terça-feira, 29 de novembro de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 344 [Parte 2]:


Encostados em uma parede do galpão, Jaqueline e Gabriel conversam com os rostos colados.
   — Você não está incomodado com essa dentadura de vampiro? — ela pergunta após ele sorrir, exibindo o acessório.
   — Não — responde Gabriel. — No começo foi estranho, mas agora já acostumei.
   — Está me dando uma agonia — ri a loira. 
   — Não vou tirar só porque você está incomodada — Gabriel gargalha.
   — E se eu fosse te beijar? Como ficaria?
   — Jaque.
Ela sorri.
   — Estou brincando. Relaxa. 
   — Vou pegar um drink.
   — Gabriel. — Jaqueline segura no braço dele, impossibilitando-o de se afastar. — Foi só uma brincadeira.
   — Não gosto desse tipo de brincadeira, não me faz bem.
   — Desculpa.
   — Tudo bem. Agora você pode me soltar? — ele sorri.
   — Não quero.
   — Jaque — ele pede.
   — Não quero te soltar, não quero que você se afaste. Tava tão legal a gente conversando, poxa.
   — Eu só vou pegar uma bebida.
   — Mas você não vai voltar, nós dois sabemos disso. — Gabriel não responde. — Viu?
   — Por que você é assim?
   — Assim como?
   — Você me tem na mão, Jaqueline. E eu não me importo com isso!
   — Não fala desse jeito — pede a garota. — Parece que eu fico te iludindo.
   — Quem dera fosse, né? Você é bem clara, clara até demais. Você não gosta de mim como eu gosto de você.
   — Eu te amo, Gabriel. — As palavras escapam da boca de Jaqueline e até ela fica surpresa com a declaração. — Não sei de que forma — diz em seguida, passando a mão pela fantasia sensual de enfermeira zumbi —, mas eu te amo.
   — Eu também te amo. Sei bem de que forma.
Ela assente e dá um beijo demorado na bochecha dele.
   — Vai pegar seu drink.
Gabriel assente e se afasta.

Samuel também pressiona Luciana:
   — Você vai responder ou não?
   — Eu estava falando daquela transa que nenhum dos dois lembra — ela mente.
   — Mas eles não se esqueceram de usar camisinha — observa Jonas.
   — Ai, gente, eu me expressei errado. Só isso! — Luciana sai caminhando com pressa e quase deixa cair seu chapéu de bruxa.
Jonas e Samuel se olham, visivelmente desconfiados.
   — Isso não faz sentido — fala Samuel.
   — Nem um pouco — Jonas concorda. Ele olha para a direção que Luciana seguiu e enxerga Maísa, Iago e Aline dançando. — Vou ali com a minha namorada.
   — Ui, namorada — ri Samuel. — Vou procurar a Malu, até agora não encontrei com ela.
   — Sorte sua — retruca Jonas e ri indo até o grupo de Maísa. — Oi — ele fala abraçando-a por trás.
   — Oi, Jonas. — Maísa vira de frente para ele. — A sua maquiagem está muito f*da, sabia?
   — Sabia — ele ri e dá um selinho nela. — Gostei da sua fantasia, Aline — o jovem fala olhando para a garota.
   — Valeu — ela responde com desconfiança.
   — É uma máscara ou essa cara feia é sua mesmo?
Aline revira os olhos.
   — Vai se ferrar.
   — Ué, foi só uma pergunta — ele ri e Maísa sacode a cabeça enquanto Iago tenta ignorar a presença dele.
   — Vamos dançar, ok? — fala Maísa.
   — Tudo o que a minha parceira quiser — Jonas abre um sorriso apaixonado.

