sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 172: O clima esquenta em Copacabana



Durante a pausa do show, Marina conversa com Vinícius.
   — O Chay está tão fofo no palco. 
   — Por que você acha que eu sou assim? 
Marina gargalha e dá um beijo na bochecha dele. Felipe, que observava o casal preguiçosamente, olha para Isabela. A jovem estava fitando ele e rapidamente desvia o olhar, passando a encarar junto com Yasmin o guitarrista substituto da banda de Chay. Victor brinca com o copo de refrigerante, que está meio cheio, girando-o na mesa entre suas mãos. Yasmin olha repentinamente para ele e coloca uma de suas mãos no braço dele. 
   — Para com isso — pede. 
   — Por quê? 
   — Você vai derrubar esse refrigerante já já. 
Victor bate com o copo na mesa e larga as mãos sobre o colo, fazendo Yasmin rir. Ela se aproxima dele e fala em seu ouvido:
   — Você fica tão bonitinho emburrado. — Victor não responde nem olha para ela. — Victor? — ela chama rindo. — Vai ficar me ignorando? — Ele permanece inalterado. — Amor? Vitinho? Vi? — Um músculo na mandíbula do loiro entrega que ele está se controlando para não rir e Yasmin percebe. — Você quer rir, eu sei que você quer. Amor, para de me ignorar! — Victor vira a cabeça para ela, mas continua em silêncio. Yasmin sorri e dá um selinho nele. O show recomeça e Victor e os demais voltam as suas atenções para o palco. A loirinha fica olhando para ele por alguns instantes, ainda sorrindo, e se vira para o palco. 

Anelise está cortando alface enquanto as panelas estão no fogo. Bernardo entra descalço e sem camisa na cozinha e ela fala:

   — Ainda não terminei. 
Bernardo abraça ela por trás e beija sua nuca, dizendo:
   — Eu sei, vim te ajudar. 
   — Por quê?  
   — Porque eu quero. 
   — Nossa, quando você perdeu eu não vim te ajudar. 
   — Pois é, pra você ver como eu sou nobre e você não.
Anelise ri e se vira para ele. 
   — Então pode conferir as panelas. 
Bernardo gargalha. 
   — Eu vim te ajudar, não fazer tudo. 

Assim que termina de tocar a última música, Chay desce para conversar e tirar fotos com os fãs. Yasmin volta a tentar contato com o namorado. 

