domingo, 17 de agosto de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 120: Yasmin e Victor se beijam



Yasmin desperta de seu "transe" e balança levemente a cabeça.
   — Bom, você já dançou mais ou menos arrocha. Lembra, na fazenda, durante as festas? 
   — Eu dancei tanta coisa que nem me lembro direito. 
   — Eu me lembro muito bem das danças... de tudo. 
Victor move suas mãos pelas costas dela e a aproxima ainda mais. O Arrocha do Poder começa a tocar.
   — Por onde a gente começa? — ele pergunta.
   — Essa música é fácil. Presta atenção, no refrão a gente vai fazer assim. — Ela pega na cintura dele guia o quadril dele para um lado, depois para o outro e por último faz um giro completo. — Viu? 
   — Tudo isso junto com você? 
   — É.
Um sorriso surge no canto da boca dele.
   — Acho que entendi. 
Yasmin envolve os ombros dele com seus braços no exato momento em que o refrão começa. Victor faz o que ela lhe disse e Yasmin ri, enviando ar quente em direção ao pescoço dele.
   — Até que para um boy american você tem requebrado — observa. Victor também ri e aproxima sua boca do ouvido dela, dizendo:
   — Meu sangue é latino. 
   — Ui, senti convicção. — Ela começa a gargalhar, mas Victor não a acompanha.
   — Não sei o que é convicção. 
Yasmin sorri, encantada pelo jeito com que Victor fala.
   — Repete convicção.
   — Convicção. Por quê?
   — So cute! — ela fala apertando os ombros dele.
   — O que é fofo? — pergunta Victor confuso. Eles continuam dançando, agora bem menos ritmado do que os demais casais. 
   — Quando você diz convicção, seu sotaque fica ainda mais forte — explica Yasmin ainda sorrindo. Victor ri.
   — Isso é bullying.
   — Achar você bonitinho é bullying? Então todas as meninas do colégio fazem bullying com você. 
   Você me acha bonitinho?
Yasmin olha para ele fazendo uma careta como que diz "Preciso responder?". 
   — Você sabe a resposta.
   — Talvez eu saiba, mas quero ouvir de você. 
A jovem sente a pressão dos braços dele ao redor de sua cintura e toma consciência do pouquíssimo espaço que há entre eles. 
   — É claro que eu te acho bonitinho. Lindo.
   — Você fica ainda mais linda dizendo isso.
Yasmin cerra os dentes e empurra Victor com força. Ela começa a caminhar de volta para a mesa e ele a segue.
   — Yasmin? — chama sem entender a reação dela. — Yasmin, o que foi? — pergunta segurando um braço dela. 
   — A gente está estragando tudo! — ela diz com raiva. 
   — Como assim?
   — Lembra do que você me disse quando a gente voltou a se falar? Que mesmo que fosse difícil controlar, a gente tinha que manter apenas a amizade. 
   — E a gente está mantendo! Até agora a gente não se beijou.
   — Só que não é apenas beijar, Victor! A gente sempre está se provocando, sempre dizendo coisas que apenas amigos não dizem um para o outro!
Victor pensa por um momento.
   — Você tem razão.
   — Qual é o nosso problema?
   — A gente se gosta, Yasmin. Esse é o nosso problema. 
   — Por que a gente não consegue ser apenas amigos?
   — Porque-a-gente-se-gosta — ele repete pausadamente. 
   — Então, por que o nosso namoro não deu certo?
   — Porque você quis ficar com outro!
   — Eu sou jovem, Victor! É normal na minha idade isso. 
Victor fica em silêncio por um instante e propõem por fim:
   — E se a gente fosse amigos coloridos?
   — Amigos coloridos? — ela ri. — Isso não daria certo. O ciúmes atrapalharia tudo.
   — O ciúmes está atrapalhando tudo mesmo — ele fala dando de ombros. — Pelo menos a gente poderia se beijar. Isso deixaria minha vida muito mais doce. — Victor acaricia a bochecha dela. Yasmin fecha os olhos, sentindo o toque da mão dele. 
   — A gente pode tentar — responde abrindo os olhos.
   — Sério?
   — Muito sério.
