terça-feira, 16 de setembro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 129: Chay e Mel decidem contar sobre o divórcio para os filhos



Isabela fita Felipe com a boca entreaberta e o olhar inexpressivo. Depois de alguns instantes, diz:
   — Você sabe a minha opinião com relação a isso. 
Ele pega nas mãos dela.
   — Isa, esse garoto tem que pagar por tudo o que ele fez. 
   — Sim, eu concordo com isso, mas violência não leva a lugar nenhum. 
   — Tá. Então, pra você, como ele deve pagar?
   — Já ouviu falar de uma coisa chamada justiça divina? 
Felipe ri.
   — Desculpa, mas é assim que você quer que ele pague?
   — Eu acredito que o momento dele vai chegar — ela responde com tranquilidade. — Como diz o ditado, Deus tarda mas não falha. 
   — Eu não vou esperar a justiça divina. — Felipe solta as mãos dela e levanta. — Eu acredito na justiça com as próprias mãos. 
Isabela revira os olhos, tentando manter a paciência. 
   — Lipe, não faça nada que possa causar danos pra você. 
   — Pode acreditar que o dano maior vai ser do Jonas. 
Isabela levanta e se aproxima dele.
   — Eu vou ser clara com você — diz friamente. — Se você fizer alguma coisa contra o Jonas, o nosso namoro termina. 
Felipe ergue as sobrancelhas, totalmente surpreso.
   — Como é?

Com o carro estacionado em uma rua aleatória do trajeto para o seu condomínio Mel liga para o celular de Chay. Na terceira chamada, o cantor atende.
   — Oi, Mel.
   — Oi — ela responde olhando pela janela. — Onde você está?
   — Saindo da gravadora, por quê?
   — Eu queria saber como vai ser quando a gente chegar em casa.
   — Você está falando sobre o Vinícius e a Isabela?
   — Exatamente. 
Ela ouve um suspiro de Chay.
   — Você acha que a gente deve conversar com eles hoje?
   — Quanto antes melhor, você não acha? Eles precisam de uma resposta. 
   — É, eu sei que eles já estão percebendo como estão as coisas.
   — Então quando chegar em casa nós vamos contar?
   — Sim — responde Chay.
   — Tá. Até daqui a pouco. Beijos!
   — Beijos, te... até mais tarde.
Mel desliga e apoia a testa no volante, pensando nas coisas que teve que enfrentar durante o dia e cogitando as reações que os filhos terão quando souberem do divórcio. A última frase de Chay também paira por sua cabeça. 

Graziele e Thiago estão atrás de uma pilastra na sala principal.
   — A casa da sua avó parece um castelo — ele diz olhando para a estrutura do local.
   — É, essa foi uma das inspirações.
Ele observa algumas pessoas reunidas pela sala, conversando discretamente.
   — Quando o primo todo poderoso do seu pai vai chegar?
   — Daqui a pouco. 
   — Estou ansioso para conhecê-lo. 
   — Calma, ainda nem te apresentei a Madame Helena. 
   — A velha já está no papo, aposto.
   — Como é? — pergunta Graziele tentando conter o riso.
Thiago se endireita e arruma a gravata.
   — Quero dizer, a adorável senhora vai ficar encantada com a minha presença.
Eles riem e dão um beijo curto. 
   — Vem, deixa eu te apresentar logo ao pessoal. 

Isabela permanece encarando Felipe sem nenhuma emoção transparecendo em seu rosto.
   — Eu só quero o seu bem e você sabe que se meter com o Jonas não vai causar isso.
   — Você acha que eu tenho medo do Jonas? — questiona Felipe em tom de ofensa. 
   — Não. O que eu quero que você entenda, é que ele é vingativo e competitivo. Se você começar uma guerra, isso não vai ter fim! Você não pode cair no jogo dele, Felipe.
   — O que você quer que eu faça? Ignore?
   — Sim. Ignorar é a melhor arma com pessoas iguais a ele. 
   — Eu não tenho essa arma.
   — É por isso que a gente vai passar por isso juntos. — Ela coloca as mãos sobre o cós da calça dele. — Felipe, eu estou te pedindo, deixa isso quieto. Por favor — sussurra. 
O adolescente olha fixamente para os olhos dela, pensando em que decisão vai tomar. 

Entre gargalhadas, Daniel, Luíza e Nícolas deixam o restaurante em que jantaram. Durante a refeição, ela contou para ele sobre a aparição de Augusto no prédio horas antes e para o seu espanto, ele reagiu com tranquilidade. Os três entram no carro de Daniel e partem rumo ao prédio em moram. Dentro do veículo, riem e conversam empolgadamente. O clima de descontração é grande e eles não notam que um carro preto os acompanha. 

