domingo, 1 de maio de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 306: Mel e Chay conversam à respeito de Isabela



Mel lança um olhar de relance para Reinaldo, confirmando-se de que ele continua dormindo, levanta e sai silenciosamente do quarto.
   — O que foi? — sussurra para o ex-marido enquanto caminha para a sala sentindo a friagem do piso em seus pés descalços.
   — Eu estou preocupado com o estado dela.
   — Como assim? — Mel fica assustada e ela olha por sobre o ombro para ter certeza de que ninguém além dela está acordado. — Aconteceu alguma coisa? — pergunta ainda em sussurros.
Chay narra lentamente o comportamento de Isabela e durante o relato Mel sai do casarão. No instante em que pisa do lado de fora, arrepende-se pois está o ar está bem gelado. No entanto, como sente que tem mais privacidade ali, cruza os braços e decide enfrentar o frio.
   — Eu nunca vi a Isabela com ciúmes da gente — comenta quando Chay termina de falar.
   — Nem eu. É pois isso que eu fiquei preocupado. Ela está confusa, abalada psicologicamente. 
Mel suspira e senta em uma cadeira de balanço que range baixinho.
   — Eu me sinto culpada — fala olhando para o horizonte enegrecido.
   — Não se sinta assim — Chay pede. — Ninguém tem culpa de nada.
   — Eu sei, mas...
   — Não tem mas, Mel.
Ela passa a mão no cabelo.
   — Eu andei conversando com o Reinaldo e tomei uma decisão.
   — Não! — exclama Chay assustado. — Não me diz que vocês vão terminar por causa disso.
   — Não, não é isso. Eu decidi que não vou mais prolongar esse segredo. Assim que eu voltar pro Rio, vou contar a verdade para os nossos filhos.
A morena sente a hesitação dele do outro lado da ligação e fica em estado de alerta.
   — O que foi, Chay? — questiona.
   — Na verdade — ele fala com medo da reação dela —, você só terá que contar a verdade para a Isabela.
Mel fica em pé em um salto.
   — O que você quer dizer com isso, Roobertchay?
Alguns minutos se passam até que o cantor responda baixinho:
   — O Vinícius já sabe.
   — Não acredito! — Mel exclama e olha rapidamente para o interior da casa para ver se há alguma movimentação. — Não acredito que você contou pra ele — reclama abaixando o tom de voz, mas não a fúria nas palavras.
   — Eu não contei! — apressa-se em dizer Chay. — Ele foi juntando os pontos e descobriu sozinho, Mel. Você sabe que ele já estava quase lá.
Mel senta novamente na cadeira e diz mais calma:
   — Sei. E como ele reagiu? — pergunta com ansiedade.
   — Bem. Quer dizer, depois que ele ficou sabendo passou a tarde toda com a Marina na praia. Só que depois quando voltou pra casa, parecia normal.
A empresária solta um suspiro de alívio.
   — Ainda bem!
   — É, só teremos que ter atenção com a Isabela mesmo.
   — Ok, amanhã quando eu voltar a gente acerta tudo isso.
   — Tá bom. Desculpa te atrapalhar aí.
   — Não, os meus filhos são prioridade pra mim. Até amanhã, Chay!
   — Até amanhã, Mel.
Após desligar, ela permanece alguns minutos do lado de fora, refletindo sobre o que aconteceu e o que ainda está para acontecer. Uma parte de si fica aliviada por saber que Vinícius enfrentou bem a situação, porém a preocupação com Isabela faz com que as chances dela voltar a dormir sejam mínimas. Mesmo assim, resolve entrar no casarão.
   — Não vou ficar passando frio — resmunga ao fechar a porta atrás de si. Quando olha para o corredor assusta-se ao ver Reinaldo encostado em uma das paredes olhando para baixo. — Reinaldo? — chama baixinho e ele ergue a cabeça.
   — Você está bem? — pergunta o homem indo até ela. — Acordei e você não estava na cama. Quando vim aqui na sala ouvi você lá fora. Ouvi também o nome do Chay — acrescenta abaixando ainda mais o tom de voz.
   — Ele me ligou para falar da Isabela — conta a empresária e estilista.
   — Está tudo bem com ela? — Reinaldo pergunta sobressaltado.
   — Sim — ela o tranquiliza. — Aconteceram algumas coisas, mas amanhã eu te conto.
