quinta-feira, 17 de julho de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 116: Chay e Mel chegam à Paraty



Na hora do intervalo os jovens se espalham pelos três andares do colégio. Malu e Graziele comem salgados sentadas na escada entre o segundo e o terceiro andar.
   — O que você queria me contar? — pergunta Maria Luíza.
   — Sobre a festa que eu fui com o Thiago ontem. 
   — Fumou muito? — indaga Malu gargalhando. — O quê? Cocaína, maconha, êxtase ou um simples cigarrinho como o Thiago?
Graziele não acha graça junto com a melhor amiga.
   — Um garoto teve uma overdose. 
O sorriso de Malu desaparece imediatamente.
   O QUÊ?
   — Ele teve uma convulsão na minha frente, eu vi tudo.
   — Como assim, Graziele?
   — Eu não sei, não sei — começa a explicar a ruiva com rapidez. — O Thiago falou que ele era muito viciado e que uma hora ia acontecer. Só que foi acontecer justamente na minha frente. Eu nunca vou esquecer daquela cena. O pior é que eu esbarrei nele antes e ele falou comigo, eu vi que ele tava drogado, mas parecia que todo mundo naquela festa estava! Depois eu só lembro de vê-lo cheirando alguma coisa e depois ele caiu e começou a se contorcer. 
   — Com certeza estava cheirando alguma droga.
   — É, eu reparei que tinha pó branco no nariz dele. Ele era tão bonito, amiga, jovem ainda... Agora está morto. 
   — Morto? Ele morreu?
   — Aham, o Thiago me contou houve de manhã.
   — A droga mata, né! — diz Malu ainda chocada. 
   — É, eu vi com os meus próprios olhos isso. 
   — E o Thiago? 
   — O que é que tem?
   — Ele estava com você quando isso aconteceu?
   — Não — responde Graziele sacudindo a cabeça. — Eu tinha saído para pegar uma bebida, porque queria ficar um pouco longe dele.
   — O que ele aprontou? — pergunta Malu começando a ficar irritada. — Já não basta ter levado você para essa festa de merda e ainda...
   — Calma! Ele não fez nada. Eu me afastei porque o Douglas, um amigo dele, deixou escapar que o Thiago invadiu uma casa um tempo atrás com eles e transou com uma menina por lá. 
   — Nossa, então é verdade?
   — Você já sabia disso? — questiona Graziele com espanto.
   — Sabia, ele comentou comigo, mas eu pensei que fosse invenção.
   — Por que você não me contou?
   — Eu pensei que você soubesse, já que vocês sempre foram melhores amigos.
   — É, mas ele não contou pra mim — fala Graziele amassando o guardanapo de papel que envolvia seu salgado. 

Depois de dispensar Jaqueline, Victor se reune com Isabela e Marina em uma mesa da lanchonete. 
   — Cadê o Felipe e o Vinícius? — pergunta para as duas.
   — Estão conversando com o Thiago e o Alexandre lá na sala. 
   — E a Yasmin?
Isabela indica com o queixo a localização de Yasmin. A loira está sentada em outra mesa com algumas garotas do terceiro B e segundo A. Victor vê como ela está animada conversando com as outras garotas e volta a fitar Isabela e Marina.
   — E aí, irmãzinha e grande anã, querem comer alguma coisa?
   — Um sanduíche — fala Marina.
   — Um pão de queijo — responde Isabela. 
   — Ok, vou lá pegar pra vocês. 
Victor levanta e caminha até o balcão de atendimento. A filha de Mel olha para Marina e comenta:
   — Ele está bonzinho hoje, né?
   — Tem dia que ele acorda iluminado — responde Marina e elas gargalham. Yasmin se joga na cadeira que estava até a pouco ocupada por Victor e fala com empolgação:
   — Olá, gatinhas. 
   — Está iluminada também? — pergunta Isabela e ela e Marina riem.
   — Hã? — Yasmin franze a testa. Victor retorna à mesa e deixa os pedidos de Isabela e Marina na frente delas. 
   — Eu estava sentado aí — diz para Yasmin.
   Estava — rebate a loira.
   — Sai, Yasmin. Deixa eu sentar!
   — Senta aqui — diz a garota dando tapinhas nas próprias coxas enquanto sorri. Para a sua surpresa, Victor senta em seu colo. — Ai, você está me esmagando. 