A dona do casarão, Helena, está conversando com Henrique e alguns colegas. Graziele se aproxima com Thiago e diz:
   — Boa noite.
   — Boa noite — eles respondem em um uníssono. 
   — Eu queria apresentar o meu amigo pra vocês. — Ela passa o braço pelo de Thiago. — Esse é o Thiago.
   — Prazer — responde Helena avaliando o garoto. — Eu já te vi algumas vezes, né?
   — Sim, em algumas festas de final de ano e aniversários. 
   — Exatamente. — O olhar da senhora desce pela roupa dele. — Eu quase não te reconheci, você está diferente. 
Thiago engole a resposta rude que veio até a sua língua e sorri.
   — Está ainda mais bonito, não é? — Henrique tenta consertar a situação constrangedora. — A minha filha não faz más escolhas. 
   — O que você quer dizer com isso? — questiona Helena. — Vocês estão juntos? — pergunta olhando para Thiago e Graziele. Os demais convidados não abrem a boca, apenas observam os quatro.
   — Sim, estamos — responde Thiago com segurança.
   — Oh, então a minha netinha está namorando? 
   — Não é bem um namoro — explica Graziele com rapidez, corando devido aos olhares das pessoas ao redor.
   — Ah, entendi. Vocês estão ficando, é assim que a juventude diz hoje em dia, né? — ela ri juntos com os outros, mas Thiago permanece sério e responde:
   — O nosso relacionamento é mais sério do que uma ficada. 
   — Desculpa, querido, mas eu não acredito. Se fosse isso vocês poderiam dizer que estão namorando, não é mesmo? 
Thiago abre a boca para responder, mas Graziele é mais rápida e diz enquanto aperta o braço dele de maneira discreta:
   — Vovó, a senhora não vai entender. 
Henrique, percebendo o tom excessivamente gentil na voz da filha, se intromete novamente:
   — Grazi, Thiago, vocês já provaram os canapés? 
   — Ainda não — responde a ruiva desviando o olhar da avó.
   — Se eu fosse vocês iriam correndo até eles, antes que acabem.
Entendendo a deixa do pai, Graziele assente e se afasta com Thiago. Ao se aproximarem da mesa, ele desabafa:
   — Que velha mais filha da...
   — Thiago! — repreende Graziele. — Tudo bem que ela não vou nem um pouco agradável, mas ela ainda é minha avó.
   — Tudo bem, desculpa. 
Ela leva uma das mãos até o pescoço dele.
   — Tenta manter a paciência, tá? O jantar ainda nem começou. 
   — Vai ser difícil, mas eu acho que consigo — ele diz lançando um olhar furioso para Helena, que está de costas para eles. 

Os olhos de Felipe observam o rosto apreensivo de Isabela e ele responde:
   — Vou tentar deixar isso quieto.
   — Tentar, não? Conseguir.
Ele assente.
   — Ok, conseguir. 
Isabela sorri e passa os braços pelos ombros dele.
   — Obrigada.
   — O que eu não faço por você? — pergunta Felipe abaixando a cabeça para beijá-la. O sorriso de Isabela aumenta e ela diz:
   — Eu te amo.
   — Eu sei — responde Felipe roçando os seus lábios nos dela. Os dois se beijam.

Daniel para o carro, aguardando o portão do condomínio abrir. Nesse instante, seus olhos descobrem o veículo preto que os seguiu desde o restaurante.Olhando mais atentamente, ele vê um sorriso pelo parabrisa e um tremor passa por seu corpo. Luíza nota que o marido ficou tenso e pergunta:
   — O que foi amor?
Daniel continua olhando fixamente para o outro veículo e Luíza gira a cabeça, olhando na mesma direção que ele. Ao pousar seus olhos sobre o veículo, ela o reconhece. O carro é de Augusto. 
   — É o seu pai — diz virando para frente.
   — É — responde Daniel. Nícolas diz:
   — O portão já abriu, papai.
O engenheiro e arquiteto olha rapidamente pelo filho e entra em alta velocidade no condomínio, cantando pneus. Quando estaciona o carro em sua vaga, diz:
   — O que ele tanto quer aqui?
   — Eu não sei, mas coisa boa não deve ser.
   — Com certeza.
   — Você acha que ele viu a gente? — ela pergunta com o coração martelando em seu peito.
   — Não, isso não. O vidro do meu carro é super escuro. 
Uma onda de alívio inunda o corpo de Luíza e ela dá um leve sorriso.
   — Ai que bom!
   — Vamos subir, eu preciso ligar para o César. — Daniel abre a porta do carro e desce com rapidez. Luíza faz o mesmo e abre a porta do banco de trás para pegar Nícolas.
   — Mamãe, o que foi? — ele pergunta.
   — Problemas, meu anjo — responde Luíza batendo o porta do carro.
   — Que problemas?
Eles dois caminham até Daniel, que aguarda o elevador chegar.
   — Nada que você precise se preocupar, meu lindo — ela limita-se a dizer. 

