domingo, 28 de junho de 2015

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 228: Yasmin é amparada por Victor e Marina



Posteriormente à saída de Marina da sala de visitas, o doutor Mário surge para informar aos pais e amigos de Thiago o estado em que ele se encontra. Todos levantam quando ele passa pela porta e Fernanda pergunta com desespero:
   — Como está o meu filho? 
Os olhos inchados e vermelhos de Graziele estão fixos no rosto do médico e ela se apoia em Malu, que olha apreensivamente para o homem. 
   — O Thiago está na Unidade de Tratamento Intensivo, recebendo o suporte necessário. Vamos lá — ele diz cruzando as mãos na frente do corpo —, o que foi que o Thiago teve? Vocês devem ter ficado sabendo que ele entrou em coma alcoólico, que acontece quando a pessoa ingere uma quantidade muito grande de álcool em um curto período de tempo. Como o amigo dele relatou para a equipe, ele foi encontrado desmaiado e com vômito ao redor. O que eu posso dizer a vocês é que o Thiago teve muita sorte! — Os presentes na sala estão concentrados nele, que prossegue com tranquilidade: — Porque as chances dele se asfixiar com o vômito eram muito grande. 
   — E como vai ser agora? — pergunta Mateus com um braço em torno da cintura da esposa. 
   — Bom, nós estamos retirando esse excesso de álcool do corpo dele e será administrada glicose intravenosa. Se tudo ocorrer bem, ele vai recobrar a consciência em breve e ficará em tratamento até se recuperar do acontecido. 
   — Quantos dias mais ou menos? — Felipe indaga.
   — De cinco a sete, caso não aja nenhuma complicação. — Mário olha para Fernanda, Mateus, Larissa e Henrique. — Quem são os pais dele? 
   — Nós — responde Mateus. 
   — Ah sim. Eu gostaria de ter uma palavrinha com vocês a sós. 
Mateus prepara-se para caminhar para fora da sala, porém Fernanda permanece imóvel.
   — Pode falar aqui — diz com receio de não conseguir caminhar devido suas pernas bambas. — Todos são de minha inteira confiança. 
Mário assente e respira fundo.
   — Eu queria alertá-los para a saúde do filho de vocês. O Thiago tem apenas dezessete anos, ele não pode levar uma vida de festas e bebedeiras, porque uma hora isso pode acabar mal. E eu não estou referindo-me a um coma alcoólico. 
Fernanda morde um lábio, as lágrimas escorrem por suas bochechas e sua garganta fecha. Mateus assente e diz:
   — Nós temos consciência disso. O Thiago vai a algumas festas, mas não é acostumado a beber desse modo. Nós não o criamos assim.
Isabela e Malu trocam um olhar enquanto Graziele apenas chora em silêncio com a cabeça abaixada. O médico analisa atentamente os rostos de Fernanda e Mateus e comenta ficando repentinamente mais sério:
   — Quando eu vi o estado clínico do Thiago, eu pensei uma coisa sobre vocês. Agora que estou aqui, conversando com vocês, veio-me uma dúvida. 
   — Que dúvida? — pergunta Fernanda com o queixo trêmulo. 
Mário luta com as palavras, mas não encontra forma melhor para perguntar:
   — Vocês sabem que o filho de vocês é fumante?
Vinícius aperta a própria coxa, Felipe estreita os olhos, Isabela prende o ar e Malu aperta ainda mais a cintura de Graziele, com receio de que a ruiva caia. 
   — Eu não queria que eles soubessem assim — sussurra Graziele para Malu. 
   — Fumante? — repete Mateus atônito. — Eu... eu não fazia ideia. — Ele olha para a esposa. — Você sabia disso, amor? 
Fernanda está desamparada e chora convulsivamente.
   — Eu vi ele fumando uma vez no começo do ano passado, mas ele falou que ia parar e nunca mais eu vi mais nada. — Ela coloca a mão na boca, tentando controlar as lágrimas — Apenas uma vez que encontrei um masso no quarto dele, mas o Thiago disse que era antigo. Eu acreditei!
Os adolescentes olham comovidos para a empresária e Graziele sente-se imensamente culpada.
