terça-feira, 19 de julho de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 320: Mel e Isabela têm conversa importante



Com uma das mãos Arthur afaga o cabelo da filha enquanto a outra lhe dá sustentação.
   — Não fica assim — pede com a voz suave. — Ano que vem, quem sabe, você não começa a fazer faculdade lá?
O corpo de Marina enrijece. 
   — Pai — ela diz se afastando dele —, o senhor sabe que eu não gosto de falar nisso.
Arthur permanece segurando nas mãos dela.
   — Eu sei, meu anjo, mas é uma ideia bem possível.
Marina não responde e enxuga as lágrimas, falando em seguida:
   — Vamos?
   — Você não quer ver o avião dele subindo? — estranha o cantor.
   — Prefiro não prolongar esse sofrimento.
Arthur dá um leve sorriso e passa um dos braços pelos ombros da filha.
   — Então vamos embora, meu amor.
Os dois rumam para uma das saídas do aeroporto.

Vinícius e Isabela concordam sobre a decisão e resolvem ligar para o seu pai.
   — Coloca no auto-falante — pede Isabela ao irmão e Vinícius atende ao pedido.
   — Oi, pai! — fala segundos depois.
   — Oi, Vinícius! — Chay responde com a mesma empolgação. — Tudo bem?
   — Sim, um pouco cansado de ontem, mas nada demais.
Chay ri.
   — É, ontem foi um pouco desgastante mesmo. 
Isabela sinaliza para o irmão perguntar o que eles tanto querem saber e Vinícius assente.
   — Pai — chama com a voz um pouco mais séria.
   — Oi.
   — Hoje de manhã, eu e a Marina vimos algumas notícias sobre a festa e tinha uma falando do senhor.
   — O que dizia? — pergunta Chay sem esboçar nenhuma reação.
Isabela e Vinícius trocam um olhar de apreensão e ele prossegue:
   — Dizia que o senhor tinha saído acompanhado por uma mulher misteriosa.
Chay dá uma leve risada.
   — É verdade — responde.
   — Quem é ela, pai? — Vinícius pergunta de imediato.
   — É uma ex-modelo que eu conheci lá na festa. Nós saímos, ficamos juntos, mas não é nada demais. Eu não vou aprofundar mais, porque tenho certeza que o celular está no auto-falante e a Isabela está do seu lado.
   — Claro que não — Vinícius tenta mentir, mas Isabela fala ao mesmo tempo que ele.
   — Estou!
Chay ri, dessa vez mais energicamente.
   — Eu sabia, filha.
   — Quem é ela, pai? — ela repete a mesma pergunta de Vinícius.
   — Eu falei, uma ex-modelo que eu conheci na festa — Chay diz com calma.
   — Eu quero nomes.
   — Não vou falar o nome, filha. Vocês iam começar a pesquisar sobre ela, sendo que foi só uma noite.
   — Poupe-me dos detalhes — Isabela exige e seu pai sorri.
   — Eu sei.
   — Mas então — fala Vinícius —, foi só uma noite mesmo?
   — Sim, filho. Só que vocês não veriam problema caso fosse algo a mais, né? Sua mãe está namorando o Reinaldo, nada mais natural e saudável eu seguir a minha vida também.
   — Nós sabemos — responde o jovem enquanto Isabela fecha a cara. — É que seria bizarro ficar sabendo de tudo pela mídia e não pelo senhor. Apenas isso.
   — Eu concordo. Podem ficar despreocupados, quando eu estiver realmente com alguém, vocês ficarão sabendo por mim. Assim como a Mel fez.
   — Tudo bem.
   — Mas e aí, vocês não querem vir aqui em casa?
Vinícius abre a boca para responder, mas Isabela é mais rápida:
   — Onde essa mulher estava? Não, obrigada.
   — Filha — Chay pronuncia com tranquilidade, mas com um toque firme de autoridade. 
   — É verdade, pai.
   — Não, não é — ele discorda. — Nós dormimos em um hotel. 
   — Hum. — Isabela cruza os braços e se afasta de Vinícius, que fala:
   — Talvez eu vá aí mais tarde, pai.
   — Ok, qualquer coisa me liga.