   — Ei, já chega, né? 
Victor vira a cabeça e começa a conversar com Felipe. Yasmin revira os olhos e se direciona para Isabela.  
  — Você acredita que o Victor está me ignorando?
Isabela não tem tempo para responder, pois duas garotas se aproximam delas na mesa.
  — Oi — cumprimentam Evelyn e Rayssa.
  — Oi — responde Isabela com gentiliza enquanto Yasmin olha as duas dos pés à cabeça.
  — Vocês podem tirar uma foto com a gente? — pergunta Evelyn timidamente.
  — Claro — Isabela responde por educação e levanta de sua cadeira. Yasmin também levanta e chega mais perto de Rayssa que é quem está ao seu lado.  
  — Você é fã do Chay? — pergunta enquanto Evelyn fala algo para Isabela.
  — Sou. Eu te sigo no Insta, adoro os seus looks.
Yasmin assente e agradece:
   — Obrigado.
Isabela interrompe o papo com Evelyn e chama o irmão. Vinícius olha para as duas e Evelyn se derrete por dentro.
  — Tira uma foto pra gente — pede Isabela. Com a movimentação Felipe e Victor pararam de conversam e observam as quatro em pé.
  — Eu pensava que você era maior pessoalmente — comenta Evelyn com Isabela.
  — Todos pensam — Victor fala e ele, Yasmin e Felipe riem. Evelyn e Rayssa olham para o loiro com admiração e também sorriem. Yasmin nota os olhares das duas e para deixá-las ainda mais nervosas, chama:
  — Victor, Felipe, tiram a foto com a gente.
Os dois se olham e levantam. Yasmin se diverte por dentro vendo Rayssa e Evelyn agitadas e sorri levemente.
Vinícius, que está com o celular de Evelyn nas mãos, indaga:
  — Alguém mais vai entrar na foto?
Evelyn olha imediatamente para Marina, que está mexendo em seu celular como se elas não estivessem ali.
  — Marina — chama Isabela interpretando o olhar de Evelyn. — Vem também.
A filha de Lua e Arthur ergue a cabeça e Evelyn fica surpresa com a beleza dela.
  — Eu? — indaga. — Quem é famoso é o Chay, não eu.
Yasmin, já cansada de estar em pé com um braço nas costas de Rayssa, fala:
  — Elas gostam da gente, Marina. Vem logo!
A gêmea de Victor levanta, deixando o próprio celular sobre a mesa e se junta aos demais para foto.
  — Mais alguém? — Vinícius pergunta.
  — Não — responde Yasmin. — Tira logo essa foto. 
Vinícius faz o que Yasmin pede e devolve o celular para Evelyn. 
   — Obrigada — ela agradece olhando para ele, que sorri simpaticamente. 
   — Você é linda — Rayssa elogia olhando para Marina. 
   — Obrigada — Marina responde com indiferença e volta a se sentar em sua cadeira. Vinícius se junta a ela segundos depois e dá um beijo na bochecha dela, falando em seu ouvido:
   — Elas ficaram encantadas com você. 
Marina olha para ele sorrindo.
   — Elas ficaram encantadas com vocês, boys. 
Evelyn e Rayssa que observavam o casal, são questionadas por Yasmin:
   — Mais alguma coisa, meninas?
As duas negam com a cabeça enquanto Felipe e Victor voltam a se sentar em suas cadeiras.
   — Foi um prazer conhecê-las — diz Isabela sorridente. 
   — O prazer foi nosso! — Rayssa fala com animação. Ela e Evelyn dão um abraço na filha de Chay e Mel e se viram para Yasmin. 
   — Até algum dia! — fala Yasmin. As duas se afastam do grupo e Isabela e Yasmin também se sentam. 
   — Você é tão simpática às vezes, mas tão metida em outras — Felipe comenta para a irmã. 
   — Eu gosto de conversar com essas meninas que gostam da gente, mas quando eu quero. 
Victor diz:
   — Pior é a Marina. 
   — Eu não gosto mesmo desse assédio — fala a morena. — Os meus pais são famosos, não eu. E nem quero ser. 
   — Mas não precisa tratar ninguém mal — Isabela diz, mas não soa grosseira. 
   — Eu não tratei elas mal! 
   — Só não tratou bem. 
Não querendo presenciar um discussão entre a irmã e a namorada, Vinícius interrompe. 
   — Então, vamos indo? 
   — Vamos esperar todo mundo ir embora — fala Felipe. — Fica mais tranquilo para nós. 
   — Ah, então eu vou comer alguma coisa. — Victor levanta da mesa e caminha até o balcão. Ele apoia os braços sobre o balcão e pergunta para o garçom:
   — Vocês têm sanduíches? 
   — Sim. 
   — Eu vou querer um x-bacon então. 
O garçom assente e vai até a cozinha com o pedido de Victor. 

Enquanto aguarda o seu sanduíche ficar pronto, Victor olha despreocupadamente para os lados e uma mulher que está a uma banqueta de distância dele chama a sua atenção. Ele admira o corpo dela e tenta ver o seu rosto, porém ela está olhando para o lado oposto. 
   Yasmin interrompe o contato visual, sentando na banqueta entre ele e a mulher. 
   — O que você pediu? — indaga a loira. 
   — X-bacon. 
   — Nossa, tem bastante calorias. 
   — Eu estou acostumado. 
   — Moço — Yasmin chama o garçom. — Vou querer um x-salada. — Ela, assim como o namorado, olha para os lados e se depara com a mulher. Como de costume, olha para os pés dela e vai subindo, porém se fixa na blusa. — Victor — Yasmin chama pegando no braço do namorado. 
   — O que é? — pergunta o loiro rispidamente. 
   — Ela está usando uma blusa da grife da minha mãe — conta a loirinha em um sussurro não tão baixo. 
   — Como você sabe? 
   — Porque eu conheço, ué. 
   — Legal. 
   — Não — diz a garota se mexendo na banqueta. — Essa blusa ainda não chegou às lojas. 
Victor franze a testa. 
   — Como assim? 
   — Pouquíssimas pessoas têm essa blusa, porque ela ainda não foi produzida comercialmente. Só a minha mãe, a Mel e algumas estilistas da marca têm. 
   — Você deve estar enganada, Yasmin. Ou então é uma blusa parecida com a da MelPhia. 
   — Não! Esse modelo foi desenhado pela minha mãe, eu vi ela criando. 
   — É simples! Essa mulher deve ser uma das estilistas. 
Yasmin olha para ele como se acreditasse não ter ouvido sua frase. 
   — Eu conheço todos os estilistas. 
   — Então deve ser algum parente ou amigo deles, sei lá, Yasmin. 
A loirinha coça o queixo e fita a mulher com interesse, tentando ver o seu rosto. Mel ouviu toda a conversa do casal e morde o lábio impaciente. Não vendo outra alternativa, pula da banqueta e caminha para perto do palco, sempre olhando para o lado oposto ao balcão. Yasmin a observa atentamente, porém não consegue enxergar o seu rosto. Por fim, fala mais para si mesma do que para o namorado:
   — Se não fosse pelo o cabelo eu poderia jurar que é a Mel. 
   — Não viaja, garota. 
Yasmin olha de relance para Victor e ao voltar a fitar o bar constata que perdeu a mulher de vista. 

