sábado, 22 de abril de 2017

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 358: Marina decide viajar para EUA


As mãos de Maísa também vão parar no tapete e ela faz um esforço para conseguir respirar. A falta de oxigenação em seu cérebro provoca tontura e náusea e ela aperta os fios do tapete com força.
   — Maísa? — chama Lorena ficando ainda mais apavorada. Ela se agacha ao lado da filha, segurando em seu braço. — Filha?
   — Não pode ser — fala Maísa respirando ofegante. — Não pode ser. Não pode ser. — Seus olhos se enchem de lágrimas rapidamente e após um esforço, ela se senta sobre os calcanhares. — Que história é essa, mãe?
   — Eu não sei direito — diz Lorena. — O assessor só disse isso e falou para eu ir para lá. Eu não sei o que fazer, filha! Isso não pode ser real!
   — Não é — responde Maísa aos prantos. — Não pode ser. — Com os braços trêmulos, ela puxa Lorena e a abraça com força. — O pai não faria isso. Não é verdade, mãe!

No início da noite, os amigos que Bernardo fez no hospital começam a chegar no apartamento dele com Anelise. O casal não se falou desde a discussão e finge que tudo está bem entre eles. Anelise conversa com Gabriel, um enfermeiro, e a namorada dele em um canto enquanto Bernardo ri com Maristela e outro médico no sofá. Eles não se olham em momento algum, porém nenhum dos convidados percebe algo de estranho entre eles.
   O interfone toca na cozinha e como está mais perto, Anelise vai atender. Instantes depois ela retorna para a sala e fala para Bernardo:
   — A pizza chegou.
   — Ah tá — responde o clínico geral e pega sua carteira na mesinha de centro. Ele caminha até a porta e atende o entregador. — Olha o jantar! — fala para seus amigos ao fechar a porta. Todos riem e se reúnem ao redor da mesinha de centro.

Samuel ainda está na casa de Jonas quando o jovem desce para pegar um balde de pipoca para eles. À caminho da cozinha, Jonas cruza com seu pai.
   — Aconteceu alguma coisa? — pergunta diante da expressão de preocupação de Heitor.
   — Eu estava indo lá no seu quarto.
   — O que foi, pai?
   — Eu recebi uma mensagem agora dizendo que o Edson Tanaka se suicidou.
O queixo de Jonas despenca.
   — O quê?
   — Eu não consigo acreditar até agora.
   — O senhor tem certeza disso?
   — Tenho, quem me contou trabalha no mesmo prédio que fica o gabinete dele. Foi lá que ele foi encontrado com uma corda no pescoço.
   — Meu Deus, que horror! — Jonas leva as mãos à boca.
   — Na hora eu lembrei da sua namorada. Vocês ainda estão juntos, né?
   — Sim, estamos brigados, mas... meu Deus, coitada da Maísa! — A expressão de Jonas demonstra toda a sua perplexidade e confusão. — Será que ela já está sabendo?
   — Acredito que sim, os familiares são sempre os primeiros a serem informados.
   — Eu preciso falar com ela! — Jonas fala, mas continua parado sem saber o que fazer.
   — Aproveita que o Samuel está aí e vai com ele na casa dela — sugere Heitor. — Ela e a Lorena vão precisar de todo o apoio nesse momento.
   — É, é — concorda o rapaz atordoado. — Vou fazer isso, vou fazer isso — repete indo para o andar de cima.

Encolhida na cama de Isabela, Marina chora e desabafa com a cunhada.
   — Tá doendo, Isa — fala entre lágrimas. — Eu estava esperando coisas ruins, mas não pensei que fosse doer tanto.
   — Calma, não fica assim — pede Isabela sentada ao lado dela. — É um tempo, Mari. Vocês não terminaram.
   — Eu sei, mas o Vinícius ficou tão decepcionado comigo. Você tinha que ver o jeito que ele me olhou, Isa. Eu nunca tinha visto o Vinícius tão bravo e ao mesmo tempo triste.
   — É, isso foi muito para ele, mas ele vai ficar bem. Vocês vão ficar bem.
   — Está doendo — chora Marina escondendo o rosto no travesseiro. — Falando nele, ele não está em casa, né?
