terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 156: Isabela se surpreende com atitude de Felipe



Vinícius lança um olhar penetrante para a irmã e analisando a expressão dele Isabela se toca do que disse. Uma onda de arrependimento a invade, mas ao observar a troca de olhares entre os pais o sentimento desaparece.
   — Sentem-se — diz Mel gesticulando para o sofá. Isabela se junta ao irmão e Chay se acomoda em uma poltrona. — Está melhor, filha? — pergunta a morena sentando do outro lado de Vinícius. 
   — Mais ou menos. 
   — Como ficou o seu carro? — indaga Chay cruzando uma perna sobre a outra. 
   — Ela vai ficar bem, mas eu vou trocá-lo de qualquer forma. 
Chay assente. 
   — Já tem algum modelo em vista? 
   — Eu quero algo menorzinho agora, estou de olho em um Mini Cooper. 
Isabela se agita no sofá e sente um incômodo na costela. 
   — Ai, compra um Mini Cooper, mãe. Eu sempre achei muito fofo!
Mel sorri e eles permanecem conversando antes do jantar ser servido. 

Distribuídos pelos sofás e poltronas da sala de estar, a família Borges e Victor conversam sobre micos que eles já pagaram e gargalhadas ecoam pelo espaço. 
   — Uma vez eu estava saindo de um evento — começa Sophia —, e eu juro, gente, o carro que estava lá fora era igualzinho o meu, daí quando eu entrei já fui falando que a anfitriã do evento era um porre, arrogante demais. — Ela gargalha. — Quando eu olhei para o motorista, ele estava perplexo e falou que trabalhava para a mulher que eu tinha falado mal. 
Victor ri e Yasmin pergunta:
   — E o que a senhora fez?
   — Eu comecei a rir e falei que era brincadeira, mas tratei de sair rápido do carro. 
O namorado da filha da empresária, conta:
   — Uma vez eu estava assistindo ao treino das líderes de torcida, por causa da minha irmã, né, não pelas outras líderes...
   — Aham, sei — fala Felipe rindo. 
   — No final do treino — continua Victor —, eu percebi que uma das animadoras estava me olhando, eu levantei arrumando meu casaco do time de futebol americano do colégio, na época eu jogava, e comecei a descer os degraus me achando. Quando eu estava no último degrau, tropecei no meu próprio pé e caí de cara no chão, nos pés dela. — Todos gargalham. — Eu fiquei um bom tempo sem aparecer no treino delas. — Ele envolve os ombros de Yasmin, falando: — E você, tem alguma história para contar?
A loirinha busca na memória e sorri levemente ao lembrar de um ocorrido.
   — Dois anos atrás, quando eu tava no primeiro ano do ensino médio, ainda fazia balé lá no colégio. Uma vez, tinha uma apresentação e eu era a bailarina principal junto com um garoto, nós íamos dançar juntos e ele era o meu amor platônico. Nada podia dar errado, era só o que eu pensava. Nos ensaios me aproximava dele e no final, que ele se inclinava sobre mim, eu me sentia A princesa. — Ela ri e passa a mão pelo comprimento do cabelo. — Já tinha planejado tudo! No dia, quando a apresentação se encerrasse, eu iria beijá-lo. 
   — Você caiu com ele no palco? — tenta deduzir Felipe. — O engraçado é que eu não me lembro de nenhum fiasco das suas apresentações. 
   — Não, eu não caí — responde Yasmin. — O que aconteceu foi pior do que isso. Quando a gente terminou de dançar e ele se inclinou... — Ela se interrompe e começa a gargalhar. — Eu... eu... — fala entre os risos — eu fechei os olhos para beijá-lo e quando estava quase com os lábios nos dele, arrotei. 
Felipe fica de queixo caído, Sophia leva as mãos à boca, Micael ergue as sobrancelhas e Victor começa a rir. 
   — Bem feito — ele fala entre os risos. 
   — Fica quieto, cai-cai. 
Felipe começa a rir. 
   — Cai-cai é bom. 

Durante o jantar, Isabela e Vinícius perguntam sobre os shows de Chay e o cantor responde com paciência, ouvindo alguns comentários de Mel. Quando terminam a refeição Isabela arrasta o irmão para fora da sala de jantar com o propósito de deixar os pais sozinhos. 
   — O que você quer falar comigo? — pergunta Vinícius parando em frente a uma mesa com flores no corredor. 
