domingo, 21 de setembro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 130: Yasmin e Victor planejam vingança contra Jonas a pedido de Felipe



Depois de olhar para Mel, Chay diz:
   — Sim, tem a ver com o nosso casamento.
   — Vocês irão se separar, né? — pergunta Isabela com a voz falha e o seu pai suspira.
   — Sim — sussurra Mel.
   — A gente já podia imaginar — Vinícius diz.
   — Como vai ser agora? — Isabela pergunta. — Como a gente vai ficar?
Mel abaixa o olhar segurando o choro e Chay, vendo o estado da esposa, resolve responder por ela:
   — Eu vou para o nosso apartamento no Leblon. 
   — Isso quer dizer que agora a nossa guarda vai ser compartilhada? Cada hora a gente vai ficar com um de vocês? 
   — A gente ainda não pensou sobre isso, mas é bem provável que sim. 
Isabela abaixa a cabeça e uma lágrima escorre por seu rosto. 
   — A gente pode saber o motivo da separação? — indaga Vinícius com tranquilidade. 
   — O nosso casamento não é mais o mesmo.
   — A gente percebeu — comenta Isabela enxugando o rosto.
   — O que nós queremos que vocês entendam — diz Mel. — É que o nosso casamento acabou, mas a nossa família vai permanecer unida. 
   — Exatamente — apoia Chay. — Eu não vou mais viver na mesma casa que vocês, mas vou continuar presente, ouviram? Vocês são os meus filhos independentemente da minha relação com a Mel. 
Isabela levanta abruptamente.
   — Desculpa — pede saindo correndo para o corredor. Mel dá um passo para seguir a filha, mas Vinícius segura no braço dela.
   — Eu vou.
Mel assente e o adolescente vai atrás da irmã. 

A porta do quarto de Felipe é aberta e ele sai, dá alguns passos e para em frente a um espelho. Após passar a mão no cabelo, que está molhado do banho, caminha até o quarto da irmã.
   — Yasmin? — chama abrindo a porta.
   — Estou me trocando — grita a loirinha de seu closet.
   — Ok, eu espero. — Ele senta na cama dela. Minutos depois Yasmin sai do closet usando um short hot pants de lavagem clara e uma regata cavada preta com a palavra "fuck" estampada com a cor branca. 
   — O que é? — pergunta refazendo o coque de seu cabelo. 
   — Eu quero te fazer uma proposta, um pedido.
Yasmin franze a testa e senta ao lado dele.
   — Que pedido?
   — É o seguinte, a Isabela me pediu para deixar o Jonas pra lá, mas eu não acho justo esse moleque provocar a gente desse jeito e a gente deixar barato. 
   — E daí?
   — Eu disse para ela que deixaria isso de lado e realmente vou deixar. Eu
   — Como assim, eu?
   — Eu não posso fazer nada, se não a Isa vai ficar brava comigo, mas você pode.
   — Ok, deixa eu ver se eu entendi. Você quer que eu me vingue do Jonas por você, pra que ele pague e a Isa não fique brava, pois você não vai ter feito nada?
   — Exatamente, e é por todos nós. O que você acha?
Um sorriso travesso surge no rosto da loirinha.

Com as pernas dentro da água, Isabela chora silenciosamente. Vinícius se aproxima pelas costas dela.
   — Ei, não precisa ficar assim, Isa. 
   — Eu não estou preparada para ver os meus pais separados.
Vinícius senta ao lado dela.
   — Isso é o melhor para eles nesse momento, assim como foi o casamento anos atrás. A gente tem que entender isso.
   — Eu entendo — diz ela entre soluços. — Acontece que isso dói, sabe? O pai não vai mais morar com a gente.
   — Você ouviu o que ele disse? Ele não vai se afastar de nós, Isabela.
   — Mas não vai mais ter cafés da manhã em família ou jogos de noite.
Vinícius pega nas mãos dela.
   — Isa — fala com seriedade —, você viu como estava o casamento deles. Eles tentaram se acertar, mas isso não aconteceu. Você não acha que eles estão sofrendo com isso? Os nossos pais não precisam de mais uma preocupação, nós não temos que ser fortes nesse momento. Não é o fim do mundo!
Isabela enxuga as lágrimas.
   — Você tem razão. Vou tentar me controlar.
   — É assim que se fala. Agora vamos voltar lá pra dentro.
Isabela levanta com a ajuda do irmão e abraçados, caminham para dentro da mansão.