   — Não, ele foi conversar com o meu pai.
   — Ai meu Deus! Espero que eles não briguem também.
   — Fica calma — tranquiliza Isabela. — O meu pai e o Vinícius sempre se entenderam muito bem. 
   — Espero que isso não mude agora.

   — Aconteceu alguma coisa? — pergunta Chay ao receber o filho em seu apartamento. — Você aparecer aqui essa hora sem avisar.
   — Eu já estou sabendo o que vocês fizeram — conta Vinícius parando em frente ao sofá.
   — A Marina te contou?
   — Sim. Por que vocês fizeram isso comigo, pai?
   — Calma, Vinícius — pede Chay acomodando-se no sofá. — Senta aqui.
   — Estou bem em pé. Só quero entender por que vocês esconderam tudo isso de mim.
   — Porque se a gente te contasse você não concordaria — Chay fala com simplicidade.
   — É difícil para vocês respeitarem a minha decisão?
   — Quando fica claro que você não está tomando o caminho certo, sim.
   — O senhor já parou para pensar que talvez a gente tenha concepções diferentes do que é certo?
   — Sim, por isso eu tentei conversar com você tantas vezes, para te fazer enxergar — diz Chay com calma.
   — A vida é minha! — exclama Vinícius com a voz alterada. — Minha, pai. Vocês não têm o direito de intervir e manipular nada.
   — Foi pelo seu bem, Vinícius. Um dia você vai ver isso.
   — A única coisa que eu consigo ver é o quanto vocês manipularam a minha vida — responde o jovem com lágrimas nos olhos. — Vocês não tinham esse direito. — Ele senta no sofá e abaixa a cabeça. — Vocês não podiam ter feito isso. 
   Vinícius começa a chorar, deixando Chay com o coração apertado. Eles ficam em silêncio e o choro de angústia do jovem ecoa pelo apartamento.
   — Em momento algum a gente quis que você se sentisse mal, filho — Chay fala quase em um sussurro.
   — Pois é exatamente assim que eu me sinto agora.
   — Se você não quer ir de forma alguma, é só cancelar a matrícula. Você sabe disso.
   — O problema não é esse — soluça Vinícius. — Vocês traíram a minha confiança. Eu não consigo acreditar que vocês agiram por mim. Vocês mexerem em um ponto que só dizia respeito a mim. Era a minha decisão! E veio das pessoas que mais confiava na vida.
   — Você sabe que pode continuar confiando em nós, Vinícius — fala Chay colocando uma mão no joelho do filho. — Nós somos as pessoas que mais te amam.
   — A minha mãe sabia disso? — pergunta Vinícius enxugando o nariz com as costas da mão.
   — Não, ela não participou de nada. — Vinícius assente e tenta controlar a emoção. — Eu sinto muito que você esteja se sentindo magoado, mas eu só fiz o que achava e continuo achando certo. Sei que o caminho até isso não foi correto, nós realmente não deveríamos ter invadido e manipulado a sua vida dessa forma, mas foi o necessário. Eu nunca quis que você fosse ferido.
Vinícius continua com a cabeça baixa, o choro mais controlado.
   — Eu e a Marina demos um tempo — conta após umedecer os lábios.
   — Vinícius — lamenta-se Chay.
   — Não tem como ignorar o que aconteceu e continuar normalmente.
   — Eu estive do lado da Marina todo o momento. Eu nunca vi aquela menina tão determinada, isso só prova o quanto ela se importa com o seu futuro.
   — Não interessa quais foram as intenções. Está doendo muito e não vai ser fácil esquecer o que vocês fizeram.
   — Eu sei, só quero que você tenha consciência de que foi visando o melhor para você. Não sou do tipo que justifica erros com sentimentos, mas o que nós fizemos foi por amor a você.
   Vinícius enxuga mais uma vez o rosto e seca as mãos na calça jeans antes de levantar.
   — Eu já falei tudo o que tinha a dizer, agora eu vou embora.
   — Você não quer dormir aqui? — oferece Chay ficando em pé.
   — Amanhã eu tenho aula.
   — O Evaldo pode vir te buscar mais cedo.
   — Eu não quero dormir aqui — Vinícius responde com franqueza. 
Chay assente.