Yasmin está sentada em uma banqueta na cozinha, aguardando uma das empregas terminar de fazer o seu lanche. Uma mensagem de um número desconhecido chega em seu whatsapp: Olá, Yasmin. Ela franze a testa e responde: Olá... Quem é você?. Segundos depois, a pessoa responde: Sou Humberto, prazer em falar com você. 
   — Humberto? — ela questiona em voz alta enquanto tenta se lembrar se conhece algum Humberto. Ao olhar a foto de perfil dele, confirma que nunca o viu antes. — É gato — constata. 
Obrigada, como conseguiu o meu número? pergunta com curiosidade. Ele responde: Um amigo meu me passou. 
   — Que amigo seu? — fala Yasmin enquanto digita as palavras. Ele estuda no Otávio Mendes, adivinha quem é? pede Humberto. — Milhares de garotos que estudam no Otávio Mendes — ela responde. — Fala o nome dele. 
Começa com a letra M. 
Não sou boa com joguinhos de adivinhação kkk Fala logo quem é!
kkk Ok, foi o Marcelo. 
Mesmo sabendo o nome do garoto, Yasmin continua se sentindo no escuro.
Marcelo? O professor de física? manda junto com vários emotions risonhos. 
Não kkkk
Então eu não sei quem ele é. É de qual ano? Segundo ou terceiro? 
Segundo ou terceiro? Ele não poderia ser do primeiro? kk
Um garoto do primeiro ano não teria meu número, não tenho contato com eles. 
   — Não sou pedófila — ela diz após mandar a mensagem e as empregas olham para ela com curiosidade. 
Ah, entendi. Realmente, ele não é o do primeiro. É do terceiro.
   — Bom, na minha sala não tem nenhum Marcelo, então ele só pode ser do terceiro B — constata a loira. — Ahh! O gatinho skatista. 
Descobri que conheço esse Marcelo!! Ele não é um que anda de skate?
É, isso mesmo! 
Eu não sabia que ele tinha o meu número.
Ainda bem que ele tem... como eu iria falar com você?
Yasmin gargalha.
   — Esse moleque está flertando comigo? — se pergunta. A empregada coloca o prato com uma salada de legumes no balcão. — Valeu, Sandrinha — ela agradece pegando uma garfada.
   — De nada. 
É tão importante falar comigo assim? digita Yasmin rindo.
Ah, digamos que sim. 
O sorriso dela aumenta.
Então, você anda de skate como o Marcelo?
Sim. Sei que você anda também, vi no Instagram.
Yasmin se recorda das milhares de fotos que já postou com seu skate e de alguns vídeos fazendo manobras. 
Legal! O que mais você gosta de fazer?
Gosto muito de surfar também. 
   — Eu poderia dizer que o meu namorado também surfa, mas o Victor não é mais meu namorado. Então...
Sério? Bacana! Eu tenho um amigo que surfa também. Ele disse várias vezes que ia me ensinar, mas até hoje nada kkkk
Eu posso te ensinar se você quiser.
Yasmin sorri.
Quem sabe um dia?
Os dois continuam conversando enquanto ela come. 

Quase uma hora se passa. Felipe vai para a sua casa e Isabela toma banho e em seguida desce para jantar.
   — Oi, pai! — diz vendo o cantor sentado no sofá. Vinícius também está na sala, sentado em uma poltrona. — Hoje a gente chegou e o senhor nem tava em casa.
   — Oi, Isa. Eu estava na gravadora.
   — Como está ficando o seu CD? — pergunta chegando ao final da escada.
   — Muito bacana. 
Isabela percebe que Chay está se esforçando para parecer tranquilo, mas que no fundo não está sereno.
   — Está tudo bem? — pergunta olhando do pai para o irmão. Mel entra na sala, dizendo:
   — Ainda bem que você desceu, filha. 
   — Por quê? — indaga a adolescente sentindo os pelos da nuca de arrepiarem. Seus instintos a fazem temer as palavras que serão ditas pelos pais.
   — Nós precisamos conversar — diz Chay. Isabela permanece em silêncio e Vinícius questiona:
   — Sobre o quê? — Ele já faz um ideia do que possa ser o assunto da conversa, pois as expressões dos pais não estão nem um pouco animadas. — Tem alguma coisa a ver com... o casamento de vocês? 
Isabela senta no sofá, receando a resposta de Chay e Mel. 

sábado, 13 de setembro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 128: Chay e Mel decidem colocar um ponto final no casamento