   — Finalmente! — exclama Malu quando vê Samuel se aproximar. Ela passa os braços pelos ombros dele. — Você está um tesão com essa fantasia.
   — Você não — ri Samuel descendo o olhar pela fantasia de Mortícia dela.
   — Para, tá?
   — Estou brincando. Você está... Malu. 
Os dois riem e dão um beijo intenso. 
   — Ai se o Lucas visse isso!
O casal se assusta e interrompe o beijo, olhando para o lado esquerdo. Yasmin sorri para eles juntamente com Isabela, Marina e Felipe.
   — Você não se cansa de ser demente, né Yasmin? — fala Samuel sorrindo.
   — É convivência com a sua namoradinha.
   — Eu não sou namoradinha de ninguém — responde Malu e Isabela fala rindo:
   — Você pode não ser, mas tenho certeza de que o Samuel se cagou ao ouvir o nome do Lucas.
   — Você falando "se cagou"? — indaga Samuel em tom de surpresa. — Pensei que esse tipo de linguajar fosse palavrão pra você.
   — Vai se f*der, isso é palavrão pra mim — responde Isabela sorrindo. — E é isso que eu quero que você faça.
   — Eu não me f*do, eu f*do com as pessoas — ele ri.
   — Nossa! — Felipe exclama. — Depois dessa eu vou me esconder lá na floresta.
Eles gargalham e Malu fala:
   — Aliás, vamos lá, Samuel!
   — Só se for agora.
   — Nós vamos com vocês — diz Yasmin. — Estou morrendo de curiosidade pra ver como é.
   — Aposto que quando você chegar lá vai morrer só que de medo — responde Samuel. — A Jaque me disse cada coisa.
   — Eu não ligo para o que a Jaque disse.
Samuel ri e Marina diz:
   — Vou lá chamar o Vinícius e o Victor.
   — Onde eles estão? — Samuel indaga.
   — Eles foram pegar bebidas pra gente.
   — E vocês deixaram eles sozinhos? — Malu pergunta com estranhamento. — Até eu que não fico o tempo todo com vocês percebi que eles estão se estranhando.
   — Por que eles se estranhariam? — Felipe indaga. 
   — Eu vou saber — responde Malu e Isabela engole em seco.
   — Vou lá atrás deles — diz Marina e se afasta. Ela pode não ter demonstrado, mas o comentário de Malu a fez ter certeza de que algo está acontecendo entre seu namorado e seu irmão gêmeo.
   — Vamos indo! — chama Yasmin com empolgação. — Vamos, vamos!
O grupo começa a cruzar o galpão para chegar até a porta que dá acesso à mata nos fundos. No caminho, eles cruzam com Thiago e Graziele, que dançam juntos.
   — Nós estamos indo para a mata! — conta Isabela sorrindo. — Vamos com a gente.
   — Só vamos — responde Graziele pegando no pulso do ex-namorado. — Vamos, Thiago.
   — Vamos.
Eles caminham até lá e fica aguardando por Marina, Vinícius e Victor. 
   — Chegamos — fala Marina se aproximando com os dois.
   — Por que vocês pediram pra gente pegar as bebidas? — questiona Victor. — Foi a gente encher os copos e a Marina chegou abortando a missão.
   — Grande missão ir pegar bebidas — responde Yasmin.
   — Da próxima vez você vai, então.
Os dois se encaram e sorriem. 
   — Chega de papo, né — diz Malu. — Vamos entrar nessa floresta assustadora— diz com ironia.
   — Vocês não está acreditando que é realmente assustadora, né — comenta Samuel. — Vocês vão se surpreender. 
   — Quero só ver — Yasmin responde. Eles se olham, sorriem e entram na mata.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 344 [ Parte 1]: Jovens aproveitam festa de Jaqueline


   — Não é bem invadir — diz Victor —, é desbloquear. A Isabela comprou um pen drive, mas ele veio com uma espécie de senha — mente o loiro.
   — É — concorda Isabela. Sua habilidade em mentir é uma negação se comparada à de Victor, por isso ela prefere não falar muito para que Vinícius não fique ainda mais desconfiado. No entanto, seu irmão parece estar a cada segundo com mais suspeitas e seu olhar demonstra isto.
   — Se você quiser eu posso dar um jeito nisso — diz Marina a ela.
   — Ok — responde Isabela.
Victor coloca novamente sua máscara de Jason da série Sexta-feira 13 e fala:
   — Vamos indo?
   — Vamos — responde Marina abrindo um sorriso. — Estou tão empolgada para essa festa! Meu primeiro Halloween no Brasil, gente.
Isabela força uma risada, ainda bastante nervosa pelo momento anterior. Vinícius permanece calado no caminho até a calçada. Quando os quatro pisam na rua, um carro estaciona atrás do Evaldo.
   — Chegou quem faltava — sorri Marina e Yasmin e Felipe descem do carro dirigido por Ulisses.
   — Uau! — exclama Isabela ao ver o namorado fantasiado de Chucky, o brinquedo assassino. 
   — Hello — sorri Yasmin se aproximando dos amigos. Sua fantasia de coelhinha idêntica à usada pela personagem Regina George em Meninas Malvadas aflora sua sensualidade.
   — You're so hot — elogia Victor encantado com ela.
   — Thanks — sorri Yasmin. — E aí, noiva zumbi.
Isabela ri.
   — "Ex-esposa" — ela faz aspas com os dedos.
Felipe ri e comenta:
   — Vocês estão tão meninas malvadas. Não era para você estar usando a fantasia da Gretchen, Marina? 
   — Eu quis ser diferente — responde a morena sorrindo. 
   — Indie diferentona — fala Victor e eles riem.
   — O que mais me estranha é o Felipe saber as fantasias da meninas do filme e o nome das personagens — comenta Vinícius sorrindo.
   — Querido, eu já perdi as contas de quantas vezes assisti esse filme com a Yasmin.
   — Nem foram tantas assim — ri a loirinha.
   — Chega de papo — fala Isabela. — Já são dez e meia, vamos logo pra festa.
   — Uhul! — vibra Yasmin entrando no carro com a amiga e Felipe.

