uma amizade forte e duradoura. 
   — Com certeza — responde Marina. — Eu pensei que a gente não fosse conseguir ter uma amizade tão sincera e profunda como a gente tem.
   — Nem eu. É por isso que o meu coração fica um pouco mais aliviado por partir, porque eu sei que mesmo longe o que a gente sente pelo outro vai permanecer imutável. 
   — Imutável não — discorda Marina —, porque conforme os meses passam e a saudade aumenta, eu percebo que gosto ainda mais de você.
Eles sorriem e dão um abraço apertado.
   — Eu te amo muito — fala Brian com a voz abafada pelo cabelo dela.
   — Eu também te amo muito — Marina responde respirando o perfume dele.
Eles permanecem abraçados por longos minutos, apenas sentindo a energia do outro, até que Marina afasta-se e diz:
   — Agora vamos descer?
Brian confere as horas no relógio de cabeceira.
   — Ainda falta um tempo pra eu ir para o aeroporto.
   — Eu sei, mas eu quero te mostrar uma coisa.
   — Que coisa? — ele questiona com curiosidade.
   — Vem comigo. — Marina levanta e pega na mão dele.
Juntos, os dois saem do quarto e caminham até o final do corredor, onde descem as escadas. Quando olha para o térreo, Brian fica de queixo caído.
   — Oh, meu Deus! — exclama.
A sala está repleta de bandeiras americanas e com balões das cores dos Estados Unidos pendurados em diversos pontos, no entanto o que mais chama a atenção de Brian são as pessoas que preenchem o espaço. Yasmin, Isabela, Felipe, Victor, Vinícius, Graziele, Malu, Thiago, Samuel e Jaqueline seguram uma enorme faixa com os dizeres: Brian, sentiremos a sua falta.
   Emocionado, o rapaz chega ao último degrau e fala para a ex-namorada:
   — Não acredito que vocês fizeram isso pra mim.
   — A gente não ia deixar a sua ida passar em branco — sorri Marina também com os olhos lacrimejantes.
Brian ri e seca uma lágrima que escorreu.
   — Até a Jaqueline?
   — Eu não podia deixar ela de fora, né? — ri Marina. — Infelizmente você gosta dela.
Eles riem com lágrimas nos olhos.
   — Vão ficar aí de conversinha ou vão se juntar a nós? — questiona Yasmin e todos riem.
Brian e Marina caminham até o grupo e o americano é rodeado pelos seus amigos brasileiros. Após darem um abraço coletivo, Marina lembra:
   — Gente, do jeito que a gente combinou.
Eles sorriem e começam a se organizar em uma fila única.
   — O que é isso? — indaga Brian confuso.
   — Você vem aqui. — Marina segura no pulso dele e o guia até o pé da escada. — Fica sentadinho aqui.
Brian ri, senta em um dos primeiros degraus e olha para seus colegas. Marina caminha para a fila e se posiciona atrás de Jaqueline, assumindo o último lugar. 
Isabela é a primeira da fila e caminha até Brian com uma papelzinho nas mãos. Ela senta ao lado dele no degrau da escada e lê:
   — Você não deve estar entendendo nada e como sou a primeira da fila tenho a missão de te explicar. — Ela ergue os olhos algumas vezes para fitá-lo e prossegue: — A Marina teve a ideia de nos reunir aqui para que a gente pudesse se despedir de você e cada um de nós escrevemos algo para você. Então, você pode estar se perguntando agora, por que a gente não fala simplesmente, por que escrever? A resposta é que as nossas palavras ficariam gravadas na sua mente, porém com o tempo elas poderiam se perder, mas se a gente escrevesse tudo aquilo que queríamos falar pra você, ficaria gravado eternamente. — Isabela sorri e entrega a folha para ele, dizendo: — Essa foi a introdução, agora vem o que eu quero te dizer. — Ela pega outro papel no bolso do short e volta a ler. — Brian, esses meses foram a nossa primeira experiência juntos. Antes disso só te conhecia através de relatos da Marina e do Victor e pelas as suas redes sociais. — Os dois riem. — Agora que te conheço, vejo que você é realmente um rapaz especial e sinto imensa felicidade por ter a chance de te ter na minha vida. Sei que não somos melhores amigos, mas você pode ter certeza que tem um lugar especial no meu coração.
Sorrindo, Brian recebe o outro papel e o junta com o primeiro.
   — Muito obrigada, Isa. Você também é uma pessoa muito especial. Que você continue sendo sempre doce, meiga e carinhosa como você demonstrou ser desde a primeira vez que a gente se viu.
Isabela sorri de volta e dá um abraço nele. 