   — Tudo bem. Vai para casa, pensa em tudo e não se esqueça que nós te amamos.
   — Tá.
Pela primeira vez, Vinícius não se despede do pai com um abraço e um beijo. Ele passa direto por Chay e sai do apartamento sem dizer mais nada.

Mesmo bastante surpreso, Samuel busca acalmar Jonas no caminho para a casa de Maísa. Ele dirige seu fusca o mais rápido que o veículo permite e não demora muito eles chegam ao casarão que a jovem até então dividia com Lorena e Edson.
   O fusca mal para e Jonas pula na calçada e começa a tocar o interfone. Seu dedo aperta o botão diversas vezes, porém não recebe resposta.
   Samuel desce do carro e se aproxima do amigo, dizendo:
   — Elas não devem estar em casa.
   — Mas não é possível que não tenha ninguém para atender a gente — rebate Jonas nervoso. — E os funcionários?
   — Vai ver eles não tem autorização para atender. 
   — E agora? — Jonas olha para ele.
   — Eu não sei.
   — Merda! Merda, merda, merda! — esbraveja o namorado de Maísa dando chutes no portão de madeira. 
   — Tive uma ideia — fala Samuel tirando o celular do bolso. Com rapidez, ele procura o telefone de Laís no grupo da sala no Whatsapp e liga para ela.
   — Alô — atende Laís e de imediato Samuel nota que ela esteve chorando.
   — Laís, é o Samuel. Eu já sei o que aconteceu com o seu tio.
   — Não quero falar sobre isso agora, Samuel — responde Laís começando a chorar.
   — Espera, não desliga! — pede o rapaz. — Eu e o Jonas estamos em frente à casa da Maísa. Você sabe onde ele pode encontrar ela? — A ligação fica muda. — Laís? — chama Samuel.
   — Fala para ele vir aqui na minha casa — diz a garota tentando lutar contra o choro. — A Maísa está aqui e... a gente está precisando de apoio. Vai ser bom para ela ter o Jonas aqui.
Samuel fica perplexo com as palavras de Laís, já que ela sempre deixou claro ser contra o relacionamento da prima com seu melhor amigo.
   — Estamos indo para aí — responde e desliga. — A Maísa está na casa da Laís — informa à Jonas. — Vamos pra lá.
   — Vamos! — Jonas rapidamente entra no carro e eles partem.

Após o jantar, Bernardo, Anelise e os amigos dele bebem vinho espalhados pelo sofá, poltronas e tapetes. Os donos da casa estão sentados em cantos opostos e não trocam sequer olhares. Em determinado momento, o assunto se torna o desemprego coletivo deles.
   — O bom é que agora eu tenho mais tempo para a família — brinca uma pediatra. 
   — Que família, Cláudia? Você mora sozinha aqui no Rio — ri Gabriel.
   — Francisca, minha cachorrinha, não conta? — Eles riem.
   — Como você está se mantendo? — pergunta a namorada de Gabriel com curiosidade.
   — Com o seguro desemprego.
Entre Bernardo e Gabriel no sofá, Maristela fala:
   — Acho que todo mundo aqui está no mesmo barco, né?
   — Menos o Bernardo, né? — comenta Gabriel rindo.
Bernardo toma um gole de vinho e pergunta:
   — Ué, por quê?
   — Porque você é casado com a Anelise, né? Mesmo desempregado vai continuar vivendo no bem e bom.
Eles riem e Anelise olha demoradamente para sua taça para não ter que encarar os convidados.
   — Não é bem assim — responde Bernardo forçando um sorriso.
   — Ah, não? A gente está bebendo vinho depois do jantar, cara.
   — Nem quando eu trabalhava isso acontecia lá em casa — brinca Maristela e eles gargalham.

Quem também divide uma garrafa de vinho é Arthur. Ele e Lua conversam e riem na sala quando Marina chega da mansão de Mel.
   — Mãe, pai — fala a jovem parando na frente deles. — Eu quero ir para os Estados Unidos.
Arthur e Lua trocam um olhar confuso e ela indaga:
   — Do que você está falando, filha?
   — Eu quero ir passar a semana que vem em Nova York.