Victor sorri com meiguice e aproxima seu rosto do de Yasmin. Seus lábios lentamente encontram os dela e sua língua se entrelaça com a dela com uma sincronia imediata. Uma das mãos de Yasmin puxa o seu corpo para mais perto do dela e com rapidez envolve seus ombros. Uma de suas mãos acaricia o pescoço da loirinha, aprofundando o beijo, enquanto a outra percorre as costas dela. 

Com os pés sobre o sofá, Chay continua trocando mensagens com o seu produtor. Eles conversam sobre as músicas que Chay deixou na gravadora que estão aguardando a sua volta para serem gravadas em estúdio. Ele está bastante animado com esse novo disco e a turnê. 
   Mel retorna do corredor usando um short jeans de lavagem clara e uma bata branca. Seus pés descalços a guiam até o sofá e ela se senta ao lado dele. 
   — Está fazendo o quê? — pergunta com curiosidade. 
   — Nada demais — responde Chay de forma evasiva. 
   — Vai tomar banho então, porque você não vai dormir comigo parecendo um empanado. 
   — Empanado? — Chay repete rindo enquanto guarda o celular. 
   — Vai logo. Vai!
Chay sorri, dá um selinho em Mel e vai para o banheiro. Mel, ainda sorrindo, tira o seu iphone do bolso e liga para Sophia.
   — Oi, amiga — atende a loira com entusiasmo. — Ainda bem que você me ligou, tenho uma novidade maravilhosa.
   — Que novidade? 
   — A Yasmin vai ser o rosto da nova coleção. O que você acha?
   — A Yasmin? — Mel não esconde a surpresa. — Eu acho ótimo, mas ela aceitou? Porque você sabe como ela é.
   — Aceitou, ela mesma se ofereceu.
   — Não!?
   — Sim. É uma longa história, quando você voltar eu te explico melhor.
   — Tudo bem. Então está tudo O.K. por aí, né?
   — Sim! Pode ficar tranquila.
Mel sorri, aliviada.
   — Sosso, você não sabe o que eu e o Chay fizemos hoje!
   — Acho que eu faço uma ideia — responde a loira rindo.
   — Junta a sua ideia com praia.
O queixo de Sophia despenca.
   — Vocês transaram na praia?
   — Sim — responde a morena rindo. — Foi maravilhoso! Você e o Micael precisam experimentar.
   — Ah, claro, amanhã mesmo vamos para Copacabana fazer isso — ela ironiza. — Vai ser só a minha bundinha sexy circulando por aí depois.
Mel gargalha.
   — Essa bunda branquela.
Elas riem e conversam por mais alguns minutos. Mel desliga antes de Chay sair do banheiro. 

Na manhã seguinte. 
   Isabela desperta, porém não abre os olhos de imediato. Respirando lentamente, sente o aroma agradável do perfume de seu namorado e um sorriso surge lentamente em seus lábios rosados. Ainda com os olhos fechados, passa a mão pela superfície macia do braço de Felipe. Ele se mexe, ainda dormindo, e o seu outro braço envolve a cintura dela. Isabela ri e abre os olhos, enxergando o pescoço de Felipe em sua frente. 
   — Bom dia — diz enviando uma lufada de ar quente em direção a pele dele. Felipe, ainda muito sonolento, responde com um som indecifrável. Isabela tenta tirar o braço dele de sua cintura, mas quanto mais força, mais Felipe a aperta.
   — Ainda tá cedo, amor — ele fala com a voz enrolada.
   — Eu combinei de tomar café com a Yas em um restaurante.
   — Sempre Yasmin.
   — Não foi com a Yasmin que eu passei a noite — rebate Isabela dando uma mordida no lóbulo da orelha dele. 
   — Ok, me convenceu — responde Felipe afrouxando o braço na cintura dela. Isabela dá um selinho nele antes de levantar da cama e correr para o banheiro. 

Deitada de barriga para cima em sua cama, Yasmin relembra da noite anterior com um sorriso no rosto:
   De mãos dadas, Yasmin e Victor saem da casa sertaneja e caminham para o carro que ele pegou emprestado de Lua. O loiro abre a porta para ela, que diz rindo:
   — O que uns beijos não faz com a pessoa? 
Victor ri e bate a porta quando ela entra. 
   — É nesse momento que eu agradeço pelo vidro do carro ser escuro — comenta Victor sentando ao lado dela.
   — Hã?
