domingo, 19 de outubro de 2014

Imagine Chamel 4° Temporada (Filhos) - Capítulo 136: Yasmin é eleita líder de sala



Após guardar o celular de Jonas no mesmo lugar que encontrou, Yasmin deixa a sala dando pulos de alegria. Chega no ginásio a tempo de ver a confusão que está acontecendo.
   Na quadra, os alunos discutem, cada time de um lado da rede. Com a testa franzida, Yasmin se junta a Victor e Thiago que observam a cena da arquibancada.
    O que está acontecendo, gente?
    Treta  responde Thiago.
    Ah vá! Não me diga?  Ela olha para a quadra e enxerga Samuel, Jonas, Malu e Jaqueline discutindo.
    A bola foi fora!  berra Jaqueline.
    Se você quiser eu pago uma consulta a um oftalmologista pra você, Jack  diz Malu de maneira dissimulada.
    Cala a boca, Maria Luíza!  diz Jonas do outro lado da rede, do lado de Jaqueline.
    Eu fiquei calada esse tempo todo, vendo vocês roubarem no jogo, porque mesmo assim o nosso time está ganhando, porque o time de vocês é uma bosta!  rebate Malu.
    Gente, aceita que vocês estão perdendo  fala Samuel com paciência.  Parem de chorar igual crianças.
    A gente não está chorando!  diz Jaqueline com raiva.  Só estamos tentando ser justos.
Malu gargalha, juntamente com Maísa e Alexandre, que também estão no mesmo time que ela.
    Tentando ser justos? Faça mil favor, Jaqueline! Todo mundo viu que a nossa bola foi dentro.
    Praticamente no meio da quadra  completa Samuel.
    Não exagera, Samuel  diz Jonas.
    Deixa, gente  pondera Maísa e olha diretamente para Jonas ao dizer:  Nós vamos ganhar de qualquer jeito!
    Não!  discorda Malu.  A gente já aceitou muitos roubos desse timezinho.
    Concordo com a Malu, o nosso ponto foi claro — diz Samuel.
    Claramente fora  fala Jonas.
    Eu vou enfiar essa bola no seu...
    Malu  interrompe Maísa em tom de censura.
O professor retorna ao ginásio e se aproxima da confusão sem que ninguém perceba.
    Eu não posso nem ir ao banheiro que vocês já armam barraco?  berra, fazendo Marina que está em sua frente estremecer. — O que está acontecendo?
Marina opina sobre a discussão pela primeira vez:
   — Acontece, professor...
Jaqueline a interrompe, falando alto:
   — Eles estão tentando nos roubar, porque...
   — Deixa a gringa falar! — diz Alexandre e todos riem, inclusive Marina.
   — Obrigada — ela diz olhando para ele. 
   — You're welcome — ele responde e mais uma onda de gargalha passa pela turma. 
Na arquibancada, Isabela pergunta para Laís:
   — Eles estão rindo do quê?
   — Acho que foi alguma coisa que o Alexandre falou — responde Laís. 
   — Continua, Marina — pede Ronaldo cruzando os braços.
   — O nosso time fez um ponto e eles estão falando que a bola foi fora, mas foi claramente dentro.
   — Tudo isso por causa de um ponto?
   — Não é só por causa disso — responde Malu. — Faz horas que eles estão trapaceando, uma hora fala que a gente bateu na rede, outra que pisamos na linha. Agora eles querem tirar o nosso ponto que foi claríssimo? 
Ronaldo suspira.
   — Ok, vamos fazer o seguinte, na próxima aula vocês continuam o jogo porque agora eu quero falar com vocês lá na sala. — Ela dá meia volta e caminha para fora da quadra. Malu fuzila Jonas e Jaqueline com o olhar e diz:
   — Se preparem para a semana que vem, seus otários. 
Os doze alunos em quadra caminham para fora do ginásio junto com os demais. 