Isabela caminha rapidamente até o seu ex e o atual namorado ao mesmo tempo que Vinícius.
   — O que está acontecendo aqui? — pergunta o garoto.
   — Só vim dar os meus pêsames para o Felipe — responde Jonas cinicamente sem tirar os olhos dos de Felipe.
   — Enfia os seus pêsames no...
   — Felipe — interrompe Isabela —, não perde o seu tempo com ele.
   — Você já perdeu bastante tempo comigo, não é Isa? — diz Jonas virando para encará-la. — E que tempo. 
   — Isso é passado. 
   — Às vezes o passado se torna o presente.
   — Nesse ponto eu concordo com você — responde Felipe e Jonas olha para ele com curiosidade. — Por exemplo, ano passado eu quebrei a sua cara na saída daquela boate, estou doido pra tornar esse passado presente. O que você acha? — pergunta ameaçadoramente. Yasmin também se junta à eles.
   — O que esse merdinha quer aqui? 
   — Olha como fala comigo, sua vadiazinha. 
   — Vadia é a p*ta que te pariu — ela rebate enfurecida. 
   — Quem você pensa que é para falar assim da minha mãe? — ele pergunta olhando para ela. Felipe puxa o braço dele, obrigando-o a se virar novamente para ele, dizendo:
   — E quem você pensa que é para falar assim da minha irmã? Peraí, eu sei a resposta. Como a Yasmin mesmo disse, você é um merdinha. 
Jonas puxa o braço com violência e empurra Felipe, se exaltando.
   — Cala a boca, moleque!
   — Você vem aqui falar merda pra mim e acha mesmo que eu vou ficar quieto? 
Marina e Victor passam pela porta e se espantam ao verem todos os alunos olhando para uma mesma direção. Ao encararem o grupo que está entre as carteiras da frente, entendem o que está se passando.
   — Pelo visto o dia começou quente hoje — comenta Victor. 
   — Vamos la! — chama Marina. 
Jonas responde:
   — Eu deveria arrebentar todos os dentes dessa sua boca pra você aprender deixar ela fechada.
Felipe ri.
   — Estou esperando por esse momento — debocha. Jonas tenta ir para cima de Felipe, mas Vinícius o segura. — Deixa, Vinícius. Eu estou mesmo precisando de um saco de pancadas.
   — Chega — diz Isabela pegando no braço de Felipe. — Vamos sair daqui.
   — Agora que a brincadeira está ficando animada?
   — Felipe, agora— Ela o arrasta porta afora. 
Vinícius solta Jonas e diz:
   — Você não acha que já aprontou demais, não? Deixa a gente em paz.
Jonas endireita a sua camisa e se afasta em silêncio. A sala permanece completamente quieta.
   — Se o Felipe não matar esse moleque um dia, eu mato — diz Yasmin ainda com raiva.
   — Precisando de um parceiro, estou aí. 
Ele sorri para ela, que mesmo raivosa retribui. Victor pega no pulso dela e eles vão para os seus lugares no fundo da sala. Marina coloca sua mochila sobre sua mesa e vai até Vinícius.
   — O que aconteceu pra ter chegado a esse ponto?
   — O Jonas veio provocar o Felipe — ele responde antes de dar um selinho nela. — Sinceramente, até eu que sou o mais tranquilo de todos nós, sinto vontade de quebrar a cara do Jonas. 
   — Até eu que mal conheço ele tenho essa vontade. 
   — Só de lembrar que a Isa já namorou com esse cara.
   — Mas agora ela está com o Felipe e é isso que importa. 
Isabela e Felipe se sentam nos degraus da escada entre o primeiro e segundo andar. O lugar é mais vazio, pois no segundo andar não há salas de aula.
   — Você não pode deixar ele te provocar desse jeito — diz Isabela. — O que ele diz não pode te atingir.
   — É impossível não ficar com raiva da cara daquele moleque — fala Felipe passando a mão no cabelo.
   — Eu sei, mas você tem que se controlar. E se o Vinícius não tivesse segurado ele?
   — Eu teria arrebentado a cara dele.
   — É, daí iriam os dois pra coordenação. É isso que você quer? Ser registrado no começo do ano?
Felipe não diz nada.
   — Felipe, não deixa o Jonas estragas as nossas vidas. 
   — Tudo bem. É que só de imaginar que ele tem a intenção de ficar com você de novo... é repulsivo.
   — Você acha mesmo que ele quer ficar comigo? Se ele quisesse, não teria terminado comigo daquele jeito. Tudo não passa de um joguinho pra te provocar... e você está caindo. 
   — Você tem razão.
Isabela diminui a distância entre eles e acaricia o braço de Felipe.
   — Está mais calmo?
   — Aham.
   — Que bom, porque eu preciso de contar uma coisa.
   — Que coisa?
Com a mensagem recebida por Jonas na cabeça, Isabela abre a boca para responder, mas o sino a interrompe. 
   — Fala — pede Felipe quando sino para de tocar. 
   — Lembra anteontem quando a gente estava e eu disse que li uma notícia criticando o fato de somente a Yasmin ia participar da campanha da MelPhia?
   — Lembro — ele responde forçando a memória.
   — Então, acontece que não...
   — O que vocês ainda estão fazendo aqui? — pergunta uma das inspetoras surgindo no pé da escada. — Já para a sala. Vamos!
Isabela solta um suspiro de frustração e levanta. Felipe a imita e eles descem os degraus até o corredor do primeiro andar e vão para a sala de aula do terceiro ano A.