   — Como assim, Marina? — pergunta Arthur ainda sem compreender. — De onde veio essa ideia da noite para o dia?
   — Eu estive conversando com a Isabela e cheguei a conclusão que é a melhor coisa que eu posso fazer agora. E eu quero isso. Quero muito.
   — Marina, você não está falando coisa com coisa — Lua observa. — O que aconteceu? Estou vendo que você andou chorando.
Marina senta na mesinha de centro e cruza as pernas.
   — Eu contei para o Vinícius que matriculei ele na Ferrandi e ele quis um tempo.
   — Um tempo para pensar? — supõe Lua.
   — Um tempo no nosso namoro — responde Marina controlando a vontade de chorar.
   — Sério, filha? — A jovem assente, seu queixo começando a tremer.
   — É só um tempo — pondera Arthur —, não é um término.
   — É, mas eu sei que foi sério. O Vinícius não é do tipo que pede um tempo por qualquer coisa.
   — Mas vocês já deram um tempo antes.
   — Só que fui que pedi. Enfim, gente, eu acho que vai ser melhor para todo mundo eu ir. Vou aproveitar para rever meus amigos, a minha cidade e dar uma espairecida.
   — E o colégio, Marina? — pergunta Lua.
   — Nós já estamos no final do semestre, já fizemos todas as provas. E é só uma semana, mãe! Vou logo depois do aniversário do Felipe e volto antes do meu.
Lua fica pensativa e Arthur diz:
   — Não me parece de todo mal.
   — Não é! Por favor, deixem.
   — Vamos pensar, Marina — responde Lua. — Vamos pensar.
A jovem assente e fica em pé.
   — Por favor, eu preciso ficar um pouco longe de tudo isso. — Ela caminha para o andar de cima.

   — Lembra que ela precisa do seu apoio agora. Não surta — aconselha Samuel parado na varanda do casarão dos pais de Laís com Jonas.
   — Eu não vou surtar — garante Jonas enquanto espera abrirem a porta para eles.
   — É que você parece muito assustado, cara — Samuel observa.
   — Não era para eu estar? 
Samuel não chega a responder, pois a empregada abre a porta. 
   — Podem entrar — diz a moça e os amigos adentram no casarão. 
Jonas fica desapontado quando encontra a sala completamente vazia e com as luzes apagadas.
   — Cadê elas? — questiona começando a achar que elas não estão no local.
   — Calma, Jonas — pede Samuel e a funcionária responde:
   — Elas estão lá em cima no...
   — Tá bom.
Jonas não espera ela terminar e sobe às pressas a escada. Quando chega no corredor, fica sem saber para onde ir já que há várias portas para todos os lados e não existe um sequer ruído que indique aonde elas estão.
   — O quarto da Laís é ali — diz Samuel chegando atrás dele. O jovem terminou de ouvir a empregada e leva Jonas até o quarto da prima de sua namorada. — Lembra que ela está precisando de apoio — fala parando diante da porta.
   — Tá — responde Jonas girando a maçaneta. 
   Mesmo sendo muitos centímetros maior que a prima, Maísa parece bem menor que ela encolhida na cama entre os cobertores e travesseiros. Ao ouvir o barulho da porta, a loira ergue a cabeça e encara Jonas. No instante em que vê o namorado, Maísa começa a chorar ainda mais e joga os cobertores para o lado, pulando da cama. Ela se lança com tanta força contra Jonas que ele dá um passo para trás, esbarrando em Samuel.
   — Ele não faria isso! Ele não faria isso! — repete aos prantos.
Jonas envolve a cintura dela com firmeza.
   — Eu sei, calma — fala em seu ouvido.
   — Ele não faria, não faria. Ele não faria, Jonas! — exclama Maísa desolada. Ela vai perdendo as forças aos poucos e se ajoelhando no tapete. Seu namorado vai para o chão junto com ela e eles permanecem abraçados. — Por favor, diz que isso não está acontecendo — suplica nos braços de Jonas.
   — Não tem como eu fazer isso — responde Jonas passando a mão pelo cabelo dela. — Mas eu estou aqui com você. Você não está sozinha.
   — Meu pai não me deixaria sozinha — diz Maísa entre soluços. — Ele não faria uma coisa dessas. Não faria, Jonas. Ele não faria! Ele jamais faria o que estão dizendo que ele fez.