   — Eu não queria dizer isso para vocês — lamenta Mário —, mas é a realidade.
   — Você sabia disso, filha? — Henrique pergunta para Graziele.
A adolescente não consegue olhar para o pai e afirma com a cabeça.
   — Meu Deus! — exclama Larissa horrorizada. 
Graziele ergue a cabeça e diz aos prantos:
   — Só que ele já parou. Faz meses que o Thiago não fuma!
   — Como? — pergunta Mário. 
Com a voz vacilante, ela repete:
   — Ele parou de fumar. 
O médico aperta a ponta do nariz e Vinícius sente não não virá coisa boa. 
   — Eu novamente não queria dizer isso — começa Mário —, mas os exames feitos no Thiago apontam que ele é um fumante ativo. 
   — Não pode ser — diz Isabela.
   — Aliás — Mário leva a mão ao bolso do jaleco e tira um objeto de lá —, isso foi encontrado no bolso da calça dele. 
Os adolescentes ficam chocados ao verem uma caixa de cigarros na palma da mão de Mário. A namorada de Thiago continua fitando Mário e aos poucos os cantos de suas vistas vão escurecendo até tudo mergulhar na escuridão.
   — Grazi! — diz Malu apavorada, mas não consegue impedir que a amiga caia no chão.

Quando está retornando da lanchonete para a sala de visitas, Marina encontra com o irmão gêmeo. 
   — Viu algum fantasma? — ela pergunta parando de frente para ele.
   — Você sabe que eu não acredito nisso. Por que da pergunta? 
   — Você está pálido pra caramba. — A morena sente que o irmão está meio perturbado. — Aconteceu alguma coisa?
   — Você também sabia que o Thiago fuma, né? 
Marina assente quase que imperceptivelmente. 
   — Ótimo — fala o loiro pegando no pulso dela —, vem comigo. 
   — Como assim, Victor? — indaga Marina sendo arrastada por ele até o corredor.
   — A Yasmin está se sentindo culpada pelo o que aconteceu com o Thiago.
   — Que história é essa?
   — Ela fez um acordo com o Thiago que se ele não contasse até o final do mês para os pais dele que ele fuma, ela contaria. Agora ela está achando que ele foi pra festa beber porque estava se sentindo pressionado e deu no que deu. 
   — Nossa! E aonde eu entro nisso?
   — Você também sabia que ele fumava, tenta tirar isso da cabeça dela.
Eles viram em um corredor e Victor continua andando rápido.
   — Por que você mesmo não faz isso?
   — Eu já tentei, mas ela não me ouve. Então eu resolvi buscar uma água para deixar ela mais calma, mas encontrei você. Acho que foi uma troca boa.
   — Se você que é você não conseguiu, você acha que eu consigo?
Victor dá de ombros e diminui o passo.
   — Não custa nada tentar. Olha, ali está ela.
Marina olha para as cadeiras no corredor e enxerga Yasmin em uma delas. A loirinha chora olhando para os próprios pés e não nota a aproximação deles.
   — Caramba — surpreende-se Marina. — A única vez que eu vi ela chorar assim foi quando o avô dela morreu.
   — Pois é. Dá seu jeito!
   — O namorado dela é você, não eu.
   — Marina, colabora — pede Victor e a garota respira fundo.
   — Ok, vamos lá.
Os gêmeos sentam cada um de lado de Yasmin.
   — O que... — Yasmin não termina sua frase e tenta levantar, porém Victor segura em seu braço.
   — Ela quer falar com você — ele diz com a voz suave.
   — Mas eu não quero falar com ninguém.
   — Yasmin — fala Marina —, eu entendo o que você está sentindo.
   — Não, você não entende — discorda a loirinha olhando para baixo, sentindo-se envergonhada por estar nessas condições.
   — Entendo, sim. Acontece que você não tem culpa. Nenhum de nós têm. Infelizmente, isso o que aconteceu foi o resultado dos atos do Thiago. 
Yasmin esconde o rosto entre as mãos e pede:
   — Eu só quero ficar sozinha. Não quero ouvir ninguém falando que eu não tenho culpa, que eu não sou responsável... Eu só quero ficar sozinha. — Ela soluça. — Por favor. 