Fantasiados Morticia, R do filme Meu namorado é um zumbi e Jéssica Rabbit, respectivamente, Malu, Thiago e Graziele descem do táxi que os levou até a área industrial.
   — Car*lho, que f*da está aqui! — exclama Malu passando pelos túmulos falsos até a entrada do galpão. Thiago e Graziele se olham e sorriem surpresos com a estrutura montada por Jaqueline.
   — Meu Deus! — exclama Graziele ao ver Samara, do filme O chamado, e Regan McNeil, O exorcista, logo na entrada.
   — Oi, ridículas! — grita Mayara erguendo um copo com um drink vermelho. Ela tira a enorme peruca preta da Samara de seu rosto e sorri para os recém-chegados.
   — Mayara — fala Thiago espantado. — Oi, Aline — ele cumprimenta a outra garota.
   — Oi — ela responde. — Que massa a sua fantasia!
   — Valeu.
Mayara ri e pergunta para Graziele:
   — Qual é o nome do filme da fantasia do Thiago?
   — Meu namorado é um zumbi.
   — Não, pra você é Meu ex-namorado é um zumbi. — Ela gargalha e a ruiva sacode a cabeça.
   — Idiota.
   — Não vai falar da minha fantasia? — questiona Malu dando uma volta sem sair do lugar.
   — Você está maravilhosa, Malu! — exclama Mayara. — Cadê a Vandinha?
   — Ficou em casa — ri Malu. 
   Maísa e Iago aproximam-se com copos de drink e sucos, ambos das cores vermelhas e vinho.
   — Oi, gente — sorri a loira e Iago acena com a cabeça. Ela está com a fantasia da roupa tradicional da personagem Harley Queen e ele usa a fantasia de vampiro com capa e gola alta. — Como você está sexy, Grazi.
   — Ah — a ruiva se surpreende com o comentário —, valeu!
   — O que você acha, Thiago? — Maísa pergunta olhando para o rapaz.
   — Concordo com você — ele responde dando um leve sorriso. Graziele também sorri e eles trocam um olhar companheiro, porém os demais ficam constrangidos pela situação pois não sabem como eles lidaram com o comentário.
   — Você já está bêbada, Maísa? — indaga Mayara.
   — Não — responde a loira estranhando a pergunta.
   — Ela está aprendendo a ser inconveniente com o Jonas — comenta Malu. — Falando nisso, cadê ele?
   — Está com os amigos dele — responde Maísa. — Por quê? Já está sentindo falta da companhia dele? — provoca rindo.
Malu dá uma risada irônica.
   — Engraçadinha. É que onde tem Jonas tem Samuel e onde Samuel tem Jonas. — Ela passa a mão em seu vestido preto. — Ainda não vi o Samuel, ele me falou que tem uma floresta muito louca que a gente tem que ir.
   — Eu quero ir também — diz Graziele e olha para Thiago. — Você vai comigo?
   — Pode ser — ele responde se distanciando um pouco de Mayara, pois o cheiro do drink dela está despertando desejo nele.
   — Eu fui com o Jonas — conta Maísa.
   — Mas o que é isso? Uma floresta para casais? — brinca Mayara e eles riem.
   — É muito louca! — exclama Maísa. — Aconselho a ir quem tem coragem.
   — Querida, meu nome é Maria Coragem Luíza. — Eles voltam a gargalhar.