   Um ruído escapa de Laís e Samuel, que estava tão concentrado no sofrimento de Maísa, recorda-se que ela também está ali e que a morte de Edson também a abalou profundamente, tanto que ela esteve chorando silenciosamente todo esse tempo. 
   Ele contorna o casal no tapete e se aproxima dela.
   — Vamos lá para baixo — fala pegando nas mãos dela.
   — Eu não posso deixar a Maí...
   — Ela está bem agora — interrompe o rapaz. — E você também está precisando de cuidados. — Laís olha para ele com os olhos lacrimejantes. — Vem comigo.
   A morena assente e se deixa ser levada por Samuel para o andar de baixo. 
   — Como você está se sentindo? — ele pergunta sentando no sofá com ela.
   — Péssima. — Laís passa a mão pelo rosto e cabelo. — Eu não estou entendendo como isso foi acontecer, sabe?
   — Cadê os seus pais?
   — Eles foram com a minha tia tratar dos assuntos legais. Todo mundo está chocado, ninguém consegue acreditar que o tio Edson... ele não é o tipo de pessoa que faria isso — diz voltando a chorar.
   — Não existe um tipo, Laís — comenta Samuel com delicadeza. — Não tem como saber. Ele estava passando por um momento difícil, né?
   — Mesmo assim. Eu não consigo acreditar. Ninguém consegue. A minha família está desolada — fala tentando parar de chorar. — Ninguém ainda teve coragem de contar para a minha vó.
   — Ela não está sabendo? É melhor avisar, né, vai que ela vai na televisão.
   — Não, ainda não foi noticiado — conta Laís.  — E a minha avó mora no Japão, Samuel, mesmo que saísse na tevê ela não iria ver.
    — Ah, sim! Mas não fica pensando nessas coisas, tem gente para pensar nisso por você.
    — É, é que eu prefiro ficar pensando nessas coisas do que ter que lidar diretamente com... com o que aconteceu.  — Ela abaixa a cabeça e chora.
   Samuel também fica emocionado e continua tentando consolá-la.

Alheios a todos os recentes acontecimentos, Yasmin e Victor conversam no closet dela enquanto a jovem troca a roupa que usou para dar uma volta de skate por um vestido floral. Victor observa a namorada sentado em uma poltrona e brinca com uma pelinha em sua unha.
    — Te contei que eu e o Felipe brigamos por causa de uma roupa?  — comenta Yasmin passando o vestido pelo pescoço.
    — Não, como assim?
    — Ele ficou bravo porque eu peguei uma blusa dele e não devolvi. Até te meteu no meu, sabia?
Victor sorri e franze a testa.
    — Como assim?
    — Falou que você também reclama que eu pego suas roupas e não devolvo.
    — Ah, isso.
    — É, por quê? Tem outras reclamações?  — ela ri caminhando até ele.
    — Nossa, tem várias  — responde Victor puxando Yasmin para o seu colo.  — Eu vivo reclamando de você.
    — Bom saber, bom saber.  — Eles riem e se beijam. Entre o beijo, Yasmin mordisca o lábio do namorado e sente a mão dele escorregar por seu corpo até sua coxa.  — Você realmente não gosta que eu pegue suas roupas?  — ela pergunta enquanto faz um carinho no abdômen dele.
    — Não, tanto faz se você pega ou não. Deixando alguma coisa para eu vestir, está ótimo  — ri o loiro dando um beijo no ombro dela. Seu rosto vai subindo e ele beija o pescoço, o maxilar e a bochecha dela. Yasmin vira o rosto e busca a boca dele. Eles voltam a se beijar e a cada segundo o beijo vai ficando mais intenso. 
   Seus corpos vão reagindo às carícias e eles vão se aproximando ainda mais até não haver nenhum espaço entre eles. Yasmin encaixa suas pernas no quadril do namorado enquanto beija o canto da boca dele e lambe seu queixo. As mãos de Victor apertam as coxas e nádegas da loirinha, colando ainda mais o corpo dela no seu. Sem parar de beijá-lo, Yasmin começa a levantar a camisa dele.
    — Vamos lá pra cama  — diz o rapaz entre o beijo.