   — Ninguém mandou você oferecer — ele responde sorrindo. Yasmin revira os olhos e dá um tapa na nuca dele, que logo fica vermelha. — Filha da p*ta.
A loirinha ri e dá um beijinho no mesmo local do tapa.
   — Pra sarar — diz rindo. Isabela e Marina se olham e começam a rir.
   — Ai, vocês dois — comenta Marina. Uma das inspetoras do colégio se aproxima da mesa deles e diz com a voz arrastada para Victor:
   — Você não pode ficar sentado no colo dela.
   — Por que não? — pergunta o loiro.
   — É contra as regras da escola. 
Victor bufa e levanta. Ele pega uma cadeira da mesa ao lado e se senta entre Yasmin e Isabela.
   — Que mulherzinha chata, hein? — diz ao ver a inspetora se afastando. 
   — Falta de dar — fala Yasmin. 
   — Por isso que você é assim, né?
   — Cala a boca, moleque! 

As horas passam e Yasmin se apronta para ir à sessão de fotos para o blog da mãe de Breno. Em Paraty, Mel e Chay caminham pela casa que alugaram para o final de semana. 
   — Simples e aconchegante — ele diz.
   — Exatamente do que eu preciso.
Chay abraça Mel por trás e dá um beijo em sua nuca.
   — Estou tão animado para esses dias.
   — Eu também — ela fala se virando para ele. Os dois se beijam e Mel diz: — Por que você não vai pegar as nossas malas enquanto eu dou uma olhada no nosso quarto? 
   — Ótima ideia. — Chay dá um selinho nela e passa pela porta. Mel pega o seu celular no bolso e corre para o quarto enquanto disca o número de Sophia. — Atende logo — torce fechando a porta do cômodo. — Sophia? Ai, ainda bem que consegui falar com você. 
   — Oi, já chegou?
   — Aham, acabamos de chegar — responde Mel falando rápido. — Como estão as coisas por aí?
   — Eu ainda não sei, estou indo pra grife agora.
   — Tudo bem, assim que chegar me manda uma mensagem. Beijo, tchau! — ela desliga antes de ouvir a resposta da sócia e amiga. Segundos depois Chay abre a porta arrastando a mala dela.
   — Tive a impressão de que estava ouvindo a sua voz — comenta Chay deixando a mala ao lado da cama. Mel sorri e passa a mão pela mesinha de cabeceira.
   — Estava falando sozinha sobre a beleza dessa casa. 
   — Isso porque você não viu a vista da janela. 
Chay e Mel se olham e caminham até a janela. Assim que Mel abre as persianas de madeira se encanta com o que vê.
   — Uau, é lindo!
Da janela eles conseguem visualizar a tranquila praia e os barcos que estão ancorados. 
   — A vista é tão linda quanto você — fala Chay beijando o ombro dela. Mel sorri e o abraça. — Eu sinto que esse vai ser o melhor final de semana das nossas vidas, só nós dois, desligados de tudo e de todos. 
Mel fica aliviada que seu rosto está escondido no pescoço dele porque assim Chay não vê seus olhos aflitos quando ela responde:
   — Sim, desligados de tudo e de todos. 

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 115: Graziele presencia algo assustador em festa que vai com Thiago



O dia passa com rapidez e nas primeiras horas da tarde Chay e Mel acertam os preparativos para sua viagem. A noite cai e Thiago e Graziele resolvem sair para uma festa de uns dos conhecidos dele.
   — Essa festa promete ser a melhor do ano, pelo menos até agora — ele diz com empolgação no banco de trás do táxi. — Quase que a minha mãe me proibi de ir, acredita?
   — Por quê? — questiona Graziele com curiosidade.
   — Ela encontrou um maço de cigarro no meu quarto — conta Thiago baixinho, parte por não querer que o motorista ouça, parte por não desejar que Graziele fique sabendo do ocorrido. 
   — Como é?
   — Exatamente o que você ouviu. Ela ficou uma fera, óbvio.
   — E aí?
   — Como ela já tinha me pego fumando um tempo atrás, quando eu ousava fazer isso em casa, eu disse que era antigo. 
   — A Fernanda acreditou?
   — Eu minto bem — sorri Thiago, deixando Graziele indignada. 
   — Thiago!? Você tem noção do que você fez? Você mentiu pra sua mãe um assunto tão sério como esse, e agora ainda ri. 
   — Grazi, relaxa.