Reunidos em torno da máquina de café, Bernardo e Maristela batem um papo. 
   — Hoje, depois do expediente, o pessoal vai para um barzinho, você poderia vim — ela diz.
Bernardo engole um pouco de café e responde:
   — Não vai dar, a Ane quer pegar um cinema. 
Maristela assente.
   — Entendi. — Sorrindo, ela completa: — É bom aproveitar os primeiros meses de casamento. 
   — Como assim? 
A médica dá de ombros, tomando um gole do seu café.
   — Ah, é que depois dos primeiros meses a coisa cai na mesmice, né? 
Bernardo ri.
   — Eu e Anelise já estamos morando juntos a um tempo, somos a prova de que depois de alguns meses cair na mesmice não acontece com todos. 
   — É, vocês são sortudos então. Não é porque aconteceu comigo que vai acontecer com todos, não é? — ela ri. Sua frase desperta curiosidade em Bernardo.
   — Você já foi casada?
   — Sim! Durante dois anos. Me separei faz seis meses. — Ela joga seu copinho descartável no lixo. — Por isso te dou um conselho, aproveita. Mesmo com o fato de vocês já morarem juntos quando se casaram, as coisas mudam quando o casal sobe ao altar. É um questão de tempo para acontecer.
Maristela afaga o ombro dele e caminha rumo a sua sala. Bernardo termina de tomar o seu café pensativo. 

Os alunos do terceiro ano B já estão em seus lugares e Ronaldo começa a falar:
   — A coordenação me pediu para fazer duas votações hoje com vocês. A primeira é para o líder e vice líder de sala, e a segunda é para o professor padrinho de sala. Vamos começar com o líder e vice líder. Quem se candidata?
Jonas e Laís erguem as mãos ao mesmo tempo. Isabela olha com espanto para Jonas, mas logo volta a encarar o professor. 
   — Não vai se candidatar, Isa? — pergunta Yasmin do fundo da sala. 
   — Esse ano, não — responde a morena. 
O professor comenta:
   — Verdade, Isabela, você foi líder ano passado e ano retrasado, né? Por que não vai se candidatar essa vez?
   — Esse ano eu quero me dedicar a outras coisas. Ser líder me consumia bastante — Isabela responde com um leve sorriso no rosto. 
   — Sendo assim — diz Yasmin erguendo a mão. — Eu me candidato. Fui vice ano passado, líder nesse. — Ela eleva o tom da voz. — Imagina, Laís, eu líder e você vice? 
   — Pode ser ao contrário também — responde a morena lá na frente da sala e elas riem.
   — Já pensaram na possibilidade de eu ganhar? — pergunta Jonas, fazendo Yasmin rir ainda mais.
   — A gente está falando de possibilidades reais, Jonas, dá licença. 
Antes que o adolescente possa começar uma discussão com Yasmin, Ronaldo diz:
   — Ok, pessoal, vamos começar a votação. — Ele caminha até o quadro e escreve os nomes de Yasmin, Laís e Jonas. Em seguida olha para a primeira fileira, a da porta. — Laís, você vota em quem? — pergunta sorrindo. 
   — Em mim — ela responde também rindo. 
   — Você? — pergunta sem se lembrar do nome de Maísa. 
   — Na Laís. 
O professor vai marcando os pontos, colocando um palitinho ao lado do nome da pessoa que recebeu o voto. 
   — Aline? 
   — Laís. 
   — Aluno novo? 
   — Laís — responde Iago. 
   — Aluno novo que veio de fora? — pergunta Ronaldo e a turma cai na gargalhada. 
   — Em quem será que ele vai votar? — brinca Thiago e as gargalhadas se prolongam. Sorrindo, Victor responde:
   — Yasmin.
Ronaldo coloca o primeiro palitinho ao lado do nome de Yasmin. 
   — Você vota em você mesma, né Yasmin? — pergunta o professor.
   — Of course!
   — Fala inglês agora, é? — brinca Ronaldo marcando o segundo palitinho ao lado do nome dela. 
   — Sempre falei — responde a loira no instante em que Malu brinca:
   — A Yasmin pegou rápido a língua americana, se é que vocês me entendem. 
A maioria dos alunos riem, mas Ronaldo fica sem entender. 
   — Prosseguindo — ele diz olhando para o aluno na carteira ao lado de Yasmin. — Samuel?
   — Jonas. 
   — Malu? — pergunta o professor depois de marcar o primeiro voto do ex-namorado de Isabela. 
   — Yasmin. 
   — Graziele? 
A ruiva morde a parte de dentro da bochecha, sem saber em quem votar. 
   — Hum... Yasmin. 
   — Felipe?
   — Yasmin.
   — Isabela? 
Isabela também fica balançada com relação ao seu voto. 
   — Yasmin — diz por fim. 
   — Amanda? 
   — Jonas. 
   — Talita?
   — Jonas. 
Yasmin olha de relance para Jonas e nota um sorriso superior no rosto dele. Ela revira os olhos e cutuca Victor, dizendo:
   — Eu não gosto de perder, mas perder pro Jonas é pior ainda.
   — Relaxa, é você ou a Laís que vai ganhar — ele a tranquiliza. 
   — Vinícius? 
   — Yasmin. 
   — Marina? 
Para o espanto de Yasmin, Victor, Isabela, Felipe e Vinícius, Marina responde:
   — Yasmin. 
   — Thiago?
   — Yasmin.
   — Pedro?
   — Jonas. 
   — Jonas, seu voto é em você, né? — Ronaldo pergunta só para confirmar. 
   — Exatamente.
O professor passa a perguntar para a última fileira. 
   — Alexandre?
   — Laís.
   — Danilo?
   — Laís. 
   — Daniela?
   — Laís.
   — Mayara?
   — Laís. 
   — Lorenzo?
   — Yasmin — responde o jovem baixinho e um sorriso carinhoso surge no rosto de Yasmin
   — Luciana?
   — Jonas.
   — E por último, Jaqueline?
   — Jonas também. 
Ronaldo se vira para o quadro.
   — Vamos somar. Laís tem... oito votos, Yasmin... dez. Jonas... sete. — Ele olha para a turma. — Yasmin, você é a líder da sala e Laís, você é a vice. 
Boa parte da turma comemora e Yasmin olha para Jonas e diz:
   — Quem sabe na faculdade, Jonas? 
   — Vai se f*der — rebate o garoto e a loira manda um beijo para ele. 
   — Agora vamos para a votação do professor padrinho. 
Depois de todos votarem, a professora de inglês é escolhida a madrinha da sala. 