    — Aqui não está bom?  — provoca Yasmin mordendo o pescoço dele. A respiração de Victor fraqueja e ele segura na nuca dela, unindo suas bocas. Eles continuam se beijando durante alguns minutos até que Yasmin levanta segurando o braço de Victor. 
   Ele abraça a namorada e os dois tropeçam até o armário, onde se encostam e se beijam novamente.
    — Sabe por que eu pego suas roupas?  — indaga a loira sentindo a mão de Victor descendo por seu pescoço.
    — Por quê?  — ele pergunta apertando o corpo dela.
    — Porque eu gosto de te ver sem elas.  — Elas riem e dão um selinho.
    — Então vamos logo lá para a cama — diz Victor envolvendo a cintura dela. — Você pode fazer muito mais do que só me ver sem minhas roupas.

Na manhã seguinte, os filhos dos ex-rebeldes juntamente com Graziele, Malu e Thiago reúnem-se no centro da sala do terceiro ano A.
   — Sábado está chegando, hein! — exclama Thiago dando tapinhas nas costas de Felipe.
   — Já sabe o que vai pedir de presente? — pergunta Graziele sorrindo.
   — Saúde, felicidade — Felipe gargalha.
   — E uma noite com a grande anã — acrescenta Victor maliciosamente.
   — Ele não precisa pedir isso, né — Yasmin comenta e eles riem. Enquanto gargalham, Marina olha para Vinícius e abaixa o olhar em seguida.
   — Não fica assim não — sussurra Isabela no ouvido dela.
   — Oi? — Marina olha para ela.
   — Não precisa ficar triste, você sabe disso.
   — A única coisa que eu sei é que estou odiando essa situação.
   — Não precisa disso, Mari. Você sabe que você e o Vinícius sentem um negócio único um pelo outro e isso vai sobreviver ao que aconteceu.
Marina assente.
   — Eu sei, é que é difícil.
   — Posso imaginar. Pra mim também não está legal. Nem a minha mãe nem ele conversaram comigo ainda, por isso eu fico meio sem saber o que fazer, como agir com eles, sabe?
   — Sei.
Do outro lado do grupo, Graziele percebe que Vinícius está mais quieto do que de costume.
   — O que está acontecendo com você? — indaga passando um braço pelos ombros dele.
   — Eu estou triste, Grazi — Vinícius responde com toda sinceridade.
A ruiva aproxima o rosto do dele e sussurra em seu ouvido:
   — Tem a ver com a Marina, né? — Vinícius assente de leve e ela continua: — Percebi que vocês nem se olharam hoje. — Ele concorda novamente. — Vocês terminaram?
   — A gente deu um tempo — conta Vinícius quase sussurrando.
   — Mas é sério ou é tipo frescura? — indaga Graziele e eles riem.
   — É sério.
Marina cutuca Isabela.
   — Olha o Vinícius e a Grazi.
Isabela olha disfarçadamente na direção do irmão e volta a encarar Marina.
   — O que é que tem? Eles só estão conversando.
   — Eu sei, não estou com ciúmes. Estou com inveja da Graziele, porque eu não posso chegar perto dele assim — diz rindo.
   — Larga de ser boba — ri Isabela.
   — Está traindo a minha amizade com essa anã? — questiona Malu se intrometendo entre elas.
   — Não comece você também a me chamar assim — pede Isabela.
   — Jamais trairia a sua amizade — responde Marina deitando a cabeça no ombro de Malu.
   — Que bom, porque agora só tenho você já que a Graziele está me traindo com o seu namorado.
   — Ah, melhor nem falar nisso — brinca Marina trocando um olhar significativo com Isabela.
   — Eu sei que vocês estão maus — comenta Malu para o espanto das outras duas.
   — Como você sabe? — questiona Isabela com curiosidade.
   — Eu sinto as coisas no ar — responde Malu rindo. — Mas vocês vão continuar juntos — diz com seriedade para Marina —, todo mundo saca o quanto vocês se gostam. E vocês são meu casal favorito! — exclama apertando Marina, que ri. Ela sente um toque em seu braço e olha para trás, enxergando Samuel. 