   — Se o vidro fosse transparente, as pessoas veriam o que eu vou fazer agora.
Yasmin sorri e pergunta:
   — O que você vai fazer agora?
   — Isso.
Victor se inclina na direção dela e beija os seus lábios com intensidade. Yasmin retribui o beijo e leva as mãos à nuca dele.
   — Estava com saudades disso — ela diz entre os beijos.
   — Vai dizer que eu não ponho o Breno no chinelo?
   — Você quer mesmo comentar sobre o Breno agora?
   — Não, não quero — responde Victor rindo e volta a beijá-la com voracidade. 
O sorriso bobo permanece no rosto de Yasmin quando ela levanta e caminha até o banheiro para tomar banho. 

Thiago dorme tranquilamente na cama de Graziele junto com ela. Seu sono é interrompido abruptamente quando sente algo se chocar contra sua cabeça. 
   — Ai, car*lho! — reclama massageando o cabelo. O pulso de Graziele está sobre a cabeça dele e sua mão cai no rosto dele. Thiago empurra a mão dela e ela desperta.
   — Bom dia.
   — Você acabou de acertar minha cabeça com sua mão... ótimo dia.
Graziele ri.
   — Sério, Thiago? Desculpa.
Ele está sem camisa, deitado de bruços com o rosto virado para o outro lado, encarando a porta do closet dela.
   — Sério — diz virando a cabeça para olhar para Graziele. A sua tatuagem se destaca em sua pele pálida.
   — Foi mal. — Ela dá um selinho nele e Thiago sorri.
   — Se eu pudesse dormiria todas as noites com você.
   — Ainda bem que a gente não pode, né? Se não a gente não ia dormir.
Thiago ri e beija ela.

As horas passam e Yasmin e Isabela se reúnem em um restaurante na orla da praia para tomar café da manhã. A loirinha está ansiosa para contar sobre a sua noite anterior à melhor amiga.
   — Ontem eu saí para jantar com o Victor — começa.
   — Não acredito!? — se surpreende Isabela. — E aí? Como foi? Ele te chamou ou você que chamou ele? O que aconteceu? Vocês ficaram?
   — Ei, calma! — Yasmin gargalha.
   — Me conta, Yasmin! — pede Isabela morrendo de curiosidade.
   — A gente jantou, sempre naquele clima de provocação, depois fomos dançar. Ele queria que eu ensinasse ele a dançar arrocha. — As duas riem. — A gente se beijou. 
O queixo de Isabela cai e ela sorri depois de um tempo.
   — Não acredito, amiga! Vocês voltaram?
   — Não, agora somos amigos coloridos.
   — Já vi isso antes, vai acabar em namoro novamente.
Yasmin dá de ombros, sorrindo apaixonadamente.
   — Não sei do futuro, só quero saber do presente. 
   — Estou tão feliz por vocês! — fala Isabela sorrindo. — Vocês são tão fofos juntos.
   — Fofos é o car*lho!
Isabela gargalha.
   — Ai, amiga. 
Yasmin sorri.
   — Eu vi o Felipe chegando em casa antes de eu sair... Pelo visto a noite foi animada, hein?
Isabela bebe seu suco, corando um pouco ao lembrar dos momentos que passou com Felipe.
   — Foi ótima — confessa. 
   — Vocês...?
   — Aham.
   — Como foi? — questiona Yasmin curiosa.
   — Bom, ué.
   — Eu quero detalhes, Isabela!
A morena sorri timidamente. 
   — Eu me surpreendi comigo mesma ontem.
   — O que você fez?
   — Digamos que eu fiquei no comando por alguns longos momentos.
   — Quem te viu quem te vê, Isabela. Se a segunda já foi assim, imagine as outras?
   — Não vejo a hora de ter a terceira, a quarta, a quinta... — Isabela diz sem pensar. 
   — Nossa, o Felipe faz milagres. Fazendo a santinha virar safadinha! — brinca Yasmin, deixando Isabela vermelha.
   — Para com isso, Yasmin.
A loirinha ri e pega nas mãos da amiga.
   — Tô brincando com você, boba. Ah, esqueci de te contar uma novidade.
   — Que novidade?
   — Eu vou estrelar a campanha da nova coleção da MelPhia.
   — Sério?
