sábado, 28 de março de 2015

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 194 [Parte 1]: Isabela e Felipe fazem as pazes



  — Eu quero conversar, poxa — Chay responde, ainda com os dedos envolvendo o braço de Mel. — Eu te chamei para almoçar porque queria falar com você. 
   — Falar o quê? 
   — Sobre tudo, eu queria jogar conversa fora. Eu sinto falta de conversar sobre besteiras com você, porque até quando a gente falava sobre coisas inúteis era legal. 
   — Chay...
   — É errado eu sentir falta disso? 
   — Não, mas deveria ser. — Mel puxa o seu braço com força e entra no carro com rapidez. Ela trava a porta, não abre o vidro e com os dedos ágeis, liga o motor. Chay dá um passo para trás quando Mel dá partida no carro. Ele acompanha o veículo até ele virar a rua e desaparecer. 

Poucas horas depois do almoço, Yasmin assiste televisão sozinha na sala de TV no primeiro andar. Sandra, uma das empregadas da mansão, entra no cômodo e informa:
   — Tem um rapaz lá embaixo querendo falar com a senhorita, o que eu digo? 
   — Quem é? — pergunta Yasmin.
   — Ele se chama Humberto. 
A loirinha arregala os olhos. 
   — O Humberto está aqui? 
   — Sim, e com um skate. — Yasmin coça a cabeça. — É para eu falar que a senhorita não está? 
Depois de pensar por um instante, a adolescente responde:
   — Não, eu vou falar com ele. — Ela levanta do sofá, arruma seu vestido longo e desce com Sandra.  — Deixa que eu abro a porta para ele. 
Yasmin caminha descalça até a porta e abre, encontrando Humberto. É a primeira vez que ela vê o rapaz pessoalmente como ele realmente é, sem fantasias ou outras coisas. A beleza de Humberto fica evidente, seus olhos castanhos amendoados brilham entre os longos cílios, as sobrancelhas grossas emolduram o rosto anguloso e a boca pequena sorri levemente. 
   — Oi — ele fala. 
   — Oi! O que você está fazendo aqui? 
Humberto ri. 
   — É um prazer te ver também. — Yasmin gargalha e ele explica: — Eu estava visitando um amigo e eu lembrei que você tinha comentado que mora aqui, então eu pensei em vir te visitar. 
Yasmin sorri. 
   — Uma boa surpresa. — Ela olha para o skate embaixo do braço dele. — É seu? 
   — Sim, quer dar uma volta? 
   — Agora? 
   — Por que não? 
A loirinha hesita por um momento, mas acaba aceitando:
   — Vou trocar de roupa e pegar o meu skate. 