Depois de atender todas as fãs Chay vai para o seu camarim improvisado. Ao entrar no espaço vê uma mulher de cabelos compridos até a cintura analisando a mesa com os presentes que ele ganhou. Com educação e simpatia, diz:
   — Desculpe, mas os fãs não podem entrar aqui. 
   — Eu não sou uma fã qualquer. — Mel se vira e sorri para ele. Chay fita os olhos dela, os mesmos que observou enquanto cantava a música do Ed Sheeran. 
   — Mel? 
A empresária sorri e caminha até ele. 
   — Me falaram tanto desse show intimista que eu precisei vim conferir com os meus próprios olhos. 
Chay olha do rosto dela para o resto, visivelmente surpreso. 
   — Eu não esperava ver você aqui — diz voltando a fitar os olhos dela. 
   — Nem eu esperava. 
Mel ri e Chay leva uma mão ao rosto dela impulsivamente. A empresária prende o ar e fecha os olhos lentamente, sentindo o toque macio da mão dele em sua pele. Chay percorre a bochecha e o queixo dela e desce pelo cabelo, perguntando:
   — Que peruca é essa? 
Mel sorri e abre os olhos. 
   — Eu não poderia aparecer aqui sem nenhum disfarce. 
   — Isso explica o bocão? — indaga o cantor entre risos. 
   — Sim. Gostou? 
O sorriso de Chay diminui. 
   — Sim, como sempre. 
Mel desvia do olhar dele e retorna para perto da mesa de presentes. 
   — Mesmo depois de tantos anos elas são amáveis com você. 
   — É. 
O espaço fica silencioso e Chay aproveita que Mel está de costas para admirar o corpo dela sem pudor. A empresária gira rapidamente para ele e pega o olhar que ele lança, ficando envergonhada. Chay também fica constrangido e recoloca sua máscara neutra. 
   — Eu só entrei aqui porque queria te dar os parabéns pelo show — diz Mel em tom de despedida. 
   — Janta comigo? — As palavras saem sem o menor controle da boca de Chay. 
   — Como? 
   — Janta comigo? — Ele repete mais inseguro. 
Mel tira a franja da peruca do rosto. 
   — Eu já jantei — mente. 
   — Então uma sobremesa? — insiste o cantor. 
   — Obrigada pelo convite, mas não dá — Mel se esquiva. 
Chay assente. 
   — Tudo bem, fica para uma próxima. 
Mel pega sua bolsa e caminha para a porta, parando em frente a Chay. 
   — Continue arrasando no palco — deseja e dá um beijo demorado na bochecha dele. Nos segundos em que se passam o beijo, Chay vira o rosto ansiando pela boca de Mel, porém a morena se afasta. 
   — Até mais ver! — ela fala desconsertada e sai do camarim. Chay suspira e passa a mão pelo cabelo. 

O casal loiro de adolescentes comem seus sanduíches tranquilamente e ela não percebe quando Mel passa por suas costas rumo a saída do barzinho. Ainda na mesa Vinícius, Marina, Isabela e Felipe conversam sobre assuntos diversos. Chay caminha até eles. 
   — Gostaram do show? 
   — Amamos! — responde Isabela com um sorriso nos lábios. 
   — Então estão convidados para os próprios. 
   — Você não cansa dessa vida? — indaga Marina com curiosidade. — Mesmo depois de tantos anos de carreira? 
Chay sorri e senta na mesa com eles. 
   — Não, Marina. Quando a gente faz o que ama, não cansa facilmente. Querem comer alguma coisa? 
   — Não — Vinícius responde e indica alguns recipientes que estão espalhados pela mesa. — A gente já comeu. 
   — A gente só estava esperando para se despedir de você — explica Felipe. 
   — E cadê a Yasmin e o Victor? 
Vinícius aponta para o balcão onde os dois comem e Chay assente. 
   — A gente já vai indo, pai — diz Isabela empurrando sua cadeira. Yasmin e Victor se juntam a eles e todos se despedem de Chay antes de deixarem o bar. 