   Felipe é o segundo na fila e caminha até a escada, trocando de lugar com a namorada.
   — O meu papel é com certeza menor do que o da Isabela — fala rindo. — Enfim, vamos lá. — Ele começa a ler: — Brian, você acrescentou muita diversão e alegria às nossas férias. Que a gente possa estar juntos mais vezes e que você volte para o Rio muitas e muitas vezes. Nunca mais use gravata... Felipe!
Os dois gargalham e se abraçam.
   — Muito obrigado, cara — responde o americano guardando o bilhete de Felipe junto com o de Isabela. — Com certeza eu farei o maior esforço pra voltar, mas quero que vocês todos venham me visitar lá em New York.
   — Claro que iremos, é só marcar — ri Felipe. Ele levanta, dando um tapinha no ombro do americano, e passa por Thiago.
   — E aí, cara — fala o rapaz sentando diante de Brian. Ele pega um papelzinho no bolso e diz: — A gente não se conhece direito, mas eu sinto que você é um grande homem. Responsável, divertido, carismático e galã. — Os dois riem. — Desejo tudo de bom pra você e que você leve apenas lembranças boas do Brasil, porque com certeza são essas que você deixou para todos nós.
Enxugando uma lágrima, Brian fala:
   — Poxa, obrigado, Thiago! O que eu vou falar pode soar meio pessoal demais, mas eu torço muito que você melhore e que volte a ser o Thiago que me disseram que você era. Torço muito por você!
Thiago assente.
   — Pode deixar, estou me tratando para isso. — Eles se abraçam e Thiago levanta, dando espaço para Victor se aproximar.
   — A minha cartinha com certeza é a mais sincera — fala o outro loiro acomodando-se no degrau. Ele desdobra uma folha de caderno e lê: — Brian, sei que não temos a mais linda das amizades e nutrimos os mais belos sentimentos um pelo outro, mas eu gosto de você no fundo. — O americano ri e continua ouvindo Victor: — Poderia falar alguns motivos, mas prefiro ser objetivo e falar o principal deles: você faz a minha irmã feliz. Eu posso não ser o mais carinhoso dos irmãos, mas a felicidade da Marina sempre será uma prioridade na minha vida e tenho que reconhecer que você fez e continua fazendo a minha irmã muito feliz. Só por isso eu gosto de você. — Ele dá uma risadinha e continua: — Gostaria muito mais se você não desse em cima da minha namorada. Espero passar mais alguns meses sem te ver de novo, carinhosamente, Victor.
Brian ri e recebe a carta dele.
   — A sua realmente foi bem sincera.
   — Não disse? — Victor levanta e dá um tapinha no ombro de Brian, desejando: — Boa viagem, cara.
   — Obrigado.
Malu é a próxima na fila. Ela senta na frente de Brian, dá uma risadinha e um pigarreio e lê o que escreveu:
   — Querido cidadão americano, Brian, eu não convivi muito com você na sua estadia no Brasil, muito menos tive um contato direto com você. Aliás, o fato de você ter ficado com a Jaqueline fez você perder bastante pontos na minha classificação de pessoas legais, mas tudo bem, a vida é assim. Pelo o que a Marina me disse, você é legal e como a Marina tem bastante pontos na classificação, eu acredito nela. Por isso, não desejo que o seu avião caia...
   — Nossa! — exclama Brian e eles sorriem.
   — Continuando... Não desejo que o seu avião caia nem que você seja assaltado no caminho ao aeroporto. Pelo contrário, desejo que você consiga chegar bem em casa e que mate a saudade da sua família. Aproveita que não vai ter mais Jaqueline pra te encher o saco. Um beijo, a morena mais linda que você conheceu no Brasil, Maria Luíza, Malu, Malu-maluca. OBS: Esse último é só para os íntimos, o que não é o seu caso.
Ela dobra novamente o papel e entrega dando um sorriso para ele.
   — Brincadeira à parte — fala —, espero que você seja muito feliz não importa onde esteja. Boa viagem, gringo.
Rindo, Brian recebe um abraço dela.
   — Obrigado, Malu. Espero um dia ter intimidade o suficiente pra te chamar de Malu-maluca.
Malu ri e levanta do degrau. Ela passa por Samuel e dá um tapinha nos glúteos dele, que ri.
   — Oi, Brian. — Ele pega seu papel e lê: — Acredito que de todos que estão aqui eu sou o que menos te conhece. Só que mesmo assim eu aceitei vir, porque os dias que a gente passou lá na fazenda foram o suficiente para eu ver o quanto você é bacana e gostaria de me despedir de você. Boa viagem, americano! 