Ainda sorrindo, Yasmin diz:
   — Acho uma ótima ideia! O Jonas vai pagar, mas como você não vai sujar as mãos com isso, a Isa não vai ficar chateada. 
   — Isso aí, irmãzinha! Olha, eu quero que você faça bem feito.
   — Pode deixar.
   — Eu te pedi isso porque sei que você agiria como eu, sem pena. 
Ela sorri novamente.
   — Com o Jonas eu ajo totalmente sem pena, pelo ao contrário, com máxima crueldade. 
Felipe sorri.
   — É isso que eu quero. 
Eles fazem um toque com as mãos e riem.
   — E essa blusa aí?
Yasmin olha para a blusa que está usando.
   — É do Victor. 
   — Você sempre está usando alguma coisa do Victor?
Yasmin ri.
   — Eu gosto do estilo dele, então sempre pego alguma coisa pra mim. 
   — Posso te perguntar uma coisa?
   — Pergunta.
   — Eu sei que vocês não transaram ainda, porque se isso tivesse acontecido o Victor teria me contado... Quando isso vai acontecer?
   — Felipe!? Isso não é coisa que se pergunte.  
   — O que eu quero dizer, é que você sempre foi rodada e agora é a única virgem do grupo.
   Felipe!? Dá pra parar?
   — É só curiosidade. 
Ela revira os olhos. 
   — Primeiro, eu não sou e nem nunca fui rodada; Segundo, a minha relação com o Victor não é do seu interesse; E terceiro, eu não vou falar sobre isso com você.
Felipe joga os chinelos no chão e cruza as pernas sobre a cama.
   — Por que, Yas? Eu sou seu irmão.
   — E daí?
   — A gente tem liberdade pra falar sobre tudo.
   — Mas eu não quero falar.
   — Por quê?
   — Porque não. Isso não é da sua conta.
   — Você não sente vontade?
   — De quê? — Yasmin se faz de desentendida. 
   — De transar com o Victor.
   — Felipe, entende uma coisa, eu não vou transar com o Victor, vou fazer amor.
   — Meses atrás eu riria da sua cara, mas agora entendo a diferença.
   — Quer dizer que você faz amor com a Isabela em vez de apenas uma transa?
   — Sim, mas nem tenta mudar o foco da conversa. Você sente ou não sente vontade de fazer amor com o Victor?
Yasmin hesita por um instante, mas confessa:
   — Sim.
   — Então porquê vocês ainda não fizeram ainda?
   — Porque não rolou o momento. 
   — Qual seria o momento?
   — Sei lá, alguma coisa romântica. 
   — Desde quando você é romântica?
   — Não pareço, mas sou. 
Felipe ri.
   — Então você quer que o Victor faça uma coisa romântica? 
   — Quero.
   — Ainda bem que você está sentada.
Yasmin balança a cabeça, discordando. 
   — O Victor é um fofo comigo, tá?
   — Só com você.
   — É claro, ele gosta de mim. 
   — Posso fazer mais uma pergunta?
   — Ai, car*lho!
   — Vou considerar isso como um sim. Então, o Victor já disse que te ama?
   — Claro.
O garoto gargalha.
   — Vou ter que zoar ele.
   — Ei, isso é uma coisa entre nós. Eu e ele.
   — Ok, vou deixar quieto. E o que você respondeu?
   — Queeuamoele — diz Yasmin com rapidez. 
   — Que você o quê?
   — Felipe, sai! — pede Yasmin pulando da cama. — Fora do meu quarto.
   — Por quê? A nossa conversa está tão interessante.
   — Só se for pra você. Vai, sai!
Felipe sorri.
   — Obrigada por aceitar a proposta.
   — Imagina, eu preciso mesmo espairecer a cabeça.
Felipa assente, entendendo o que ela quer dizer.
   — Ok, tchau. — Ele sai do quarto dela. 

Quando chegam na sala de estar, Isabela e Vinícius não encontram mais os pais. Com cara de choro, a adolescente vai para o seu quarto enquanto o irmão senta no sofá e liga para a namorada.
   — Oi, Vini — ela diz ao atender.
   — Oi.
   — O que foi?
   — Eu recebi uma péssima notícia essa noite.
   — Que notícia?
   — Os meus pais vão se separar — conta Vinícius, deixando Marina de queixo caído.
   — O Chay e a Mel vão se separar?
   — É.
   — Por quê?
Vinícius explica a situação para Marina.