Duas horas se passam. Tentando controlar a respiração, Mel caminha até o escritório de Chay, onde viu o marido entrar minutos antes. Ela dá duas batidas na porta e entra.
   — Atrapalho?
Chay afasta alguns papéis, respondendo:
   — Claro que não.
Mel assente e se senta na cadeira na frente da mesa dele.
   — Acho que não dá mais pra gente adiar essa conversa.
   — É, realmente não dá. 
   — Eu pensei, repensei, pensei mais uma vez e não vejo outra alternativa. — Os olhos dela ficam marejados. — A gente fez uma tentativa para melhorar essa situação, mas ela não saiu do jeito que a gente esperava. Eu acho que você vai concordar comigo, porque é uma coisa que esteve na nossa cara esse tempo todo, mas a gente não quis enxergar. — Uma lágrima escorre de seu olho esquerdo. — O nosso casamento já não é o mesmo de um ano atrás, a gente está cada vez mais distante. Pra manter a nossa amizade, o carinho que a gente sente um pelo outro, acho melhor a gente... a gente se divorciar. 
Chay morde os lábios.
   — Eu também cheguei a essa conclusão. O nosso casamento está muito desgastado e — sua voz fica embargada —, eu não queria que chegasse a esse ponto, mas a gente já tentou reconstruir o nosso matrimônio, mas não deu certo. Agora é o momento de nós sermos maduros o suficiente para aceitar que não deu certo, que amor às vezes não é o bastante. 
Mel assente e enxugas as lágrimas.
   — Eu não sei o que a gente fez de errado pra chegar nesse ponto, mas eu queria te pedir desculpas. — Ela soluça. — Eu sei que nenhum de nós é culpado, mas eu não consigo me sentir de outra forma. 
Chay pega nas mãos dela por cima da mesa.
   — Eu sou tão culpado quanto você por esse final. A gente fez tudo o que estava ao nosso alcance, talvez era pra ser assim.
   — Não! Não era. Não foi isso que eu idealizei deitada na minha cama, lá no condomínio, quando a gente começou a namorar. Não era pra acabar assim.
Os dois choram.
   — Deus sabe o que está fazendo, Mel, ele deu sabedoria para nós terminarmos agora, enquanto ainda podemos ser amigos.
Mel funga, assentindo.
   — Como a gente vai contar isso pras crianças? — pergunta soltando suas mãos das de Chay para secar mais uma vez as lágrimas. 
   — Eles já estão grandes, acho que a gente não precisa fazer rodeios.
   — Eu não quero que os meus filhos sofram por nossa causa.
   — Ei, amor... Mel, eles não vão sofrer, ok? Eu não vou me afastar deles.
   — Então você vai sair de casa — ela conclui.
   — Não faz sentido a gente se separar e continuar morando no mesmo teto.
   — Eu sei. Pra onde você vai?
   — Ainda não pensei nisso, talvez para o nosso apartamento no Leblon. 
   — Ok. Precisamos conversar com os nossos advogados.
   — Eu posso acertar tudo isso.
   — Obrigada, seria muito doloroso pra mim.
Chay assente, fingindo que não vai ser igualmente cruel para ele lidar com os papéis da separação. Decidiu por isso para que Mel não sofra ainda mais com o divórcio. 
   — Fica tranquila, eu vou resolver isso. 
   — Peça discrição máxima, ok?
   — Pode deixar. 
Mel pega nas mãos de Chay.
   — Obrigada por me fazer feliz durante todos esses anos.
Chay respira fundo, tentando controlar as lágrimas.
   — Não diz isso se não eu não vou conseguir ficar longe de você. 
   — Você pode não querer, mas o seu trabalho iria fazer isso por você. 
Chay dá uma risada melancólica.
   — Você tem razão. 
Mel solta as mãos dele e levanta.
   — Vou para a grife agora. 
   — Claro. 
Mel olha novamente para Chay e seus olhos se enchem de lágrimas, mas ela não diz nada e sai em silêncio do escritório. Quando a porta é fechada, Chay esconde o rosto nas mãos e chora silenciosamente, sentindo o coração apertado. 