   — Ok, vamos dormir? — convida pegando na mão dela.
   — Estou sem sono.
   — Então nós podemos ficar apenas abraçadinhos. — Ele passa os braços ao redor do corpo dela. — Você está gelada.
   — Lá fora está frio — explica Mel afundando o nariz gelado no pescoço dele.
   — Vamos lá para o quarto, a gente pode ficar embaixo da coberta e se você se sentir bem me conta o que aconteceu.
   — Ótima ideia — responde Mel e abraçada com ele, retorna para o quarto.


Ainda atônito, Iago caminha até Aline e segura nos braços dela.
   — Vem, vamos para o meu quarto — chama. 
   — Você me perdoa? — ela pergunta olhando intensamente para ele e tentando alcançar sua bolsa no sofá.
   — Não tem por que eu te perdoar. Você é livre pra fazer o que quiser.
   — Eu sei disso, não estou te pedindo desculpas pelo o que eu fiz com o Fernando. Eu quero que você me perdoe por não ter entendido antes o quanto você é especial e único. 
   — Vem, vamos pro meu quarto — insiste o jovem.
   — Você me perdoa?
   — Tá, tá bom. Vem comigo?
Aline finalmente consegue pegar sua bolsa e caminha com Iago até o quarto dele. 
   — Você está bêbada? — ele pergunta ao fechar a porta, aliviado por ninguém ter aparecido.
   — Não — responde Aline e acaba sorrindo. — Você deve estar me achando maluca, né?
Iago sorri abrindo o seu armário.
   — Só um pouco.
   — É porque eu precisei fazer uma coisa não muito legal para perceber que não era aquilo que eu queria — comenta Aline sentando na cama. Ela pega a revistinha dele que caiu e desdobra a marca.
   — Não foi legal com o Fernando?
Ela olha para ele.
   — Você quer mesmo falar sobre isso?
Iago coloca uma toalha branca sobre a cama.
   — Eu me preocupo com você.
Aline pula da cama e se joga nos braços dele.
   — Como você pode ser tão perfeito?
Ele ri ainda com os braços ao redor dela.
   — Eu não sou perfeito e você sabe disso.
   — Sei, mas se formos analisar, até os seus defeitos são fofos — responde a morena se afastando dele. Ela olha para a toalha e pergunta: — É pra mim?
   — Sim, se você quiser tomar banho. Você tem roupa aí? — ele olha diretamente para a bolsa dela.
   — Tenho, eu ia trocar de roupa lá na casa do Gabriel, mas não deu tempo. — Ambos ficam em silêncio pois sabem o que aconteceu após ela ter deixado a pool party.
   — O banheiro é ali — indica Iago apontando para uma porta à sua esquerda.
   — Ok. — Aline pega sua bolsa, a toalha e vai para o cômodo. 
Ao ficar sozinho, garoto senta na cama e abaixa a cabeça, respirando fundo.
   Minutos depois, Aline sai do banheiro com roupas limpas e secas.
   — Estava precisando de um banho.
Iago dá um leve sorriso para ela, parecendo estar com vergonha de algo.
   — O que foi? — questiona Aline secando o cabelo com a toalha.
   — Eu vou dormir aqui no quarto com você, tá? Quer dizer, se você não se incomodar. É que o quarto de hóspedes está ocupado — ele justifica sem olhar para ela.
Aline ri.
   — Iago? Dormir com você está bem longe de ser um problema pra mim. Na verdade, está mais para solução — acrescenta para si, mas ele escuta. Vendo o total constrangimento do rapaz, ela pergunta para atenuar a situação: — Mas e aí, quem está no quarto de hóspedes?
   — Minha tia e o meu primo. Os do jantar.
   — Ah! — Aline recorda-se de como o jantar terminou mal para ela e Iago. — Enfim, vamos deitar?
   — Vamos. — Ele passa por ela para ir até o armário. — Vou pegar uns cobertores para eu deitar.
   — Fala sério! — exclama Aline olhando para ele. — Sua cama tem espaço para nós dois.
   — Eu sei, mas eu não quero te...
   — Eu não vejo problema algum — interrompe ela. — Fica tranquilo que eu não vou abusar de você — ri a jovem.