   — Tá bom. Beijo!
   — Beijo! Se cuidem.
   — O senhor também. — Eles riem.
   — Tchau, Isa — despede-se Chay. A garota não responde, apenas resmunga algo ininteligível.
   — Ela também está dizendo tchau — engana Vinícius e eles desligam. O jovem senta no sofá e deixa o celular ao seu lado. — Não é nada sério.
   — Eu preciso pensar.
   — Isa...
   — Eu preciso pensar, Vinícius. — Isabela sobe as escadas com rapidez e Vinícius deita a cabeça no sofá, soltando um suspiro de frustração.

Na cozinha do casarão de seus pais, Luciana enche uma bandeja com diversas guloseimas com a ajuda de Jonas.
   — Não sei que graça vocês vêm em paçoca — ele comenta olhando para o item na bandeja.
   — É gostoso! — Luciana pega uma caixa de bombons suíços e fecha a geladeira. Ela se aproxima dele e coloca a caixa na bandeja.
   — Fecha os olhos — pede o rapaz.
   — Por quê? — Luciana ri.
   — Fecha os olhos.
   — Jonas.
Ele ri.
   — Confia em mim.
Luciana revira os olhos e faz o que ele pede. 
   — Agora abre a boca — continua Jonas.
   — O que você vai aprontar?
   — Relaxa, eu não vou te beijar.
Eles riem e Lucana brinca:
   — Poxa, que pena. — Ela se assusta ao receber um beijo dele na bochecha.
   — Só pra não falar que eu sou mal — gargalha Jonas.
   — Uau! Então, já posso abrir os olhos?
   — Não, espera. — Lentamente, ele coloca uma pequena trufa na boca dela.
Luciana sorri e fecha a boca, sentindo o doce derreter em sua língua.
   — Nossa, que delícia.
   — Isso sim é doce de verdade, não paçoca — ele ri.
   — Cada um tem o seu charme — gargalha Luciana e seu pai entra na cozinha elegantemente vestido com um terno. 
   — Oi, pai — Luciana endireita-se e se afasta um pouco de Jonas. O sorriso do rapaz desaparece de imediato e ele tenta não encarar o pai dela.
   — Oi, Lu. — O senhor caminha até um dos armários. — Você não vai se aprontar para o culto?
   — Eu não vou, pai — responde a jovem. — Avisei a mãe.
   — Por que você não vai? — ele pergunta lançando um olhar para Jonas.
   — Porque a Jaqueline está precisando da nossa companhia.
   — O que aconteceu com ela?
   — Problemas emocionais — responde Luciana de maneira evasiva. 
   — E que horas ela chega?
   — Ela já está aqui, no meu quarto. — Luciana pega no braço de Jonas. — Aliás, nós já estávamos subindo.
Jonas assente e pega a bandeja com as guloseimas.
   — Tchau, pai! — Luciana fala e Jonas faz um aceno com a cabeça. Os dois desaparecem da cozinha com rapidez.
   — Nossa, o seu pai é uma das poucas pessoas que me dá medo — ri Jonas no andar de cima minutos depois.
   — É só saber como falar com ele — pondera Luciana e eles sorriem. A garota gira a maçaneta da porta de seu quarto e entra.
   Jaqueline está sentada na cama dela com uma caixa de lenços ao seu lado e os olhos bastante vermelhos.
   — Olha o que a gente foi pegar pra você — fala Jonas adotando uma voz animada.
   — Não quero comer nada — responde a loira torcendo o nariz.
   — A gente pegou os seus doces favoritos — argumenta Luciana sentando na cama. 
Jonas senta do outro lado de Jaqueline e coloca a bandeja em sua frente, acrescentando:
   — A gente quer adoçar a sua vida.
   — Sério, gente, eu não quero comer — Jaqueline pula a bandeja e caminha até a sacada. Luciana levanta, mas Jonas diz:
   — Deixa que eu falo com ela. — O garoto segue Jaqueline até a sacada e para ao seu lado. — Jaque, você não acha que está sofrendo muito por pouco?
   — Pouco? Eu não acho que é por pouco. A gente tava construindo um negócio bacana, poxa.