Depois de jantarem, a família de Henrique saboreia um café ainda na mesa. Durante a refeição, Helena fez alguns comentários desagradáveis sobre o casamento do filho, sobre o emprego de um outro sobrinho e não polpou elogios para o sobrinho que chegou. 
   — Não vejo a hora de ir embora — Graziele comenta aos sussurros para Thiago.
   — Então somos dois. 
   — Agora você entende porquê eu não queria vim sozinha, né?
   — Entendo.
Por de baixo da mesa, ele acaricia a coxa dela.
   — Depois desse café, vamos inventar uma desculpa pra sair daqui? — ela propõem.
   — Ótima ideia. A gente pode ir para a minha casa.
Graziele segura o riso.
   — Vou pensar no seu caso.
   — Olha o que eu fiz por você. Pensa nisso — ele provoca se controlando para não rir.
   — Cala a boca.

Por volta das onze e meia da noite, Felipe recebe uma ligação da namorada.
   — Oi, Isa.
   — Felipe — ela diz com voz de choro. — Você pode vim aqui em casa?
O tom de voz dela deixa Felipe em estado de alerta.
   — O que foi, Isabela?
   — Eu estou precisando de você. 
Ao ouvir a namorada em prantos, Felipe fica preocupado.
   — Ok, estou indo pra aí. 
Eles desligam. Com rapidez, ele pega sua mochila escolar, coloca seus materiais para o dia seguinte juntamente com seu uniforme, uma calça jeans e sua escova de dentes. Em seguida sai do quarto e acaba encontrando Micael no corredor.
   — Para onde você está indo? — pergunta o cantor.
   — Para a casa da Isabela.
   — A essa hora?
   — Ela me ligou chorando, disse que precisa de mim.
   — O que aconteceu? — Micael pergunta franzindo a testa.
   — Eu não sei.
   — Ok, vai.
Felipe praticamente corre até o final do corredor e desce as escadas com rapidez. Micael caminha até o seu quarto.
   — Ainda está acordada? — pergunta para Sophia que está sentada na cama.
   — Sim — ela assente. — Tava conversando com a minha mãe, combinando os últimos detalhes para a missa de sétimo dia. 
Micael caminha até a cama e se senta ao lado dela.
   — Você está?
   — Sim, melhorando a cada dia. A vida não pode parar, né? — comenta tentando segurar o choro.
   — Exatamente — ele concorda abraçando ela. — Já pensou quando vai voltar para a grife?
   — Aham, semana que vem.
   — Que bom, que bom. 
Micael acaricia o cabelo dela com tranquilidade. 

As luzes da mansão de Chay e Mel estão todas apagadas quando Felipe entra. Isabela, que abriu a porta para ele, está usando uma de suas camisolas, uma de tecido fino da cor preta. 
   — Como você está? — pergunta Felipe fechando a porta. Isabela não responde nada em palavras, apenas afunda o rosto no peito dele, sentindo o calor do corpo de Felipe passar para o seu. — O que foi, Isa?
   — Vamos subir — ela diz entre as lágrimas. Felipe segue ela até o primeiro andar e juntos, eles caminham para o quarto dela. Quando já está lá dentro, Felipe volta a perguntar: 
   — O que foi?
   — Os meus pais, eles vão se separar.
Felipe ergue as sobrancelhas.
   — Sério? Mas eles não voltaram de uma viaje romântica esses dias?
   — É, mas a viagem foi uma tentativa de reconciliação... que não aconteceu. 
   — Ah, entendi — diz Felipe ainda perplexo. Isabela desabada na cama, escondendo o rosto no travesseiro.
   — Ai, Felipe, eu sei que isso é normal hoje em dia, mas... eu não quero ver os meus pais separados. 
Felipe caminha até a cama e senta ao lado de Isabela.
   — Isa, você não pode ficar assim — fala acariciando as costas dela.
   — Eu sei que não, mas eu não consigo ficar de outro jeito. Por que os meus pais? Por que a gente?
   — Acontece, amor. Eles não vão deixar de ser os seus pais por causa disso.
   — Eu sei! — ela repete virando de barriga para cima. — Mas se coloca no meu lugar. Você ficaria feliz se a Sophia e o Micael se separassem? Não!
   — Não — ele concorda —, mas ficaria aliviado se isso fosse o melhor para eles. Se os dois chegaram a essa conclusão, Isabela, é porque é o melhor no momento. Seria muito pior se eles continuassem casados, mas brigando sempre. Pensa nisso. 
Isabela não diz nada, apenas continua chorando silenciosamente. Felipe deita no lado dela e a puxa para os seus braços. 
   — Vai ficar tudo bem, tá? Tudo bem — diz para tranquilizá-la. Isabela assente e aos poucos o seu choro vai diminuindo. Minutos depois ela adormece. Felipe solta ela devagar para não despertá-la, cobre o pequeno corpo dela com o cobertor e vai para o banheiro escovar os dentes. Depois tira a camisa, ficando apenas com a bermuda, e os sapatos e deita na cama. 