   — Obrigado, Samuel — sorri Brian pegando mais um bilhete. — Vamos continuar próximos pelas redes sociais.
   — Com certeza. Eu troco likes, não se esqueça disso, ok? — Eles gargalham e Samuel levanta.
Ninguém leu o que o outro escreveu e as palavras de Vinícius são as que mais geram curiosidade nos demais. Quando ele vai despedir-se de Brian todos ficam em silêncio na tentativa de ouvir qualquer coisa, porém a distância não permite.
   Vinícius senta ao lado de Brian no degrau e abre a sua folha.
   — Olá, Brian. Sei que nós não temos um contato próximo e que todos esperam que eu te odeie. — Os dois riem. — Só que eu não te odeio, na verdade até simpatizo um pouco com você. Te conheço mais pelo o que a Marina já me contou do que realmente convivendo com você, mas de qualquer forma eu sinto que você é um cara muito iluminado. Você trouxe luz para a vida da minha namorada e tornou as férias dela mais felizes, sou grato por isso. Que você tenha uma boa viagem e que aproveite bastante o tempo com a sua família, tenho certeza que eles sentiram bastante a sua falta. Um abraço, Vinícius. — Ele dobra o papel e entrega para Brian, acrescentando: — O Felipe e o Victor queriam que eu colocasse "um abraço, o cara que está pegando sua ex-namorada", mas achei bem idiota e não aceitei.
Brian ri e guarda o papel dele junto com os outros.
   — Ficou bem melhor Vinícius. — Eles sorriem e Vinícius levanta.
Graziele é a próxima da fila e tira sua mensagem do bolso enquanto caminha até a escada.
   — Oi, Brian.
   — Oi — ele responde sorrindo. Ela se senta e passa a ler o que escreveu para ele:
   — Quando te vi pensei que você fosse o típico esteriótipo de garoto americano: bonito, atlética e metido. As duas características são verdadeiras, mas a última se mostrou ser completamente falsa. Ao contrário de metido, você é alegre, engraçado, simpático e muito companheiro. Não teve um só momento em que não vi você apoiando ou fazendo companhia pra alguém. Espero que a gente volte a se cruzar nesse mundão, Brian. Um grande abraço e beijo, Graziele.
   — Que bonitinho — sorri Brian guardando a carta dela. — Obrigado, Grazi. De coração.
   — Boa viagem — ela deseja dando um abraço nele.
   — Obrigado. — Quando ela se afasta, uma das mangas de sua camisa abaixa um pouco e o rapaz vê uma mancha avermelhada. — O que foi no seu ombro?
Com rapidez, a ruiva endireita a roupa e responde:
   — Nada demais.
Brian dá um sorriso malicioso e assente.
   — Sei.
Ela ri e se afasta dele. Yasmin é a próxima e já chega sorrindo.
   — Oi!
   — Oi, Yas!
Ela pega sua carta e fala:
   — Brian, fiquei pensando o que poderia escrever pra você. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi que você queria ficar comigo. — Ela ri e não desvia os olhos do papel. — E sempre que eu penso nisso sinto o meu ego inflar, antes pensava que era porque você é o maior gato, mas quando pensei vi que é algo muito maior que isso. Você é um rapaz incrível, gentil, simpático, palhaço, tudo o que eu admiro em um homem...
   — E você está com o Victor — observa Brian e eles riem.
   — Voltando pra carta. Eu te desejo do fundo do meu coração muita alegria e espero sinceramente que volte a te ver em breve. Você é muito especial pra morar tão longe. Um super beijo, Yasmin!
Brian abre um enorme sorriso e pega a carta dela.
   — Obrigado, Yasmin. Você sabe o quanto eu gosto de você, não do jeito que todo mundo pensa — ele ri envergonhado. — É que você é uma garota incrível e é impossível não se encantar.
   — Ai, que bonitinho! — exclama a loira e dá um abraço apertado nele. 
Após Yasmin, chega a vez de Jaqueline. A loira caminha até ele já com os olhos marejados.
   — Pensei que não fosse te ver hoje — diz Brian dando um selinho nela. — Não chora, Jaque, por favor.
   — Não sei se vou conseguir — ela responde enxugando algumas lágrimas. — Enfim, deixa eu ler o que eu escrevi. — Com as mãos trêmulas, ela pega sua folha. — Brian, eu jamais pensei que a minha vida fosse cruzar com a sua. Aquele dia, no shopping, quando eu te vi te achei um gato. Óbvio! Depois que a gente se cruzou na festa junina, eu fiquei chocada porque jamais imaginei que fosse te encontrar de novo. Aquilo significou algo. A gente foi se aproximando, se conhecendo melhor e eu me apaixonei por você. Sim, caso você não tenha percebido, eu estou completamente apaixonada por você. — A jovem não levanta os olhos do papel para ver a reação dele diante da revelação. — Não sei como será agora que você vai voltar para os Estados Unidos, a única certeza que eu tenho é que essas foram uma das melhores férias da minha vida, graças a você. Saiba que você está levando consigo uma parte do meu coração, cuide bem dele. Com carinho, Jaqueline.