Marina, emocionada, olha para o irmão, pedindo com o olhar para que eles atendam o pedido de Yasmin. No entanto, Victor sacode a cabeça e coloca uma mão no joelho de Yasmin.
   — Eu não vou te deixar sozinha aqui. Não adianta você pedir, implorar. Eu não vou te deixar sozinha, Yasmin. — Sua namorada continua chorando e ele olha para Marina, indicando para ela continuar.
Relutante, a morena fala:
   — Se fosse para alguém se culpar, esse alguém deveria ser eu. — Os olhos dela ficam marejados. — Eu fui a primeira a descobrir que o Thiago continuava fumando, mas eu preferi me calar, respeitar a decisão dele. Você pelo menos tentou dar uma solução para esse problema, eu não. — Ela também coloca uma mão no joelho da loirinha. — Yasmin, você fez o que você achava que era certo, você pensou em ajudar o Thiago. Não fica se culpando ou achando que você provocou tudo isso. Uma hora ou outra isso aconteceria ou então... só Deus sabe como os pais dele descobririam.
   — A Fernanda e o Mateus já sabem? — indaga Yasmin tirando as mãos do rosto.
   — Não — Marina responde o que sabe. — Só que você não acha que os médicos não perceberão que ele é fumante? 
Yasmin abaixa a cabeça e desabafa:
   — Eu não queria que isso estivesse acontecendo com o Thiago. Ele sempre foi um garoto tão bom, tão legal. — Ela ergue a cabeça. — Por que, Deus? Por quê?
Victor abre a boca e Marina percebe que ele vai fazer um comentário ateísta, por isso intercepta:
   — Era pra acontecer. 
A loirinha balança a cabeça, abalada, e apoia a cabeça no peito do namorado, que a abraça.
   — Fica calma. — Ele acaricia o cabelo dela e abaixa a cabeça para falar próximo ao seu rosto. — Fica calma, tá?
Marina fica sensibilizada pelo estado de Yasmin e espantada pelo jeito tão doce que o irmão trata a namorada. Após alguns minutos, a loirinha acalma-se e pede:
   — Não comentem isso com ninguém. Sério, com ninguém mesmo! — Os gêmeos assentem e ela levanta. — Eu vou lavar o rosto para a gente voltar lá para a sala.
Quando fica sozinha com o irmão, Marina comenta:
   — Nunca pensei ver você sendo tão carinhoso com alguém.
Victor dá de ombros.
   — Não é nada demais. 
Ela sorri e funga o nariz:
   — Victor? Sério que você não percebe como você muda da água para o vinho com a Yasmin? Ainda mais quando ela está fragilizada.
   — Agora você virou especialista em comportamento humano?
   — Ok, não está mais aqui quem falou. 

Lentamente, Graziele vai recobrando a consciência e se dá conta de que está deitada em uma cama hospitalar.
   — Oi, meu anjo — Larissa fala caminhando até a cama da filha. 
   — Mãe, o que eu estou fazendo aqui? 
   — Você desmaiou depois da conversa com o médico. 
Os olhos de Graziele enchem-se de lágrimas.
   — Eu queria continuar dormindo. 
   — Não fala isso, filha — pede a empresária pegando na mão dela. 
   — O Thiago vem mentindo pra mim durante esse tempo todo, mãe! Como... como ele pôde? — Ela começa a chorar. — Poxa, eu pensei que eu estivesse ajudando ele a sair dessa, a... a superar isso. Foi tudo uma mentira mãe!
Larissa, também emocionada, opina:
   — Esse não é o melhor momento para pensar nisso. Ele está precisando de toda a nossa energia. 
   — Eu sei — fala Graziele. — Eu só quero que ele saia dessa bem, mas... eu estou tão decepcionada com ele. Nós somos namorados, não deveria ter segredos entre a gente e agora eu descubro que ele estava me fazendo de boba!

Juntos em um mesmo sofá, Isabela, Felipe e Vinícius conversam sobre o que foi dito por Mário.
   — Eu jamais esperaria isso do Thiago — fala Isabela. — Caramba, a gente achando que ele tinha parado!