Iago fecha a porta do armário e fica parado no meio do quarto sem saber como agir. Ao contrário dele, Aline parece estar bem à vontade após ter tomado banho. Ela deita na cama e se arrasta para o canto da parede, deixando um espaço para ele.
   — Vem — chama puxando o cobertor.
Iago sente um frio na barriga e um calorzinho se espalhar por seu corpo. A imagem de Aline deitada em sua cama de cabelo molhado e sem maquiagem é totalmente encantadora para ele.
   — Iago! — ela chama sorrindo. — Está tudo bem?
O jovem sacode a cabeça rapidamente e tira os chinelos.
   — Está — responde deitando na cama. Ele fica sem saber se deve ficar de frente ou de costas para ela.
   — Me abraça? — pede Aline e ele vê ali a resposta para o seu questionamento interno. 
   — Claro.
O jovem passa os braços ao redor do corpo dele e Aline se aconchega em seu peito, sentindo o agradável aroma de sua pele. Mesmo sem todo o fervor provocado por Fernando, é ali, nos braços de Iago, que ela se sente verdadeiramente bem. Aos poucos seu corpo vai relaxando e a adrenalina dissipando-se, assim o sono vem. 
   Aline se assusta quando o despertador começa a tocar na mesinha de cabeceira de Iago. O jovem desliga o aparelho e senta na cama enquanto ela ergue a cabeça ainda sonolenta.
   — Já está na hora de acordar? — pergunta olhando ao redor sem saber direito onde está.
   — Sim, nós temos aula. — Ele boceja e levanta da cama. 
   — Aula?
Iago sorri enquanto caminha para o banheiro.
   — Sim, Aline, hoje é segunda-feira, lembra?
   — Não. — Ele ri ainda mais e ela sorri diante da visão.
   — Eu vou tomar banho, você pode ir se trocando. Pode pegar um dos meus uniformes ali no armário, o tamanho deve ser o mesmo, você sabe, eu não sou musculoso nem alto. — Ele dá um sorrisinho tímido.
   — Você está perfeito assim. — Aline elogia com sinceridade e senta na cama. — O uniforme vai dar certo, mas e a calça? Eu não posso ir com esse short.
Iago olha para as pernas dela e sente novamente um calor pelo corpo.
   — Você pode pegar alguma coisa da minha mãe — sugere.
   — Ok. E o meu material?
   — No caminho a gente passa na sua casa e você pega, pode ser?
   — Pode. Você pensa tão rápido de manhã, hein? — sorri.
   — Na verdade, eu pensei nisso ontem antes de dormir — Iago confessa e entra no banheiro.
Aline sorri de maneira abobalhada.
   — Ele pensa em mim antes de dormir? — Ela se joga novamente na cama e acaba pegando no sono.
   — Aline! — chama Iago sacudindo o braço dela. — Aline, acorda.
   — Hum?
   — Acorda senão a gente vai se atrasar.
Ao olhar para ele, a jovem percebe que ele já tomou banho, penteou o cabelo e vestiu o uniforme.
   — Eu dormi muito? — questiona sem noção alguma do tempo.
   — Um pouco. Olha — ele mostra uma calça jeans preta para ela —, peguei emprestado com a minha mãe. Ela disse que deve caber em você.
Aline confere o número e assente.
   — É o meu tamanho.
   — Ótimo. Tem uma escova de dentes nova pra você lá no banheiro.
Aline sorri.
   — Obrigada.
   — De nada — ele responde apressadamente e olha no relógio. — É melhor você correr.
Ainda confusa de sono, a garota pega a calça jeans de Beth, o uniforme de Iago e parte para o banheiro.
   — Como eu estou? — pergunta saindo minutos depois de lá já vestida e com o cabelo preso em uma trança lateral.
   — Linda — responde Iago com os olhos brilhando.
Aline olha para o relógio na mesinha de cabeceira e toma um susto.
   — Meu Deus, estamos muito atrasados! — Ela joga a escova de dentes na cama e corre para calçar suas sapatilhas. Iago pega sua mochila, falando:
   — A gente toma café no caminho para a sua casa, pode ser?
   — Pode. — Aline alcança seus pertences e para à porta, aflita. — Agora que eu me dei conta do barulho que devo ter feito ontem.
   — Tudo bem. — Iago abre a porta e sai, mas ela continua parada. — Tudo bem?