Isabela e Felipe estão deitados em um lençol sobre a grama do quintal da mansão da mãe dela.
   — Vamos colocar logo os pingos nos is? — ela pergunta olhando para cima, fitando as folhas da árvore. 
   — Hã? 
   — Você sabe muito bem do que eu estou falando, Felipe. — O moreno respira fundo e assente. — Então, vamos conversar logo de uma uma vez, porque eu estou cansada dessa situação. 
   — A situação não está ruim. 
   — Ah, não? A gente passou o final de semana se falando só por mensagens e mensagens secas, hoje no colégio quase não nos falamos, quando você chegou aqui em casa eu tive que praticamente te beijar a força e durante o almoço todo você ficou falando com o Vinícius sobre futebol. Isso porque o clima não está estranho. 
   — Ok, o clima está estranho. 
   — Óbvio que está. E nós sabemos porquê. Eu só queria que você entendesse que o que eu fiz não foi por mal. 
   — Eu sei, Isabela, mas eu não consigo não ficar chateado. Você me chamou de Iago, cara!
   — Foi sem querer! Saiu!
   — Você não iria gostar se  eu te chamasse de qualquer outro nome. 
   — Não, mas eu tentaria te entender. 
   — Jura, Isabela? — ele pergunta com ironia. 
   — É sério. Ou você quer terminar porque eu te chamei de Iago? — A pergunta deixa a boca dela sem que ela queira e Isabela fica temerosa pela resposta de Felipe. 
   — Não, claro que não — responde o garoto para o alívio dela. — Só que eu estou chateado, magoado. 
Isabela se vira de lado, fitando o rosto dele. 
   — Fê, eu juro que eu não queria te magoar. Nunca. 
   — Eu sei. 
   — Então, por favor, me desculpa. Eu sei que foi uma merda grande eu ter te chamado de Iago, mas não trata isso como se fosse a pior coisa do mundo. 
   — Eu não estou tratando isso como a pior coisa do mundo, é só que... Ai, Isa, eu não quero mais falar sobre isso. 
   — O clima ainda vai ficar estranho entre a gente? 
   — Não, eu vou tentar esquecer isso. 
   — É o melhor que nós temos a fazer. E eu juro que não vou deixar mais isso acontecer. 
Felipe pega na mão dela. 
   — Não precisa se culpar tanto. 
   — É que eu não queria que isso tivesse acontecido. O que me deixar com raiva é que eu não pude controlar. 
   — Nem sempre as coisas estarão no nosso controle — fala Felipe olhando para o céu. 
   — Eu sei que eu sempre vou te amar. 
Felipe vira o rosto para encará-la e eles dão um leve sorriso um para o outro. 
   — Você sabe como acabar com a minha raiva, né?
Isabela sorri e passa a mão pelo rosto dele. 
   — É porque eu não gosto de te ver assim. 
Felipe olha intensamente para ela e coloca uma das mãos na cintura dela. 
   — Você é o meu maior vício.
Isabela dá um leve sorriso e se aproxima dele, dizendo:
   — Desculpe te informar, mas não existe tratamento para isso. 
Felipe ri e une os seus lábios com os dela. 

Cerca de cinco horas depois, Yasmin retorna suada e cansada para casa na companhia de Humberto. Ao sair do hall de entrada se surpreende vendo Victor sentado no sofá. 
   — Victor? — fala parando repentinamente com Humberto em suas costas. 
   — Oi — fala o loiro com o rosto neutro. 
   — Você está aqui faz tempo? 
   — Não — ele fala e Yasmin nota pelo tom de voz que é mentira, e pelo olhar que ele lança para ela constata que ele queria que ela soubesse que é mentira. 
   — Que bom — responde Yasmin e deixa o seu skate no chão. — Vou me despedir do Humberto e já volto.
Humberto acena para Victor, que retribui, e é arrastado por Yasmin até a porta. 
   — O seu namorado ficou grilado? — pergunta assim que fica a sós com a loirinha, que ri e responde com naturalidade:
   — Claro que não, o jeito dele é esse mesmo. 
   — Ah tá, porque eu não queria causar problemas depois da tarde tão legal que a gente teve. 
Yasmin sorri e assente. 
   — É, foi bem divertido andar com você — fala com sinceridade.
   — Disponho. 
Eles riem e Humberto dá um abraço nela. 
   — A gente se fala — se despede Yasmin. 
   — Sim. Tchau!
   — Tchau!
Humberto dá as costas para ela e sobe em seu skate, indo para o portão da mansão. Yasmin espera ele sair para retornar para o interior de seu lar. 
   — Faz quando tempo que você está aqui? — ela pergunta ao chegar na sala. 
   — Uma hora. E três minutos, para ser mais exato — acrescenta. — Cheguei na hora que a gente tinha marcado. 
Yasmin se toca da mancada que deu e engole em seco. 
   — Esqueci que a gente tinha combinado uma hora para você chegar — confessa. 
   — Era melhor não ter combinado. 
   — Foi mal. 
   — Concordo. 
Yasmin senta no sofá ao lado dele. 
   — Sério, foi mal, o Humberto apareceu aqui e me chamou para andar com ele de skate e eu fui, só que a gente perdeu a hora. 
   — Perderam a hora — repete Victor. — Legal. 
   — Eu esqueci completamente que a gente tinha marcado, eu pensei que você fosse vir só mais tarde. 
   — Desculpa, da próxima vez eu venho mais tarde para não atrapalhar você com o Humberto. 
   — Victor, para com isso!
   — Para com isso? Eu tô esperando faz mais uma hora aqui enquanto você andava de skate com um garoto que conheceu dias atrás. 
   — Eu sei que eu errei, mas não precisa falar assim. Eu esqueci, poxa!
   — Você esqueceu do nosso encontro porque estava com o Humberto. 
   — Não fala desse jeito, não foi bem assim. 
   — Ah, não? Então foi como? 
   — Victor, não vamos discutir. 
   — Eu não quero discutir. Não gosto de DRs. 
   — Isso! Não vamos discutir. 
Victor levanta do sofá. 
   — Eu estou indo embora. Pode ficar com as coisas — ele fala gesticulando para a mesinha de centro e só então que Yasmin vê a caixa de pizza e a garrafa de Coca-Cola que estão no local juntamente com vários games. 
   — Fica, Victor. 
   — Não, eu só estava esperando você chegar. 
Yasmin fica em pé. 
   — Victor, nós íamos virar a noite jogando. Fica!
   — Sem clima para isso. — Victor caminha para a saída e quando está prestes a abrir a porta, Yasmin o alcança e segura em seu braço, o virando para si. 
   — Ei! — fala olhando nos olhos dele. — Você não é desses, nós não somos desses. — Ela o empurra contra a parede do hall e o beija intensamente. Nos primeiros segundos Victor apenas aceita  beijo dela, mas depois o retribui e abraça Yasmin com força. Eles ficam durante um bom tempo se beijando com fervor até que Yasmin interrompe e pede:
   — Fica. 
Victor dá uma mordiscada no lábio dela. 
   — Fico. 