Eles ficam em silêncio. Reunindo sua coragem, a loira vira a cabeça e o encara. Brian está paralisado com os olhos cheios de lágrimas.
   — Eu não sei o que te dizer — responde. — Na verdade, eu queria que você soubesse de uma coisa.
   — Que coisa? — pergunta Jaqueline sufocada por lágrimas.
   — Desde que eu e a Marina terminamos, eu nunca mais sinti algo por nenhuma menina. Isso até conhecer você. Sei que com a distância a gente vai se afastar, mas eu não quero que você saia da minha vida, Jaque. Eu não sabia que você estava apaixonada por mim, mas... agora eu sei que o que eu sinto é recíproco. Desde que eu te conheci eu estou apaixonado por você. — Ele afaga o rosto dela. — Você foi a melhor coisa que me aconteceu nessas férias. 
Eles se abraçam e trocam um beijo molhado e muito carinhoso. 
   — A minha cama lá em New York sempre vai estar à sua espera.
Jaqueline sorri.
   — Olha que eu vou.
   — Eu vou estar te esperando.
Ela sorri e volta a beijá-lo. O casal fica trocando beijos e carícias por mais um tempo, até que Jaqueline diz:
   — É melhor você ir, senão você vai perder o voo.
Brian assente recolhe todas as cartas que recebeu e levanta de mãos dadas com Jaqueline. Eles se aproximam dos demais e o americano para diante de Marina.
   — Você não escreveu nada pra mim? — pergunta ainda com os olhos vermelhos.
   — Escrevi — responde a jovem e entrega um envelope para ele. — Mas só leia quando estiver em casa.
Brian assente e se controla para não chorar ainda mais. 
Marina desiste de lutar contra as lágrimas e deixa com que elas rolem por suas bochechas.
   — Isso aqui é pra você guardar os bilhetes — diz pegando uma caixa de madeira sobre a mesinha de centro.
Com os dedos pálidos e trêmulos, Brian coloca as cartas na caixa e a fecha. 
   Arthur desce as escadas com rapidez e fala para os jovens:
   — Eu não queria acabar com a despedida de vocês, mas nós temos que ir.
Brian assente, segurando com força a caixa e a mão de Jaqueline. A maioria dos jovens se emocionam e Yasmin fala:
   — Mais um abraço coletivo!
Todos rodeiam o americano e o abraçam. Em seguida, Brian diz:
   — Obrigado pela atenção que vocês tiveram comigo. Cada um de vocês foi especial nessas férias, eu nunca vou esquecer o que vivi aqui. Tchau, gente!
   — Tchau! — falam todos e ele se vira para Jaqueline, sussurrando: — Vem comigo até o carro.
   — Ok — ela responde baixinho. 
Marina passa por eles e pergunta ao seu pai:
   — E as malas?
   — Os funcionários já levaram para o carro. Vamos! 
Arthur passa um braço pelos ombros da filha e sai com ela sendo seguido de perto por Brian e Jaqueline.
   — Tchau! — o americano volta a dizer para os que ficam. Todos acenam para ele com sorrisos emocionados. 
   Próximo ao carro, Brian para e olha intensamente para Jaqueline.
   — Se cuida. Da próxima vez que a gente se ver eu quero te ver tão linda quanto hoje e sempre. Te adoro muito!
Jaqueline assente e dá mais um beijo nele.
   — Também te adoro. Obrigada pelas férias maravilhosas!
Eles se abraçam e Brian enxuga as lágrimas dela em seguida. 
   — Tchau, Jaque.
   — Até mais — ela responde sorrindo. — Quando chegar, me manda uma mensagem.
   — Claro. — Ele dá um selinho nela e solta os seus dedos. — Até logo!
   — Até logo — sussurra Jaqueline.

Já em sua casa, Mel assiste televisão confortavelmente deitada no grande sofá da sala de estar. Ela navega em alguns portais de notícia distraidamente, porém se assusta ao ler título de matéria: Chay deixa festa da ex-mulher, Mel Fronckowiak, acompanhado por uma mulher.