Quase meia-noite, Yasmin, Felipe, Victor e Marina chegam ao condomínio. Antes que ele vá embora com a irmã, Yasmin puxa Victor para o jardim. 
   — Está menos emburrado comigo? — pergunta. 
   — Estou. 
   — Ai, que bom! — Yasmin sorri e Victor ergue as mãos instintivamente para envolver a cintura dela, porém se lembra do tempo imposto pela loira e para no ar. Yasmin nota a intenção dele e sorri, vibrando por dentro por Victor estar caindo em seu plano. 
   — Estou começando a odiar ficar sozinho com você — ele diz abaixando as mãos. 
   — Por quê? — indaga a loirinha se fazendo de ingenua. 
   — Eu me sinto preso no meu próprio corpo! Quero te abraçar, te beijar e não posso. — Com os olhos suplicantes, pede: — Yasmin, para com isso! 
   — Assim você amolece o meu coração — diz a loira segurando uma risada. 
   — Para de fazer piadas. 
   — Isso é pra você ver como eu me sinto quando você fica com aquela cara de pamonha. 
   — Cara de pamonha? 
   — É, aquela cara de "eu não sei do que você está falando, eu não sinto nada". 
Victor revira os olhos e encara o rosto dela, fixando-se na boca. 
   — Ai que raiva! — ele esbraveja chutando a grama. 
   — O que é que foi? — indaga Yasmin espantada. 
   — Eu quero te beijar — choraminga o loiro e ela ri. 
   — Ai que bonitinho. — Com as mãos macias, Yasmin envolve o pescoço dele e acaricia sua mandíbula com os polegares. — Como dizem as pessoas apaixonadas mesmo? Ah! Eu te amo. 
   — Eu também. 
   — Você também o quê? 
   — Eu não vou falar que te amo — diz Victor dando as costas para ela. — Você não está merecendo. 
   — Quer dizer que eu não mereço o seu amor? — provoca Yasmin abraçando ele pelas costas. 
Victor vira de frente para a namorada e ela mantêm seus braços em torno da cintura dele. 
   — Você está gostando de me ver desse jeito, né? 
   — Confesso que sim. 
Victor sacode a cabeça e inclina o rosto, tentando beijar os lábios dela. Yasmin não se move e fecha os olhos, aguardando pela boca dele na sua. 
   — Victor! — chama Marina surgindo por entre arbustos. — Ops. 
O loiro bufa e Yasmin se afasta dele. 
   — O que é, Marina? — pergunta Victor. 
   — Eu quero ir embora.
Yasmin vê pelo rosto do namorado o quanto ele está decepcionado pelo momento ter sido interrompido e se comove por um instante. 
   — Tchau! — Ela dá um selinho nele e corre para o interior da mansão. 
   — Você tinha que aparecer justamente quando eu ia beijar ela? — questiona Victor caminhando pela calçada do condomínio com a irmã. 
   — Foi mal, é que você estava demorando demais. 

A manhã de domingo passa tranquila com a maioria dos adolescentes dormindo em suas confortáveis camas. Por volta das 13h, a campainha do apartamento de Bernardo e Anelise toca e o médico vai atender. 
   — Oi! — falam Luíza, Daniel e Nícolas. 
   — E aí? — Bernardo cumprimenta Luíza e Daniel e se agacha para falar com Nícolas. — E aí, rapazinho, como vai? 
   — Bem. 
   — Ah, assim que se fala! 
Anelise surge atrás do marido. 
   — Olá, pessoas! Entrem. 
Daniel, Luíza e Nícolas passam pela porta. 
   — E aí, Nícolas, como você está? — pergunta Anelise bagunçando o cabelo do garotinho. 
   — Bem. 
Eles sentam nos sofás. 
   — Depois de séculos você vieram, né? — reclama Anelise aos risos. 
   — É que a gente tem coisas para fazer — Luíza responde sorrindo. 
   — Nossa! — exclama Bernardo. — Está chamando a gente de desocupado? 
   — Saiba que a gente é muito ocupado, ok? — retruca Anelise e eles caem na gargalhada. 