   — Eu sei, mas não é o fim do mundo. Vocês vão continuar se falando, só não vão se ver.
   — Uau, que animador — ironiza Jaqueline.
   — Ok, não vou falar mais nada. Só vamos voltar lá pra dentro e comer os doces?
   — Eu não quero comer.
   — Mas eu quero! — ele sorri.
   — Pode ir.
   — Eu quero que você vá comigo, ué. — Ele entrelaça seus dedos nos dela. — Vem, Jaque. Você não quer que o seu amigo fique com lombriga de doces, né?
Jaqueline acaba sorrindo.
   — Ok, vamos!

O cachorro da família de Henrique e Larissa, Phil, corre pelo jardim enquanto a filha do casal está deitada na grama juntamente com Malu. Ela conta para a amiga sobre a noite que passou com Douglas e o que ocorreu durante a manhã. Ao mesmo tempo que fala, as lembranças passam por trás de seus olhos:
   Os intensos raios de Sol inundam o quarto de Douglas e Graziele é despertada por eles. Ela esconde os olhos com as mãos e vira de barriga para baixo na cama, tentando fugir da claridade. O rapaz levanta com rapidez da cama e fecha as cortinas, falando:
   — Foi mal, esqueci que o Sol bate aqui de manhã.
Graziele sorri e tira os dedos dos olhos para espiá-lo.
   — Tudo bem. Eu só não queria ter que levantar agora.
   — Mas você não precisa levantar agora — rebate Douglas caminhando de volta para cama. A ruiva analisa o corpo e as tatuagens dele, que deita ao seu lado e completa: — A gente pode ficar o tempo que você quiser aqui.
Graziele dá um selinho e uma mordidinha nos lábios dele.
   — Eu preciso estar no condomínio depois do almoço.
   — Algum motivo especial? — indaga Douglas brincando com uma mecha do cabelo dela.
   — Sabe o Brian, aquele americano ex-namorado da Marina, ele vai embora hoje e a gente está preparando uma despedida pra ele. Ah, meu Deus, como eu esqueci? — Ela senta com urgência na cama e Douglas fica assustado.
   — O que foi?
   — A gente tem que escrever uma espécie de carta pra ele. Até agora eu não escrevi a minha.
   — Eu tenho um caderno e uma caneta aqui, se você quiser.
   — Ai, eu quero.
Graziele recebe os objetos de Douglas e se apoia na cabeceira da cama dele. Ela começa a pensar no que escreverá e o rapaz levanta.
   — Aonde você vai? — indaga a ruiva erguendo a cabeça.
   — Vou fazer alguma coisa pra gente comer — responde Douglas passando a mão no cabelo bagunçado.
   — Não, fica mais um pouco aqui comigo.
Douglas sorri e retorna para a cama.
   — Pensei que você fosse querer um espaço pra escrever.
   — Não, eu consigo escrever e receber uns beijinhos ao mesmo tempo.
Eles sorriem e Douglas passa os braços ao redor do corpo de Graziele, aconchegando-a em seu peito.
   — Eu posso fazer isso sem nenhum esforço — ele sorri dando um beijo no ombro dela. Com os dedos tatuados, tira os fios alaranjados do pescoço dela e passa a distribuir beijinhos em sua nuca. 
   O toque dele deixa Graziele arrepiada e conforme as carícias vão aumentando, torna-se mais difícil para ela se concentrar na mensagem para Brian.
   — Ok — ela larga o caderno e a caneta sobre a cama e olha para Douglas. — Não consigo fazer os dois ao mesmo tempo.
   — Quer que eu vá fazer o nosso café? — ele ri.
   — Não, quero que você fique exatamente onde está — responde a ruiva sentando no colo dele. Ela se inclina e começa a beijá-lo intensamente.

Confortavelmente sentada em um dos sofás da sala de visitas de sua casa, Yasmin conversa com seu namorado.
   — Você não está achando estranho o clima sem o Brian? — ela comenta.
   — Estou achando o clima ótimo — gargalha Victor.
   — Credo, não fala assim! — Ela ri. — Eu já estava considerando ele membro do grupo.
   — Que grupo?