   — Ele escondeu muito bem — Vinícius diz.
   — Sim! Muito — concorda Felipe. — Agora, que todo mundo já sabe, parece que realente não era só um momento. 
   — A gente fechou os olhos para isso e olha no que deu — Isabela comenta.
   — Não tinha como a gente prever nada — Felipe discorda. 
   — Do que vocês estão falando? — pergunta Marina chegando junto com o irmão e Yasmin. Logo quando olham para Yasmin, o trio nota que ela esteve chorando, porém não compreendem muito bem o motivo, pois sabem que a loirinha não se comove facilmente. 
   — O médico disse que o Thiago nunca parou de fumar. 
Nenhum dos três reage com espanto, apenas com desânimo.
   — Vocês já sabiam disso? — indaga Isabela.
   — A gente conversa depois — fala Victor. 

Horas passam-se e os jovens vão para suas casas. Victor descansa na cama de Yasmin e ela sai de seu closet usando um robe por cima da lingerie. 
   — Vai ficar aqui? — pergunta a garota deitando ao lado dele.
   — Tem algum problema? — retorque Victor abrindo os olhos. Ele não consegue não cobiçar o corpo dela com o olhar e Yasmin finge não ver.
   — Tem, eu acabei de tomar banho e você ainda está cheirando a hospital.
   — Nossa, ok, me chamou de fedido. — Ele senta na cama e começa a calçar os tênis. — Depois dessa eu vou embora.
Yasmin sorri e segura no ombro dele. Victor olha para ela, que diz:
   — Obrigada por hoje.
   — Não precisa agradecer. 
   — Mas eu agradeço. Você e a Marina me ajudaram bastante.
Ele sorri.
   — Isso é uma bandeira branca para ela?
   — Isso é apenas um agradecimento. Ela foi legal comigo hoje. Hoje.
Victor sacode a cabeça, ainda rindo.
   — Vocês duas não têm jeito. 
   — É. 
Ele termina de se calçar e dá um beijo nela.
   — Qualquer coisa me liga — diz indo em direção à porta.
   — Tá bom!
Victor sai e Yasmin fecha as cortinas para dormir durante a tarde. 

Assim que chegaram do hospital, Marina e Vinícius solicitaram um lanche para as empregadas. Os dois passam pela porta principal da mansão, carregando pipoca e suco, e caminham até poltronas almofadadas no jardim.
   — Você vai contar para o pessoal o lance do sonho? — pergunta Marina sentando com o balde de pipoca. Ela tira os pés do chão, cruzando as pernas na poltronas. 
   — Acho que não — Vinícius responde sentando perto dela. — Não quero que ninguém ache que eu tenho algum talento sobrenatural. 
Marina solta um leve suspiro e come um pouco de pipoca.
   — Mas você não acha que...
   — Marina, não — corta o rapaz. — Eu posso ser um pouco mais sensível para essas coisas do que as outras pessoas, mas isso não significa que eu tenho algum talento. 
   — Eu sei, mas você sempre sente essas paradas, amor. Talvez se você procurasse alguém que entende disso. 
   — Não! Eu já sei o que eles diriam, que eu tenho um dom e que posso desenvolvê-lo. Eu não quero isso. 
   — Não tem como você prever nada — ela diz de boca cheia. — Só indo para ver.
   — Mas eu não quero ir — encerra Vinícius e dá um gole no suco.
Marina assente.
   — Tudo bem, se você quer assim. 
Eles ficam alguns segundos em silêncio, até Vinícius abordar um assunto que não queria muito tocar.
   — E você e o Brian? — indaga.
   — O que é que tem? — Marina desconversa olhando para os arbustos do jardim.
Vinícius enche a mão com pipoca e começa a comer, falando:
   — Não precisa ter talento sobrenatural nenhum para saber que vocês dois brigaram.
   — Como assim?
   — Vocês nem se olharam desde que a gente chegou.
Marina demora para responder.
   — É que a gente discutiu por causa da Jaqueline.
   — Sério? Por quê?
   — Porque eles ficaram, né Vinícius?
   — E o que é que tem nisso?