Com as roupas molhadas, Isabela e Felipe se beijam à beira da piscina. 
   — Não sei por que eu trouxe sunga — fala o garoto —, nós pulamos de roupa e tudo. 
Isabela ri e passa a mão pelo cabelo molhado do namorado. 
   — A gente é idiota. 
   — Sim, muito!
Eles riem e se abraçam. 
   — Eu vou pegar roupões para a gente — fala Isabela. — Me espera aqui. 
   — Ok.
Eles dão um beijo úmido e Isabela entra na mansão. Ao chegar na sala vê Mel subindo as escadas com rapidez, segurando os sapatos de salto nas mãos. Ela segue a mãe e nota que a empresária deixou uma rastro de areia branca. 
   — Mãe? — chama entrando no quarto de Mel instantes depois da morena ter entrado. — Mãe? — Um ruído denuncia a presença de Mel no banheiro e a adolescente segue nessa direção. — Mãe? — insiste ao bater na porta. — Mãe, eu sei que a senhora está aí. Está tudo bem? 
Ela aguarda pela resposta e pouco tempo depois Mel abre a porta. 
   — Oi, filha. 
   — Está tudo bem com a senhora? 
   — Sim. 
   — A senhora foi almoçar e só voltou agora, carregando os sapatos. 
Mel dá um leve sorriso. 
   — É que eu estava na praia desde que saí do restaurante. 
   — Ah, sim. Entendi. 
   — E por que você está toda molhada? — indaga Mel olhando para Isabela dos pés à cabeça. 
   — Estava na piscina com o Felipe. 
   — Ah tá.
Isabela olha atentamente para o rosto de Mel e volta a perguntar:
   — Está realmente tudo bem? 
A empresária sorri. 
   — Está, filha. Eu só preciso de um bom banho de banheira. 
Isabela assente. 
   — Ok, vou deixar a senhora aproveitar o seu banho. — Elas riem. 
   — É, e pegue logo uma toalha pra você e para o Felipe. 
Isabela ri e sai do quarto. Mel fica por um tempo parada à porta do banheiro, olhando para o vazio, até que entra e bate a porta. 