   — Nós seis, ué! 
Victor ri.
   — Somos um grupo?
   — Óbvio, Victor! — A campainha toca e Sandra vai atender. — Você faz cada pergunta que só Jesus na causa — ela ri e levanta.
Sorrindo, Victor faz o mesmo no momento em que Antônio, o antigo morador de rua que foi ajudado por Yasmin, passa pela porta.
   — Oi, Seu Antônio! — sorri Yasmin indo até ele. 
Os dois se abraçam e Antônio fala:
   — Que bom ver que você está bem.
   — Ah, sim, já estou muito melhor! — Yasmin leva o senhor até o sofá e eles se sentam juntos com Victor.
   — Eu demorei para vir porque não queria te atrapalhar, imaginei que muita gente já estava te visitando.
   — Foi mais ou menos assim — sorri Yasmin.
   — Mas você está se recuperando bem, né? — preocupa-se o senhor.
   — Sim, a minha família está dando todo o suporte que eu preciso.
   — Não só a sua família, né? — Victor diz acariciando o braço dela e Yasmin assente, sorrindo.
   — É verdade.

Horas mais tarde, no início da noite, Vinícius chega à mansão dos pais de sua namorada. A primeira pessoa com quem ele se encontra é Victor, que está largado em um dos sofás fazendo um dever de casa.
   — E aí, Vinícious— ele ri e olha para o recém chegado.
   — E aí, cara — Vinícius responde com a voz cansada e se joga no sofá ao lado do cunhado.
   — O que aconteceu com você? — estranha o loiro, deixando seu caderno de lado.
O namorado de Marina passa as mãos pelo rosto, demonstrando bastante desgaste físico e emocional.
   — O clima tá difícil lá em casa.
   — Por causa do namorado da sua mãe?
   — Também. Não sei se você ficou sabendo, mas o meu pai saiu com uma mulher ontem da festa da MelPhia.
   — Por que eu saberia? — sorri Victor.
   — Porque está em um monte de site de fofocas, foi assim que a gente ficou sabendo.
   — Ah! Então o Chay está de namorada nova e vocês ficaram sabendo pela internet?
   — Não. Eu e a Isa conversamos com ele hoje e ele disse que foi só uma noite.
   — Então qual é o problema?
   — O problema é que eu sempre soube que o meu pai estava saindo com outras mulheres, né? Não seria possível que ele não tivesse ficado com ninguém desde o divórcio, mas parece que a Isabela não estava seguindo a mesma linha de raciocínio que eu.
   — O que ela aprontou dessa vez?
   — Nada — responde Vinícius com simplicidade. — Mas ela não saiu do quarto desde ficou sabendo da notícia. Acho que ela está pensando a respeito, sabe? Tentando entender e aceitar tudo isso, mas não tem sido fácil pra ela.
   — Se ela tentasse...
   — Mas ela está tentando. Eu vejo isso. Acontece que tem duas Isabelas, sabe? Ai! — Ele deita a cabeça no sofá. — Eu fico no meio de tudo isso, sempre tentando entender o lado de todo mundo, mas isso está me desgastando.
Victor fica surpreso com o desabafo.
   — Nossa, se você que é você está desse jeito... A situação tá f*da.
   — Pois é. — Vinícius ergue a cabeça. — Mas e aí, cadê a Mari? Estou precisando conversar um pouco com ela.
   — Vish, boa sorte então.
Vinícius franze a testa.
   — Por quê?
   — Ela não está muto diferente da Isabela.
O outro continua sem entender.
   — Do que você está falando, Victor?
   — Desde que chegou do aeroporto, a Marina tem estado bem esquisita. Agora ela está lá no quarto.
Vinícius solta um suspiro e levanta.
   — Ok, vou ver como ela está.
O irmão de Isabela sobe as escadas e Victor fica encarando o dever com pesar. 
   — Vamos lá, Victor — diz para si mesmo pegando o caderno. — Sua conta bancária ainda não está como a dos seus pais.

Degustando do silêncio no primeiro andar de sua casa, Isabela lê um livro deitada na cama. Duas batidas na porta rompem a calmaria e a adolescente se assusta.