Durante o intervalo, Malu e Samuel conversam sobre skates enquanto Mayara fala com sua amiga Vanessa pelo celular. Yasmin, Victor, Marina, Vinícius, Felipe e Isabela comem em uma das mesas da cantina. 
   — Que horas você vai continuar aquele assunto que a gente tava tendo na escada? — Felipe pergunta no ouvido de Isabela.
   — Agora não é o melhor momento — ela responde temendo a reação do namorado. — A gente conversa mais tarde na minha casa ou na sua.
   — Ok, pode ser na sua.
   — Melhor ainda, a Nina quer mesmo te ver. 
Felipe sorri e volta a comer. Marina brinca com os cachos de Vinícius enquanto ele bebe uma latinha de Coca-Cola.
   — Vini, você usa algum tipo de shampoo especial?
   — Não.
   — Seus cachos são muito bem definidinhos e macios.
   — Queria, eu sou perfeito por natureza.
Marina gargalha.
   — Hunildade pra quê, né?
   — Hu o quê? — ele pergunta rindo.
   — É humildade — diz Isabela.
   — Ah, humildade. — Ela dá um puxão no cabelo do namorado. — Você fica rindo da desgraça alheia, né, seu idiota. 
   — Eu acho tão fofo quando você erra o português. 
   — Fofo, mas você ri. 
Vinícius puxa a cadeira de Marina para mais perto de si.
   — Eu amo ri da minha amaricanazinha — ele diz baixinho só pra ela.
   — This is ridiculous!
   — I love you too — diz Vinícius dando um selinho nela.
   — Agora você quer beijo, né? Sai também!
Vinícius ri.
   — Para, Marimar. 
   — Marimar? 
   — É uma novela mexicana.
   — Nunca vi. 
   — Yasmin — ele fala aumentando o tom da voz. — Imita a abertura da Marimar.
   — Da novela? — ela pergunta mastigando.
   — Não — responde Vinícius com ironia. 
Yasmin sorri levemente.
   — Marimar — ela canta e solta o gritinho agudo da abertura e todos riem.
   — Isso sim que é ridículo — diz Marina gargalhando.

Depois de deixar Nícolas no colégio, Luíza retorna para a cobertura em que mora. Daniel foi para o seu escritório de arquitetura e em seguida irá para a ONG onde trabalha gratuitamente como engenheiro civil. 
   — Oi — diz Luíza após sua secretária atender. — Remarca as minhas consultas de hoje para outro dia, tá? Não vou poder ir para o consultório.
   — Está tudo bem, Dona Luíza?
   — Não, mas vai ficar em breve. 
   — Tudo bem, eu remarco.
   — Obrigada.
Ela desliga e desaba no sofá.
   — Se a minha vida continuar pesada desse jeito quem vai precisar de uma psicóloga sou eu — brinca. O interfone toca e ela caminha até o corredor para atendê-lo. 
   — Oi.
   — Dona Luíza, o senhor Augusto está aqui novamente. 
   — Ele está na sua frente?
   — Não, está caminhando de um lado para o outro na portaria.
   — Ok, então diz que a diarista atendeu e falou que não tem ninguém em casa.
   — Dona Luíza, ele disse que viu a senhora entrar pela garagem.
Luíza congela e sua boca seca.
   — Ok, deixa eu pensar — ela pede recuperando a voz. — Fala a verdade, diz que eu não quero vê-lo.
   — Tudo bem.
Eles desligam e Luíza corre para a sala novamente, onde pega o seu celular. Disca rapidamente o número do marido, mas desiste de fazer a ligação, não querendo perturbá-lo. 
   — Quando ele chegar em casa, eu conto. — Ainda nervosa, vai para o quarto de Nícolas no andar de cima e observa a calçada pela janela, entre as cortinas. Vê o pai de Daniel entrar em seu carro preto e partir em alta velocidade. Soltando um suspiro de alívio, ela senta na cama do filho e passa a mão no cabelo.
   — Isso tem que acabar logo. 

Após estacionar o carro no estacionamento do hospital em que trabalha, Bernardo pega sua maleta e sai. Ele cumprimenta alguns moradores da comunidade carente que estão aguardando para serem atendidos e vai para o seu consultório. Ao entrar, se espanta com a presença de uma mulher ruiva que está sentada em sua cadeira.
   — Bom dia — ele diz com desconfiança. — Quem é você?
   — Eu sou Maristela — ela responde sorrindo. 
   — Maristela?
   — Sim, sou a nova médica daqui.
   — Sério? Encontraram então um novo médico.
   — É, eu aceitei o convite imediatamente. É uma causa muito nobre o que o criador daqui fez. Abrir um hospital em uma comunidade carente, assim, totalmente de graça. 
   — Realmente, uma atitude muito nobre a dele. — Ele olha ao redor. — Acontece que esse consultório era meu.
   — Ah, desculpa, eu não sabia que alguém trabalhava aqui. Me deram o espaço.
   — Imagina, você não tem nada a ver com isso. Vou ver qual é o meu novo consultório. Boa sorte com o trabalho.
   — Obrigada. 
Bernardo sai da sala. 

