sábado, 18 de fevereiro de 2017

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 353: Ausência de Marina preocupa Vinícius



Vinícius sente seu coração bater de forma anormal, capaz de ser ouvido tamanha a velocidade. Como consequência disto, sua respiração torna-se mais curta e entrecortada. Seus olhos continuam fixos no rosto de seu pai e seu rosto vai progressivamente perdendo a cor.
   — Você está bem? — Chay olha com preocupação para ele.
   — I-isso não p-pode ser s-sério — gagueja Vinícius com os olhos incrédulos.
   — Veja você mesmo. — O cantor entrega a carta para o filho, que a pega com os dedos trêmulos. 
Vinícius lê com cuidado cada palavra que está escrita e quando termina, levanta do sofá e começa a caminhar agitadamente de um lado para o outro.
   — Meu Deus, eu passei! — exclama ainda assustado. Chay dá um leve sorriso e fica observando o filho. Ele nota uma alegria genuína começando a surgir em Vinícius, seus olhos brilham intensamente e aos poucos um sorriso incrédulo brota em seu rosto. — Eu passei — repete sorrindo. — Eu passei! — Repentinamente toda a alegria desaparece do rosto de Vinícius e ele senta no sofá. — Meu Deus, eu passei — diz com seriedade.
Chay fica surpreso com a mudança de humor tão brusca.
   — É pra ficar feliz, né? — comenta analisando a expressão do filho.
   — Eu não estava pensando que fosse passar, pai.
   — Mas passou. É isso que importa!
Vinícius se cala e permanece assim por vários minutos. De início, Chay respeita o silêncio dele, mas com o passar do tempo começa a se inquietar.
   — Me diz o que você está pensando, filho — pede rompendo a calmaria.
   — Eu estou pensando na Marina.
Chay morde o lábio e indaga:
   — Você não acha que esse é momento de pensar em você?
   — Eu queria poder comemorar essa notícia com ela. — O jovem passa a mão no rosto. — Meu Deus, por que tem que ser tão difícil?
   — A vida não é fácil, filho.
   — Tenho percebido.
   — Ei — Chay coloca uma mão no ombro do filho —, fica feliz, cara. Você passou na Ferrandi!
   — Mas eu não vou — Vinícius retruca. — E se eu for, significa que tudo deu errado.
   — Deu errado? Então você estudar na Ferrandi e a Marina voltar para os Estados Unidos é dar errado? Porque pra mim são ótimas oportunidades para vocês.
   — Quando vocês vão entender que a gente não quer se separar? — questiona Vinícius levantamento novamente.
   — Se mudar não significa se separar, Vinícius.
O rapaz ri.
   — Pai, a gente não vai simplesmente mudar de casa, nós vamos mudar de continente! Você tem noção do que é um relacionamento com um oceano de distância? Eu jamais conseguiria passar por isso.
   — Se você ama realmente a Marina, você consegue.
Vinícius apenas sacode a cabeça. Ele massageia a nuca e fecha os olhos.
   — Não era assim que eu queria estar me sentindo. Não mesmo.

Espalhados pela cozinha do casarão dos pais dela, Jaqueline, Jonas e Samuel conversam sobre as provas que aconteceram no final de semana.
   — Sinto que vou passar — sorri Jonas deitado sobre um balcão.
   — Vem economia? — brinca Jaqueline abrindo a geladeira para pegar um suco.
   — Só vem — responde o jovem e eles riem. — E você, Samuel?
   — Acho que fui suficientemente bem, mas de que adianta? As universidades que têm o meu curso não aderem ao ENEM.
   — Vish, é verdade, né — comenta Jaqueline. — E como você vai fazer?
   — Eu vou viajar para fazer os vestibulares, né. É o jeito.
   — Eu até queria sair um pouco do Rio — diz Jonas. — Mas de férias mesmo — completa rindo.
   — Pois é. Mas pelo menos a Malu vai comigo pra dar uma aliviada na tensão.
Jonas e Jaqueline não fazem questão de esconder o olhar de malícia que trocam. Os dois caem na gargalhada e Samuel balança a cabeça.
   — Sei bem como ela ai te ajudar a aliviar a tensão — diz Jaqueline.
   — Vocês são muito idiotas, sabiam? — responde Samuel.
   — A gente está falando alguma mentira? — Jonas questiona rindo.
Samuel hesita e começa a rir.
   — Viu!? — exclama Jaqueline e o trio ri junto.