   — Entra — fala fechando o livro.
Mel abre e passa pela porta enquanto Isabela faz uma cara feia e senta na cama.
   — O que foi, mãe? — pergunta com frieza.
A empresária ignora o tom de voz da filha e senta diante dela.
   — Eu vim saber como você está.
   — Bem.
   — Isabela, vamos ser verdadeiras uma com a outra, filha. O seu comportamento ontem deixou claro que você não está bem.
   — Eu não quero mais ficar falando sobre isso.
   — Mas até agora a gente não falou sobre isso e agora vamos falar — diz Mel com firmeza. — Eu estou preocupada com você, filha.
   — Preocupada? — surpreende-se Isabela. Ela esperava que sua mãe fosse dizer furiosa, chateada, mas não preocupada.
   — Sim. A gente não tem conversado mais, eu não sei o que está se passando com você e ontem você me aparece vestida com aquela roupa que não tem nada a ver com o seu estilo? Como eu não vou me preocupar?
   — Eu usei aquela roupa porque eu quis.
   — Não foi por isso e você sabe bem — discorda Mel. — Só que isso não vem ao caso. Eu só quero deixar claro pra você que eu posso estar em um relacionamento novo, com uma pessoa que você mal conhece e que você não aprova, mas eu continuo sendo eu mesma. Continuo sendo a sua mãe, a sua amiga, a sua parceira. — Mel emociona-se. — Me dói te ver agindo desse jeito, como se eu fosse uma estranha.
   — Não estou agindo assim — fala Isabela tentando não chorar. — Eu só preciso de um tempo para aceitar e entender o que está acontecendo. Eu nunca imaginei ver a senhora com outra pessoa, mãe, e agora sou obrigada a tirar foto com o seu novo namorado? Está tudo acontecendo muito rápido, eu não sei como lidar com isso.
   — Eu sei, meu amor, pra mim também está sendo um pouco assustador. Mas eu estou feliz e quero que você fique feliz comigo também! 
   — Tá bom — Isabela responde olhando para as próprias mãos.
   — Posso contar com o seu apoio? — pergunta Mel segurando nos dedos dela. O toque surpreende Isabela, pois já faz alguns dias que elas não têm contato físico. Além disso, o gesto faz renascer a cumplicidade que há entre elas e que esteve escondida de Isabela.
   — Pode — responde a jovem erguendo a cabeça e olhando para a mãe.
77   — Posso te dar um abraço?
Com os olhos vermelhos, Isabela se joga nos braços da mãe e a abraça com toda a sua força.

Ao chegar em frente ao quarto da namorada, Vinícius dá duas batidinhas na porta.
   — Quem é? — ouve Marina perguntar.
   — Sou eu.
   — Entra.
O rapaz gira a maçaneta e adentra no quarto dela, encontrando a jovem deitada de barriga para cima em sua cama.
   — Oi — Marina sorri ao olhar para ele e se senta. 
Vinícius acomoda-se diante dela e apoia uma mão em sua coxa.
   — Como você está? — indaga.
   — Mais ou menos. — Marina se aproxima mais dele e beija os seus lábios lentamente. Em seguida entrelaça seus dedos nos dele e fica encarando para as suas mãos unidas.
   — O que foi? — pergunta Vinícius dando um beijo na lateral da testa dela.
   — Estou triste, Vini.
   — Pela ida do Brian?
   — Também.
Marina suspira e deita atravessada na cama.
   — Na realidade é muito maior que o Brian.
   — Quer desabafar? — questiona Vinícius deitando ao lado dela. Os dois ficam encarando o teto enquanto falam.
   — Por um bom tempo eu não quis desabafar sobre isso com você.
   — Sobre o quê?
Ela demora um bom tempo para responder, mas Vinícius aguarda com tranquilidade.
   — Eu não quero viver aqui, Vini.
   — Por quê?
   — Eu não me sinto em casa.
   — Você sabe como mudar, Mari.
   — Como? — ela sussurra.
Os olhos serenos fitando o teto branco, Vinícius responde:
   — Faça o que os seus pais esperam que você faça.
   — Não sei se eu consigo.
   — Você sabe que é aceita em qualquer faculdade nos Estados Unidos.