Na manhã seguinte. 
Por volta das sete horas da manhã, todos os adolescentes já estão no colégio. Yasmin conversa com Maísa, Laís e Mayara.
   — Já escolheram a roupa que vocês vão usar? — pergunta Mayara.
   — Pra minha festa? — pergunta Maísa. — Ainda não. Eu sou daquelas que escolhe sempre no dia, depende do meu humor. 
   — Eu já! — diz Laís e olha para a loira ao seu lado. — Uma pena que você não vai, Yas.
Yasmin dá um leve sorriso.
   — Eu não estou no clima de festa e mesmo que eu tivesse, a missa de sétimo dia do meu avô é no domingo, então nem rola. 
Laís dá um sorriso reconfortante e passa um braço em torno dos ombros de Yasmin.
   — Você é mais forte do que eu pensava, loirona. 
Yasmin ri para tentar controlar as lágrimas.
   — Não tanto quanto eu queria. — Ela olha para o lado, enxergando os seus melhores amigos conversando em torno da carteira de Isabela.
   — Está tudo bem com a Isabela? — pergunta Maísa seguindo o olhar de Yasmin. A loirinha que ainda não teve a chance de conversar com a melhor amiga, apenas diz:
   — Sim. Vou lá falar com ela — emenda sorrindo. O sorriso desaparece enquanto ela se aproxima do seu grupinho. — O que está acontecendo? — pergunta olhando para o rosto dos amigos, principalmente para o de Isabela e Vinícius. — O clima está estranho.
Victor é o único que não sabe de nada, assim como a amiga colorida, e não participa da troca de olhares que há entre os outros. É Marina que responde:
   — Esse não é o melhor lugar para conversar sobre isso. 
   — Isso o quê? — insiste em saber Yasmin.
   — Amiga — diz Isabela —, depois eu te conto.
Vendo o olhar preocupado e triste de Isabela, Yasmin assente.
   — Tudo bem. — O olhar dela percorre o resto da sala, encontrando Jonas e Samuel conversando no lugar do segundo. — Victor, posso falar com você um instantinho. 
   — Tá bom.
Ela pega na mão dele e o arrasta para fora da sala.
   — O que foi? — pergunta Victor parando na frente dela próximo a lanchonete.
   — Eu preciso da sua companhia em uma coisa.
   — Que coisa?
   — Revenge. 
Victor franze a testa.
   — De quem você quer se vingar?
   — Jonas. 
   — O que ele te fez?
   — Nasceu. 
   — Legal, vou sair me vingando por aí porque as pessoas nasceram. 
Yasmin revira os olhos.
   — É por causa do que ele fez com a Isabela ano passado e por tudo que ele vem fazendo. O Felipe me pediu para fazer isso.
   — E por que ele mesmo não faz? — Victor faz a pergunta mais óbvia.
   — Porque a Isabela quer que ele deixe o Jonas em paz.
   — Entendi!
   — Então, você está comigo ou não?
   — Você acha mesmo que eu vou ficar de fora dessa?
Yasmin sorri e coloca os braços nos ombros de Victor.
   — Eu sabia que podia contar com você. — Eles dão um selinho no instante que o sino toca.
   — Vamos pra sala — fala Victor pegando na mão dela. 