Duas horas depois, Mel deixa o shopping com os braços repletos de sacolas das lojas Chanel, Enjoy, John John, Red Valentino e Burberry. Enquanto se encaminha para o carro, o fotógrafo que a seguiu durante todo o passeio se aproxima.
   — Mel! Mel! — chama. — Posso dar uma palavrinha com você? 
A morena abre a porta de trás do carro onde começa a colocar as sacolas, ela olha para o paparazzi e responde:
   — Olá. — Mesmo depois de muitos anos nessa posição, ela não se sente confortável com a câmera focada nela.
   — É verdade que você e o Chay estão se separando? — pergunta o rapaz. Mel finge não ouvir pois não sabe o que responder. — É verdade, Mel? — ele insiste.
Ela termina de guardar as sacolas e bate a porta do carro, arrumando os óculos escuros em seu rosto angelical. 
   — Não quero comentar sobre isso — diz abrindo a porta do motorista. 
   — Então é verdade? — pergunta o paparazzi se aproximando ainda mais do carro. — Vocês estão mesmo em crise?
Mel fecha a porta do carro, dizendo:
   — Não. 
O rapaz bate no vidro, indagando:
   — Então por que vocês não estão mais sendo vistos juntos? Estão falando até que ele vai sair de casa!
Mel liga o carro querendo mais do que tudo sair dali. 
   — Por favor, dá licença — pede abrindo um pouco a janela.
   — Custa responder, Mel?
   — Eu já respondi. Agora dá licença, por favor. 
O rapaz continua apoiado na janela do carro.
   — Por que você acha que as pessoas estão comentando sobre isso, Mel?
   — Não sei. Dá licença — ela pede tentando manter a compostura. 
   — Só mais algumas respostas. 
   — Moço, por favor, estou tentando ser educada com você. 
   — Só estou cumprindo o meu trabalho — rebate o rapaz.
   — Sim, e eu já te respondi. Respeita o meu espaço também!
O paparazzi se afasta centímetros para ajustar a câmera e Mel se aproveita da oportunidade para dar partida no carro. 