   — Nada demais, é só para deixar o pai e a mãe a sós — ela responde dando de ombros. — Mas já que estamos aqui, eu tenho uma pergunta para você. 
   — Que pergunta?
   — A Nina apareceu com uma coleirinha nova esses dias, mas eu não comprei nada. Foi você? Porque eu já perguntei pra mãe e não foi ela. 
   — Ah, deve ter sido o Felipe — fala Vinícius sempre pensar.
Isabela se surpreende.
   — Como é?
Alguns metros dali Mel e Chay conversam. 
   — Posso te perguntar uma coisa? — indaga Mel.
   — O quê?
   — Aquela entrevista que você deu recentemente...
   — Aquela onde eu falo do nosso divórcio?
   — Exatamente. 
   — Eu só falei aquilo porque estava ia para a mídia. Acho que nós dois sabemos que não está sendo tão simples como eu disse.
Mel assente. 
   — É. 
   — Mas a gente pode facilitar isso — diz o cantor pegando na mão dela por sobre a mesa. — Se você quiser uma ajuda para escolher o carro... — ele deixa a frase no ar e para o seu desapontamento, Mel puxa a mão com suavidade. 
   — Chay, não dá. 
   — Por que não? Parece tão simples, eu sinto a sua falta, você sente a minha. 
   — O nosso casamento também era simples, eu te amava, você me amava e nós dois sabemos o jeito que acabou. 
Chay deixa escapar um suspiro e olha para baixo. Ambos ficam constrangidos e não falam nada. No corredor, Vinícius gagueja sem saber o que dizer:
   — É e-eu não quis d-dizer Felipe. 
   — Foi o que você disse. 
   — Eu me atrapalhei. 
   — Igual você está se atrapalhando agora? — indaga Isabela cruzando os braços enquanto o irmão decide o que fazer passando a mão pelos cachos. 
   — Ai, quer saber a verdade? Foi o Felipe mesmo! Ele tem vindo ver a Nina e decerto colocou nela se esquecendo de que você não sabia que ele tava vindo. 
   — Qual é o problema de eu saber? 
   — O Felipe não quer que você pense que ele só está fazendo isso para te reconquistar.
Isabela permanece imóvel por um momento, absorvendo o que acabou de saber. 
   — O Felipe... ele... caramba! — exclama sem conseguir conter o sorriso. 
   — Agora que você já sabe, o que vai fazer? 
Isabela dá de ombros.
   — Nada, não sei. 
Ouvindo passos, ela se vira para a porta da sala de jantar por onde os seus pais passam. 
   — Já estou indo — informa Chay com a voz sem emoção. 
   — Mas já? — pergunta Isabela. 
   — Sim.
A adolescente lança um olhar questionador para a mãe e Mel, não querendo que a filha a culpe pela saída repentina de Chay, fala sorrindo:
   — Quando a pessoa chega em uma certa idade, não aguenta ficar acordada até tarde, filha. — Suas mãos se unem em um dos ombros de Chay e ela se força a deixar o corpo apoiado no dele. Aproveitando à abertura de Mel, Chay envolve a cintura dela com um braço rindo ironicamente. 
   — Tão engraçada.
   — Disse alguma mentira? — provoca Mel.
   — Claro, esqueceu que eu sou um cantor que faz shows até altas horas? Não sou um empresário metido a estilista que dorme às oito da noite.
   — Eu não durmo às oito, você sabe. 
Eles riem um com o outro se esquecendo da presença dos filhos, que se olham constrangidos. 
   — Bom — fala Mel se afastando do ex-marido —, é melhor você ir. 
   — É. — Ele fita os filhos. — Me levam até a porta? 
   — Claro — responde Vinícius sorrindo. 
   — Eu acompanho vocês — fala Mel não querendo ser rude. Os quatro se encaminham até a porta de entrada e Mel segura para Chay passar. 
   — Obrigado pelo jantar — ele diz olhando para ela — estava uma delícia. 
   — Imagina. 
   — A gente poderia fazer mais vezes, né? — fala Isabela olhando de um para outro. 
   — É, claro — responde Mel não querendo cortar a filha. 
   — Até mais! — Chay dá um abraço apertado em Mel, que fecha os olhos sentindo o perfume dele. 
   — Você está usando um dos perfumes que eu te dei — sussurra no ouvido dele. 