   O rapaz está usando seus óculos de grau como raramente acontece e isso não passa despercebido por seus colegas. Felipe fala acima dos amigos:
   — Não sabia que você era cegueta, Samuel.
   — Pois é — responde o jovem forçando um sorriso. Malu nota que algo está pesando sobre Samuel e rapidamente solta Marina e se aproxima dele.
   — Está tudo bem? — pergunta só para ele ouvir.
Samuel dá um beijinho na bochecha dela.
   — Eu preciso conversar com você.
   — Ok, vamos lá para fora.
   — Ele mal chegou e você já vai tirar ele da gente? — brinca Yasmin e Malu olha para a amiga levantando o dedo médio de uma das mãos. — Olha que desaforada!
   — Te amo! — grita Malu saindo da sala com Samuel. Eles caminham até um espaço vazio do corredor e se encostam na parede. — O que foi? — pergunta a morena ficando séria.
   — O pai da Maísa se matou — Samuel conta para o choque de Malu.
   — Como assim, Samuel?
   — Eles conseguiram abafar ao máximo, mas com certeza ainda pela manhã a notícia vai vazar.
   — Mas como? Sério, não estou acreditando nisso! — exclama Malu lembrando que não viu nem Maísa nem Laís na sala.
   — Ele foi encontrado enforcado no gabinete. — Malu leva as mãos à boca, horrorizada. — Eu fui para a casa da Laís ontem com o Jonas, porque a Maísa estava lá. 
   — Eles fizeram as pazes?
   — Na verdade, eles nem lembraram que estava brigados. Ela, no caso, né? 
   — Também com toda essa tragédia.
   — Acabou que a gente dormiu por lá, porque o Jonas não queria deixar a Maísa e ela não queria que ele fosse. Por isso que eu estou de óculos, porque eu perdi minhas lentes na casa da Laís e só passei em casa rapidão para me trocar e pegar o óculos.
   — Você dirigiu sem lente, Samuel?
   — Sim. — Diante do olhar de reprovação dela, ele acrescenta: — Eu não tinha outra opção. 
   — Tá, mas que isso não se repita. Deixa sempre um óculos no carro.
   — Tudo bem.
   — Mas então, eu não consigo acreditar que o pai da Maísa se matou. De verdade.
   — Pois é. Não dá para acreditar, né?
   — Sim. Coitado, né, ele estava tão pressionado com toda aquela investigação.
   — É, não conseguiu segurar a onda.
   — Que horror, meu Deus! E a Maísa?
   — Ela está desolada — conta Samuel olhando para baixo. — Desolada. Eu saí de lá e ela ainda estava repetindo que ele não faria uma coisa dessas.
   — Se matar?
   — É. É duro pensar que o seu pai fez isso, né?
   — É triste, é assustador... meu Deus! 
Samuel assente e encosta a cabeça na parede, ficando pensativo. Malu também fica presa nos próprios pensamentos, até que pergunta:
   — E a nossa viagem amanhã está de pé?
   — Sim, claro. — Samuel passa a mão no cabelo, tentando afastar o assunto de Edson para poder tratar da própria vida. — Eu tenho que fazer o vestibular, né?
   — Sim. E eu vou te acompanhar. — Ela se aproxima mais dele e beija seu ombro.
   — A gente precisa ter uma conversa depois.
Malu ergue a cabeça para olhar nos olhos dele.
   — Que conversa?
   — É que essa parada toda do pai da Maísa me fez pensar no Elias.
   — Ah, entendi.
   — Pois é, agora eu não quero ficar pensando nisso porque eu tenho que focar na minha prova. 
   — Com certeza, não perde o foco. A gente vai passar o final de semana lá no Rio Grande do Sul, a gente conversa melhor lá. Só nós dois.
   — Sim, vai ser melhor. — Eles se abraçam e se beijam.
   — Você fica lindo de óculos também, tá?
Samuel dá um leve sorriso.
   — Obrigado — responde abraçando ela com mais força.

Quando eles saem para o intervalo, a maioria dos jovens encaminham-se para a lanchonete. Como de costume, Vinícius vai fazer os pedidos do grupo. 
   — Será que eu vou lá? — Marina pergunta para Isabela.
   — Vai, aproveita que vocês estão em público que ele não vai surtar — brinca a menor e elas riem.