   — Não me pede pra relaxar! Não é só você que está envolvido nessa sujeira toda. Eu também estou! Ou você acha que é fácil olhar para a Fernanda e para o Mateus e fingir que eu não sei que o filho deles dá umas tragadas às escondidas? — Graziele eleva a voz, sem se importar em não estar sozinha com ele no carro. 
   — Grazi, menos. Você fala como se fosse uma coisa de outro mundo eu fumar às vezes — diz Thiago deixando de ligar para o que o motorista irá pensar.
   — Eu não gosto nem um pouco de você fumar ás vezes, pior ainda é os seus pais não saberem disso. 
   — Se eles souberem eu não vou só ser proibido de fumar, mas vou perder toda a minha liberdade. 
   — Acho que nós temos conceitos diferentes de liberdade.
   — O que você quer dizer com isso?
Graziele se endireita no banco, ficando com o tronco virado de frente para Thiago.
   — O que eu quero dizer, é que liberdade para mim é poder sair com os amigos para uma lanchonete ou barzinho, ir para uma balada de vez em quando, mas pra você é diferente. Liberdade para o Thiago Bergmann significa ir à festas com mauricinhos metidos a bad-boy e traficantes de alto luxo, não é? — diz se exaltando novamente. 
   — É a minha maneira de curtir, de aproveitar a vida. Se você tem tanta aversão ao meu estilo de diversão, por que está indo comigo para essa festa?
   — Porque eu gosto de você. Infelizmente — completa olhando pela janela as casas que ficam para trás conforme eles passam. Thiago arrasta sua mão até a de Graziele que está ao lado de seu corpo no banco e a segura com delicadeza, dizendo:
   — Desculpa.
   — Por? — pergunta a ruiva olhando para ele.
   — Por ser tão otário com você — responde Thiago olhando nos olhos dela. — Você é sempre tão companheira comigo, esteve ao meu lado nas sessões da tattoo, sempre é minha ouvinte — ele se aproxima mais dela e continua em um sussurro —, minha parceira para todos os momentos e... e motivo dos meus sorrisos mais bobos e inesperados. — Graziele continua olhando inexpressivelmente para ele. — Desculpa, minha ruivinha. 
Ela sussurra em resposta:
   — Tudo bem.
Thiago dá um beijinho curto nela e leva uma mão à sua nuca, dizendo:
   — Hoje eu vou te mostrar o lado bom do meu mundinho. 
   — Que só ver — diz Graziele com descrença. Ele sorri e a beija com intensidade. 

Reunidos em torno da piscina da casa de Sophia e Micael, os filhos dos ex-integrantes da banda Rebeldes conversam empolgadamente. Marina está usando um biquíni preto, Isabela um maiô azul, Yasmin um fio de dental vermelho e os meninos, bermudas. Felipe levanta e pula na piscina, jogando gotas de água nos amigos. Isabela reclama enquanto os outros riem. 
   Yasmin e Victor estão sentados um ao lado do outro em uma espreguiçadeira com as mãos apoiadas atrás do corpo. 
   — Está a fim de ir na praia amanhã? — pergunta Victor olhando para ela, se controlando para não descer o olhar para o seu corpo.
   — Que horas? 
   — De manhã, a gente pode almoçar por lá depois.
Yasmin dá um leve sorriso e responde tranquilamente:
   — Não.
   — Por que não? — se surpreende o loiro.
   — Eu tenho outros compromissos — responde Yasmin de maneira evasiva olhando para a piscina, onde Felipe mergulha.
   — Que outros compromissos?
   — Victor? — a loirinha encara os olhos penetrantes dele. — Você não é o meu pai, ok? — Ela levanta e caminha lentamente até a piscina, sabendo que os olhos de Victor estão pregados em seu corpo. 
   — Victor — chama Isabela, porém ele permanece cobiçando Yasmin com o olhar. — Victor!
Yasmin mergulha, espirrando mais água neles, e Victor gira a cabeça na direção de Isabela.
   — O que foi?
   — Se quer, corre atrás.
   — Quê?
   — Você está babando na Yasmin.
Marina ri junto com o namorado e continua prestando a atenção na conversa de Isabela com Victor. 
   — Ela coloca um biquíni minúsculo desse e a culpa é minha?
   — Não — ironiza Isabela. — A culpa é das estrelas. 
Victor olha para o céu nublado e diz:
   — Estrelas? Nem têm estrelas no céu. 
Isabela, Marina e Vinícius gargalham.