Do outro lado do galpão, com os tornozelos envoltos por gelo seco, Samuel, Jonas e Luciana dançam juntos. A garota está dançando entre os dois quando vê Jaqueline e Gabriel conversando a alguns metros.
   — Não sei se fico feliz ou preocupada — ela comenta e os dois olham sem entender para ela.
   — Do que você está falando? — pergunta Jonas e ela aponta com o queixo para o casal. — Ah.
   — Eles não estão juntos, estão? — Samuel questiona.
   — Não, mas espero que caso eles fiquem juntos não se esqueçam de usar camisinha. Espero que a Jaqueline tenha aprendido a lição!
Jonas e Samuel trocam um olhar e o primeiro indaga:
   — Como assim, Lu? Que lição é essa?

Um poucos depois das onze horas da noite, os carros dirigidos por Evaldo e Ulisses chegam ao galpão onde ocorre a festa de Halloween de Jaqueline.
   — Caramba! — exclama Felipe. — Ela caprichou, hein?
   — Ai que legal! Vamos, vamos — chama Marina. Assim que entram são recebidos por Malu e Graziele. As duas distanciaram-se de seus amigos para pegar doces temáticos.
   — Hey! — exclama Malu erguendo os braços. Ela olha para Yasmin e começa a rir. — Meu Deus, sua fantasia é demais! Mas você não acha que Regina George não é fantasia pra você?
   — Hã? — Yasmin indaga.
   — Você é quase uma Regina George, só falta um namorado no nível Aaron.
   — Não vou nem comentar — diz Victor.
   — E você está com a fantasia da Cady? — Graziele pergunta para Isabela.
   — Foi coincidência — responde Isabela sorrindo.
   — Isso é tão barro! — Eles todos riem. 
   — E o que falar de vocês casalzinho — sorri Malu para Marina e Vinícius. 
   — É o Vini? — questiona Graziele se aproximando do rapaz.
   — É o que parece — sorri Vinícius.
   — Definitivamente não parece! — Ela ri. — Cadê seus cachos? Por que você deixou ele fazer isso? — Ela olha para Marina, que apenas dá de ombros rindo.
   — Uma caveira com cabelo cacheado ia ficar esquisito — Vinícius fala.
   — Você jamais ficaria esquisito, Vini. Você é maravilhoso sempre!
   — Chega de elogios pro meu irmão — Isabela diz. — Sou ciumenta. — Eles riem.
   — Chega de papo! — corta Marina. — Eu vim aqui pra curtir e é isso que nós vamos fazer!

domingo, 20 de novembro de 2016

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 343: Sexta-feira macabra de Halloween