Na manhã seguinte, mesmo após o fim de semana de provas, os jovens do terceiro ano retornam para o colégio.
   — Não queria ter que assistir aula! — reclama Felipe apoiando a testa no ombro de Isabela, que está sentada na mesa dele.
   — Ânimo, amor, a batalha ainda não está ganha. 
   — Pra mim está, onde eu quero é só ENEM.
   — Pensa pelo outro lado — diz Yasmin tentando não rir —, você vai aproveitar mais os seus últimos dias no colégio, ao lado dos seus amigos que você tanto ama.
   — Mas eu não quero aproveitar! — responde Felipe e eles riem.
   — É assim que a gente vê a amizade — Vinícius brinca. 
Os demais alunos da sala vão chegando aos poucos e minutos antes das sete horas, Victor passa pela porta. Sozinho.
   — Ué, cadê sua gêmea? — indaga Isabela indo para o seu lugar.
   — Somos gêmeos bivitelinos, não siameses — ele responde dando um leve sorriso.
   — Ela não vem? — Vinícius pergunta olhando com intensidade para o cunhado.
   — Não — Victor responde retribuindo o olhar. Seus amigos observam os dois e interpretam o silêncio daqueles olhares intensos, que duram pouquíssimos instantes
 pois logo Victor vai para o fundo da sala juntamente com Yasmin.
   A aula começa e Vinícius passa a manhã toda sentindo um vazio em suas costas, na carteira onde Marina deveria estar.

Na hora do intervalo, Jonas e Maísa conversam sentados em degraus da escada do primeiro andar para o segundo.
   — Acho que eu fui bem — conta a jovem com a cabeça apoiada no ombro dele. — Por incrível que pareça consegui controlar os sentimentos e manter a cabeça no lugar para fazer a prova.
   — Ai, que bom, né! — diz Jonas com sinceridade e alívio. — Estava preocupado com você.
Maísa dá um leve sorriso e beija o pescoço dele.
   — Nem fala a palavra preocupado, porque tudo o que eu não preciso na minha vida é de mais preocupação. Tem alguma outra coisa acontecendo, Jonas.
   — Como assim?
   — Estou sentindo uma tensão diferente lá em casa.
   — Diferente do normal desse momento?
   — Sim. Meus pais estão mais nervosos, parece. Mais do que já estavam! Só que quando eu pergunto, eles desconversam. Tem alguma coisa acontecendo e eles não estão me contando.
   — Será que não é preocupação da sua cabeça? 
   — Não, amor! Eu tenho certeza que tem alguma coisa acontecendo.
   — Tudo bem, amor.
Eles se olham e sorriem.
   — É a primeira vez que eu te chamo assim em voz alta, né — comenta Maísa.
   — Em voz alta?
A loira dá um sorriso envergonhado.
   — Confesso que já te chamei assim mentalmente algumas vezes.
   — Você é muito fofa, sabia? — Um sorriso abobalhado surge no rosto de Jonas e ele dá um beijo nela.

Enquanto Felipe e Isabela conversam sobre a próxima ida de Nina ao veterinário na lanchonete, Vinícius levanta e se encaminha até o balcão.
   — Bom dia — sorri para a atendente que costuma atendê-lo.
   — Bom dia! — responde ela com a mesma simpatia. — Deixa eu ver se adivinho. Você vai querer dois sanduíches número seis, um suco de abacaxi com hortelã e um de pitanga?
Vinícius dá um leve sorriso e diz:
   — Hoje eu vou querer só um sanduíche e o suco de abacaxi com hortelã. 
   — Ah. Tudo bem então — ela sorri e se afasta do balcão. Vinícius morde a bochecha por dentro e fica pensando em Marina. Então ele resolve ligar par ela, porém nenhuma de suas ligações são atendidas.