   — É para eu ter você comigo. 
Mel suspira, deixando suas barreiras despencarem aos seus pés. 
   — O que você realmente está sentindo? — pergunta sem rodeios. 
   — Saudades. 
   — Isso quer dizer...?
Chay aperta ainda mais Mel.
   — Que eu te quero de volta. 
   — Mas... e tudo o que aconteceu?
   — A gente pode esquecer por um noite, ou duas, ou três. 
Mel empurra Chay. 
   — Foi bom te ter aqui — fala alto para os filhos ouvirem. Chay dá um leve sorriso e balança a cabeça quase que imperceptivelmente. 
   — Tchau, meus amores — ele fala se voltando para os filhos. Isabela e Vinícius abraçam o pai juntos. — Espero vocês para almoçarem comigo lá no meu apartamento, ok?
   — Combinado — diz Vinícius. 
   — Tchau! — diz Chay caminhando para o portão. Isabela fica cabisbaixa vendo o pai se afasta e Vinícius percebe. 
   — Não fica assim — sussurra abraçando ela por trás. A adolescente sorri com leveza e apoia a cabeça no peito no irmão. 
   — Vamos entrar — chama Mel e os dois a obedecem. Logo mais, deitada em sua cama, Mel se recorda das palavras ditas por Chay durante o abraço de despedida. Uma lágrima escapa de um de seus olhos e escorre por seu rosto, caindo no travesseiro.  
   — Essa noite ele poderia estar comigo — sussurra sob o cobertor e outra lágrima cai. — Mas não tem como tudo voltar a ser como antes... e se for como antes não vale a pena tentar, só vou me magoar ainda mais. 

Horas depois, no início do dia seguinte, Isabela acorda disposta a tomar a decisão que tanto vem adiando. Depois de fazer suas higienes matinais e se aprontar para ir ao colégio, desce as escadas pulando alguns degraus com Nina em seu calcanhar. 
   — Ai, Nina, espero conseguir me decidir hoje. 
   — Falando sozinha? — pergunta Mel que está sentada no sofá lendo uma revista de moda. 
   — Às vezes é bom — responde a adolescente sorrindo. — E a senhora, como está depois da noite de ontem? 
   — Bem — mente a empresária. — Vamos tomar café? Estava esperando você e o seu irmão.
   — E cadê o Vinícius?
   — Estou aqui — responde o adolescente descendo a escada. Juntos, os três vão para a sala de jantar para o desejum. 

Confortavelmente sentado em sua poltrona favorita da sala de estar, Arthur lê as primeiras notícias do dia em seu celular. Victor, que está devidamente vestido para o colégio, cochila esparramado em um sofá ao lado do pai. Marina desce a escada lentamente com o celular ao ouvido, conversando em inglês. 
   — Ai, sério? Não acredito, Brian! Vocês foram campeões? Isso é magnífico! De verdade, estou muito orgulhosa de vocês. Minha maior vontade agora é te dar um mega abraço. 
   — Bem que eu queria um abraço da minha ex favorita. 
Marina ri, chegando no final da escada. 
   — Estou contando os dias para junho chegar, quero muito te ver. 
   — E eu quero conhecer os encantos do Brasil. 
   — O único encanto aqui sou eu. E o Vinícius. 
   — O seu namorado — diz Brian monotonamente e eles riem. — Mas falando sério, o Victor está namorando?
   — Hã? Como você sabe? 
   — Ele postou uma foto com uma loira e um coração na legenda. 
   — Ah, é, ele está namorando. O nome dela é Yasmin. 
   — Maior gata. 
   — Brian!? Até você? 
   — Como, até eu?
   — Todos aqui se rasgam por ela. 
Arthur, que está prestando a atenção na conversa da filha, ri. 
   — Não é atoa. 
   — Ok, guarde a sua opinião para você. 
   — Pode deixar. — Ele ri. — Então, agora eu tenho que desligar, a gente vai se reunir em um café aqui para comemorar antes de ir para o colégio.
   — Tudo bem, manda um beijo para todo mundo.
   — Ok. Tchau!
   — Tchau! — Marina desliga e cutuca o irmão. — Victor? Victor? 
O loiro desperta aos poucos. 
   — Hum?
   — Vamos para o colégio?
Victor coça os olhos e se senta. 
   — Já?
   — Está na hora. 