Na saída do colégio, Yasmin se aproxima de Lorenzo.
   — Obrigado por ter votado em mim — ela diz.
   — De nada — ele responde olhando para os degraus enquanto desce. 
   — Eu vi um quadrinho do Capitão América esses dias e lembrei de você — comenta a loirinha. 
   — É? Legal!
Eles caminham lado a lado para a saída do colégio. Um grupinho de alunas do segundo ano veem os dois passando e uma delas diz:
   — O que a Yasmin está fazendo com aquele zé-ninguém? 
   — Sei lá — responde a outra. — Enquanto ela está com ele, o Victor deve estar sozinho.
Elas riem.
   — Quem dera eu passar alguns minutos com ele — comenta a terceira. — Imagina ele falando com aquele sotaque no meu ouvido?
Todas suspiram e depois riem. 
   Quando já estão chegando no portão, Yasmin pergunta:
   — Você é assim mesmo ou a minha companhia que é chata?
   — Hã?
   — Tipo, você nem olha para mim enquanto a gente está conversando e só responde com frases curtíssimas. 
Eles param na calçada.
   — Eu que sou assim, Yasmin — ele responde no mesmo tom baixo, porém olha para ela desta vez. 
   — Hum, entendi. Sabia que esse seu jeito meio nerd, meio tímido é fofo?
Lorenzo sorri levemente. 
   — Não.
   — Pois agora está sabendo, e olha que a minha opinião é muito importante nesse colégio. 
   — Obrigada. 
Saindo agora do colégio, Victor pergunta para os colegas:
   — O que a Yasmin tanto tem para conversar com esse moleque?
   — Ela parece gostar dele — responde Isabela.
   — Não vai me dizer que você está com ciúmes? — zoa Marina e eles riem. 
   — Óbvio que não — responde o loiro, porém lança um olhar atento na direção de Yasmin e Lorenzo. — Ele não é páreo para mim. 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 135: Mel recebe convite inusitado de Chay



Nícolas ergue a cabeça para enxergar o rosto da mãe, perguntando:
   — O que foi, mamãe? 
   — Nada, filho, nada — Luíza responde apressadamente. — Fica ali com a tia Mel, tá bom? 
   — Por quê? 
   — Não pergunta, Nícolas, só faz o que eu estou mandando. 
Nícolas solta a mão dela e se aproxima de Mel, que conversa com Lua. A morena passa um braço em torno dos ombros do menino sem fazer nenhum questionamento e continua conversando. Luíza desce os degraus da escadaria da igreja e se junta a Isabela e Augusto na calçada. 
   — O que você está fazendo aqui? — pergunta diretamente ao sogro. 
   — Luíza!? — se espanta o senhor. — O que você está fazendo aqui?
   — Não se faça de inocente — pede a psicóloga com rispidez. 
   — Vocês se conhecem? — Isabela pergunta com a testa franzida. 
   — Infelizmente — diz Luíza e volta a encarar Augusto. — O que você faz aqui?
   — Eu só estou perguntando o nome da rua a essa adorável garota. 
O sangue de Luíza ferve.
   — Para de mentir! O Daniel já não pediu para você ficar longe da nossa família? É difícil entender o recado?
   — O que está acontecendo aqui? — pergunta Isabela cada vez mais confusa, porém nenhum dos dois responde a sua pergunta. 
   — Eu não estou mentindo, Luíza — diz Augusto com calma. — Eu tenho mantido distância de vocês.
Luíza respira fundo, recobrando a compostura. Ela dá um passo na direção de Augusto, falando próximo do rosto dele: 
   — Olha aqui, eu vou ser clara com você. Se você continuar atrás da gente, vou dar carta branca para o Daniel fazer o que ele quiser. Você está entendendo o que eu quero dizer, não está? — pergunta de maneira ameaçadora e vê um lampejo de preocupação passar pelos olhos do antigo foragido da polícia. 
   — O Daniel não teria coragem de fazer nada contra mim. Eu sou o pai dele.
Luíza ri sem nenhum humor. Atrás dela, Isabela permanece atônita, completamente espantada com essa versão nada doce da tia. 
   — Exatamente por isso que ele faria, ele é seu filho. Querendo ou não, tem esse seu sangue ruim nas veias. Você só está aqui, enchendo a nossa paciência, por minha causa. Eu não quero que o Daniel se iguale ao seu nível. No entanto, se você continuar atrás da gente, eu vou lavar as minhas mãos. 
Augusto continua encarando Luíza ao dizer:
   — Se você não acredita na minha palavra, não posso fazer nada. 
   — O recado foi dado. 
Luíza pega na mão de Isabela e retorna para a porta da igreja. 