Chay continua sem expressão e pergunta:
   — Como você ficou sabendo que é na França?
Mel bate com o punho na mesa de som.
   — Sabia!
   — Espera aí — ele ergue uma das mãos. — Você não tinha certeza?
   — Não. Eu resolvi testar você, ou como diz aquele ditado, joguei verde para colher maduro.
   — Não acredito nisso — Chay sacode a cabeça, sentindo-se um estúpido por ter caído no papo de Mel.
   — Um estilista lá da MelPhia comentou comigo que falou para o Vinícius dessa tal prova, mas o que eu estranhei é que ele falou que a escola fica na França. Você não me disse isso quando me contou, Chay. Por quê?
   — Porque eu achei que não tivesse necessidade.
   — Não tivesse necessidade? Então pra você não tem necessidade eu ficar sabendo que o meu filho pretende se mudar para outro continente?
   — Ele não pretende — responde Chay com calma. — Há diversas variáveis em jogos.
   — Diversas, não. Eu só vejo uma que se chama Marina.
   — É basicamente isso.
   — Eu não consigo entender essa história deles — confessa Mel sentando em uma cadeira acolchoada. 
   — Vou resumir pra você. A Marina se sairia melhor se fosse fazer faculdade nos Estados Unidos, mas ela quer ficar no Brasil, embora sinta falta de Nova York, por causa do Vinícius, da família, de todo mundo. Então ela está fazendo de tudo para passar aqui no Brasil, mas as chances são mínimas.
   "O Vinícius tem essa possibilidade de cursar gastronomia na França, mas não sabe se vai passar porque é muito concorrido. E ele disse que só vai para lá se a Marina não passar aqui no Brasil, porque aí ela vai para os Estados Unidos. Se ela passar aqui, ele vai ficar aqui mesmo que passe na França, porque não acha justo ela se sacrificar ficando aqui no Brasil e ele ir para a França."
   — Pra mim ela deveria ir para os Estados Unidos e ele para a França — opina Mel. — São as melhores oportunidades para eles.
   — Mas eles não querem se distanciar um do outro, Mel.
   — Eu sei, mas eles têm que pensar primeiro neles mesmos.
   — Se coloca no lugar deles. Quando a gente tinha a idade deles não queríamos ficar distante nem uma semana, quanto mais anos. E se eles realmente forem para fora do país, Mel, dificilmente vão se encontrar de novo. O Vinícius vai construir uma vida na França e a Marina nos Estados Unidos. Sem contar que aqui no Brasil eles também podem se tornar excelentes profissionais.
   — Claro que sim. Mas enfim, não esconde mais nada de mim, ok? Eu entendo o Vinícius ter mais proximidade para desabafar com você, mas...
   — Ele só não te contou ainda porque não quer causar uma situação ao redor dessa história. Pra ele, só eu sei.
   — Tá bom. Só não acho saudável ele ficar guardando tudo para si para poupar os outros. 
   — O que a gente pode fazer? É o jeito dele. O Vinícius sempre foi assim, você sabe.
   — Sei — responde Mel. — Sempre se esforçando para que as pessoas fiquem bem, escondendo as coisas para não preocupar ninguém. Lembra de quando ele cortou o braço quando tinha sete anos e tentou esconder da gente para não nos preocupar?
Chay sorri.
   — Lembro. Ele teria conseguido se a Isabela não tivesse visto sangue no lençol dele.