Ele revira os olhos e levanta, pegando a mochila que estava no tapete. 
   — Vamos. Tchau, pai!
   — Tchau, pai!
   — Tchau — responde Arthur voltando a ler as notícias. 

No carro à caminho do colégio, Yasmin ouve Bad Girls da M.I.A. pelo mp3 do automóvel. Ela canta junto com a rapper e Felipe faz alguns gestos com a mão, concentrado. Yasmin olha para ele com curiosidade. 
   — O que você está fazendo? Parece que tá tocando um piano imaginário. 
Felipe deixa as mãos caírem no colo. 
   — Desde quando eu toco piano? — questiona rindo. O carro para em frente ao Otávio Mendes e ele desce rapidamente, encontrando com Isabela e Vinícius, que também estão chegando. 
   — Felipe — diz Isabela se aproximando dele. — Quero conversar com você. 
Felipe olha rapidamente para Vinícius, que dá de ombros. 
   — O que foi? — indaga com o coração acelerado se questionando se Isabela descobriu o que ele está prestes a fazer. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 155: Isabela pede conselho ao pai



A sala de jantar da mansão da família Borges é ampla com duas portas em direções opostas, uma leva à cozinha e a outra ao corredor. No centro há uma mesa de madeira nobre com a superfície de vidro e cadeiras almofadadas da cor bege sobre um tapete cinza. Uma das paredes laterais é espelhada e a outra exibe dois enormes quadros de uma artista amiga de Sophia. No alto, um lustre de cristais ilumina o espaço que é decorado em tons pastéis.
   Micael está sentado na cabeceira da mesa com Felipe ao seu lado direito e eles conversam.
   — Como estão indo as coisas na casa da sua avó? — pergunta Micael enquanto a empregada serve a mesa. Ela olha para o cantor e pede:
   — Desculpa, Seu Micael, a gente não esperava que vocês fossem aparecer mais cedo para o jantar. 
   — Sem problemas — fala Micael sorrindo. — Finja que nós não estamos aqui.
Felipe sorri para a empregada e volta a conversar com o pai.
   — A vó tem uma paciência enorme comigo, porque eu não tenho dado moleza. É muito difícil!
   — Basta se concentrar. 
   — Eu me concentro, mas... — Ele solta um suspiro. — Estou com medo de não conseguir. 
Micael aperta o ombro dele.
   — Ei, nem pensa nisso. Você está treinando já faz um tempo, vai dar tudo certo. 
   — Mas eu não consigo sair da primeira parte. 
   — Primeira parte do quê? — pergunta Yasmin passando pela porta de correr seguida por Victor.
   — Do livro que eu estou lendo — mente Felipe. — É tão chato que eu não estou conseguindo sair da primeira parte. 
   — Oi, Micael — cumprimenta Victor. — Oi, Felipe.
   — Oi — respondem pai e filho. 
   — Eu e o Victor temos uma novidade para contar — informa Yasmin sorrindo radiante. 
   — Você está grávida? — brinca Felipe e recebe um olhar cortante de Micael. — É zoeira, pai. 
   — Não gosto nem de brincar com isso. — Micael e os adolescentes riem. — Qual é a novidade, filha?
Yasmin e Victor trocam um olhar e ela conta:
   — Nós estamos namorando!
   — Vocês não estavam? — pergunta Micael. Yasmin e Victor se sentam defronte a Felipe.
   — Não, pai. Nós éramos amigos coloridos — explica Yasmin. 
   — Ah, entendi. Vamos ver se dessa vez dura, né? 
   — Esses dois não separam não — fala Felipe rindo. 
   — Boa noite, meus amores! — Sophia entra na sala de jantar e dá um selinho em Micael. — Estou exausta. — Ela deixa sua bolsa em uma cadeira e prendendo o cabelo em um coque, diz: — Vou lavar minha mão, já volto. 
As empregadas colocam os pratos de comida sobre a mesa e deixam a sala de jantar no instante em que Sophia retorna. 
   — Como foi o trabalho, mãe? — pergunta Felipe se servindo de arroz branco. 
   — Cansativo. — Ela senta ao lado dele. — É sempre assim no dia de folga da Mel, mas eu ainda não me acostumei. 
   — Mãe, eu e o Victor voltamos a namorar — conta Yasmin mais uma vez. 