   — Sim. — Ela conta toda a história por trás da sua escolha.
   — Uau! Agora entendi porque você se ofereceu. Quem diria que o Breno iria causa tantos problemas na sua vida, hein? Com o Victor, com a sua mãe.
   — Eu não o culpo. Eu gosto dele.
   — Eu não posso falar dele, não o conheço. 
   — Se você conhecesse, iria gostar dele.
   — Deixa o seu amigo colorido ouvir isso. 
Yasmin ri.
   — Nem acredito que eu e o Victor estamos juntos de novo. Só de saber que eu posso beijar aquela boquinha corada quando eu quiser...
   — Tem gente apaixonada — cantarola Isabela e elas riem. Isabela vira a cabeça e um senhor sentado na calçada chama a sua atenção. As roupas dele estão imundas e rasgadas, seus cabelos estão embaraçados na altura do ombro e sua barba está longa. Algo nele chama a atenção da adolescente. Os seus olhos inteiramente verdes estão voltados para o chão de maneira melancólica. 
   — Que foi, Isa? — pergunta Yasmin seguindo o olhar da amiga, mas não se fixando no senhor.
   — Aquele homem ali — diz Isabela. — Ele parece tão triste, tão solitário.
   — Que homem? — pergunta Yasmin franzindo a testa.
   — Na calçada. 
Finalmente, os olhos de Yasmin repousam no senhor.
   — É só um mendigo, amiga.
   — Sei lá, alguma coisa nele puxou o meu olhar.
Yasmin beberica seu suco.
   — Você e suas esquisitices. 
Isabela sorri levemente e olha para o seu prato, onde há metade de um sanduíche natural.
   — Moça — chama a garçonete. — Eu queria um sanduíche natural, por favor.
   — Você nem terminou o seu — observa Yasmin, porém Isabela a ignora e faz o seu pedido. Minutos depois, a garçonete retorna com o sanduíche.
   — Obrigada — diz Isabela e levanta de sua banqueta.
   — Aonde você vai? — pergunta Yasmin com curiosidade.
   — Observe.
Isabela caminha até o senhor, na calçada, e se agacha em sua frente.
   — Ela é louca! — exclama Yasmin de queixo caído. Isabela troca alguns palavras com o senhor e a loirinha a observa de seu lugar no restaurante. Algo na atitude de Isabela toca o coração de Yasmin e ela pula de sua banqueta. — Ai, senhor, não gosto de ser boazinha. — Ela se aproxima de Isabela e do senhor e diz: — Se é pra fazer, vamos fazer bem feito.
Isabela ergue o rosto para olhar pra Yasmin.
   — Do que você está falando?
Yasmin se agacha ao lado de Isabela, ficando de frente para o senhor. Os olhos verdes dele se destacam em seu rosto sujo e encanta a loirinha.
   — Oi, meu nome é Yasmin Borges — ela se apresenta. — O senhor topa a nossa ajuda?
Antes que o senhor possa responder, Isabela indaga:
   — Que ajuda?
   — A gente não pode deixar ele todo sujo aqui.
   — O que você quer dizer com isso? — pergunta Isabela.

Enquanto Mel caminha pela praia, Chay conversa com seu empresário por telefone.
   — Sim, quando eu e a Mel voltarmos de viagem a gente pode conversar sobre isso.
   — Sim, porque nós já recebemos alguns contatos para novos shows.
   — Fico muito feliz por isso! — diz Chay sorrindo. — E aquele lance da premiação, vai acontecer mesmo?
   — Então, as indicações ainda não saíram, mas o seu nome está cotado para Artista do Ano.
   — Temos que ver logo isso pra poder agendar as coisas.
   — Não, fica tranquilo — pede o empresário. — Assim que as indicações para o prêmio sair, eu te ligo. 
   — Não! Vai que eu ainda estou aqui. A Mel não sabe que eu estou em contato com o trabalho.
   — Ok, não ligo mais.
Chay ri.
   — Assim que eu puder, te ligo.
   — Tudo bem, não quero causar problemas no seu casamento.
   — Relaxa! Agora eu tenho que desligar, vou fazer o almoço.
   — É difícil viver sem empregada, não é?
   — Eu sei viver assim, não nasci em berço de ouro.
Eles riem e Chay se despede de seu empresário. 