sábado, 21 de março de 2015

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 193: Almoço de Chay e Mel esquenta



   — Tudo bem — Mel aceita se sentindo pressionada. Chay sorri e fala:
   — Quer que eu passe lá no condomínio para te buscar? 
   — Não! — Mel responde de imediato. — A gente se encontra no restaurante. 
   — Ok, eu vou ver um lugar bem discreto e te mando o endereço por mensagem. 
   — Ótimo. — Ela olha para a porta do hipermercado e Chay entende o sinal.
   — Não vou te segurar mais. Mais tarde a gente se vê! 
   — Sim. 
Chay dá um beijo na bochecha de Mel e ela dá meia volta, caminhando em passos apressados para o interior do hipermercado. 

Durante os três primeiros tempos, a sala do terceiro ano A ficou em um silêncio quase absoluto. Maria Luíza não olhou nem para o lado para não ter que ver Samuel em seu campo de visão, Isabela e Felipe não se falaram e Maísa não tirou os olhos do quadro. Quando o sinal para o intervalo toca, eles todos saem da sala. A lanchonete fica lotada de estudantes e Malu se sente incomodada com os olhares curiosos de alguns deles, por isso fala para Graziele:
   — Vamos comer lá fora.
   — Tá, deixa só eu avisar o Thiago. Ele foi pegar sanduíches pra gente. 
   — Beleza.
Graziele passa por algumas pessoas para chegar até o namorado e Maria Luíza sai da lanchonete. Em uma mesa, Samuel observa os passos dela e Daniela indaga:
   — Por que você não vai falar com ela? 
Quando percebe que a garota não está falando com Pedro, e sim consigo, Samuel diz:
   — Hã? 
   — Vai falar com ela! — incentiva a garota. 
   — Não.
   — Por quê? — Pedro pergunta. 
   — A Malu precisa de um tempo. Já está f*da as pessoas ficarem olhando pra ela, se eu for falar com ela pode ficar ainda pior. 
   — Isso é verdade — concorda Daniela. 
   — Pois é, prefiro ficar longe.
   — Meio irônico você dizer isso, afinal você senta atrás dela, né? — comenta Pedro e ele e Daniela riem. Samuel sacode levemente a cabeça, sorrindo. 
Em outra mesa estão reunidos os filhos dos ex-rebeldes. Isabela e Yasmin conversam, Vinícius e Marina cochicham e trocam beijinhos, Felipe come e Victor joga no celular. 
   — Almoça lá em casa — chama Vinícius. 
   — Não dá — Marina responde. 
   — Por quê? 
   — Um homem vai lá em casa para trocar a iluminação do meu quarto e eu quero estar presente. 
   — Pra que você vai trocar a iluminação do seu quarto? — pergunta o garoto com curiosidade. 
   — A minha mãe queria trocar o sistema de iluminação do closet dela e eu aproveitei para fazer um ajuste no meu quarto. Não posso dar detalhes, porque quero que seja surpresa. 
   — Desde quando trocar a lâmpada do quarto é surpresa? — Vinícius brinca e eles riem. 
   — Idiota! Quando tiver pronto, eu faço questão de te chamar para conferir o resultado. 
   — Agora o assunto começou a me interessar. 
Eles riem e Marina dá uma mordidinha no lóbulo da orelha dele. 
   — Ele me chamou, mas eu não sei se aceito — fala Yasmin baixinho para Isabela. 
   — Você acha que o Victor não vai gostar? — Isabela pergunta. 
   — Não é nem questão de não gostar, porque gostando ou não ele vai ter que aceitar a minha decisão.
   — Yasmin — interrompe Isabela em tom de censura.
   — Não é verdade? — indaga a loirinha. — Enfim, eu não sei se aceito o convite do Humberto pra essa tarde com os amigos skatistas dele porque eu fico meio assim dele dar em cima de mim lá. 
   — Como assim? 
   — É que eu não quero dar um fora nele.
   — Mas você está namorando, amiga. 
   — Eu sei, mas é que eu gosto do Humberto e...