Quase na lateral esquerda da igreja, Yasmin recebe apoio de Victor nos degraus. Ela está sentada com ele ao seu lado.
   — Eu pensei que hoje fosse estar seca. 
Victor não consegue interpretar a frase dela.
   — Hã?
   — Ontem eu chorei tanto antes de dormir que pensei que fosse estar sem lágrimas hoje. — Ela funga.  Pelo visto eu estava errada.
Victor afaga o ombro dela.
   — Eu falei tantas vezes para você se acalmar e tal, mas eu mudei de ideia. Você precisa passar por esse momento, como dizem, você precisa viver o luto. 
   — Eu estou vivendo, ah como eu estou vivendo. — Yasmin volta a chorar. — Já é difícil passar por essa situação, agora passar por isso estando de TPM é horrível. A culpa não é minha por estar sensível.
   — TMP? O que é isso? 
Yasmin encara Victor sem acreditar que ele fez esta pergunta.
   — Tensão pré-menstrual, Victor — responde em tom de obviedade. 
   — Ah, PMS — fala com a sigla em inglês. — Entendi. 
   — Eu nunca tive a curiosidade de saber como é TPM em inglês, é PMS? O que quer dizer? — pergunta a loirinha ficando mais tranquila. 
   — Premenstrual syndrome, tem gente que fala PMT de premenstrual tension. 
   — Interessante. — Victor levanta e oferece suas mãos para Yasmin. — Vem, vamos para o carro.
   — Você vai com a gente? — pergunta a adolescente se levantando com a ajuda dele. 
   — Não, você é que vai com a gente. 
   — Sério?
   — Sim, você vai comigo e com os meus pais, a Isabela vai com o Felipe e os pais dele e a Marina vai com o Vinícius com os pais dele. 
   — Que troca-troca — comenta Yasmin enxugando as lágrimas. 

Ao alcançarem o último degrau da pequena escadaria, Isabela pergunta para Luíza:
   — Tia, a senhora pode me explicar o que foi aquilo?
A esposa de Daniel solta um suspiro e passa a mão no cabelo antes de responder.
   — Aquele homem é pai do Daniel.
   — Eu ouvi.
   — Então, ele estava fora do país e agora voltou decidido a arrancar dinheiro do filho. É óbvio que o Daniel não vai entregar nenhum tustão para ele e por isso ele fica atrás da gente. 
   — Não é mais fácil dar um dinheiro para ele? Afinal, ele é o pai do Daniel. Talvez só esteja precisando de ajuda.
Luíza ri.
   — Ai, Isabela, você não sabe nem um terço dessa história. Você acha que se essa fosse a melhor solução a gente já não teria tomado? Esse cara é um parasita. — Ela umedece os lábios. — Desculpa por te fazer presenciar aquela cena horrível. Você sabe que eu não me comporto sempre assim. 
Isabela sorri.
   — Fica tranquila, tia. Na hora, confesso que fiquei assustada, mas eu sei que você não reagiria daquele jeito se tivesse outra opção. 
   — Exatamente. — Luíza olha para a rua, se certificando de Augusto já foi. — Eu só queria saber porquê ele veio até aqui. Deve estar aprontando alguma, não tenho dúvidas. 
   — Ele é perigoso?
   — Não tanto — responde Luíza tentando não amedrontar a sobrinha. Isabela assente, sem saber se acredita ou não.
   — Bom, vou atrás do Felipe. Ele está sofrendo bastante com tudo isso.
   — Se ele precisar de apoio, estou a postos. 
As duas sorriem.
   — Melhor psicóloga não há — diz Isabela se afastando. 