   — A culpa é das estrelas é um livro — explica Marina. — The fault in our stars, lembra? Eu comprei assim que saiu lá em New York. 
   — Não, não lembro.
   — Enfim — diz Isabela —, se você está babando na Yas desse jeito é porque tem mais coisa além dessa amizade que vocês resolveram ter, entendeu?
   — Eu chamei ela pra ir na praia comigo, ela não quis. 
   — Ir á praia — corrige Isabela. 
   — Hã?
   — Nada, não. — Ela balança a mão no ar. 
   — A Yasmin disse que tinha um compromisso e não quis me contar. Que compromisso é esse?
Isabela pensa por um momento e diz:
   — Ela vai fotografar para a mãe do Breno. 
   — Breno!? Aquele moleque que ela quis pegar?
   — Sentiu atração — explica Isabela. — É diferente. 
   — Não interessa! Ela vai se encontrar com esse moleque de qualquer jeito.
   — Nem tem como saber se ele vai estar no ensaio.
Victor olha com descrença para ela.
   — Faça mil favor, né Isa? É claro que ele vai. — Ele balança a cabeça e olha para a piscina.
   — Sabe o que é isso? — pergunta Vinícius. — Ciúmes, Victor! Você está com ciúmes da Yasmin.
   — Fuck you! — Victor levanta com rapidez e pula na piscina. Isabela, Vinícius e Marina riem mais uma vez.
   — Ai, ai, esses dois me matam de rir — fala Marina. 

Em uma das suítes do hotel-fazenda em que está hospedada, Anelise se joga na cama.
   — Ai, estou exausta! — diz se acomodando entre os travesseiros. 
   — Eu também — concorda Bernardo deitando ao lado dela.
   — Nunca pensei que pudesse fazer tantas coisas com esse gesso — comenta Anelise sorrindo. 
   — Existe uma coisa que também dá pra fazer.
Anelise gargalha e olha para o marido.
   — Dessa eu não abro mão — diz puxando Bernardo para perto de si e beijando-o. 

Thiago e Graziele chegam ao local da festa de Theo, um dos colegas dele. Da calçada já dá pra ouvir o som alto e os gritos de empolgação.
   — Uau, que casa linda — diz Graziele impressionada com a sofisticação do casarão. 
   — Isso porque você nem entrou ainda, quando chegar lá dentro vai ficar de queixo caído. A mãe do Theo é decoradora, então já sabe, né?
   — É mal decorada? — sugere Graziele.
   — Não, né?
   — Sei lá, casa de ferreiro, espeto de pau.
Thiago ri e passa um braço em torno dos ombros de Graziele.
   — Como você é engraçada — ironiza. 
   — Assim como você é um bom filho — rebate a ruiva.
   — Não começa, ok? — pede Thiago passando pela porta. Assim que respira o ar do interior do casarão, a garganta de Graziele se fecha e ela tosse.
   — Que cheiro é esse? 
   — Nem queira saber — responde Thiago sorrindo e acenando para Fabrício. Graziele pigarreia tentando limpar a garganta e coça o nariz enquanto é guiada por ele até uma rodinha de pessoas. As luzes da sala estão apagadas e alguns abajures iluminam o ambiente enfumaçado. 
   — E aí, pessoal! — cumprimenta Thiago.
   — Oi — diz Graziele. As pessoas da roda respondem com uma empolgação acima do normal e a ruiva logo percebe o motivo da animação excessiva: drogas. 
   — Por que você não foi lá com a gente ontem a noite? — pergunta uma mulher de cabelos repicados na nuca. 
   — Eu estava ocupado — responde Thiago aceitando um copo de vodka de um jovem com piercings no nariz, septo e boca. Graziele sabe muito bem o que ele estava fazendo na noite anterior. Trocando beijos com ela em seu quarto. 
   — Ocupado mesmo ou o papai não deixou? — provoca Fabrício gargalhando.
   — Ocupado mesmo — garante Thiago bebericando o conteúdo do copo e acariciando o ombro de Graziele. 
   — Fazendo o quê? — questiona a mulher com curiosidade. 
   — Desde quando surgiu esse interesse pela vida, Emanuela? — rebate Thiago e em seguida olha para Graziele. — Quer? — pergunta baixinho oferecendo o copo pra ela. 
   — Não. 
Thiago dá um beijinho no canto da boca dela e volta a olhar para os seus colegas.