   — Você está cogitando ficar com ele? — indaga Isabela atônita. 
   — Não, óbvio que não. É que eu não quero dar um fora nele, porque é legal a nossa relação, não quero que mude alguma coisa. 
   — Você se viram só uma vez, Yas. 
   — Eu sei, mas a gente conversa todos os dias por whats. Eu gosto dele, ele é um amigo legal. 
Isabela suspira, pensando em uma solução para o dilema de Yasmin. 
   — Já sei! — exclama e abaixa o tom de voz. — É só você chamar o Victor para ir com você. 
Yasmin faz uma expressão de quem não ouviu o que ouviu. 
   — Chamar o Victor? — repete. — O que ele iria fazer em um encontro de skatistas? Ele não sabe andar.
   — Você poderia ensinar ele a andar. 
   — Não, ele não se interessa tanto pra aprender a andar. O lance dele é surf. 
   — Leva ele nem que seja pra ficar olhando, pelo menos assim o Humberto não vai nem cogitar a ideia de dar em cima de você. 
   — Eu não vou levar o Victor se for para ele ficar deslocado. 
   — Então não vai!
   — Mas eu quero ir, vai ser legal. 
   — Ai, Yasmin! — exclama Isabela e todos olham para ela. Yasmin pega o seu sanduíche e dá uma mordida enquanto Isabela beberica o seu suco. Quando todos retornam para o que estavam fazendo, Isabela conclui:
   — Você ainda tem alguns dias, pensa e decida o que vai fazer. 
   — Namorar só dá dor de cabeça — resmunga Yasmin. 
Isabela arqueia uma sobrancelha. 
   — Tem certeza? 
As duas olham para Victor, que joga concentradamente. Yasmin observa a expressão séria dele, as ruginhas que se formam quando ele franze as sobrancelhas, a linha dos lábios sempre corados e os olhos misteriosos. Um quase imperceptível sorriso surge no rosto dela, que fala baixinho:
   — Não. 
Victor ergue repentinamente o olhar e pega as duas encarando-o. 
   — O que foi? — pergunta. 
   — Nada — responde Yasmin imediatamente. 
   — Então vem cá, você vai gostar desse jogo. 
A loirinha arrasta sua cadeira para mais perto da dele e Isabela sorri e olha para o namorado, que come um salgado mexendo em seu celular. Ela relembra do gelo invisível entre eles e tenta derrubá-lo ao se aproximar dele. 
   — O que você está fazendo? 
   — Estou no Instagram — responde Felipe sem olhar para ela. 
Isabela apoia a cabeça no ombro dele e fica olhando o feed dele junto com ele. Felipe curte propositalmente a foto de uma garota de biquíni e Isabela não demonstra reação. 
   — Quer? — ele oferece o seu salgado para ela.  
   — Sim — responde Isabela esperando que ele coloque o salgado em sua boca, porém Felipe empurra o alimento em suas mãos. Contragosto, Isabela pega o salgado e morde um pedaço. — Então — fala depois de engoli-lo — você poderia almoçar lá em casa hoje, né? 
   — Hum, não sei. 
   — Por quê? 
   — Estava pensando em treinar piano com a minha avó hoje. 
   — Mas hoje não é dia de aula com ela — analisa Isabela atentamente. 
   — Eu sei, mas estava pensando em abrir uma exceção. 
   — E você não pode abrir uma exceção na sua exceção e ficar comigo? — insiste Isabela. 
   — Ok. 
   — Isso quer dizer que você vai? 
   — Vou. 
Isabela sorri. 
   — Leva uma sunga, a gente pode aproveitar a piscina. 
   — Pensei que fosse só um almoço. 
Ela respira fundo para não se irritar com ele e continua em um tom agradável:
   — A gente pode mergulhar de tarde. 
   — Então eu vou passar a tarde toda na sua casa? 
As palavras escapam da boca de Isabela:
   — Se te incomoda tanto, não precisa ir. 
Felipe fica um tempo em silêncio, até que diz:
   — Eu vou. 
   — Tá bom. — Ela levanta. — Vou ao banheiro. 