Depois que almoça com seus pais, Maria Luíza entra em um táxi e vai para o endereço dado por Jonas. Minutos depois o veículo para atrás de um carro de luxo em frente a um casarão. 
   — Obrigada — fala para o taxista após pagar a corrida. Ela desce do carro e dá dois passos até o portão, onde toca o interfone. 
   — Quem deseja? — pergunta uma voz pelo aparelho. 
   — Samuel Hamad. 
   — Você quer dizer Hamid. 
   — É, isso mesmo. 
   — Só um instante. 
Malu troca o peso das pernas e comenta para si:
   — Não sei nem o sobrenome do garoto que eu estou me envolvendo direito. — Ela vira de costas e cruza os braços, analisando a rua pacata. Instantes depois o som do portão a faz girar novamente. 
   — O que você está fazendo aqui? — indaga Samuel com uma seriedade assustadora, o que deixa Malu incomodada. 
   — Eu vim, vim falar com você. 
   — Por que não me avisou? — ele questiona e olha por sobre o ombro para a porta do casarão. 
   — Você não atendeu nenhuma das minhas ligações — Malu responde e ele volta a encarar ela. 
   — Verdade. Mas precisava vim na minha casa? 
Malu se arrepende imediatamente por estar ali. 
   — Desculpa, eu não apareço mais. — Ela começa a caminhar pela calçada e Samuel vai atrás dela, segurando em seu braço antes que ela possa dar dois passos. 
   — Desculpa, não queria ser grosso com você. 
Malu olha para ele e vê que mesmo com o pedido, ele permanece frio. 
   — Está acontecendo alguma coisa? — indaga lembrando do olhar que Samuel lançou para a porta. Ele hesita por um momento, mas responde com sinceridade:
   — O Elias está lá dentro. 
Malu continua olhando para ele sem expressão. 
   — Quem é Elias? 
   — Quer dizer que você não conhece o famoso Elias Hamid, dono de uma das maiores redes hoteleiras do Brasil? — pergunta Samuel com um sacarmo azedo.
A morena pisca com rapidez, entendendo o que ele quer dizer. 
   — O seu pai está aí? — indaga apontando para o casarão e Samuel assente. — Desculpa, eu não queria chegar em um momento desses. Tô indo embora. 
   — Não, entra. 
   — Como é? 
   — Eu acabei de ter uma ideia. Infantil, é claro, mas uma boa ideia. 
   — Que ideia? 
   — Você consegue ser nojenta e mal-educada? 
   — É óbvio.
Samuel pega na mão dela. 
   — Então vem comigo!

Na areia da praia de Copacabana, Yasmin assiste Victor surfar juntamente com Isabela. Felipe foi comprar comida para elas e Marina e Vinícius caminham pelo calçadão. 
   — O Felipe vai demorar? — indaga Isabela olhando para a extensão da areia. 
   — Está com saudades? — Yasmin provoca sorrindo. 
   — Estou com fome. 
As duas riem e voltam a olhar para o mar. Yasmin tira os óculos de sol aviador em formato de coração e analisa Victor saindo do mar com a prancha sob o braço. 
   — Ele é lindo — constata Isabela também olhando para o loiro. 
   — Muito. — Ela encara a amiga. — Mas tira o olho porque é meu. 
Isabela gargalha e vira a cabeça, analisando a areia. 
   — Eu só tenho olhos para outro — fala sem pensar enquanto Felipe caminha de encontro à elas. Yasmin não ouve o comentário e continua observando o namorado. 
   — Aqui estão — diz Felipe sentando sob o guarda-sol. — Eu comprei sanduíches natural pra vocês. 
   — Obrigado — Isabela agradece pegando um sanduíche. 
   — Demorou, hein? — Yasmin reclama pegando o outro sanduíche. 
   — Chegou quem estava faltando — Victor fala colocando a sua prancha ao lado da namorada antes de se sentar. 
Felipe ri e fala:
   — Eu estava muito feliz aqui com a minha irmã e a minha... com a Isabela. 
A morena morde o sanduíche sentindo as bochechas queimarem. 