Os dois riem.
   — A Isabela sempre fuçando as coisas — diz Mel.
   — Jornalista desde sempre. 
Eles sorriem e Mel levanta.
   — Bom, eu vou indo. Quando sai o resultado dessa prova?
   — No começo do mês que vem.
   — Ok, quando sair o resultado ele vai contar para a gente?
   — Espero que sim. Mas continua fingindo que não sabe, tá Mel?
   — Claro. Tchau! — Ela dá um beijo na bochecha dele.
   — Mel — chama Chay segurando em seu braço —, quando quiser me visitar, pode vir. Ok?
Mel gargalha.
   — Chay, Chay — cantarola e sai do estúdio.

Duas semanas passam e o final de outubro chega. Na última sexta-feira do mês, dia de Halloween, o assunto dos jovens é a festa que Jaqueline promoverá.
   — Estou muito empolgada! — exclama Yasmin sentada à mesa da sala de jantar da mansão de Mel com Isabela e Vinícius minutos antes do almoço.
   — Eu também — responde Isabela —, só acho que isso talvez nos prejudique.
   — Por que nos prejudicaria? — Vinícius indaga.
   — O ENEM é final de semana que vem. Não acho que uma festa agora ajudaria muito.
   — Não vai então — ri Yasmin.
   — E perder uma festa da Jaqueline? Eu não! — Isabela sorri. — Posso não ir com a cara dela, mas as festas dela são as melhores.
   — Com certeza — concorda Vinícius. Ele estica o pescoço e olha para a porta. — Será que a mãe vai demorar pra chegar? Estou com fome.
   — Acho que não — sua irmã responde —, ela disse para a gente esperar ela pra almoçar.
   — Aposto que ela vai ficar feliz com a minha presença — Yasmin sorri.
   — Com o seu auto-convite para almoçar aqui? — brinca Vinícius.
   — Com a intimidade que a gente tem, eu posso me convidar para comer na casa de vocês. — Os três riem.

Antes de almoçarem, Marina e Victor recebem uma caixa enorme de Arthur, que diz:
   — Chegou pra vocês.
   — O que é isso? — questiona Victor.
   — De onde veio? — Marina indaga tentando ver as informações.
   — Uma encomenda especial diretamente de New York.
Marina sorri de imediato e Victor abre a caixa com o auxílio de um estilete.
   — Uau! — exclama a jovem ao ver o interior repleto de doces americanos.
   — Tem um papel — fala Victor pegando a folha entre os doces. — Para os nossos gêmeos brasileiros favoritos — ele lê em inglês —, de seus amigos americanos. Doces típicos americanos para alegrar o Halloween de vocês!
Os olhos de Marina brilham e ela sorri ainda mais.
   — Não acredito que eles fizeram isso. Olha, Candy Corn! — Ela pega a embalagem.
   — Nossa, tem até Butterfingers! — exclama Victor. — Pena que você não pode comer, porque tem alergia a amendoim — ele abre um sorriso maligno. — Tudo pra mim!
   — É aí que você se engana — diz Arthur.
   — Os doces são para nós dois — responde Victor. — Para os nossos gêmeos brasileiros — ele lê novamente o papel— Você não é um dos gêmeos brasileiros, pai, desculpa.
   — Vocês não vão ter coragem de negar um simples Circus Peanuts para esse pobre senhor, vão?
   — A gente está zelando pela sua saúde, pai — responde Marina. — Um homem da sua idade não pode abusar dos doces, olha a diabetes. 
   — Eu recebi a encomenda, eu mereço. — Arthur ri e puxa a caixa com doces.