   — Então, como foi ontem?
   — A gente conseguiu invadir! — comemora Fabrício erguendo o seu copo e deixando cair um pouco de bebida no chão. Graziele franze a testa, não entendendo o assunto da conversa.
   — Foi a maior doideira! — diz o garoto dos piercings elevando a voz. — A gente fez muita coisa em cima daqueles túmulos. 
   — Túmulos? — repete Graziele boquiaberta, gerando gargalhadas na roda. 
   — A gente foi se divertir em um cemitério, lindinha — conta a mulher chamada Emanuela com naturalidade enquanto acende um cigarro suspeito. 
   — Vocês invadiram um cemitério? — questiona a ruiva indignada. 
   — A gente sempre faz isso — fala Fabrício. 
   — E o respeito pelos mortos?
   — Relaxa, eles nunca reclamaram pra gente — responde uma outra mulher de cabelo loiro tingido de preto nas pontas. Todos riem novamente, inclusive Thiago.
   — Isso é um desrespeito, sabia? 
   — Nossa, que namorada careta você foi arrumar, hein Thiago? — comenta o garoto dos piercings.
   — É o jeito dela — responde Thiago sorrindo com tranquilidade. 
   — Eu, careta? — rebate Graziele ficando da cor de seus cabelos. — Quem são vocês pra falar de mim, são todos drogados.
A expressão de alegria e entusiasmo desaparece do rosto do garoto de piercings e ele pergunta aos berros:
   — Ficou maluca, garota? Acha que é só chegar aqui e sair falando merda? Vou te mostrar o que a gente faz com gentinha como você — diz se aproximando de Graziele, que recua um passo por instinto. Thiago se posiciona na frente dela e segura nos ombros de Mike, o garoto dos piercings, dizendo:
   — Ei, cara, relaxa!
   — Tira essa mina da minha frente antes que eu arrebente a cara dela.
Graziele morde o lábio inferior tentando controlar o medo e recua mais um passo, trombando em um rapaz. 
   — Desculpa — pede se virando para ele ainda com a expressão de pânico no rosto.
   — Imagina, ruivinha — fala o rapaz que aparenta ter no máximo 25 anos. Ele sorri com a mesma animação de Mike e Fabrício e se afasta. Mesmo diante da situação complicada, Graziele não consegue não se impressionar com a beleza dele. 
   — Tenta encostar um dedo nela que eu te mostro quem vai arrebentar quem aqui — fala Thiago ameaçadoramente. 
   — Amigos! — chama Douglas se aproximando do grupo. — Que bom ver vocês. — Ele passa um braço em torno dos ombros de Thiago, não vendo Graziele passos atrás deles. — Pelo visto o clima não está bom aqui, né?
   — Esse trouxa do Thiago que trouxe aquele caretinha ali atrás — fala Mike tirando as mãos de Thiago de seu corpo. Douglas olha para trás e Graziele entra em seu campo de visão.
   — Ruivinha — fala sorrindo. — Quanto tempo! — Ele puxa Graziele por um braço e a abraça.
   — Oi, Douglas — ela fala mecanicamente evitando o olhar de Mike. 
   — Não pensei que fosse te ver mais — fala Douglas que ainda está lúcido. 
   — Por quê?
   — Pensei que você fosse se afastar do Thiago.
   — Obrigada — ironiza o adolescente recobrando sua tranquilidade habitual. 
   — Vem, vamos beber alguma — chama Douglas levando Graziele para longe da rodinha. Thiago encara Mike mais uma vez e vai atrás dos dois. 

Os adolescentes permanecem em torno da piscina. Vinícius e Marina namoram do outro lado da piscina, Isabela e Felipe conversam sentados na beira e Yasmin e Victor se divertem na água. 
   — Vamos fazer uma aposta? — propõem Yasmin chegando perto de Victor.
   — Que aposta? — ele pergunta.
   — De quem nada mais rápido.
   — Eu ganho fácil.
   — Duvido.
   — E quem perder vai fazer o quê?
   — Como eu estou com fome, quem perder vai lá dentro e faz um sanduíche para todos. Sem pedir a ajuda das empregadas!
   — Ok, eu aceiro a aposta.
   — Tá, ganha quem fizer dois bate a volta primeiro. 
   — Fechou.
Eles se posicionam e Victor pega no braço de Yasmin, dizendo:
   — Enquanto nada já vai pensando no recheio do meu sanduíche, tá?