   — Estou com vergonha da sua família — Aline confessa e ele sorri.
   — Está tudo bem, ninguém ouviu nada. 
   — Eu sei, mas eu saí daqui feito uma louca da última vez e agora apareço assim do nada? O que os seus pais vão pensar de mim?
   — Aline, o que poderia achar esquisita essa situação é o meu pai e ele não está em casa.
   — Não?
   — Não, ele teve que viajar às pressas, coisa da televisão.
Ela assente.
   — E a sua mãe? A sua tia?
   — Elas não se importam com isso. Você viu a minha mãe, acha mesmo que ela vai ligar?
Aline reflete.
   — Não, mas a sua tia tem cara de quem vai ligar sim.
Iago ri.
   — A tia Júlia tem cada história de quando tinha a nossa idade que... nossa! Vem, vamos logo — chama pegando na mão dela.
Aline dá uma última conferida no horário e só sai do quarto porque eles dois estão realmente muito atrasados.

No interior paulista, Mel e Reinaldo acordam e se juntam à família dele para tomar café da manhã. A cozinha aquecida está bem agitada com todos os filhos de Maria e alguns de seus descendentes. 
   — Deve ser muito bom morar aqui — comenta Mel para Maria olhando pela janela.
   — Ah é! — exclama a idosa seguindo o olhar dela. — Eu não troco esse lugar por nenhum outro.
Mel sorri e olha para Reinaldo, que passa geleia em torradas.
   — A senhora não tem vontade de passar um tempo com os seus filhos nas casas deles? — pergunta para Maria.
   — Ah, não. Eu já sou muito velha, não gosto de sair da minha casinha — ri a mulher e Mel faz o mesmo.
   — Faz sentido — responde. As duas vão para a grande mesa e se sentam. Susie e Régis contam história animadas, provocando gargalhadas em alguns.
   — Fiz pra você — Reinaldo empurra o prato de torradas para Mel, que sorri.
   — Obrigada. — Ela dá um beijo no ombro dele. Enquanto come as torradas, seu olhar cai em Regina, que os observa com ar de reprovação.
Mel fecha a cara e volta a comer. Ela não fala mais nada até terminar a refeição.

O colégio Otávio Mendes vai ganhando vida conforme os alunos chegam para o início da semana. Sozinha em sua carteira, Graziele copia de Laís uma tarefa que esqueceu de fazer. Ela ergue a cabeça quando ouve a voz de Thiago e enxerga o rapaz metros a frente conversando com Daniela.
   Seu coração fica apertado ao vê-lo pela primeira vez depois do que aconteceu entre ela e Douglas. A mistura de tristeza, culpa e mágoa chega deixá-la sem ar.
   Respirando fundo, concentra-se no presente e ouve o que ele diz para a garota.
   — Por favor — pede e a ruiva franze a testa.
   — Ai, não sei — hesita Daniela.
   — Não vai fazer diferença pra você — argumenta Thiago. — Você senta na frente da Mayara e agora vai ficar do lado dela.
Graziele sente um embrulho no estômago ao se dar conta do que ele quer fazer.
   — E por que você quer mudar de lugar? — Daniela fala o que passa pela cabeça da ruiva.
Thiago dá de ombros.
   — Tenho meus motivos.
Daniela olha para Graziele e a ruiva abaixa a cabeça em tempo de não ser flagrada acompanhando a conversa deles.
   — Tudo bem — responde Daniela voltando a encarar Thiago. — Mas se eu enjoar dali você me devolve meu lugar.
Ele sorri.
   — Combinado. 
Daniela começa a organizar suas coisas para trocar de lugar e Graziele levanta e sai rapidamente da sala. Thiago olha de relance para ela e ouve Laís perguntar para Maísa:
   — Será que ela já terminou de copiar?
Sem olhar para trás e esbarrando em outros estudantes, Graziele chega ao banheiro. Ela se tranca em um box e se curva, chorando de soluçar. 

Malu ainda com a mochila nas costas, vai até o banheiro. Ela dá de encontro com duas garotas que saem.
   — Foi mal — pede passando por elas, mas as duas nem a ouvem.
   — Tenho certeza que ela está chorando — fala uma delas.
   — Não viaja! — rebate a outra.
Malu franze a testa e entra no banheiro. Ela pega vários papéis de enxugar a mão e começa limpar a sola de seu tênis.