Preferindo ficar sozinho, Felipe aguarda seus pais no carro. Isabela caminha até o veículo e dá uma batidinha na janela de vidro escuro, tendo certeza que o namorado está lá dentro apenas porque o viu entrando, pois não consegue enxergá-lo através da janela. Felipe abre a porta e Isabela entra. No interior está frio devido ao ar-condicionado. 
   — Vim ficar com você — fala Isabela pegando na mão dele.
   — Obrigada — responde o jovem não querendo dizer que prefere ficar sozinho. 
   — Quer conversar? Ouvir alguma música? — sugere Isabela.
   — Não, quero só ficar aqui em silêncio. 
Isabela assente e Felipe a abraça, a envolvendo com os seus braços compridos. Ao contrário do que pensava minutos atrás, ele passa a se sentir melhor com a namorada por perto. 

Luíza caminha até Mel e Lua.
   — Eu já falei com a Sophia e com a Branca lá dentro, então estamos indo.
    Ok — responde Mel. — Depois dá uma passadinha lá em casa, estou querendo conversar com você. 
   — Pode deixar. 
Luíza pega na mão de Nícolas.
   — Tchau — diz Lua.
   — Até logo! — fala Luíza se afastando. Ela e o filho andam até o carro de Daniel, que está parado do outro lado da rua. Ela abre a porta traseira e coloca Nícolas na cadeirinha. — Nós precisamos conversar — diz ao esposo quando se senta no banco do passageiro.
   — O que houve? — questiona Daniel dando partida no veículo. Luíza olha pelo retrovisor e percebe que Nícolas está entretido com o desenho que passa na tv que está atrás de seu banco. 
   — O Augusto esteve aqui. 
   — Como é? 
Luíza conta para ele a história da aparição repentina do pai dele. 
   — Eu o ameacei, mas não sei se fez efeito.
   — Ele está armando algo, agora eu não tenho dúvidas. O que ele faria aqui, justamente quando nós estamos saindo da missa? 
   — É o que eu me perguntei. 
A mente de Daniel trabalha com rapidez, buscando respostar para as suas perguntas. 

O domingo passa lentamente e as famílias Rocha, Aguiar e Borges não deixam suas casas depois que chegam da missa de sétimo dia. Na manhã seguinte, todos despertam cedo para irem ao trabalho e ao colégio. 
   Quinze minutos antes de bater o sino para a entrada, Malu chega na escola. A noite de sábado ainda está muito presente em seus pensamentos e desde então ela não falou nem com Mayara e nem com Samuel. Após passar no banheiro, enrolando mais que o necessário, se dirige ao primeiro andar. Na escada encontra com a sua melhor amiga, Graziele, que também está chegando.
   — Ainda bem que você apareceu — comemora. 
   — Hoje tem aula e eu não estou doente, é meio óbvio que eu apareceria — responde a ruiva sorrindo. — Bom dia. 
   — Bom dia — deseja Malu apressadamente. — Eu não queria entrar na sala sozinha.
Graziele termina de subir as escadas com Malu e caminha até o corredor das salas de aula.
   — Como assim? Desde quando você tem medo da nossa sala?
   — Não tenho medo da sala, e sim das pessoas que eu vou encontrar lá.
   — Malu, do que você está falando? 
   — Eu não quero ver nem a Mayara nem o Samuel.
   — Isso tem a ver com a sua saída repentina da festa da Maísa? Porque até agora a senhorita não quis me explicar o motivo disso.
   — Na hora do intervalo eu te conto, agora não me deixa sozinha, por favor. Eu não quero falar com eles.
   — Eu nunca te vi assim, Malu, deve ter acontecido uma coisa bem séria. 
A morena assente e respira fundo, se preparando para entrar em sua sala de aula. Quando passa pela porta, seguindo Graziele constata que Mayara ainda não chegou, mas para o seu desagrado, vê Samuel no fundo da sala, sentado em sua carteira conversando com Jonas. Lamentando por sentar na carteira da frente da dele, ela obriga os seus pés a se dirigirem para o fundo da sala. 
   — Bom dia — cumprimenta Jonas sorrindo. Ela estranha a simpatia dele, pois qualquer relação educada passa longe deles dois. 
   — Bom dia — responde ajeitando a mochila na mesa.
   — Pensei que você fosse cumprimentar o Samuel com um selinho — diz Jonas dando um sorriso travesso. Malu sente o sangue subir para a cabeça e olha na direção dos dois, fixando o seu olhar em Samuel.
   — Não acredito que você contou para ele. 
O garoto apenas dá de ombros, mantendo o rosto impassível. 
   — Ah, qual é, Maluzinha? Nós dois somos amigos, você esperava que eu não ficasse sabendo? — provoca Jonas. 
   — Se você não calar essa boca, juro que vou socar a sua cara — ameaça Maria Luíza encarando Jonas. Graziele se aproxima do trio, parando atrás da melhor amiga. 
   — Foi desse jeito que você conquistou o meu amigo aqui? — Jonas não desiste e Malu tenta cumprir com a sua palavra, mas Samuel se mete entre eles.
   — Malu, não! — pede segurando o braço dela. Os olhares deles se encontram e ele pede mais baixo: — Não faz isso. 
   — Beija logo — diz Jonas empurrando Samuel para Malu. Ela recua e ele se apoia na cintura dela para não cair no chão. 
   — Tira a mão de mim. — Maria Luíza empurra as mãos de Samuel e se vira para sair da sala, dando de encontro com Graziele. — Ai, Grazi — reclama passando pela ruiva. 
   — O mundo amanheceu do avesso — comenta Graziele e segue a amiga para fora da sala. Do outro lado da sala, sentada em uma carteira da parede, Mayara observa a cena. Ela chegou instantes depois de Malu e não foi notada pela morena e sua amiga. 