   — Cuspe, que tal? — provoca a loira rindo. 
   — Rá rá. — Victor empurra a cabeça dela para dentro d'água. Yasmin se debate por um tempo, mas consegue se livrar de Victor e retorna a superfície. 
   — Quer me matar afogada? — esbraveja. 
   — Matar você? — Em menos de um segundo, ele passa o braço em torno da cintura de Yasmin e a puxa para si. — Jamais mataria a minha mais nova amiga.
Yasmin é pega de surpresa com a repentina aproximação e não consegue formar nenhuma frase com sentido.
   — É... eu... hum...
Victor começa a rir do embaraçamento dela e diz:
   — É difícil resistir, não é? 
   — O quê?
Ele sorri e dá um beijo na bochecha dela.
   — Só amigos — lembra e solta Yasmin.
   — Claro, só amigos — repete a jovem se afastando dele. Eles voltam a se posicionar e ela fala: — No três. Um, dois, três!
Os dois começam a disputa. 

Graziele, Thiago e Douglas bebem próximos a escada de acesso ao andar de cima. Os dois tomam uma mistura de bebidas alcoólicas e ela refrigerante. 
   — Então você embaçou por que eles disseram que invadiram um cemitério? — pergunta Douglas com espanto e um sorriso no rosto.
   — Não embacei, só expressei o meu desagrado. 
Douglas olha para Thiago e pergunta:
   — Ela fala palavra difícil sempre?
Thiago ri e bebe mais um gole de sua bebida. Douglas volta a olhar para Graziele, que também sorri, e diz:
   — Isso é normal pra gente, ruivinha. O seu namoradinho aqui mesmo já fez coisas desse tipo e ou piores, né Thiago? 
   — Que tipo de coisas você fez? — questiona Graziele franzindo a testa. 
   — Nada demais — Thiago responde evasivamente. 
   — Nada demais? — repete Douglas e gargalha. — Conta a verdade para a menina! Vai dizer que você esqueceu daquela vez que a gente invadiu aquele casarão e fizemos umas brincadeirinhas? Até hoje a Cíntia elogia a sua performance naquela noite. 
Os músculos da mandíbula de Thiago se contraem e ele lança um olhar de censura para o amigo antes de fitar o rosto de Graziele.
   — Não sabia dessa história — fala a ruiva. 
   — Isso é passado. 
Graziele dá um sorriso amarelo e assente virando o último gole de seu refrigerante com rapidez. 
   — Opa, acabou — diz olhando para o copo vazio. — Vou pegar mais. — Ela se afasta e Thiago balança a cabeça dando um leve sorriso, sabendo que Graziele entornou o refrigerante tão rapidamente para poder se distanciar dele. 
   — Como você é boca aberta, hein? — reclama olhando para Douglas. — Car*lho, véio, precisava contar aquilo para a Grazi? 
   — Saiu, mano, desculpa — pede Douglas com sinceridade. — Ela ficou chateada, né?
   — Óbvio.
   — Relaxa, truta — diz o rapaz colocando uma mão no ombro de Thiago. — Se você der uns pega nela no nível que deu na Cíntia, aposto que a ruivinha esquece rapidinho do que eu disse.
Thiago ri.
   — Vai se f*der!
No cômodo ao lado, Graziele enche o seu copo com mais refrigerante. Com o canto do olho, vê o rapaz em que esbarrou cheirando algo em um vidrinho encostado na parede. Ela se apoia na mesa, tentando colocar os pensamentos em ordem, e bebe um pouco de Coca-Cola. Instantes depois, quando já está se sentindo preparada para voltar para perto de Thiago, se assusta ao ver o rapaz caindo no chão. Ela olha para ele e arregala os olhos ao ver que ele está se debatendo freneticamente com os olhos se movimentando de forma anormal. 
   — Ai meu Deus! — exclama sentindo o pânico retornar. Algumas outras pessoas que estão na mini sala se aproximam do belo rapaz e uma garota grita:
   — Ele está tendo uma convulsão!
Graziele fica paralisada e não consegue desviar os seus olhos do corpo que está caído ao chão. Agora a boca do rapaz começa a espumar e ele se engasga com a própria saliva ainda com espasmos por todo o corpo. Diversas pessoas entram no cômodo, todas falando alto e rápido. Alguém, que Graziele não consegue identificar, vira o jovem de lado, de modo que ele acaba ficando de frente para ela. A saliva espumosa continua saindo de sua boca e aos poucos seu corpo vai relaxando até parar de tremer. Só então Graziele nota a presença de um pó branco nas narinas dele. Nem chega a passar trinta segundos e o rapaz volta a convulsionar. 