   — Não foi o que eu quis dizer.
   — O que você quis dizer?
   — Não seria simples ir — ela fala e vira a cabeça para o lado, observando o perfil do namorado —, você ficaria aqui.
Vinícius retribui o olhar dela.
   — Eu não posso largar tudo pra te seguir, amor.
   — Eu sei. Não estou te pedindo isso — responde a morena com a voz tão calma quanto a dele.
Eles ficam em silêncio e voltam a encarar o teto simultaneamente. 
   Minutos se passam até que Marina diz:
   — Queria viver em um mundo paralelo em que fosse possível juntar nós dois e Estados Unidos.
Vinícius vira de lado e pousa a mão carinhosamente na barriga dela.
   — Eu vou te amar não importa o país que você esteja.
Marina dá um leve sorriso.
   — Eu não preciso dizer que o meu coração sempre será seu. Você sabe, né?
   — Acho que sei.
Eles começam a rir e permanecem rindo por alguns minutos.
   — Quando você chegou — fala Marina em seguida —, parecia tenso. O que aconteceu?
Vinícius solta um suspiro ao se recordar de seus próprios problemas.
   — Estou cansado de ficar sempre no meio das situações tentando mediar a todos.
   — Tem a ver com a Isabela, o seu pai e a sua mãe?
   — O que mais poderia ser?
Marina apoia o cotovelo na cama e olha diretamente para o namorado.
   — Se você quiser pode fugir e passar um tempo escondido aqui no meu quarto.
   — É uma ótima ideia, ninguém pensaria que eu estaria aqui — ele ironiza e os dois gargalham. — Mas o que eu tenho vontade de fazer as vezes?
   — O quê?
   — Me esconder embaixo do seu cabelo e ficar aqui até que tudo se resolva — ele responde puxando alguns fios dela para cobrir seus olhos.
Marina sorri e abaixa a cabeça, dando mais um beijo apaixonado no namorado.

Na manhã seguinte, as dependências do colégio Otávio Mendes começam a ser preenchidas pelos alunos que chegam para as aulas. Uma das salas do terceiro ano está praticamente vazia, por exceção de Jonas, Maísa, Pedro, Alexandre e Danilo. Os dois últimos conversam em seus lugares, Pedro copia com pressa um dever de Jonas enquanto este conversa e troca beijos com Maísa na carteira dela.
   O celular de Maísa começa a vibrar em seu colo e ela afasta os lábios dos de Jonas.
   — Ah, é a Laís. — Ela atende. — Oi, amiga. Sobe, uai — ri a loira. — Ah, tá. Tô descendo então. Ok. Tchau!
Maísa pula de sua carteira, obrigando Jonas a dar um passo para trás.
   — O que foi? — ele pergunta ainda com uma mão na cintura dela.
   — A Laís está lá embaixo com o resto do pessoal. 
   — Ok, depois a gente se fala. — Jonas tenta dar outro beijo nela, mas a jovem segura nos ombros dele.
   — Você não vai descer comigo?
Jonas ri.
   — Não, vou conversar ali com o Pedro.
Maísa troca o peso do corpo para a outra perna e diz:
   — Ah, Jonas, vamos! 
   — Maísa, você sabe que eu e os seus amigos... você sabe.
   — Legal, vamos! — Maísa pega na mão dele e o começa a puxá-lo até a porta.
   — Maísa.
   — É sério, o que é que custa?
   — Custa tempo e, principalmente, paciência. — Ele ri, mas Maísa não o acompanha.
   — Ah, Jonas, vamos! Por mim — A garota dá um selinho demorado nele e Jonas cede.
   — Ok, mas só uns minutos.

Minutos depois, Isabela, Vinícius, Felipe e Yasmin passam pelo portão do colégio. As meninas conversam a alguns passos a frente dos dois. É Isabela quem vê primeiro Jonas entre os amigos de Maísa.
   — Nossa! — exclama com espanto.
Yasmin, que cumprimentava uma colega, olha para a morena.
   — O que foi?
   — O Jonas ali com o grupinho da Laís.
A loirinha observa o que a amiga comenta e diz:
   — Ah, é por causa da Maísa, né?