De mãos dadas no calçadão, Marina e Vinícius conversam enquanto ela toma água de coco. 
   — Como você não gosta? — indaga o garoto rindo. — Friends sempre foi e sempre será a melhor série. 
   — Sei lá, não gostei. Não tem nenhuma razão. Sabe quando você não gosta de uma coisa sem explicação? 
   — Sei, é mais ou menos eu com Two and half a man. 
   — Eu amo essa série! — Marina ri. — Que doideira isso, né? 
   — Muito! 
   — Mas como você não gosta? 
   — Não acho graça. 
   — Eu e o Victor rolamos de rir. 
Vinícius passa a mão na cabeça, sacudindo o cabelo. 
   — É porque vocês são dois palhaços bobões. 
   — Esqueci que você é muito sério, né? — brinca Marina dando um beijo no ombro dele. 

Na sala do casarão, Elias e Ruth conversam em um tom baixo ameaçador. Samuel cruza a porta com Malu e os dois olham para eles. 
   — Essa aqui é a Maria Luíza, amiga minha — apresenta o garoto. 
   — Esse não é o melhor momento para visitas — Elias fala fuzilando o filho com o olhar. Samuel aperta discretamente a mão de Malu e ela fala mais alto do que o necessário:
   — Por que não? Eu não estou atrapalhando nada, né? — Ela solta da mão de Samuel e caminha para o centro da sala. — É um prazer conhecer o senhor, Elias. 
   — Obrigado — ele diz secamente. 
   — Eu admiro muito tudo o que você construiu — diz Malu se jogando no sofá como se estivesse em sua própria casa. — Embora o senhor não seja um homem maravilhoso em casa como é no trabalho. 
Elias estreita os olhos e Ruth ofega. 
   — Como é? — indaga o empresário. 
   — Eu vi o que você fez na cara da Ruth. — Ela coça o cabelo, bagunçando os fios. — Você não acha que é covardia, não? 
Samuel senta ao lado de Maria Luíza e não se manifesta. 
   — Eu não sei do que você está falando — Elias mente lançando um olhar questionador ao filho. 
   — Ah, fala sério, Elias — fala Malu sorrindo. — Vai negar que bateu na Ruth? 
   — Eu nunca encostei um dedo na minha mulher. 
   — Ex — Ruth corrige baixinho. 
Maria Luíza ri e olha para Samuel.
   — Car*lho, ele mente, né?
Samuel sorri, encarando o pai ao responder:
   — Você não viu nem a metade. 
Elias levanta e aponta para a porta. 
   — Você pode sair da minha casa, por favor — pede olhando para Malu. 
   — Nossa, quanta educação, Elias — ela ironiza sem mexer um músculo que dê a entender que vai sair. 
   — Eu estou sendo educado com você. Você pode dar licença para a minha família? 
Samuel ri e ironiza: 
   — Minha família é ótimo. 
Maria Luíza cruza as pernas e gira a cabeça para Ruth. 
   — A senhora quer que eu saia? 
Elias olha ameaçadoramente para ela a induzindo com o olhar para dizer "Sim", porém Samuel fala:
   — Ela é minha amiga, mãe. 
   — Não — responde Ruth e Elias cerra os dentes. 
   — Sendo assim eu fico — diz Malu se esparrando pelo sofá. 
   — Casa também é minha — Elias fala ainda em pé. 
   — Que eu saiba você não mora mais aqui, mora? — indaga Maria Luíza. 
   — Mas a casa é minha. 
   — Não é só sua — discorda Malu. — A Ruth tem direito a metade de tudo o que é seu, estou sabendo. — Ela levanta para pegar uma revista na mesinha de centro e fala em pé para a mãe de Samuel: — Aliás, se eu fosse a senhora tentava tirar tudo dele, esses vagabundos merecem ficar duros. 
Elias dá um passo em direção à ela e Samuel levanta e se coloca em frente a Maria Luíza com rapidez. 
   — O que foi? — pergunta Malu indignada sobre o ombro do jovem. — Vai querer me bater também? 
   — Você não vai triscar nela — avisa Samuel. — Nem tente.
Elias encara o filho e Ruth levanta. 
   — Elias, vai embora, por favor. Não quero confusão na minha casa. 
   — Eu vou — fala o empresário. — Mas isso não acabou aqui. 
Ele analisa o rosto de Maria Luíza com ódio e caminha para a porta. Quando ele sai, Malu senta no sofá e passa a mão no cabelo. 
   — Esse cara é um babaca. Desculpa, Ruth, eu não sou assim. 
   — Está tudo bem — garante a mulher. — Eu vou para o meu quarto, preciso descansar. 
Ela vai rumo às escadas e Samuel senta ao lado de Malu. 
   — Você fez direitinho. Adorei provocar o Elias. 
Malu sorri. 
   — No começo eu estava fingindo, mas depois fui eu mesma. É impressionante como ele é repugnante, nem parece o seu pai. 
   — Você me achava repugnante até um tempo atrás. 
Malu chega mais perto dele. 
   — Isso é porque eu não te conhecia. — Ela acaricia o rosto dele. — Desculpa por não ter te ouvido ontem.
Samuel franze a testa sorrindo. 
   — Você veio aqui por causa disso? 
   — Sim, me senti culpada. 
Ele ri. 
   — Ai, Malu, você sempre me surpreende. 
Maria Luíza dá um selinho nele e Samuel coloca uma das mãos na coxa dela. 
   — Eu pensei que o seu pai fosse me bater. 
   — Eu não ia deixar. 
   — Eu até queria que isso acontecesse — ela fala deixando-o surpreso. 
   — Como? 
Malu repete:
   — Eu queria que isso acontecesse. Quem sabe se ele tocasse em mim seria preso, afinal além de ser mulher eu sou menor de idade. E o mais importante nesse país, sou rica. 
   — Mesmo assim, não valeria a pena. 
Malu sorri levemente. 
   — Até que você tem um bom coração. 
Samuel ri e dá um beijo nela. 