   Graziele fica apavorada e larga o copo sobre a mesa antes de sair correndo da mini sala, esbarrando em várias pessoas pelo caminho. Ao chegar na sala de visitas começa a procurar por Thiago, já que este não está mais ao lado da escada. As pessoas correm de um lado para o outro e o pânico vai crescendo no peito de Graziele, que caminha às cegas pelo cômodo. Após dar dois passos, sente uma mão se fechar em seu pulso a prendendo onde está.
   — Douglas — diz olhando para o dono das mãos. — Douglas, cadê o Thiago?
   — Acho melhor você vazar ruivinha — fala o homem por cima dos berros.
   — Cadê o Thiago? — insiste Graziele.
   — Se a polícia aparecer por aqui estamos todos presos. 
   — Cadê o Thiago? — berra a adolescente aterrorizada. 
   — Graziele! — chama Thiago surgindo atrás dela. A ruiva puxa o pulso da mão de Douglas e se vira para o affair, dizendo:
   — O garoto tá tendo uma convulsão naquela salinha ali. 
   — Eu sei, eu sei. — Ele pega nos braços dela e fala com firmeza: — Nós precisamos sair daqui.
   — Mas e ele? Como ele vai ficar?
   — Eu não sei, mas nós não podemos ficar aqui. Vem!
Thiago começa a arrastar Graziele para a saída, empurrando as pessoas que surgem em sua frente. 
   — Ele precisa de ajuda! — fala a garota olhando sobre o ombro para a direção em que fica a salinha.
   — Uma ambulância está vindo pra cá — ele diz.  E nós precisamos estar longe daqui quando ela chegar — completa. 
Graziele corre para acompanhar os passos apressados de Thiago quando eles passam pela porta de entrada. 

De mãos dadas, Marina e Vinícius se juntam a Isabela, Felipe e Victor em um dos lados da piscina.
   — Cadê a Yasmin? — pergunta Vinícius.
   — Foi preparar sanduíches para a gente — conta Victor com um sorriso vitorioso no rosto.
   — Uau! — exclama Marina surpresa.
   — Ela perdeu uma aposta que a gente fez — explica o seu irmão.
   — Estava bom demais pra ser verdade. — Marina ri com os amigos. 
   — Como eu estou bonzinho hoje, vou lá ajudar ela — diz Victor levantando. Ele caminha para dentro da mansão e cruza com uma das empregadas que está saindo da cozinha. Ao entrar no cômodo, nota que Yasmin, vestida com um roupão branco igual ao seu, está sozinha e concentrada na preparação de um sanduíche de frango em frente a um balcão. Como ela está de costas, ele se aproxima sem que ela veja e dá um beijo na nuca dela. Yasmin se arrepia imediatamente e se vira para ele.
   — Ficou maluco?
   — Eu gosto de te provocar.
   — Tô percebendo — diz a adolescente e empurra o peito de Victor com uma mão. — Deixa eu terminar os sanduíches. 
Victor sorri e rodeia o balcão para ficar de frente para ela.
   — Vim te ajudar, embora você não mereça. 
Yasmin passa requeijão em um pão e ergue o olhar para ele.
   — Eu não mereço?
   — Não depois de ter aceitado o convite daquele babaca. 
   — Do que você tá falando? — pergunta Yasmin voltando a dar atenção ao sanduíche. 
   — Eu tô sabendo que você vai se encontrar com o Breno amanhã. 
Ela levanta a cabeça com rapidez e pergunta:
   — Quem te contou?
   — Sua amiga.
   — A Isabela não tinha esse direito — resmunga Yasmin fingindo não estar adorando que Victor esteja sabendo. — E eu não vou me encontrar com o Breno, vou fotografar para o blog da mãe dele.
   — Você quer que eu acredite que vocês não vão se ver? Por favor, né! — diz Victor com um ciúmes estampado no rosto.
   — Nós vamos nos ver mesmo, mas o que eu posso fazer?
   — Não vai nessa sessão de fotos. Simples! 
Yasmin ri sarcasticamente.
   — Por que eu não iria?
   — Porque eu estou de pedindo.
   — Quem é você pra pedir algo assim?