Maria Luíza passa praticamente voando por Yasmin e Felipe que caminham lado a lado no corredor.
   — A Malu já está atacada desde cedo — comenta a loirinha com o irmão. Os dois ainda estão bem desanimados devido ao dia anterior. 
   — É. — Ele se lembra de um assunto do qual queria tratar com Yasmin. — E o plano como está?
   — Melhor impossível! A Marina rackeou o twitter da Anabela e mandou a DM para o Jonas. Como as últimas conversas dela por DM foram ano passado, tudo indica que ela não costuma usar esse meio, por isso não vai desconfiar de nada.
   — Mas a Marina não hackeou o twitter? 
   — Sim, mas ela voltou para a senha antiga.
   — Tem como fazer isso?
Yasmin dá um leve sorriso.
   — A anta da Anabela escreveu a senha em uma DM para uma de suas amigas para o caso dela esquecer. 
Felipe ri e entra na sala.
   — Tem pessoas que facilitam a ação de outros.
   — Pois é. — Ela se aproxima ainda mais do irmão. — Hoje na hora da educação física, eu vou finalizar o plano.
   — Como assim? O que você vai fazer?
   — Depois eu te conto — diz Yasmin antes de partir para o seu lugar no fundo da sala. Minutos depois chegam Isabela e Vinícius e logo depois Marina e Victor. 

Aproveitando a segunda-feira de folga, Mel decide sair para fazer compras. Por volta das nove e meia da manhã, estaciona o seu carro no estacionamento de um shopping center e entra no espaço de luxo. Caminhando pelos amplos corredores, analisa as vitrines sem notar a presença de um rapaz com uma máquina fotográfica nas mãos a alguns passos de distância. Seu celular toca em sua mão e ao olhar para o identificador de chamadas, enxerga o nome de Chay juntamento com a foto de seu esposo.
   — Oi, Chay — fala ao atender. A empresária, que estava parada em frente a vitrine de uma joalheria, retoma a caminhada.
   — Mel, eu preciso de um favor seu. 
   — Que favor?
   — Amanhã vai ter um jantar com um grande empresário do ramo e ele me convidou. O meu agente disse que seria muito interessante para os meus negócios se você fosse comigo. 
   — Hã? Como assim, interessante?
   — Ele acha que com a nossa imagem, o cara pode entender como eu sou bem sucedido, tanto na minha vida pessoal quanto na profissional e assim percebe que fechar negócio comigo pode ser muito vantajoso. 
   — Bem sucedido na vida pessoal e profissional? Você não acha que esse empresário não está sabendo dos boatos na nossa separação? — pergunta Mel parando em frente a vitrine da loja Chanel. 
   — Não sei, mas concorda que se ele visse a gente juntos com certeza acharia que são apenas boatos mentirosos? 
Mel pensa na suposição dele.
   — Faz sentido.
   — Então, eu preciso fechar negócio com ele, porque ele é muito bom na área. É um dos maiores contratantes de shows do país! A minha turnê não reclamaria nem um pouco de ser prolongada — ele ri levemente. Mel avalia suas opções.
   — Não sei, não. A gente está se separando, Chay. Não sei se seria confortável para mim ficar nessa posição.
   — Por que não, Mel? Nós não teríamos que nos beijar nem algo do gênero, você seria apenas a minha acompanhante. Por favor — ele pede com gentileza. Mel suspira e responde:
   — Tudo bem. Pode confirmar minha presença! — Ela praticamente ouve o sorriso que Chay dá do outro lado da ligação.
   — Obrigada, é por isso que eu te... — ele engole a palavra "amo", completando: —... admiro. 
Mel fecha os olhos, buscando permanecer firme, pois sabe muito bem como ele terminaria a frase caso eles não estivessem nessa situação. 
   — A gente se fala mais tarde — diz ao desligar. Ela fica encarando o celular por alguns instantes, depois respira fundo e entra na loja da Chanel. 