   — Sério? Que notícia boa, eu sabia que vocês irão voltar. Hoje eu recebi um e-mail te convidando para um comercial de perfume, quer fazer?
Yasmin balança a cabeça negativamente. 
   — Não. 
   — Por que, filha? — indaga Micael.
   — Eu não gosto muito disso, pai, só aceito fazer comerciais se for para a Melphia. 
   — Sinto o poder — comenta Sophia e eles gargalham. 

Depois de dormir durante algumas horas e ficar conversando com Iago por um longo tempo, Isabela deixa o seu quarto no apartamento de Chay, encontrando o cantor na sala. 
   — Oi, pai. — Ela se senta ao lado dele no sofá.
   — Tá melhor? — pergunta Chay.
   — Mentalmente sim, mas fisicamente...
Chay ri.
   — Você está ótima, filha. 
   — Ótima não é um adjetivo que pode se encaixar a mim neste momento. Vou fazer um rápido relatório para comprovar como estou certa. O meu joelho está ralado, a minha costela está roxa, um galo se alojou na minha testa e para completar, as minhas bochechas estão queimadas. 
Chay gargalha e passa a mão no cabelo despenteado. 
   — Veja pelo lado positivo, suas bochechas vermelhas podem substituir o blush. 
Isabela ri.
   — Ai, pai. — Ela apoia a cabeça no ombro dele. — Pai, posso te pedir um conselho? 
   — Claro, o que foi?
   — Eu estou confusa.
   — Com relação a quê?
   — Dois garotos. 
   — Não vai me dizer que você está dividida entre o Felipe e o Victor!? Eu estou sabendo que você e o filho do Arthur estão mais próximos. 
   — Não, claro que não! Eu nunca me apaixonaria pelo Victor.
   — Hum então quem são?
Isabela suspira e conta:
   — Felipe e Iago.
   — Quem é Iago?
   — Um colega de classe.
   — Vish, os dois estudam com você. 
   — Pois é. Eu fiquei com o Iago na festa à fantasia do Terceirão e foi fantástico. Ele é um fofo, super carinhoso, atencioso e inteligente, com ele eu posso conversar sobre todos os livros que eu quiser.
   — Por que eu senti um "mas" oculto no final dessa frase? 
   — Porque mesmo ele sendo tudo isso... existe o Felipe. 
   — E o Felipe é?
   — Ele não é o mais fofo do mundo, mas é romântico no momento certo, sabe a hora de me paparicar e a hora de me fortalecer, eu sinto que posso contar com ele para qualquer coisa e, principalmente, ele faz o meu coração bater mais forte.
   — Ok, entendi. Agora só para eu confirmar, me descreve uma coisa. 
   — Que coisa? 
   — O que você sente sobre o beijo deles.
Isabela fica um pouco envergonhada.
   — O senhor quer mesmo ouvir isso?
   — Confesso que não é o meu assunto favorito, mas se é para te ajudar, vamos lá!
Eles riem.
   — Entendi. Então, quando eu fiquei com o Iago lá no ginásio foi como num conto de fadas, foi um beijo tranquilo, doce, parecia que eu poderia continuar beijando ele eternamente sem perder o fôlego.
   — E como era o do Felipe? 
   — Com o Felipe era uma coisa de outro mundo. Era quente, intenso, romântico sem ser meloso, eu ficava sem ar e queria sempre mais. Ele me deixava arrepiada e um calor tomava conta de mim me deixando quase febril. 
Chay pega na mão da filha.
   — Isa, vou te dar um conselho do fundo do meu coração. Às vezes a gente pensa que o que parece certo é o melhor, aquilo que é tranquilo, estável. No entanto, a diversão faz parte da vida, é tão bom não saber exatamente o que vai acontecer, sentir aquele friozinho na barriga, aquele calorzinho gostoso que vai tomando conta e quando você vê, já é tarde, você não consegue mais parar e quer mais e mais. Eu já estive em uma situação parecida com a sua.
   — É sério? — se espanta Isabela erguendo a cabeça para encarar o pai.