Horas mais tarde, os adolescentes são liberados e vão para casa. Antes dos filhos chegarem, Mel sai para almoçar com Chay usando uma calça jeans e uma camisa de cetim vermelha. Em seu carro novo, ela confere a maquiagem e em seguida liga o motor. Minutos depois chega ao restaurante, que fica localizado em uma rua deserta e sorri ao ver que o local escolhido por Chay é bem reservado. Ela estaciona o carro, pega sua bolsa e sai do veículo. Olhando para os lados confere que não há nenhum fotógrafo por perto e atravessa a rua. Ao entrar no restaurante, procura por Chay e vê o cantor sentado em uma mesa no canto. Ela caminha até ele e se senta em sua frente. 
   — Oi — fala puxando a cadeira para mais perto da mesa. 
   — Oi, nem te vi chegar. 
   — Aqui estou eu!
Eles sorriem um para o outro e Mel desvia o olhar, analisando o interior do restaurante. 
   — Gostou? — pergunta Chay. 
   — Sim, é simples e agradável. 
   — E ninguém nunca desconfiaria que nós estamos aqui. 
Mel confirma com a cabeça. 
   — O melhor de tudo.
Chay sorri. 
   — Já quer fazer o pedido?
   — Sim, estou faminta. 
Eles riem e Chay chama o garçom, que entrega os cardápios para eles
   — Os pratos são simples também — comenta Mel lendo o conteúdo. 
   — São, você preferiria um lugar mais chique? — Chay pergunta e ela nota uma certa preocupação na voz dele, o que a faz sorrir. 
   — Não, estou adorando aqui. — Ela olha mais um pouco o cardápio e fala: — Eu vou querer uma batata recheada de frango ao molho branco. 
   — Uau!
   — O que foi? — pergunta Mel olhando para ele. 
   — Nada — responde Chay sorrindo. 
   — Chay?
   — Não, é que eu pensei que você fosse escolher uma coisa mais light. 
   — E eu pensei que você me conhecesse mais — rebate Mel —, saberia que eu não me importo muito com isso. 
   — Eu garanto que te conheço muito bem — fala Chay lançando um olhar penetrante para ela. Mel sente o rosto queimar e pousa o cardápio sobre a mesa. 
   — Já escolheu o seu prato? 
   — Vou te acompanhar, quero uma batata recheada de carne seca. 
Mel sorri e eles, após fazerem os pedidos das batatas juntamente com sucos, começam a conversar. 
   — Como anda a sua carreira? — pergunta Mel. 
   — Você não tem acompanhado? — Chay questiona fingindo estar ofendido. 
Mel ri.
   — Confesso que não tenho acompanhado os seus passos. 
   — Nossa, essa doeu! — Eles riem. — Falando sério, o meu trabalho está indo de vento em polpa. Estamos preparando algumas novidades. 
   — Sério? Que novidades?
   — Surpresa.
   — Até para mim? 
   — Para quem não acompanha nada, você está bem interessada, não?
Mel sorri. 
   — Eu me importo com o seu trabalho. 
   — Não adianta tentar remendar, mocinha. — Ele ri. — Enfim, não posso te contar, surpresa é surpresa. 
   — Nossa, então tá. — O ex-casal ri novamente.
   — E a grife está muito bem, né?
   — Melhor a cada dia.
Eles sorriem um para o outro. 
   — E como está o resto da vida? 
Mel sente uma fisgada no estômago. 
   — Está muito bem também. Não tenho tido muito tempo para outras coisas, estou me dedicando muito para o trabalho e para a Isa e o Vini. 
   — Ah, sim! Eu sei o quanto você se dedica para o trabalho. 
Mel percebe o pesar na voz dele e entende que Chay se referiu ao motivo que levou ao término do casamento. 
   — Sim, nós nos dedicamos muito ao trabalho. 
   — É verdade. 