Caminhando lado a lado, Victor e Yasmin chegam à biblioteca. Pouquíssimos alunos estão no local durante o intervalo e quando eles passam pelas mesas com computadores e entram em um corredor de livros de literatura, Yasmin pergunta:
   — O que você tem para me dizer?
   — Na verdade eu não tenho nada — ele sorri.
   — Então por que você me trouxe aqui dizendo que tem uma coisa para me dizer? — ri Yasmin estranhando o comportamento dele.
   — Eu só quero passar um tempo com você. 
Yasmin fica olhando para ele em silêncio por longos segundos. Em seguida, sorri e senta no chão do corredor.
   — Senta aqui — pede batendo no chão ao seu lado. Victor faz o que ela pede e entrelaça seus dedos nos dela.
   — Depois de ontem, minha ficha caiu.
   — Em que sentido? — pergunta a loirinha tirando um fio de cabelo loiro do uniforme dele.
   — Tenho que aproveitar o máximo de tempo possível com você, porque eu acho que... ah, deixa pra lá.
   — Você acha que isso não vai durar muito tempo, né? — Yasmin conclui o que ele não teve coragem de dizer.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 352: Vinícius fica sabendo se foi aprovado em escola de gastronomia



Na tarde de sexta-feira, os jovens reúnem-se ao redor da piscina da mansão de Sophia e Micael na tentativa de relaxar às vésperas do ENEM.
   Marina e Vinícius conversam sentados com os pés dentro d'água enquanto Yasmin e Felipe fazem competição de nado. Isabela observa o namorado deitada em uma espreguiçadeira com sua cadelinha Nina.
   — Está querendo pegar um bronza? — indaga Victor parando ao lado dela, de modo a sombrear seu rosto.
   — Oi? — Isabela tira os óculos e o encara.
   — Bronzeado — ele responde olhando de relance para Nina, que o observa com a cabeça apoiada na perna de sua dona.
   — É bronze, Victor — ri a morena.
   — Ah. — Ele sorri. — Jurava que estava arrasando no português já.
   — Vamos com calma.
Ainda sorrindo, Victor tenta sentar ao lado de Isabela, porém Nina não se move.
   — Esse animal está me atrapalhando — ele fala para a jovem.
   — Você que está querendo atrapalhar ela — ri Isabela. — E o nome desse animal é Nina.
   — Whatever. — Victor revira os olhos, toma distância da piscina e sai correndo em direção à água. 
Marina e Vinícius são molhados pelos respingos que ele provoca quando pula e ela reclama:
   — Nossa, Victor! Quanta gentileza.
O loiro emerge e passa a mão no cabelo, colocando os fios para trás.
   — Não quer se molhar, não venha para piscina.
   — Concordo — diz Yasmin surgindo atrás do namorado. Ela passa os braços pelo corpo dele sob a água e beija seu ombro.
Ainda com irritação na voz, Marina responde:
   — Não estou afim de mergulhar.
   — O medo voltou? — indaga Felipe aproximando-se dos quatro.
   — Só não estou afim mesmo.
   — Qualquer coisa o Vinícius pode te ajudar a superar de novo — fala Yasmin com malícia e eles sorriem, exceto a própria Marina.
   — É, pode ser — ela responde com a voz monótona e levanta, caminhando até Isabela. Para ela, Nina abre espaço e a jovem senta ao lado da cunhada.
   — Ela está bem? — questiona Felipe para Vinícius.
   — Está — ele responde, porém todos notam que ele não foi sincero. Um silêncio constrangedor paira sobre a piscina, até que Victor diz:
   — Enfim, nós viemos aqui para relaxar, né? — Ele se vira e abre um sorriso carinhoso para Yasmin.
   — Pena que tem gente que parece que não está conseguindo — comenta Felipe.
   — Fazer o quê? — Vinícius responde e pula na piscina. Ele mergulha direto e começa a nadar, deixando o trio sozinho.
   — Aposto que eles estavam falando de você — diz Isabela para Marina, que dá um leve sorriso.
   — Então você ficará ainda mais rica.
Elas riem. Nina pula da espreguiçadeira e começa a farejar ao redor.
   — Por que você está desse jeito? — pergunta Isabela tornando-se séria.
   — Pensei que fosse óbvio para todo mundo.
   — Tem a ver com uma sigla de quatro letras?
   — Exatamente. — Marina passa a mão no cabelo e olha de esguelha para piscina, onde Vinícius continua nadando tranquilamente. — ENEM.
   — Tenta não ficar tão pilhada. Nervosismo só atrapalha.
   — Eu sei, mas é impossível controlar. Ainda mais quando tem tanta coisa em jogo.
Isabela assente e também olha para a piscina. Ela se recorda da carta da escola de gastronomia francesa que Vinícius recebeu. Desde então ela vem observando o irmão e pelo seu comportamento, deduziu que ele sequer chegou a abrir a carta.