No quarto de seu apartamento que é destinado ao seu escritório, Anelise grava um vídeo para o seu blog.
   — Olá, pessoal! Faz tempo que eu não gravo nenhum vlog, né? Bom, quem me acompanha nas outras redes sociais sabe o motivo, quem não sabe vai ficar sabendo agora. — Ela ri. — É que eu estava em lua de mel, pessoas. Estava passando uns dias em um hotel fazenda com o meu marido e só voltei agora para a cidade. Nesses dias que eu passei fora chegaram vários produtinhos e eu vou mostrá-los agora para vocês. 
A porta do escritório se abre e Bernardo entra.
   — Oi, amor.
Anelise olha para ele.
   — Eu estava gravando — diz pegando a câmera. 
   — Ah, desculpa.
   — Tudo bem. Por que você chegou mais cedo? O seu plantão não era até nove horas?
   — Era, mas Maristela aceitou trocar de turno comigo.
   — Maristela? 
   — É, ela é a nova médica do hospital. Além de ser uma super médica é muito gente boa.
   — Ah. Quantos anos ela tem?
   — Sei lá, acho que a nossa idade.
   — É? Ela é bonita?
Bernardo sorri, entendendo aonde Anelise quer chegar.
   — Ela é bonita, mas não chega aos pés da minha esposa.
   — Hum, sei — diz Anelise levantando.
   — Não acredita? — pergunta Bernardo puxando a mulher para mais perto. — Ela me convidou para um jantar na casa dela hoje, você pode ver com os próprios olhos. 
   — Ela te convidou para um jantar na casa dela?
   — É, eu e todos os outros médicos do hospital.
   — Bernardo, Bernardo.
   — Ei, eu só tenho olhos pra você, sua boba.
   — Acho bom — fala Anelise dando um beijo nele. — Mesmo assim eu quero ir conferir com os meus próprios olhos.
   — Você quer ir no jantar?
   — Claro! Por que não? Quero mesmo usar o vestido novo que a loja me mandou. 
Bernardo ri.
   — Ok. Como vai o blog? — pergunta mudando de assunto.
   — De vento em polpa. A loja está amando o meu trabalho. As vendas online duplicaram depois que a gente investiu nesse novo meio. Sem contar que as outras marcas estão chovendo, né?
   — Como assim?
   — Tipo, elas veem que o blog está crescendo e tal e querem ser anunciadas também. Como eu não sou a dona do blog, não é comigo que eles entram em contato, é com a rede de lojas que eu trabalho. Então eles acertam a parceria e tal e a loja entra em contato comigo, avisando. O mais legal é que eu ganho presentes dessas lojas, produtos para eu testar e dizer o que eu acho no blog. Bacana, né?
   — Muito, amor!
   — Pois é. O vestido que eu vou usar hoje no jantar da sua amiguinha de trabalho é um presente da loja pelo sucesso do blog.
   — Amiguinha de trabalho? — repete Bernardo se divertindo com o ciúmes da esposa.

Na hora do intervalo, Yasmin e Victor se separam dos colegas para arquitetarem a vingança de Jonas. Na lanchonete, Isabela conversa com o namorado enquanto saboreia um sanduíche de frango.
   — Eu nem agradeci por ontem — diz. — Obrigada por ter ficado comigo, tá?
   — Imagina, amor. Você estava precisando, eu só fiz o que qualquer namorado faria.
   — Acontece que você não é qualquer namorado, é o meu namorado — fala pegando na mão dele.
   — Sorte a minha.
Eles riem e Felipe dá um beijo na mão dela. 

Sentados em um degrau da escada entre o térreo e o primeiro andar, Thiago e Graziele conversam sobre a noite anterior.
   — Obrigada por ter ido comigo ontem, tá? E desculpa pela minha avó.
   — Você me agradeceu em baixo das minhas cobertas. — Eles sorriem e ele continua: — Não precisa se desculpar pela sua avó, você não tem culpa de ser neta daquela... pessoa. 
Graziele dá um beijo nele. Em seguida, ele diz:
   — Eu quero te levar em um lugar mais tarde.
   — Que lugar?
   — Não posso falar ainda.
   — Como eu vou saber que roupa vou usar?
Thiago coça o queixo, onde a barba começa a crescer novamente. 
   — Usa uma preta e discreta. 
   — Você não vai mesmo me contar?
   — Não.
Graziele morde um lábio dele.
   — Seu ridículo. 

Na outra escada do colégio, Yasmin e Victor conversam.
   — Então, quando a gente vai agir? — ele pergunta.
   — Ainda não sei. A gente tem que pensar em um plano muito bom. Não quero fazer o que já fiz antigamente, coisas fúteis. Dessa vez eu quero pegar pesado.
   — É claro, até porque eu não entro pra brincar.
   — Ui, que medo — ela ironiza. 
   — Eu tô falando sério, tá? — Victor fala rindo. — Uma vez eu fiz um garoto ser expulso do colégio.
   — Sério? Como você fez isso? Fez ele te bater e foi contar para o diretor?
   — Não, isso é coisa de amador. Eu coloquei um pacotinho de pó de... eu não sei como se fala em português, enfim, pó de cocaine na mochila dele e fiz uma garota contar para o diretor. Além dele ser expulso o pai teve que se resolver com a polícia. — Ele ri, mas Yasmin olha para ele com uma expressão de perplexidade.
   — Você colocou cocaína na mochila dele? — pergunta com incredulidade. 
   — Yeah. 
   — Victor, isso sim é pegar pesado.
   — Eu avisei que eu não entro pra brincar.
   — Ok, o Jonas merece algo nesse estilo — ela diz com um sorriso no rosto. — Vamos pensar em algo pra colocar em prática o mais rápido possível. 
   — Pode deixar.
Victor se aproxima dela e dá um selinho em seus lábios.
   — Não sabia que eu namorava com uma bad girl.
   — Você vai descobrir muitas coisas sobre mim.
   — É? — ele fala roçando os lábios dela com os seus.
   — Aham. 
Victor sorri e a beija com intensidade.