Vera abre a porta para Felipe e diz:
   — A Isa já está descendo. 
   — Ok. 
A senhora deixa a sala e Felipe se senta no sofá e coloca a mochila que trouxe ao seu lado. Isabela surge no alto da escada e começa a descer pulando alguns degraus. Ela veste um short jeans hot pants e uma regata cavada que mostra parte de seu sutiã preto rendado. Felipe cobiça o corpo dela com o olhar e Isabela segura uma risada enquanto se aproxima dele. 
   — Que bom que você chegou — fala sentando no colo dele. Sua empolgação diminui um pouco quando ele não a toca, mesmo assim, continua: — O almoço já está quase pronto. Vamos só esperar o Vinícius sair do banho, ok? 
   — Tá. A Mel não vai almoçar aqui? 
   — Não, ela deixou um bilhete falando que ia almoçar fora. Deve ser alguma coisa do trabalho. — Ela joga o cabelo totalmente para um lado, dizendo: — Eu estou usando um novo perfume, o que você acha? 
Isabela aproxima o pescoço do rosto de Felipe e ele inspira profundamente. 
   — É muito gostoso — fala com a voz controlada, deixando Isabela decepcionada com sua reação. 
   — É, eu também acho. — Ela escorrega do colo dele para o seu lado, porém deixa as pernas nas coxas dele. — Trouxe a sunga? — indaga olhando para a mochila. 
   — Aham. 
   — Legal! Eu mandei limparem a piscina, estava um pouco sujinha. 
   — Hum. 
Isabela morde um lábio e resolve ser mais direta em sua tática. Com agilidade, ela volta a se sentar no colo dele, com cada perna em um lado do corpo dele, e envolve seu pescoço. 
   — Adorei a sua camisa — fala olhando para a t-shirt com o símbolo da diferença que ele usa. 
   — Obrigada. 
Isabela inclina o rosto e fala no ouvido dele:
   — Só que eu prefiro você sem ela. — A mão dela percorre o abdômen dele por baixo do tecido e ela constata que Felipe ficou arrepiado e com a respiração mais acelerada. 
   — Isa... 
   — O que foi? — ela pergunta despreocupadamente dando beijinhos no pescoço dele. — Algum problema? 
Felipe coloca as mãos nas coxas dela com a intenção de afastá-la, porém não faz nenhum movimento com esse objetivo. 
   — O Vinícius deve estar descendo — ele fala em um sussurro.
   — O Vini demora no banho — retorque Isabela mordiscando a orelha dele. Em seguida ela acaricia a nuca dele com uma mão e passa os seus dentes levemente pelo pescoço dele. Felipe perde o controle e envolve a cintura dela e a puxa ainda mais para si. Isabela sorri e busca a boca dele com desejo. O casal começa a se beijar fervorosamente e Felipe aperta a cintura dela enquanto Isabela passa a mão pelo cabelo dele. 