Em um ponto alto da cidade, Malu e Samuel observam o pôr do Sol sentados no capô do fusca dele.
   — Está chegando a hora do ENEM — ela comenta olhando para frente.
   — Passou rápido, você não acha?
Malu ri e olha para ele.
   — Só que não, né? Sinto que esse ano passou como uma eternidade. Aconteceram tantas coisas.
   — É, aconteceram mesmo. Mas finalmente o ano está chegando ao fim, né? A gente vai fazer os vestibulares e já já chega o Natal e o Ano Novo.
   — Sei lá, com as nossas vidas do jeito que está pode acontecer muita coisa — responde Malu e eles gargalham.
   — Isso é. Mas você me tendo do lado, dá pra encarar né? — brinca Samuel.
   — Cala a boca!
   — Não é verdade?
   — Não — ela ri. — Vivi muito anos sem você e vou viver mais alguns, né?
   — Você está terminando comigo? — sorri o jovem.
   — Não, nós nem temos o que terminar. — Ela ri. — Estou querendo dizer que vou passar uns anos com você longe.
   — Ah. Isso.
   — Não é verdade? — Malu repete a pergunta dele.
   — É. 
   — Pois então.
Os dois olham para o Sol por trás das nuvens, o céu alaranjado e ficam alguns instantes em silêncio.
   — Pensando de forma egoísta — diz Malu ainda encarando o céu —, não queria que você fosse fazer faculdade fora do Rio.
Samuel dá um leve sorriso e indaga:
   — A gente vai continuar junto?
   — Durante esse tempo?
   — Sim.
Malu dá de ombros.
   — Quem sabe?
   — Você sabe — responde Samuel.
   — Eu? Apenas eu? — ela retorque.
   — Sim, porque se depender de mim nós vamos continuar juntos. Então só depende de você. Você me querer ou não.
Malu sorri e olha para ele.
   — Você sabe que eu te quero. 
Eles se encaram durante longos minutos, seus olhos iluminados pela luz alaranjada do pôr do Sol. Lentamente seus lábios se unem.
   — Samuel — sussurra Malu quando eles se afastam, ambos sem ter noção de quanto tempo passaram trocando carícias. 
   — Maria Luíza — ele responde. O casal sorri com leveza e se beija novamente.

Já no começo da noite, Isabela, Vinícius e os gêmeos Marina e Victor preparam-se para deixar a casa de Yasmin e Felipe. Com os dedos finos, Vinícius guarda seus pertences em uma mochila preta sendo observado por Marina, que está sentada no sofá ao seu lado.
   — Quer que eu durma lá na sua casa hoje? — ele pergunta fechando o zíper da mochila.
   — Oi? — Marina indaga como se estivesse com os pensamentos distantes. Vinícius se aproxima mais dela no sofá e entrelaça seus dedos nos dela, repetindo a pergunta:
   — Quer que eu durma na sua casa hoje?
A morena leva uma fração de segundo a mais para responder.
   — Obrigada, Vini, mas eu prefiro ficar sozinha agora.
   — Tudo bem.
Marina aperta os dedos dele e dá um leve sorriso.