Reunidos na sala de game da mansão de Chay e Mel, Marina, Vinícius, Felipe e Victor jogam sinuca. Eles competem em duplas: Marina e Felipe contra Vinícius e Victor.
   — Vai, Marina — torce Felipe. — Daquele jeito que a gente combinou. 
Marina faz sua jogada e encaçapa a bola que planejava. Ela e Felipe comemoram pois deixaram Vinícius e Victor em condições complicadas. Eles ouvem vozes no térreo e erguem as cabeças.
   — Seus pais chegaram? — pergunta Victor.
   — Não, eles chegam só segunda — Vinícius responde. — Devem ser a Yasmin e Isabela.
   — Vai, vamos voltar a jogar — diz Felipe. Eles retomam ao jogo, mas logo são interrompidos quando Yasmin coloca a cabeça dentro da sala de games.
   — Gente, querem presenciar uma mudança?
   — Do que você está falando? — pergunta Vinícius franzindo a testa.
   — Vêm ver!
Ela deixa a sala e os quatro vão atrás dela com curiosidade. Os cinco descem as escadas e encontram Isabela e mais três pessoas ao redor de uma quinta pessoa. 
   — O que está acontecendo aqui? — indaga Victor.
   — Gente — diz Isabela. — Essa é a Gisele, o Otaviano e a Úrsula — ela apresenta uma mulher loira, uma outra morena e um homem gorducho. — Ele é cabeleireiro e elas manicure e pedicure.
   — Pra que isso? — pergunta Felipe tentando ver a pessoa que está sentada na poltrona.
   — A gente resolveu mudar a vida de uma pessoa — conta Yasmin.
   — Fala alguma coisa com sentido, por favor! — pede Marina ficando irritada. 
   — Pessoal, esse é o Antônio — Isabela fala se afastando da poltrona com as duas mulheres e o homem. Marina, Vinícius, Victor e Felipe enxergam o senhor e ficam de queixo caído.
   — O que ele está fazendo aqui? — Victor pergunta sem pensar.
   — Victor!? — repreende Isabela. — Isso é jeito de falar?
   — A gente resolveu dar um trato no visual dele — conta Yasmin. Antônio olha de um para o outro com os olhos verdes intensos com um pouco de desconfiança e medo.
   — A gente pode conversar rapidinho? — diz Vinícius. Ele e os outros cinco adolescentes se reúnem sob a escada com ele. Vocês são malucas? — ele pergunta olhando furiosamente para Yasmin e Isabela.
   — O que foi? — indaga Yasmin inocência. 
   — Vocês são loucas de trazer um mendigo para dentro da nossa casa?
   — A gente só quer ajudá-lo — responde Isabela.
   — Isa — diz Felipe —, a gente nem sabe quem ele é.
   — Nós sabemos! — Yasmin responde prontamente. — No caminho conversamos com ele e ele disse que é formado em física. Física!
   — E por que ele está na rua? — questiona Marina cruzando os braços.
   — Por causa da bebida — conta Isabela. — A mulher o abandonou e ele foi parar na rua.
   — Quem garante que ele não está mentindo? — pergunta a ex-líder de torcida ainda desconfiada.
   — Ninguém garante, mas eu acredito nele — fala Isabela.
   — A gente não pode trazer um desconhecido pra casa só porque acredita nele — censura Felipe.
   — Se vocês estão incomodados, vão embora! — fala Yasmin irritada. 
   — E deixar vocês sozinhas com esse mendigo? — diz Victor.
   — Ele tem nome! — lembra Isabela. Antônio.
   — Vem, Isa, vamos lá fazer o nosso trabalho. — Yasmin pega no braço da amiga e elas se afastam. Marina, Vinícius, Felipe e Victor se olham.
   — O que a gente vai fazer? — pergunta Marina.
   — A gente não pode expulsar ele — Felipe fala sabiamente. — Elas iriam nos matar.
   — E se ele for um bandido? — questiona Victor.
   — E se ele for apenas um mendigo? — rebate Vinícius. — A gente não pode negar que é uma atitude nobre das duas.
   — Uma atitude nobre que está colocando a gente em risco — observa Marina. Os quatro giram as cabeças em direção a Antônio, que olha de Yasmin para Isabela e as manicures e cabeleireiros.