Quando os pedidos chegam, Chay e Mel começam a almoçar. Eles ficam em silêncio por alguns minutos, até que Chay indaga:
   — Mel, posso te perguntar uma coisa? 
   — Pode. 
   — Depois do divórcio você... você se envolveu com alguém? 
Mel sente as bochechas queimarem. 
   — É... eu não quero falar sobre isso, Chay. 
   — Só um sim ou um não. 
Mel coloca os talheres no prato e encara o cantor. 
   — Você quer mesmo saber?
   — Não, mas essa curiosidade está me matando. 
   — Você está vivo até agora. 
   — Por fora. 
   — Chay...
   — Mel, é só responder sim ou não. 
A empresária olha para a sua batata e volta a encarar o ex-marido. 
   — Sim. — Chay fica visivelmente surpreso e diante da reação dele, Mel fala: — Não sei porque você está assim, com certeza já se envolveu com outra pessoa. 
   — O quê? O que te faz pensar isso? 
   — A Isa me contou que uma loira assistiu a uma passagem de som sua — conta Mel escondendo o fato de que viu a tal loira com ele.
   — Ela deve ter contado também que essa loira, que se chama Paola, faz parte da equipe agora. 
   — Ela falou, mas eu senti que ela não acreditava muito nisso. 
   — A Isabela acha que eu tenho alguma coisa com a Paola? 
   — Acredito que sim. 
   — E caso eu tenha, você se importa? — Chay pergunta olhando diretamente para os olhos de Mel. 

Vinícius desce as escadas e interrompe os beijos de Isabela e Felipe. O moreno fica aliviado pela chegada de Vinícius, pois não queria ter perdido a cabeça. Isabela limpa os lábios, contente com o resultado de suas provocações e levanta do sofá, dizendo:
   — Vamos almoçar!
Os três vão para a sala de jantar e no trajeto Vinícius lança um olhar divertido para Felipe, que dá de ombros. 

Como Felipe está na casa de Isabela e Micael em uma reunião de negócios, Sophia e Yasmin almoçam sozinhas. 
   — Mais tarde o Victor vai vir aqui, tá mãe? — pergunta Yasmin. 
   — Ok, o que vocês vão fazer? 
   — Jogar videogame. 
   — Ah sei — fala Sophia com ironia. 
   — Não! É sério. A gente vai mesmo jogar. 
   — Sério?
Yasmin ri. 
   — Sim, talvez ele durma aqui, mas não vai rolar nada. 
   — Por quê? 
A loirinha dá de ombros. 
   — Não sei, talvez ainda não seja o momento certo. 
   — Filha — começa Sophia com a voz mais delicada —, eu sei que você gosta do Victor e...
   — Aí vem! — corta Yasmin. 
   — Eu sei que vocês têm uma ligação, mas eu andei pensando, será que você se sente insegura por que ele não é o garoto certo? 
   — Como é? 
   — Talvez seja o seu coração querendo te dizer algo, talvez...
   — Não, mãe, nem começa! Eu sei que o Victor tem inúmeros defeitos e que ele não é o namorado que a senhora pediu a Deus, mas eu não tenho dúvidas do que eu sinto por ele e sei o que ele sente por mim. 
   — Eu sei, minha filha, mas...
   — Não tem mas, mãe. O Victor é muito especial pra mim e eu não quero mais falar sobre isso. 
   — Tudo bem — fala Sophia respeitando a vontade da filha. Yasmin volta a comer e tenta não ficar mexida pelo o que Sophia disse. 

Mel gagueja ao responder:
   — E-e-eu não tenho n-nada a ver com isso. A vida é sua!
   — Eu gostaria de saber a sua opinião antes de tomar qualquer decisão. 
   — O que você quer dizer com isso, Chay?
   — Eu só quero saber o que você acha, não estou dizendo nada demais. 
A empresária morde o lábio e fala:
   — Você é maior de idade, nós não temos mais nada, então... — Ela se levanta, pegando sua bolsa. — Então faça o que você quiser. 
Mel caminha apressadamente para a saída e Chay deixa uma nota de cem reais sobre a mesa antes de correr atrás dela. 
   — Mel! — chama atravessando a rua. A morena chega a abrir a porta do carro, porém Chay a alcança antes que ela possa entrar. — Mel.
   — O que você quer? 
   — Por que você saiu desse jeito? 
   — Porque foi um erro eu ter aceitado o seu convite. 
   — Eu discordo. 
   — O problema não é meu. Agora me solta, por favor.
Chay permanece segurando no braço dela. 
   — Mel...
   — O quê, Chay? O que você ainda quer comigo?