   Ela se endireita no sofá e lê a notícia em voz alta:
   — Na noite de ontem, ocorreu na capital carioca uma grande festa da grife MelPhia. As donas da marca, Mel Fronckowiak e Sophia Abrahão, juntamente com suas filhas divulgaram a campanha de auto-aceitação Do Jeito Que Eu Sou. O que mais chamou a atenção, além da roupa provocadora de Isabela Fronckowiak, foi a primeira aparição de Mel com o empresário Reinaldo Lafaiete. Os dois assumiram o relacionamento, mas não deram detalhes sobre a relação. E parece que a fila realmente está andando para o ex-casal Mel Fronckowiak e Chay Suede, pois o cantor, que esteve entre os convidados famosos, deixou o local acompanhado por uma bela mulher. Não se sabe ainda quem é e se ele também está em um outro relacionamento, mas os dois pareciam bem íntimos. 
   Sem pensar muito sobre o que leu, Mel fecha a página, deixa o celular de lado e passa focar exclusivamente na televisão.

Depois de vários minutos de carro, Brian chega ao aeroporto. Arthur providencia um carrinho para as malas dele enquanto o americano desce do veículo de mãos dadas com Marina.
   — Obrigado — agradece à Arthur pegando o carrinho com seus pertences. Os três caminham para o interior do aeroporto e após fazer algumas coisas burocráticas, Brian prepara-se para entrar na sala de embarque.
   — Então é aqui que a gente se despede — fala Marina dando um leve sorriso.
   — Sim — confirma Brian chorando novamente. — Por que tem que ser tão difícil?
   — Não sei — responde a morena. — Eu sinto a mesma dor que senti quando te deixei lá em New York.
   — Mas agora é tudo diferente. Aquela vez a gente não tinha nem previsão de se ver de novo.
   — Continuamos sem ter.
   — Não, agora a gente sabe que é possível sim a gente se encontrar. Assim como eu vim dessa vez, eu posso vir de novo ou então você ir. Nós não vamos passar muito tempo longe, Mari.
   — Eu queria que você morasse na mesma cidade que eu.
   — Mas isso não é possível. — Ele acaricia o rosto dela. — Nós somos a geração da internet, vivemos conectados. Mesmo muito longe, você pode me mandar uma mensagem a qualquer hora e eu vou te responder. Nunca estaremos realmente distantes. Sem contar que você vive em mim, Mari. 
   — Eu prometo que a gente não vai mais passar tanto tempo sem se ver — diz a jovem. — Até porque eu não conseguiria.
Eles sorriem e se abraçam com força.
   — Te amo.
   — Eu também te amo.
Marina dá um beijo demorado na bochecha dele.
   — Fica bem e manda um beijo pra sua família.
   — Ok. Se cuida você também. Seja muito feliz com o Vinícius, ele te ama muito.
Marina assente.
   — Eu sei. — Ela entrelaça seus dedos nos dele. — Até uma próxima vez.
   — Até uma próxima vez — ele repete. — E essa vez vai ser lá em New York, a nossa cidade. 
   — Sim.
   — Combinado?
Marina sorri.
   — Combinado.
Eles dão mais um abraço apertado e Brian vai se despedir de Arthur. Marina apenas abaixa a cabeça e chora silenciosamente.
   — Ei — Brian volta a se aproxima dela instantes depois. — Não chora. Isso é só um até logo, não um adeus.
   — Eu sei, mas dói do mesmo jeito.
Brian concorda com a cabeça.
   — Eu preciso ir. Você vai ficar bem, né?
   — Vou — garante Marina.
O americano solta as mãos dela e se afasta. Antes que ele possa entrar na sala, Marina corre até ele e segura em seu braço, surpreendendo a todos ao redor.
   — Brian!
   — O que foi? — ele pergunta com preocupação.
   — Eu quero que você faça um favor pra mim.
   — Claro!
Com os olhos embaçados de lágrimas e a voz embargada, Marina pede:
   — Quando você pisar em Manhattan, grita que eu estou voltando.
   — Mari...
   — Da próxima vez em que a gente se ver, eu vou estar desembarcando — ela fala apertando os dedos dele. — Eu vou estar voltando pra casa!
Brian assente e dá mais um abraço nela antes de se encaminhar para a sala de embarque.
   Arthur caminha até a filha e a abraça.
   — Não chora, meu amor — pede acariciando o cabelo dela com carinho. — Ele tem que voltar pros Estados Unidos.
Ela assente e esconde o rosto na camisa do pai, dizendo:
   — Eu não estou chorando só porque ele está indo
   — Não? — surpreende-se Arthur.
Marina ergue a cabeça e fita os olhos do pai:
   — Eu estou chorando por não poder ir com ele.