Bem distante da mansão dos Abrahão-Borges, Jonas e Luciana conversam no quarto dele.
   — Seu papai evangélico sabe que você está deitada na minha cama? — ele provoca a jovem.
   — Eu não falava nada nem quando acontecia alguma coisa nessa cama, agora que eu não vejo necessidade de falar mesmo — ri Luciana. Jonas também ri, mas seu sorriso murcha com rapidez. — Por que você está assim? — ela pergunta passando a mão pelo cabelo dele.
   — Assim como? — ele rebate arrumando a cabeça no travesseiro.
   — Sei lá, tenso.
Jonas fecha os olhos, parecendo cansado aos olhos de Luciana, e responde:
   — Acho que é a Maísa.
   — Vocês brigaram? — ela tenta adivinhar.
   — Não, eu estou preocupado com ela.
   — Ah, por causa do papai corrupto?
   — Não fala assim, Lu — pede Jonas abrindo os olhos.
   — Só disse a verdade — ela sorri.
   — Não é bem assim.
   — E como é?
   — Ninguém tem prova de nada contra ele. A minha maior preocupação é como isso tudo vai afetar a Maísa amanhã.
   — O curso que ela quer é muito concorrido? — indaga Luciana virando de bruços, mas ainda olhando para ele.
   — Ela quer direito.
Luciana ri e ironiza:
   — Molezinha.
   — Pois é. Agora você vê o quanto é importante ela estar calma amanhã, né?
   — Vejo, mas sabe o que eu posso fazer a respeito disso? Nada. 
   — Eu sei, mas você pode ouvir meu desabafo.
   — Ai, não! — Ela dramatiza e esconde o rosto no travesseiro. — Era melhor quando a gente transava nessa cama, hein?
Jonas gargalha e acerta ela com um travesseiro.

Na manhã seguinte, logo que acorda, Victor vai até o quarto de Marina. Ele encontra a irmã sentada na cama ainda com o pijama e o cabelo bagunçado ao redor do rosto.
   — Bom dia — diz passando pela porta.
   — Assim espero — responde Marina.
   — Vim falar com você.
   — O que foi? — ela indaga vendo ele sentar na beirada da cama.
   — Queria saber se você está tão ansiosa quanto eu — ele conta dando um sorriso de canto de boca.
   — Estou tentando não pensar muito, pra ser sincera.
   — Eu não consigo.
   — É difícil mesmo.
   — Assim como é difícil a gente passar no ENEM.
   — Victor — ela diz com seriedade. — Não é o momento pra gente ficar pensando nisso. Vamos apenas fazer a prova e dar o nosso melhor.
   — Parece que você ensaiou essa frase.
   — É porque eu venho me repetindo isso mentalmente diversas vezes.
   — Tentando se convencer? 
   — Exatamente.
Os dois se calam, refletindo sobre suas situações.
   — Sabe o que eu estava pensando esses dias, até comentei com a Yasmin.
   — O quê? — ela pergunta.
   — Eu estive pensando tanto em ficar longe dos nossos pais, da Yasmin, da galera, que nem percebi que existe a possibilidade de eu ficar longe de você.
Marina demora para responder.
   — É verdade.
   — Você também não tinha pensando nisso, né? — ele sorri.
   — Não — ela ri.
   — Pois é. Estranho pensar que a gente pode se afastar, né?
   — Muito. Você sempre esteve comigo.
   — Sempre mesmo! — Eles sorriem.
   — Não quero ficar longe de você — diz Marina.
   — Eu nem sei se conseguiria ficar longe de você — Victor confessa. — Você é minha gêmea. My little sister. 
Marina sorri e abraça o irmão.
   — Meu caçulinha.
   — É só um minuto de diferença, Marina.
   — Um minuto e vinte e três segundos. Faz diferença! — Eles riem e se abraçam com ainda mais força.
   — Eu não sei se a gente vai ficar ou não — fala Victor quando eles se afastam —, mas uma coisa eu tenho quase certeza.
   — O quê?
   — O nosso resultado vai ser o mesmo. A gente não vai ter que passar por isso sozinho — diz com convicção.