Horas se passam. Após serem liberados do colégio, os adolescentes vão para suas casas e um tempo depois, Felipe, Victor e Vinícius se reúnem para ir à academia.
   — Você perdeu ontem, Felipe — diz Victor. — Sabe aquelas gostosinhas da academia?
   — Sei — responde Felipe caminhando junto com os amigos.
   — Então, uma delas foi com uma blusinha super apertada. Você tinha que ver ela fazendo os exercícios.
   — Conta sobre a hora do jump — fala Vinícius. 
   — Nossa, na hora do jump, meu caro Felipe. Imagina ela pulando com aquela blusinha.
Felipe ri.
   — Você deve ter ficado louco.
   — Quem não ficou louco? O Vinícius preferiu nem ficar olhando.
   — Aposto que a Yasmin ia adorar ver essa cena também — ironiza Felipe.
   — Olhar não tira pedaço. Sem contar que era impossível não olhar para aqueles peitos, meu Deus.
   — Realmente, ela era muito gata — confessa Vinícius.
   — Não mais do que minha namorada — opina Felipe.
   — Ai, esses caras apaixonados. — Os três gargalham e continuam caminhando. 

Nícolas se diverte vendo Luíza fazer um bolo colorido. Ela sorri junto com o filho enquanto desenforma o bolo.
   — Olha que lindo, meu amor — ela diz encantada com o próprio trabalho.
   — Já pode comer, mãe? — pergunta Nícolas salivando.
   — Ainda não, tem que esperar esfriar um pouco.
O sorriso de Nícolas murcha.
   — Calma, filho, daqui a pouco você vai poder comer, tá bom? — Ela passa a mão no cabelo dele. Eles ouvem a porta da sala batendo. — Seu pai chegou.
   — Papai! — Nícolas pula da cadeira e vai correndo para a sala. Luíza coloca a forma do bolo na pia e vai atrás do filho. 
   — Pensei que não fosse chegar em casa hoje — diz Daniel pegando Nícolas no colo. — O trânsito tava infernal.
   — Novidade — ironiza Luíza sentando em uma poltrona.
   — Papai, papai — Nícolas chama a atenção de Daniel. — A mamãe fez um bolo colorido, papai.
   — É? — Daniel se esforça para aparecer empolgado como o filho. — Ficou gostoso?
   — Não sei, a mamãe não deixou eu comer.
   — Ainda está quente — explica Luíza foleando uma revista da Vogue.
   — Ah, então está certo — diz Daniel caminhando até o sofá. — Tem que esperar esfriar, se não vai dar dor aqui ó. — Ele coloca a mão na barriga de Nícolas. O garotinho apoia a cabeça no ombro do pai e fica em silêncio.
   — Como foi o dia? — pergunta Luíza.
   — Cansativo, como sempre. Mas finalmente consegui concluir o projeto daquele prédio que eu havia te falado.
   — Que bom! — ela coloca muita empolgação na voz, o que denuncia seu estado de espírito instável. 
   — Está tudo bem? — pergunta Daniel com desconfiança.
   — Depois a gente conversa — ela responde olhando para o filho. 
   — Ok, vou tomar um banho. Ei, filhão, deixa o papai levantar. — Ele coloca o filho no sofá e levanta. — Estava pensando em sair pra jantar hoje — ele diz para Luíza. — Pra esfriar um pouco a cabeça. 
   — Ótima ideia!
Daniel se inclina e beija Luíza com suavidade. 
   — Acho que eu preciso de uma ajudinha para esfregar as minhas costas — sussurra no ouvido de Luíza. 
   — Talvez eu possa ajudar. Estou precisando relaxar também.
   — Então a banheira seria uma ideia maravilhosa.
Luíza dá um selinho nele e levanta.
   — Nícolas, quer assistir tv?
   — Aham.
Luíza liga a televisão e coloca em um canal infantil.
   — Daqui a pouco eu venho que pegar pra você tomar banho, tá?
   — De novo? — ele choraminga.
   — Nós vamos sair, você tem que estar limpinho. — Ela dá um beijo na testa dele e sobe com Daniel. 