Victor abre a boca imediatamente para responder "Seu namorado", porém engole as palavras e diz baixinho:
   — Seu amigo.
Yasmin aproveita que ele olha para o sanduíche que está nas mãos dela para dar um sorriso triunfante, mas logo retoma a seriedade e diz:
   — Pois é, você é só meu amigo. 
Victor volta a fitar com os olhos azuis dela.
   — Que seja ótima a sua sessão de fotos barra encontro. — Ele começa a caminhar para a porta e se vira para Yasmin no meio do percurso. — Ah, pode fazer um sanduíche a menos, porque eu perdi a fome. 
Assim que Victor sai da cozinha, Yasmin começa a gargalhar.  

Na manhã seguinte, Chay e Mel se despedem dos filhos e partem para uns dias em Paraty, no litoral carioca. Por volta das sete horas, todos os adolescentes já estão reunidos na sala de aula pertencente ao terceiro ano A do colégio Otávio Mendes. Malu e Mayara conversam na carteira da loira em frente a Lorenzo, que desenha tranquilamente sendo observado de perto por Iago, que tem se aproximado dele. Jonas e Samuel se zoam no fundo da sala junto com Pedro enquanto Maísa e Laís leem nas primeiras carteiras. Isabela, Felipe, Marina, Vinícius, Yasmin e Victor estão juntos no meio da sala e conversam empolgadamente sobre os planos para o fim de semana. 
   Graziele passa pela porta seguida por Thiago e deixa sua mochila sobre sua carteira. Em seguida olha para ele e pergunta sem rodeios:
   — Então, você sabe o que aconteceu com o garoto de ontem?
   — Não — responde o adolescente sem olhar nos olhos dela. — Vou deixar minha mochila no meu lugar.
Antes que Thiago possa se afastar, Graziele fecha seus dedos em torno do braço dele.
   — Você está mentindo pra mim. O que aconteceu, Thiago?
Ele respira fundo e olha para os lados para se certificar de que ninguém está prestando a atenção na conversa dos dois.
   — O garoto de quem você está falando é o Jonathan e eu fique sabendo hoje que ele... que ele não aguentou esperar a chegada da ambulância. 
   — Como? — pergunta Graziele erguendo as sobrancelhas. — O que você quer dizer com não aguentou esperar?
Thiago confere mais uma vez se ninguém está olhando para eles antes de responder:
   — Ele morreu.
Graziele leva as duas mãos à boca.
   — Não!
Vendo o espanto da garota, Thiago se apressa em dizer:
   — Ele já estava muito debilitado e viciado. Não ia demorar muito pra que isso acontecesse. 
   — Mas aconteceu na minha frente — fala Graziele lentamente. 
   — Não havia nada que a gente que poderia ter feito. 
Os olhos dela se enchem de lágrimas e Thiago pergunta espantado:
   — Você está chorando pela morte de um cara que você nem conhecia?
Graziele sacode a cabeça em negação.
   — Pode parecer egoísmo, mas é que eu pensei que poderia ser você no lugar dele. 
Thiago abre a boca para dizer alguma coisa, mas nada sai e ele puxa Graziele para um abraço apertado.
   — Eu não quero te perder por um motivo desses — diz a ruiva com a voz abafada pelo uniforme dele.
   — Você não vai me perder. 

Algumas carteiras à frente, Isabela diz com entusiasmo:
   — Eu recebi um convite da inauguração de um restaurante, a gente podia ir. Parece que é super legal lá, tem karaokê e tudo mais.
   — Tem karaokê? — pergunta Felipe se animando. — Vamos, gente!
Após pensarem por uns momentos todos concordam em ir.
   — Será que o Breno acetaria ir? — pergunta Yasmin para Victor sem conter o riso. Victor fala em tom de "brincadeira":
   — Ou ele ou eu. 
A loira passa um braço em torno dos ombros dele e responde com rapidez:
   — É claro que é você. — O sorriso que Victor esboça desaparece quando ela completa: — Eu já vou me encontrar com ele hoje mesmo. 
O loiro fecha a cara e cruza os braços.
   — Legal — diz sem nenhuma emoção na voz. Yasmin ri ainda mais.
   — Você fica tão fofo assim.
   — Eu não sou fofo.
   — É sim — ela discorda e dá um beijo na bochecha dele. — O meu loiro fofo, o meu gostosinho fofo, o meu amigo fofo. 
Victor revira os olhos.