   — Cala a boca.
   — Falando sério agora, vai, fala logo. É melhor assim.
   — Ok! — Marina empurra sua cadeira e levanta da mesa. Ela caminha até o balcão, onde Vinícius está apoiado. — Vinícius — chama parando ao lado dele.
   — Oi.
   — Eu quero falar com você.
   — Mari, você disse que ia respeitar o meu tempo.
   — Eu vou, mas é que eu realmente preciso falar com você.
Vinícius respira fundo e assente.
   — Tudo bem.
   — Aqui não é o melhor lugar para a gente conversar, mas é melhor assim, pra manter as coisas mais... distantes.
   — É.
   — Então — Marina segura as próprias mãos —, eu conversei com os meus pais, pedi uns conselhos para Isabela e eu decidi... decidi passar uns dias nos Estados Unidos.
   Vinícius olha diretamente para ela.
   — É sério?
   — Sim. Acho que vai ser melhor para nós dois.
   — Ok, faz o que você se sinta melhor.
   — Uhum. — Eles ficam em silêncio, cada um olhando para um canto. — Eu vou depois do aniversário do Felipe e volto para o meu.
   — Entendi.
   — E isso não muda nada, tá?
   — Como assim? — pergunta Vinícius olhando novamente para ela.
   — A gente, o nosso namoro.
   — Não vai mudar. Pelo menos da minha parte, você pode ter certeza de que nada vai mudar.
   — Da minha também não — rebate Marina e ele lança um olhar de descrença para ela. Os dois ficam se encarando e acabam sorrindo. Eles desviam o olhar em seguida e voltam a ficar em silêncio. — Então — continua Marina com seriedade —, eu vou para lá, mas o meu coração vai continuar aqui.
   — Não precisa ser assim. Aproveita lá, você vai rever seus amigos, sua cidade que tanto ama.
   — Você entendeu o sentido que eu quis dizer.
Vinícius assente.
   — Sim. Eu só quero você aproveite lá e não fique pensando nas coisas aqui. De verdade.
Inconscientemente, Marina ergue um braço para acariciar o cabelo do namorado, porém percebe o que vai fazer e coça a nuca para disfarçar. 
   — Eu vou aproveitar, mas o que eu estou querendo deixar claro é que não vai acontecer nada que eu me arrependa depois, entendeu?
   — Eu já entendi que você não vai ficar com o Brian, amor. — Os dois ficam inquietos quando ouvem a última palavra dele e tentam disfarçar.
   — Que bom, porque era isso que eu queria dizer. A gente pode ter dado um tempo, mas ainda continuamos juntos. Eu não vou fazer nada lá e espero que você não faça nada aqui.
   — Você sabe que eu não vou fazer nada.
   — Sei, só queria garantir mesmo. — Eles sorriem de leve mais uma vez e Marina dá um tapinha no balcão, falando: — Ok, isso já foi esquisito o suficiente e eu acho que não consigo mais ficar tão perto de você sem poder te tocar, en...
   — Você pode me tocar — interrompe Vinícius sorrindo. Ele estica o braço na direção dela, ainda sorrindo com divertimento. Marina arregala os olhos, fingindo espanto, e toca com o indicador o braço dele. — Viu?
   — Uau! — Eles gargalham. — Ok, chega. Tchau!
   — Já que você está aqui, aproveita para me ajudar a levar as coisas lá para mesa. O pedido já está chegando, olha — fala vendo a funcionária se aproximar.
   O casal pega os pedidos e retorna junto para a mesa.
   — Olha quem está de volta, Brasil! — exclama Yasmin sorrindo. Embora não saiba com detalhes o motivo do tempo, percebeu o afastamento deles assim como os demais. — Se reconciliaram?
Marina nega com a cabeça enquanto Vinícius distribui os pedidos, fingindo não ter ouvido o comentário da amiga. Quando termina, ele senta entre Isabela e Victor.
   — Você também vai para os Estados Unidos? — pergunta para o loiro.
   — Eu não. Só para ter uma prévia do que vai acontecer ano que vem? Eu e a Yasmin não precisamos disso.
   Vinícius assente e fica pensando nas palavras de Victor o resto da manhã.