Ela enche a boca de pipoca para ter tempo para organizar melhor os seus pensamentos.
   — Eu não quero que ele se aproxime daquela garota — finalmente responde. — Ela é uma babaca e o Brian não merece isso.
   — Acho que ele é bem grandinho, pode decidir com quem quer se relacionar.
   — Eu sei, mas ele não conhece a Jaqueline como a gente conhece.
   — Então dê uma chance para ele conhecer — responde Vinícius com tranquilidade.
Marina sacode a cabeça e come mais um pouco de pipoca.
   — Ele insinuou que eu estava com ciúmes dele — conta ainda com a boca cheia. 
   — É?
   — Sim. Isso me deixou ainda mais p*ta.
   — Por quê? — Vinícius indaga esticando o braço para pegar mais um punhado de pipoca.
   — Porque não é verdade! — responde Marina ficando indignada. — Eu tenho namorado, é óbvio que eu não teria ciúmes dele. Não o tipo de ciúmes que ele quis dizer. 
   — Talvez os seus atos neguem o que você diz.
Marina fuzila o namorado com o olhar.
   — O que você quer dizer com isso, Vinícius? — indaga com a voz ameaçadora.
O garoto dá de ombros e bebe um gole de suco.
   — Só acho que você parece muito nervosa por um motivo banal.
   — Ai, será que vocês não compreendem? Eu não quero que ele fique com a Jaqueline porque ela é uma vadia e eu quero o bem dele, mas isso não significa que eu esteja com ciúmes dele. Existe uma grande diferença nisso. 
   — Tá, Mari, fica calma.
   — É que parece que vocês não entendem — ela lamenta. — Sabe o que eu acho? Que vocês dois ainda duvidam dos meus sentimentos.
   — Não entendi. 
   — Parece que os dois acham que eu ainda tenho algum sentimento de homem e mulher pelo Brian. 
   — Claro que não! Pelo menos da minha parte não. 
   — Talvez os seus atos neguem o que você diz — Marina imita o namorado. 
   — Ai, Mari, deixa isso para lá — pede Vinícius comendo mais pipoca. — Se acerta com o Brian, porque ele veio pra cá só para passar um tempo com você, então não fiquem brigando por causa da Jaqueline. Se ele quer ficar com ela, deixa. Você não pode controlar a vida do cara. 
Marina pensa um pouco.
   — Talvez você tenha razão.
   — É, eu tenho. 
Ela dá um leve sorriso e deita a cabeça no encosto da poltrona.
   — O dia nem acabou ainda e eu já estou exausta. 
Vinícius concorda com a cabeça e coloca um pé na poltrona.
   — É verdade. Aliás — ele bebe um gole de suco —, você vai me contar o que estava rolando entre você, o Victor e a Yas lá no hospital? 
   — É uma longa história.
   — Nós temos bastante pipoca ainda — ele brinca e dá um leve sorriso. Marina sorri com ele e começa a contar sobre tudo o que eles sabiam de Thiago. 

Reunidos no escritório dela, Isabela e Felipe contam os detalhes do acidente com Thiago para Mel. A empresária fica chocada com o fato dele fumar e diz:
   — Por essa eu não podia esperar. O Thiago... O Thiago, aquele bebezinho que eu cuidei como se fosse o meu filho. Como ele conseguiu esconder isso de todo mundo por tanto tempo?
   — Na verdade não foi de todo mundo que ele escondeu, mãe.
   — Como assim?
Felipe responde:
   — Nós já sabíamos.
   — E não contaram para ninguém? — indigna-se Mel. 
Como não quer ouvir um sermão da mãe, Isabela apressa-se em dizer:
   — A gente pensou que ele tinha parado meses atrás. Ele escondeu de todo mundo, até da Grazi. — Sua voz vacila ao falar o nome da amiga. — Ela chegou a desmaiar quando soube que ele ainda fumava, porque achava que tinha ajudado ele a sair dessa.
   — Nossa! — exclama Mel não chateada, mas entristecida. — Coitada da Graziele. E como o Thiago está?
   — Quando a gente saiu de lá ele ainda estava em coma, mas estável — conta Felipe.