   — Que merda, hein? — reclama consigo mesma. — Literalmente! — Ela ergue a cabeça de repente, ouvindo um fungar próximo. Olhando para os boxes constata que apenas um está fechado. — Grazi? — chama indo até a porta. — Grazi, eu sei que é você.
A ruiva abre o box e Malu encara seus olhos vermelhos.
   — Como você soube? — pergunta Graziele enxugando as lágrimas.
   — Em oitenta por cento das vezes que você chorou eu estava com você. O que aconteceu? — pergunta com preocupação.
Nos minutos seguintes, elas contam uma para a outra os recentes acontecimentos de suas vidas.
   — E por que você não foi lá em casa? — pergunta Graziele quando Malu termina de falar sobre Samuel.
   — Eu não queria te pilhar com os meus pepinos, já basta os seus.
   — Eu sou sua amiga — lembra Graziele caminhando com ela pelo corredor de volta para a sala.
   — Fica para a próxima vez — Malu responde. Elas se encontram com Vinícius e Isabela na porta da sala. Os irmãos percebem de imediato que Graziele andou chorando.
   — Oi — sorri Vinícius.
   — Oi — respondem as duas e ele entra na sala. Isabela permanece parada na frente delas.
   — Você está bem? — ela pergunta segurando carinhosamente no braço da ruiva.
   — Tão bem quanto você. — Tanto ela quanto Malu repararam no ar abatido da menor.
   — Dá pra perceber? — sussurra Isabela.
   — Sim.
Elas se abraçam com força, ambas controlando a vontade de chorar. 
   — Vamos entrar — chama Malu empurrando delicadamente as duas para dentro da sala. 
   — Você já terminou? — Laís pergunta para Graziele fingindo não notar seus olhos vermelhos.
   — Ainda não — responde ela enquanto Isabela caminha para seu lugar, encontrando com Felipe.
   — Terminou o quê? — Malu pergunta.
   — A tarefa de história — fala Maísa e a morena arregala os olhos.
   — P*ta que pariu! Vale visto?
   — Do positivo — conta Laís.
   — Ai, caramba! — Malu corre para o seu lugar e se apressa em copiar o dever com Graziele.
Felipe abraça Isabela e beija a ponta do nariz dela.
   — Você está bem?
Vinícius apura os ouvidos para saber o que a irmã vai dizer.
   — Daquele jeito — responde a jovem.
O namorado dela a aperta ainda mais.
   — Não gosto de te ver assim!
Vinícius não é o único a acompanhar a conversa dos dois. De seu lugar, Jonas observa o casal, ficando curioso e preocupado com o comportamento de Isabela. Para seus colegas ela está normal, mas aqueles que a conhecem bem sabem que há algo de estranho com ela.

Lado a lado, Reinaldo e Mel caminham pelo vasto campo ao redor da casa da mãe dele. 
   — Antes da gente ir embora — ele fala —, eu quero te contar uma coisa.
   — Que coisa? — Ela olha para ele.
   — Eu não te contei a história por completo antes porque não senti que devia, mas agora acho que a nossa relação está mais sólida, por isso não quero segredo ou meias verdades entre a gente.
   — Ok. Pode me contar.
Sem parar de caminhar com ela, Reinaldo fala:
   — Você sabe que eu tive problemas de dependência química, né? Pois é, tudo isso começou anos atrás, quando eu tinha mais ou menos vinte anos. Foi logo que o meu pai morreu. — Ele fica emocionado ao lembrar da presença paterna. — Eu e ele tínhamos um laço muito forte, sabe? Ele era meu exemplo, meu herói, e quando eu estava crescendo na vida, ele me deixou.
Vendo o quão abalado ele fica ao tocar no assunto, Mel interrompe:
   — Se você não quiser falar, eu não me importo.
   — Eu quero. Acho importante você saber.
   — Tudo bem.
   — Então, após a morte dele eu fiquei desolado e eu conhecia um cara que usava essas paradas. A gente começou a sair junto e eu vi nas drogas a oportunidade de acalmar a minha mente e o meu corpo, porque mesmo sendo um dos filhos mais jovens, eu me sentia na obrigação de dar apoio à minha mãe. Ela ficou tão mal quando ele partiu. Até hoje eu acredito que ela só aguentou por causa do Roni, ele era bem pequeno quando tudo aconteceu.