O sábado e o domingo passam rápido, porém são dias tensos para a maioria dos jovens. No domingo a noite, Vinícius manda uma mensagem para Marina questionando se pode ir até a casa dela. Ele não fica surpreso quando ela responde dizendo que prefere ficar sozinha.
   — Ai, ai — suspira deixando o celular sobre a cama. Ele caminha até a sacada e fica lá por um tempo, até que decide ir para o apartamento de seu pai. 
   Antes de sair, Vinícius caminha até sua estante e pega um envelope pardo entre dois livros grossos. De dentro do envelope, ele tira a carta da escola francesa de gastronomia Ferrandi. Após guardar o papel em sua mochila, deixa o cômodo. Ele passa pelo quarto de Isabela, onde a jovem e Yasmin conversam sobre o comportamento dos gêmeos após as provas do ENEM.
   — A Marina eu sei que se fechou completamente — conta Isabela. — E o Victor?
   — Ele está esquisito também — Yasmin responde. — Ontem a gente não se falou direito, porque ele falou que estava cansado por causa da prova e hoje as minhas mensagens não chegaram até agora.
   — Vai ver ele não ligou o celular ainda.
   — Já faz horas que a gente deixou a prova, Isabela.
   — Eu sei, mas vai que ele esqueceu.
   — Duvido. Enfim, o jeito deles só me faz acreditar ainda mais que eles foram mal.
   — É, eu também. Triste, né?
Yasmin ri sem realmente achar graça.
   — Triste é pouco para descrever como eu me sinto em relação a isso.

Sozinha em seu quarto, Marina alcança seu celular na mesinha de centro e liga para um número internacional.
   — Brian?
   — Oi, Marina! — ele responde em inglês. — Como você está?
   — Péssima — ela diz com sinceridade.
   — Nossa, por quê?
   — Esse final de semana foi o ENEM. Cheguei faz um tempo da escola que eu fiz a prova.
   — ENEM é aquela prova que você me falou que tem pra entrar na faculdade?
   — Sim.
   — E aí? Como foi? — indaga Brian apreensivo.
   — Mal. Muito mal. — Marina fecha os olhos com força e pronuncia as palavras que tanto a angustia: — Brian, eu não vou passar.

Com as mãos no bolso da calça jeans caqui, Vinícius aguarda seu pai abrir a porta.
   — Oi, filho! — Chay sorri ao abrir a porta.
   — Oi, pai. — Eles se abraçam, se beijam e Vinícius entra na casa do pai. — Desculpa avisar em cima da hora que viria.
   — Tudo bem. — Eles caminham até o sofá e se sentam um de frente para o outro. — O que é que manda?
   — Recebi isso uns dias atrás — diz Vinícius tirando a carta da Ferrandi da mochila —, mas não tive coragem de abrir até agora.
   — O que é isso? — indaga Chay pegando a carta. — É o que eu estou pensando?
   — É a resposta da escola francesa.
   — Jesus, é o que eu estou pensando!
   — Abre, pai — pede Chay.
   — Eu? — O cantor se surpreende.
   — Eu não tenho coragem.
   — Mas, Vinícius...
   — Por favor.
Seu pai respira fundo e assente.
   — Tudo bem. — Com cuidado e receio, ele rasga o papel e desdobra a carta. Seus olhos correm pelo papel e sua boca entreabre.
   — O que está escrito? — pergunta o jovem com os olhos brilhando de nervosismo e ansiedade.
Chay encara o filho e diz:
   — Você foi aprovado, Vinícius.