Mel cruza as mãos e torce:
   — Que ele saia logo dessa!

O celular de Maria Luíza vibra no bolso de sua calça jeans. Ela alcança o aparelho e ignora a chamada de Samuel, caminha em seguida até a cama de Graziele, que está encolhida sob a coberta e chora.
   — Chora tudo o que você tem para chorar agora — fala massageando as costas dela.
   — A minha vida virou de cabeça para baixo de ontem para hoje. Você tem consciência disso? — indaga entre lágrimas. — Até de madrugada eu tinha uma vida considerada perfeita. Um namorado companheiro, que dividia tudo comigo, que estava enfrentando um problema ao meu lado. Hoje eu acordo e descubro que esse mesmo namorado está em coma depois de encher a cara em uma festa que eu nem sabia que ele ia e que estava mentindo pra mim durante meses. Que nenhum problema foi enfrentado, que ele continua levando um vício as minhas costas. Às costas de todo mundo!
   — Eu sei que é complicado. Eu também estou perplexa até agora. Eu pensei que o Thiago tinha saído dessa com a sua ajuda, mas... caramba!
Graziele continua chorando e se encolhe ainda mais.
   — O pior é que eu nem posso gritar, esbravejar com ele porque ele está correndo risco de vida. Mesmo estando muito triste e chateada com ele, eu só consigo pensar em quanto ele está sofrendo agora. O Thi precisa melhorar! 

Anoitece e Vinícius vai embora da mansão de Lua e Arthur. Após tomar banho e colocar roupas limpas, Marina desce para conversar com Brian. O americano está conversando com os pais dela na sala.
   — Eu não quero atrapalhar — fala em inglês —, mas eu preciso conversar com o Brian. — Ao receber o olhar dele, chama: — Vamos conversar lá fora.
Os dois saem e ficam na varanda, encostado em uma mureta na lateral do espaço. 
   — O que foi? — pergunta Brian.
   — Eu não vim aqui te pedir desculpas, porque não acho que o que eu fiz foi errado ou algo do gênero. Só que eu queria te dizer que não vou mais ficar pegando no seu pé por causa da Jaqueline. Se você quer mesmo fazer isso, ok, não vou me meter. 
Brian dá um leve sorriso.
   — Que bom. Eu não quero ficar brigado com você por causa de uma garota que eu acabei de conhecer — ele diz. — Eu vim para o Brasil porque queria matar as saudades de você e ficar um tempo contigo, não quero ficar brigando. 
Marina assente.
   — Eu também, porque... — Inesperavelmente para ambos, ela se emociona . — Depois que você for embora, nós vamos ficar mais alguns meses sem nos ver. 
   — Pois é — concorda Brian pegando na mão dela. — Por isso que a gente tem que deixar essas besteiras de lado para aproveitar o tempo que a gente tem junto. 
Ela dá um abraço apertado dele.
   — Sem neuras, sem brigas. 
   — Exato, minha brasileira americana. — Ele sorri e dá um beijo no cabelo dela. 

Vestida com uma calça moletom e um casaco de seu pai, Malu caminha de pantufa até a porta principal.
   — Ainda bem que deu para você vir — comenta dando espaço para Samuel entrar. 
   — Você falou que era importante, aqui estou — ele responde sorrindo, alheio de todos os fatos da festa e pós-festa.
   — Vamos sentar — ela chama indo até os sofás. Eles sentam um de frente para o outro e Samuel olha ao redor.
   — Cadê os seus pais? 
   — Saíram para visitar a Fernanda e o Mateus. 
   — Ah. Então, o que aconteceu? Você está parecendo tensa. 
Malu suspira.
   — É que eu tenho tantas coisas para te contar, que nem sei por onde começo.
   — Do início, que tal? — sugere o rapaz sorrindo.
Ela não sorri e fala:
   — Vou começar por um assunto importante, mas que não interfere muito na sua vida. 
   — Tá, diz aí.
   — O Thiago está no hospital em coma alcoólico.
   — Quê?
   — É — confirma a garota. — Ele foi para um outra festa depois da festa junina do colégio e encheu a cara lá até desmaiar. 
   — Car*lho!