Duas horas se passam. Isabela toma um banho e prepara o espírito para a conversa que terá com Felipe em instantes. Longe dali, um carro estaciona com suavidade em frente ao casarão de Helena Castro, mãe de Henrique. Thiago desce, rodeia o carro e abre a porta para Graziele.
   — Que cavalheiro — ela diz enquanto pega na mão dele.
   — Quando a ocasião exige, eu sou. 
Graziele ri.
   — Que a ocasião sempre exija. — De mãos dadas, eles caminham até o portão e ela abre com um clique. — Eu já frequentei o seu mundo, agora é a sua vez de conhecer um pouco do meu. 
Thiago sorri e anda com ela por entre os arbustos até os degraus que levam a porta. 
   — Antes de entrar — diz Graziele parando —, queria te pedir uma coisa.
   — Que coisa?
A ruiva olha para a grande porta, que está fechada, escolhendo as melhores palavras para usar.
   — Tenta controlar um pouco o que você diz, tá?
   — Por quê?
   — Hum, digamos que a família do meu pai seja um tanto traiçoeira. Depois da morte do meu avô, a minha avó se tornou uma mulher fria e... cruel. Ela tem muita influência sobre o meu pai e eu não quero que ela convença ele de que você não é o melhor pra mim.
   — Nós dois sabemos que eu realmente não sou o melhor pra você. 
Graziele acaricia o rosto dele.
   — Mas foi a escolha que eu fiz. 
   — Ok, vou me comportar como um gentleman. 
   — Só mais uma coisa.
Ele suspira.
   — O quê?
   — Não comenta das festas que você vai, nem dos seus amigos, muito menos da sua tatuagem. 
   — Tá, acho que eu entendi o que você está me pedindo. Você quer que eu finja ser outra pessoa. 
Graziele fecha os olhos lentamente, soltando um suspiro de frustração.
   — Não é nada disso. É que esse é um jantar em que toda a família vai estar, eu não quero que comentem coisas negativas sobre a pessoa que está comigo. 
   — Tudo bem. Eu vou ser o príncipe que toda princesa da Disney quis ter. 
   — Obrigada por me entender. 
Thiago sorri e dá um selinho nela.
   — Olha para a minha roupa? Acho que prova maior de que eu te entendo não existe, né?
Graziele dá um abraço apertado nele.
   — Te amo. 
   — Também.
Ela o solta.
   — Também o quê?
   — Também te amo, minha ruivinha — responde ele pegando na mão dela. — Agora vamos logo entrar porque eu estou louco para conhecer essa sua família perversa. 
Graziele gargalha e eles se aproximam da porta. 

Estranhando a ausência dos pais, que ainda não chegaram em casa, Isabela assiste a uma série norte-americana enquanto espera Felipe chegar. A campainha toca e ela grita:
   — Deixa que eu atendo, Vera.
Ela caminha descalça até a porta e abre.
   — Oi — diz Felipe sorrindo levemente.
   — Oi, amor.
Ele passa um braço em torno da cintura dela, a puxando para perto e beija os seus lábios.
   — Vem, entra. — Isabela pega na mão dele e o puxa para dentro da mansão. — Vamos conversar lá em cima.
Os dois sobem as escadas, deixando a televisão ligada, e vão para a sala de jogos. Felipe senta no sofá observando Isabela fechar a porta lentamente.
   — É, continuando de onde eu parei — ela diz se sentando ao lado dele. — Eu disse que tinha lido uma crítica, por isso tinha ficado tão chateada, mas não foi isso.
   — Então o que foi?
   — Foi uma mensagem do Jonas.
   — Você está brincando, não está?
   — Não — ela responde baixinho. — Você estava tão mal, eu não queria te preocupar com uma besteira.
   — Besteira? O que dizia essa mensagem?
Isabela pega o seu iphone no bolso do short jeans e mostra a mensagem para o namorado.
   — Fiquei sabendo da morte do avô de seu namorado. Gostaria de estar no lugar dele somente para receber seu consolo — ele lê e a fúria se espalha por suas veias. — Por que você não me contou?
   — Eu já disse, não queria te preocupar. Você já estava passando por uma barra tão pesada.
   — Então você resolveu me esconder as coisas — ele constata. 
   — Não precisa colocar os fatos dessa maneira.
   — Mas foi exatamente isso que você fez.
   — Eu só estava pensando em te ver melhor!
Felipe olha para o chão, organizando os seus pensamentos.
   — Você vai ficar bravo comigo por um motivo tão besta? — pergunta Isabela.
   — Não foi um motivo besta, mas eu também não vou ficar bravo com você. Entendo que você pensou no meu bem.
Isabela sorri, mas seu sorriso desaparece quando Felipe emenda:
   — O Jonas disse que queria estar no meu lugar, mas eu não gostaria de estar no lugar dele nos próximos dias.