No final da tarde, Vinícius despede-se de Isabela, Yasmin e Mel.
   — Aonde você vai? — indaga sua mãe.
   — Na casa da Marina, a maquiadora já deve estar chegando lá — ele responde pegando seu celular sobre uma mesinha de canto.
   — Você vai se maquiar? — ri Yasmin.
   — Faz parte da minha fantasia, bobona.
   — Você vai fantasiado de drag queen? — Isabela zoa e Mel ri.
   — Você vai se fantasiar do quê, filho?
   — Esqueleto. — Ele sorri. — Vou estar irreconhecível mais tarde.
   — Eu vou estar gostosíssima mais tarde — sorri Yasmin.
   — Qual é a sua fantasia? — questiona Mel.
   — Coelhinha versão Regina George.
A empresária cai na gargalhada.
   — Meu Deus! Melhor fantasia não há.
   — Eu sei! — ri Yasmin.
Também rindo, Vinícius fala:
   — Vou indo. Até mais tarde, meninas. Até amanhã, mãe!
   — Você não vai voltar mais hoje? — Mel pergunta.
   — Não, da casa da Marina vou direto pra festa.
   — Ok, cuidado.
   — Pode deixar. Tchau!
   — Tchau! — as três respondem.

O local escolhido por Jaqueline para realizar a festa de halloween é um galpão em uma aérea industrial rodeado por vegetação. Na rua de terra batida há túmulos falsos com caveiras e fantasmas de pano pendurados nos poucos postes de iluminação. Diversas cabeças de bruxas e zumbis estão pendendo na entrada do galpão, de onde sai um nevoeiro composto por gelo seco. 
   No interior do galpão há morcegos falsos pendurados no teto, corvos e corujas nas paredes. Barris foram espalhados contendo orelhas, cérebros, olhos e outras partes do corpo humano de plástico mergulhadas em um líquido esbranquiçado e mau-cheiroso. Em enormes caldeirões estão as bebidas e sobre caixões as comidas. Crânios e ossos muitíssimos realistas estão espalhados pelo espaço e as paredes foram manchadas por uma coloração semelhante ao sangue humano. As máquinas de gelo seco fazem com que a todo tempo tenha uma fumaça branca cobrindo o chão, escondendo algumas armadilhas especialmente elaboradas por Jaqueline. Ao redor da mesa do DJ há esqueletos falsos de animais e uma porta no fundo do galpão dá acesso à mata, que também está decorada com enfeites macabros. 
   O boneco de um palhaço ensanguentado está apoiado em uma árvore de tronco grosso. Em outras árvores há crânios pendurados e aranhas falsas. Mais cabeças de bruxas estão por toda parte e a fumaça branca torna o ambiente ainda mais sinistro. Em determinados momentos, gritos assustadores ecoam pela mata e risadas aterrorizantes podem ser ouvidas. Caveiras com olhos de led estão escondidas atrás de arbustos e fantasmas estão suspensos em troncos altos.
   Os jovens começam a chegar fantasiados, alguns com fantasias próprias de Halloween, outros com roupas de artistas de cinema, personagens de filmes e personalidades. Samuel, que está vestido como o personagem Edward Mãos de Tesoura, passa por uma garota fantasiada de Marilyn Monroe e entra no galpão. Seus olhos demoram para se acostumar com as luzes coloridas, mas quando isso acontece ele começa a andar à procura de algum conhecido. A primeira pessoa que aparece em sua frente é a anfitriã da festa.
   — Gostosuras ou travessuras? — pergunta Jaqueline acima da música. Samuel sorri e olha para a fantasia dela.
   — Com você vestida assim, gostosura com certeza. — Eles riem.
Jaqueline dá uma volta, exibindo sua fantasia de enfermeira zumbi que é composta por um vestido branco curto e justo com o símbolo da cruz vermelha, meias sete oitavos brancas, um acessório no cabelo loiro com o mesmo símbolo de seu vestido e um estetoscópio vermelho em seu pescoço. Toda a sua roupa e também seus braços e as partes a mostra de suas pernas estão sujos com a cor vermelha, imitando sangue, e sua maquiagem contém um filete de falso sangue escorrendo de sua boca. 
   — Gostou? — ela pergunta sorrindo.
   — A Malu que não me escute, mas você está bem gata.
   — Valeu. Você também está bem legal com essa roupa — ela comenta olhando diretamente para as mãos dele.
   — Difícil vai ser pegar alguma coisa — Samuel ri. — Deixa eu te perguntar, esse lugar é seguro?
Jaqueline gargalha.
   — Está com medo, Samuel?
   — Com medo do meu carro ser roubado.
   — Relaxa, tem seguranças nas proximidades e também aqui dentro. Até lá na mata tem pessoas de olho, em todos os sentidos.
   — Do que você está falando?
   — A floresta lá atrás do galpão também faz parte da festa. Não toda, é claro — ela ri. — Mas uma boa parte foi recheada de surpresas para os corajosos que entrarem na mata.
   — Nossa, você caprichou, hein?
   — Eu sempre capricho — responde Jaqueline e pisca para ele. — Vou receber as outras pessoas. Fique à vontade. Ah, cuidado por onde anda.
Samuel olha imediatamente para o chão, mas não vê nada além da fumaça branca. Quando ergue os olhos, Jaqueline já se afastou. Ele sorri e sacode a cabeça.
   — E aí, cara! 
Samuel olha para o lado e se assusta ao ver uma múmia.
   — Pedro?
   — Reconheceu a minha voz, né — sorri o rapaz, mas seus olhos é a única parte de seu corpo que Samuel consegue enxergar.
   — Você está hilário! — gargalha Samuel.
   — E você com esse cabelo aí.
   — Faz parte, né. — Eles riem e Samuel pergunta: — Cadê o resto do pessoal?
   — A Maísa e o Jonas foram os únicos que chegaram, eu acho, mas eles foram lá para a floresta.
   — Do que eles estão fantasiados?
   — Coringa e Harley Quinn.
   — Nossa, ele deve estar massa com a maquiagem do Coringa e a Maísa com aquele shortinho também.
Pedro ri.
   — Ela não está com a fantasia do filme, é aquela tradicional da HQ.
   — Macacão vermelho e preto?
   — Sim, com aquele negócio na cabeça e a máscara — completa Pedro. — Mas acredite, está igualmente gostosa.
Eles sorriem.
   — Vamos beber alguma coisa — chama Samuel.
   — Cara, eu bebi uma bebida que tinha gosto de sangue! — conta Pedro com entusiasmo enquanto eles passam por algumas pessoas para chegarem no caldeirão mais próximo.
   — Fala sério — responde o outro com descrença.
   — É, sério. Tem umas bebidas muito sinistras!