   — Eu sei, mas sei lá... Acho estranho. 
   — Pelo menos ele está sendo mais sociável — alfineta Yasmin subindo as escadas.
   — É, isso é — Isabela concorda. — Só que ontem a última coisa que ele foi comigo foi sociável.
   — Amiga, entende uma coisa — pede a loirinha entrando no corredor de sua sala. — O Jonas sempre será um babaca quando o assunto é você. Simples assim! — Ela gargalha e Isabela faz o mesmo.

Com os ombros curvados de cansaço após mais um plantão, Bernardo sai do elevador e caminha em direção ao seu apartamento. Assim que abre a porta, depara-se com Anelise sentada na mesinha de centro com o rosto escondido entre as mãos.
   — Bom dia — fala com a voz arrastada enquanto bate a porta. 
A jornalista não responde e continua imóvel. Bernardo ergue os olhos até ela com curiosidade e pergunta:
   — Está tudo bem, Ane?
Finalmente, Anelise move-se. Ao levantar a cabeça, Bernardo percebe que ela esteve chorando.
   — O que foi? — ele indaga indo até ela com rapidez, esquecendo-se completamente da briga do dia anterior.
Anelise parece se esquecer também da discussão, pois quando o marido se agacha em sua frente, ela com rapidez segura nos braços dele. Seu olhar busca o de Bernardo com angústia, mas ela não consegue dizer nada.
   — Ane, o que houve? — insiste o médico apoiando as mãos de maneira protetora nos joelhos dela.
   — Você não viu nada de estranho quando estava chegando? — pergunta Anelise com a voz trêmula.
   — Não.
Os olhos de Anelise voltam a se encher de lágrimas.
   — Eu tava saindo pro mercado quando a Dona Maria do 527 entrou no elevador com a filha dela. A mulher disse que ela se sentindo mal e que ela ia levá-la pro hospital.
   — E aí? — incentiva Bernardo.
   — De repente a Dona Maria caiu desmaiada e começou a convulsionar. — Ela balança a cabeça, um pouco mais contida. — Foi horrível, Bernardo! Nunca tinha visto nada parecido.
   — O que aconteceu depois? — ele indaga com a voz controlada.
   — A gente parou o elevador no outro andar e socorreram ela. Chamaram o SAMU e ela foi levada.
Bernardo assente e acaricia a perna dela.
   — Você já está melhor?
   — Um pouco. Só que eu fico me lembrando... foi horrível! Ela ficava fazendo uns barulhos e se debatendo... ai, eu não consigo esquecer isso.
   — Ei, calma — pede Bernardo chegando ainda mais perto dela. — Ela deve estar bem, sendo cuidada. Uma convulsão nada mais é do que...
   — Não, não começa a falar em ternos clínicos — exige Anelise abaixando a cabeça e fechando os olhos.
   — Ok. — Ele coloca uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. — O que você quer que eu diga pra você melhorar?
Anelise sacode a cabeça, sem saber a resposta.
   — Qualquer coisa — sussurra ainda apertando os braços dele.
Bernardo fica olhando para ela por um bom tempo, aproxima o seu rosto lentamente da cabeça dela e beija seu cabelo castanho.
   — Eu te amo — fala bem baixinho. — Absolutamente nada vai mudar isso.
Anelise ergue a cabeça, entendendo a referência à noite passada e assente. Em seguida, ela se arrasta até a ponta da mesinha de centro e abraça o esposo com força.

Na hora do intervalo, Felipe e Isabela conversam afastados dos amigos. Ele se mostra orgulhoso da atitude dela perante à conversa que a jovem teve com Mel.
   — É difícil, mas eu vejo como a minha mãe está feliz — comenta Isabela recebendo um carinho dele no braço. — Isso é o que importa, né? A felicidade dela.
   — Exatamente. Aos poucos você vai se acostumando.
   — Ou não — ela ri de leve. — Mas vamos dar tempo ao tempo. Eu só não quero ficar tendo muito contato com ele, tirando isso tudo bem.
Felipe ri e beija a namorada.
   — Minha pequena grande mimada.
   — Cala a boca, Felipe.