   — Só que não para por aí.
Samuel fica espantado.
   — Tem mais coisa?
   — Sim. Ele não tinha parado de fumar coisa nenhuma, estava apenas escondendo isso de todos nós.
   — Sério? Até da Graziele?
   — É. — Ela passa a mão pelo cabelo, que está despenteado preso em um coque. — A Grazi está tão mal, tão mal. 
   — Posso imaginar. 
   — Pois é. Uma notícia era essa, agora a outra é mais séria na sua vida. — A morena sente um bolo no estômago ao imaginar no que está prestes a contar para o rapaz.
   — Fala, Malu — pede Samuel com toda a sua atenção concentrada nela.
   — Ontem, durante a festa, eu descobri uma coisa.
   — Aquela coisa muito séria que você falou antes da gente dançar?
   — Exatamente.
   — E tem relação comigo?
Ela assente.
   — Muita!
Samuel fica inquieto.
   — Ok, agora você me deixou curioso. O que você descobriu?
   — Sabe o Ben?
   — O garoto que você ficou, sei bem. — Malu luta com as palavras, que se embaralham em sua língua. — O que é que tem, Malu? Você descobriu alguma coisa dele?
   — Sim. 
   — E o que isso me envolve?
Malu morde o lábio com força e se remexe no sofá.
   — Eu não sei como te dizer isso.
   — Você está me deixando preocupado. 
   — Eu descobri ontem que... que... — Ela fecha os olhos e conta: — Que o Ben é o filho que o Elias teve fora do casamento.
   — Que conversa é essa? — Samuel indaga de imediato.
Malu abre os olhos e fita o rosto perplexo dele.
   — É a verdade.
   — Como assim, Malu? Explica isso direito!
Malu tenta controlar o nervosismo e começa a explicar:
   — O Ben nunca tinha me falado muito da família dele e eu nunca me importei com isso. Só que ontem, quando ele ouviu o nome do Elias, ele ficou espantado e perguntou se tinha escutado direito. Eu falei que sim e disse que o Elias é o seu pai, então ele saiu correndo.
   — Isso não quer dizer nada. 
   — Calma! Eu não terminei. Eu fiquei sem entender na hora, mas quando encontrei um amigo dele e contei que ele tinha saído correndo ao saber que o Elias era seu pai, esse amigo me contou que o Elias também é o pai dele. Hoje, eu me encontrei com o Ben e... e é tudo verdade mesmo. 
Samuel balança a cabeça.
   — Não consigo acreditar nisso.
   — Eu também não. 
   — Então aquele cara que eu quase atropelei e que estava ficando com você é... é o meu meio irmão?
Malu confirma com a cabeça.
   — Infelizmente sim. 

Na companhia de sua mãe, Graziele foi ao hospital para saber pessoalmente como Thiago está. Apenas Mateus está no local, pois Fernanda foi para casa tomar banho e descansar um pouco.
   — Alguma informação nova? — indaga a ruiva após cumprimentá-lo.
   — Sim! — responde Mateus um pouco menos desanimado. — O Thiago já saiu do coma e está consciente. Acho que nós poderemos visitar ele ainda hoje. 
Graziele fica feliz em saber que o namorado está fora de perigo, mas apreensiva ao pensar em vê-lo.
   — Está tudo bem, filha? — indaga Larissa analisando a expressão dela.
   — Está, eu só não sei como vai ser quando eu vir o Thiago depois de tudo o que aconteceu.
   — Está sendo muito difícil pra você, né? — Mateus pergunta.
   — Muito! — Os olhos dela ficam marejados. — Eu só quero que ele saia daqui bem, mas estou com medo do que acontecerá quando isso se tornar realidade.
   — Por quê?
Lutando contra o choro, Graziele desabafa:
   — Quando tudo isso acabar e eu e o Thiago sentarmos para conversar vai ser complicado, porque é duro pensar no que ele fez. Ele mentiu uma coisa muito grave e... e eu não consigo perdoar ele por isso. — Com lágrimas no rosto, completa: — Acabou. Quando o Thiago sair daqui, não tem como nós voltarmos a ser como antes. Não tem como a gente continuar namorando.