Yasmin e Victor brincam no mar o que deixa Isabela e Felipe sozinhos sob o guarda-sol. Ele não perde tempo e puxa papo com ela. 
   — Você não quer mergulhar? 
   — Por enquanto não — responde Isabela arrumando seu short jeans. — Acabei de comer. 
   — A Yasmin foi. 
   — Ela é louca, eu não. — Os dois riem. — E você? 
   — Estou melhor aqui. 
Isabela tenta não levar a frase dele por outro sentido. 
   — Hum. 
   — Passa protetor nas minhas costas? — ele pergunta. 
   — Como? 
   — Eu esqueci de passar protetor nas costas. 
Isabela ri. 
   — Você não acha que isso de protetor nas costas já está muito manjado? 
Felipe é pego de surpresa. 
   — Hã? 
   — Eu passo protetor solar nas suas costas, rola um clima, a gente se beija... Essa praia já teve muito disso. 
   — Eu quero te beijar — ele confessa —, mas quando fiz o pedido só queria que você passasse protetor nas minhas costas mesmo. 
   — Tá, sei — fala Isabela ainda desconfiada. 
Felipe estica o tubo de protetor solar para ela, que aceita. Ele senta entre as pernas dela e Isabela começa a passar protetor nas costas dele, sentindo os músculos definidos e a pele quente sob suas mãos. Conforme vai subindo as mãos, vai subindo a sua temperatura corporal. Ao melecar os ombros dele, sente um formigamento prazeroso pelo corpo e o seu toque muda de uma simples passada de protetor para uma massagem agradável.
   Felipe fecha os olhos, saboreando o toque dela. Seu corpo inteiro arrepia quando Isabela toca sua nuca, acariciando delicadamente a pele bronzeada. Ela desce as mãos lentamente pelas suas costas, o que gera calor em seu íntimo. Sem pensar em seus atos, pega nas mãos dela e gira, ajoelhando na toalha, de modo a ficar cara a cara com a ex-namorada. 
   Os dois se olham sem dizer nada por longos segundos e aos poucos ambos vão aproximando o rosto do outro. Isabela fecha os olhos e Felipe admira o seu rosto delicado enquanto coloca uma mão em sua nuca. Ele também fecha os olhos e sente os lábios macios dela entrarem em contato com os seus. Suas línguas se entrelaçam em um ritmo calmo e perfeito e Isabela também fica de joelhos, se aconchegando ainda mais no corpo de Felipe. Ele passa a mão livre pela cintura dela, unindo os seus troncos ao mesmo tempo que o beijo ganha velocidade. Isabela aperta os ombros do moreno, querendo fundir o seu corpo com o dele para saciar o desejo que tem pela pele dele. Felipe lambe o lábio inferior da jovem e ela mordisca o dele antes de mais um beijo. 
   Depois de alguns minutos aos beijos, Felipe e Isabela se afastam e ele fala acariciando o cabelo dela:
   — Essa praia já teve muito disso, mas nenhum dos beijos foram e nem serão como os nossos.