   — As contas não batem — comenta Mel.
   — Hã?
   — O Roni parece ser muito jovem pra ser filho da Dona Maria.
   — Ele é. O Roni é filho biológico de uma amiga da minha mãe, ela faleceu no parto e a minha mãe criou o Roni como filho. Claro que ele sabe da verdade, mas não há distinções entre nós.
   — Entendi.
Reinaldo para e pega nas mãos dela.
   — Era isso que eu queria que você soubesse. Eu nunca tinha falado o que realmente me levou a fazer aquelas coisas.
Mel assente.
   — Tudo bem. Isso ficou no passado.
   — Com certeza — garante Reinaldo e eles se abraçam.

Mesmo correndo, Aline e Iago chegam atrasados para a aula e por isso aguardam no pátio central do colégio o próximo tempo para poderem entrar na sala.
   — Desculpa por fazer você perder o primeiro tempo — pede Aline. — Eu sei que pra você que é nerd isso é chato.
   — Tudo bem — responde o jovem com sinceridade. — Pra tudo tem uma primeira vez, né? — Eles sorriem. — Aline, seus pais não estranharam por te ver chegar naquele horário?
   — Meus pais não estavam em casa — conta a jovem. — Eles fizeram uma viagem para comemorar aniversário de casamento.
   — Ah, entendi!
A turma do terceiro ano B surge vinda da quadra. Os alunos caminham fazendo alvoroço e uma figura destaca-se entre eles.
   — O Fernando está vindo até aqui — comenta Iago.
   — Deixa comigo. — Aline levanta e vai de encontro ao rapaz.
   — Você está bem? — pergunta Fernando cheio de preocupação. — Depois que eu saí do banho você tinha desaparecido.
   — Me desculpa — pede Aline. — Eu recebi uma ligação dos meus pais e tive que ir embora.
   — Você não me disse que seus pais tinham viajado? — ele atenta franzindo a testa.
   — Disse e eles realmente viajaram. Acontece que eles receberam a ligação de uma empregada lá de casa falando que o meu cachorro estava passando mal, daí eu tive que ir pra casa, né? — A jovem contorna a mentira.
   — Ah! Seu cachorro passa bem?
   — Sim, ele está internado, mas vai ficar bem.
   — Que bom! Se você quiser, a gente pode repetir o que aconteceu ontem — ele acrescenta sorrindo.
   — Não sei não, Fernando. — Ela coça o cabelo. — Acho que o que aconteceu ontem foi um impulso nosso.
   — Eu não me arrependo.
   — Nem eu, aquilo precisou acontecer para eu entender certas coisas.
   — Como assim? — ele questiona.
   — Nada demais — responde a jovem dando um sorrisinho.
   — Fernando, pra sala! — manda o professor de educação física, Ronaldo.
   — Eu preciso ir. Depois a gente se fala! — Fernando tenta dar um selinho nela, mas delicadamente Aline vira o rosto e o abraça.
   — Deu tudo certo? — questiona Iago quando ela volta para perto dele.
   — Sim.
   — Pensei que ele fosse te beijar.
   — E ele ia. Eu não quero mais nada com ele — comenta Aline —, só que não quis dar um fora assim, no meio do pátio. Ele não teve culpa de nada, o problema foi eu mesma.
   — Entendo.
Os dois ficam conversando enquanto o sinal não toca.

Após uma reunião na empresa que distribui seu documentário, Chay caminha pelo prédio até a saída. Ele aguarda por um elevador com as mãos no bolso e o pensamento longe. Quando as portas metálicas se abrem, ele se surpreende ao encontrar uma linda mulher, que por acaso já conhece.
   — Coincidências do destino? — fala entrando no elevador.
   — Não tanto, eu trabalho aqui, lembra? — sorri Júlia.
   — Verdade! — Eles riem.
   — O que você está fazendo aqui? — ela pergunta curiosamente.
   — Tive uma reunião sobre o documentário.
   — Claro! O sucesso do streaming nacional — brinca Júlia. 
O elevador chega ao quinto andar e ela se prepara para sair.
   — Júlia — chama Chay.
   — Oi? — Ela olha para trás.
   — Não quer aproveitar essa meia coincidência e ir tomar um café comigo?