Ainda no condomínio, Evaldo estaciona em frente à mansão de Arthur e Lua e Isabela desce. Ela passa pelo portão e caminha até a varanda. Quando está prestes a tocar a campainha, a porta se abre e Victor sai. Os dois se encaram, ela fantasiada de noiva zumbi e ele de Jason Voorhees.
   — Você está assustador! — exclama Isabela.
Victor sorri por trás da máscara e fala:
   — Você está tenebrosa.
Isabela balança seu buquê de flores pretas e tira o véu manchado de sangue de seu rosto.
   — Eu mandei uma foto da minha fantasia para o Felipe e ele disse que vai ter pesadelos comigo entrando na igreja.
   — Eu também teria — ri o loiro, mas seu sorriso dura pouco. — Mas enfim, você trouxe aquilo?
Isabela fica tensa e tira de suas vestes um pequeno pen drive prateado.
   — Trouxe. 
   — Por que você acha que nisso aqui nós vamos conseguir a resposta sobre o lance do Vinícius?
   — Eu já te disse, o jeito que ele reagiu quando eu pedi o pen drive foi muito, muito suspeito. — Ela olha intensamente para Victor e a memória deste momento invade sua mente:
   Na semana anterior, Isabela caminha até o quarto de Vinícius.
   — Vini! — chama indo até a mesinha de estudos dele.
   — Estou no banheiro — responde o jovem e ela começa a procurar algo com certo desespero. — O que foi? — ele pergunta minutos depois, saindo do cômodo.
   — Preciso de um pen drive para salvar o projeto de artes. Não sei porque a professora pediu o trabalho em um formato de folha diferente!
   — Só pra dar mais trabalho — sorri Vinícius sentando em sua cama. — Eu não tenho pen drive. A Nina mastigou o meu, lembra?
   — Você não falou que ia comprar outro? — ela se aproxima da cama, ainda olhando para os lados como se o objeto fosse aparecer instantaneamente em algum canto. — E agora? Como eu vou fazer pra imprimir?
   — Não é melhor você mandar por e-mail, lá na gráfica você abre e imprime.
   — Não, eles só aceitam por pen drive. — Isabela abre a primeira gaveta da mesinha de cabeceira dele e revira os papéis que estão lá. Seus dedos encostam em um material gelado e ela tira um pen drive da gaveta. — Achei um!
O rosto de Vinícius fica pálido e ele fala com agitação:
   — Esse não funciona!
Isabela franze a testa.
   — Não funciona?
   — Ele está com vírus muito forte — diz Vinícius com o olhar inquieto, algo que acontece geralmente quando ele está mentindo. — Pedi para a Marina limpar pra mim, mas até agora ela não limpou.
   — Hum. — O comportamento dele levanta suspeitas em Isabela. — Ok, então. — Ela guarda novamente o pen drive na gaveta. Vou ver se a mãe tem algum pra me emprestar.
   — É, vê com ela.
Isabela sai do quarto com mais do que uma pulga atrás da orelha. 
   A garota pisca com rapidez e o rosto de Victor volta a entrar em foco.
   — Aproveitei que ele veio mais cedo aqui pra casa de vocês pra pegar o pen drive. Você acredita que não estava na gaveta que eu encontrei semana passada? Estava no armário no meio de uma meias.
   — Muito suspeito — observa Victor.
   — Sabe o que é mais suspeito? Eu tentei ver o que tem no pen drive, mas não consegui.
   — Por quê?
   — Tem senha.
   — O quê? — Victor não esconde o espanto e tira sua máscara.
   — O pen drive tem senha — conta Isabela. — Eu tentei algumas datas, mas não deu certo.
   — Realmente, tem alguma coisa neste pen drive que o Vinícius não quer que ninguém veja. 
   — Como a gente vai fazer para descobrir?
Victor pensa por um instante.
   — Eu só consigo pensar em uma coisa.
   — No quê?
   — Nós dois conhecemos uma pessoa que pode facilmente entrar nesse pen drive.
Isabela enxerga as intenções dele em seus olhos e nega de imediato.
   — Não! Nem pensar! Nós não podemos meter a Marina nisso.
   — Ela é a única pessoa que pode resolver isso.
   — Mas o que tem aqui — fala Isabela erguendo o pen drive — pode afetar diretamente ela. Você ficou maluco, Victor?
   — Uma hora ou outra ela vai ter que saber o que tem aí — ele argumenta.
   — Não. A Marina fica fora disso — Isabela diz com firmeza.
   — Ok, se você quer assim.
   — Assim é o certo.
   — Nada é certo no que a gente está fazendo, Isabela.
   — Então assim é o menos errado.
Ele bufa e revira os olhos.
   — Nós precisamos dar um jeito de invadir esse pen drive.
   — Vocês querem invadir um pen drive? 
   Victor olha para trás e Isabela arregala os olhos ao ver Marina e Vinícius parados na porta. O casal está vestido com macacões pretos com ossos estampados, transformando-os em perfeitas caveiras. Ambos estão com maquiagens pesadas que completam a produção. O cabelo cacheado de Vinícius foi puxado completamente para trás com o auxílio de um gel e o de Marina rodeia o rosto encovado dela. O casal está deslumbrante com suas fantasias e com um ar de mistério e trevas.
   — Então, gente, por que você querem invadir um pen drive? — questiona Marina sorrindo com espanto para os dois. 
   Isabela conseguiu esconder o objeto em seu vestido de noiva rasgado e sujo supostamente por sangue, mas o olhar que Vinícius lança para ela demonstra que ele sabe exatamente o que ela tem.