Sentados em uma mesa da lanchonete do colégio, aproveitando o intervalo, Malu, Graziele e Thiago conversam. A morena conta para o casal o que aconteceu na festa de Maísa.
   — Não acredito que você ficou com o Samuel! — exclama Thiago quando ela termina de falar.
   — Isso, grita — censura Malu em tom de ironia. 
   — NÃO ACREDITO... — começa Thiago, mas Graziele dá um chute na canela dele por baixo da mesa. — Filha da p*ta — ele xinga massageando o local onde foi acertado.
   — Para de graça — pede a ruiva e volta a olhar para Malu. — Uau, que barra.
   — Mas eu não entendi uma coisa — diz Thiago comportado. — Por que a Mayara interrompeu o beijo de vocês?
Malu e Graziele trocam um olhar de cumplicidade, na hora que Malu contou que viu Mayara e Vanessa se beijando, Thiago não estava na mesa pois tinha ido buscar salgados para eles.
   — Ciúmes de amiga — responde Graziele.
   — Ciúmes de amiga? Existe isso?
   — Exite — confirma Malu.
   — Você tem isso? — ele pergunta para a namorada.
   — Não, a maioria das meninas não têm. 
   — Entendi. 
   — Então — prossegue Malu — agora eu não sei o que fazer.
   — Primeiro, nunca mais beije o Samuel — aconselha Thiago e cai na gargalhada. Graziele e Malu se olham novamente e reviram os olhos.

A próxima aula depois do intervalo é de educação física e todos os alunos vão para o ginásio. Quando o professor, Ronaldo, divide a sala em quatro times para partidas de vôlei, Yasmin agradece mentalmente por ter ficado para o próximo time. Ela senta na arquibancada junto com Maísa, Laís e Victor. 
   — Vou agir — diz para Victor.
   — Vai finalizar o plano? — pergunta o loiro.
   — Exatamente.
Ele sorri e Yasmin levanta, caminhando até o professor.
   — Professor — chama. — Posso ir lá na sala? Esqueci minha garrafinha de água e está muito quente pra ficar sem ela.
   — Ok, vai — responde Ronaldo de má vontade. Yasmin sai do ginásio sorrindo e vai para a sua sala de aula. Quando entra no local, fecha a porta e corre até a carteira de Jonas. Ela mexe na mochila dele e entra o que procurava: o celular. 
Sorrindo diabolicamente, ela analisa a tela, encontrando marcas de dedo no caminho do padrão. Seguindo as marcas, ela desenha o padrão e desbloqueia a tela. 
   — Genial! — comemora. Em seguida escreve a mensagem:
Anabela, aqui é o Jonas Amorim, não sei se você se lembra mim, nos vimos ano passado na festa de encerramento do colégio do seu pai. Desde então não me esqueço de você, gostaria de te encontrar no endereço logo abaixo. Espero que você vá! PS: Para deixar as coisas mais divertidas, peço para que você finja que está me conhecendo lá. Um beijo!
Yasmin digita o endereço do restaurante e o seu sorriso aumenta ao tocar em "Enviar".