   — Sim. Quando a sua mãe entrou no colégio eu tinha uma namorada. O nosso relacionamento quando começou parecia perfeito, era tranquilo, a gente quase não brigava, mas depois foi caindo na monotonia e quando a Mel apareceu — ele sorri espontaneamente — foi como se eu nunca tivesse sentindo o real significado da palavra desejo. Logo que eu a vi me senti atraído e quando a gente se beijou pela primeira, eu queria mais. E eu tive — acrescenta rindo. — Eu terminei com a minha namorada para ficar com a Mel, porque era ela que fazia o meu coração acelerar. Em momento algum, em todos esses anos, eu me arrependi de ter tomado essa decisão, porque eu fui muito feliz e graças a esse relacionamento eu recebi os maiores presentes que eu podia ganhar. Você e o Vinícius. 
   Isabela sorri.
   — Entendi a decisão que o senhor quer que eu tome. 
   — Eu quero que você siga o seu coração. 
Isabela assente. 
   — É isso que eu vou fazer. — Ela levanta. — E agora, o meu coração está mandando eu ir me arrumar. Se eu fosse o senhor faria a mesma coisa.
   — Pode deixar. 
Isabela caminha de volta para o seu quarto onde está uma maleta com o vestido que irá usar no jantar e sua necessaire com maquiagem. 

Aproveitando a brisa noturna Graziele pedala sob o céu estrelado. Seus pensamentos vagam por sua vida e ela não ouve quando Malu a chama. 
   — Graziele! — chama Maria Luíza correndo atrás dela. — Graziele!
A ruiva olha por sobre o ombro e para a bicicleta. 
   — Oi, Malu.
   — Até que enfim você me ouviu — diz a morena ofegante. — Preciso te contar uma coisa.
   — Ok, vamos lá para a praça? Você pode ir correndo atrás da bike. 
Maria Luiza dá uma risada irônica. 
   — Vai sonhando. 
Graziele desce da bicicleta e vai caminhando com a amiga até a praça do condomínio.
   — E aí, pra quando ficou sua tatuagem?
   — Então, era para eu ter feito naquele dia, mas não deu certo porque a mãe do Pablo passou mal e tal, daí a gente não marcou ainda. 
   — Entendi. 
Elas continuam jogando conversa fora até chegar na pracinha e se acomodarem em um banco. 
   — Vai, me conta — diz Graziele. 
Malu respira fundo e começa:
   — Hoje a tarde eu e o Samuel fomos passar uma tarde em um parque e ele está passando por um monte de perrengue, então a gente começou a conversar. Ele é tão maduro, Grazi, você não faz ideia. 
   — Não faço mesmo, porque não parece.
Elas riem.
   — Pois é — continua Malu ficando séria. — Os pais dele estão em pé de guerra porque um filho fora do casamento apareceu...
   — Sério? — interrompe Graziele.
   — Aham, e o Samuel está morando na casa da avó dele desde que a bomba explodiu. Parece que foi feito um exame de DNA e foi confirmado que o garoto é realmente filho do pai do Samuel. Agora a mãe dele está entrando em depressão e a família está surtada. 
   — Caramba e nem parece que tudo isso está acontecendo, ele não demonstra.
   — É isso que me fascina! Quero dizer, mesmo com tudo isso acontecendo ele tem agido de uma forma tão madura. 
   — Esconder os sentimentos não é ser maduro, amiga. 
   — Ele não está escondendo os sentimentos, eu sei que ele está p*to com o pai e preocupado com a mãe, mas ele não fica chorando as mágoas e pensando em fazer o pai pagar pelo o que fez. O Samuel está encarando as coisas com inteligência, ele está procurando uma psicóloga para a mãe e um lugar para morar com ela quando a separação acontecer, porque ele acredita que isso vai acontecer.
   — Nossa, realmente é maduro da parte dele. 
   — É, e isso me encanta. 
Graziele sorri.
   — Você está apaixonada, Malu. 
Maria Luíza passa a mão no rosto.
   — É isso que me deixa angustiada. Eu, apaixonada, pelo Samuel?
   — Acontece. 
   — Não! Aviões caem, carros batem, pessoas morrem, isso acontece, eu me apaixonar pelo Samuel não. 
   — Mas foi o que aconteceu.
   — Pior que eu sei. E a outra coisa que eu queria te contar é que... aconteceu uma coisa lá no parque. 
   — Que coisa?
   — Sei lá, um momento... romântico. 
Graziele joga a cabeça para trás, gargalhando. 
   — Tudo isso por que rolou um momento romântico entre vocês dois? 
   — Você tem noção do que isso significa?
   — Ok, me conta como foi. 
   — Nós estávamos deitados no lençol, olhando para o céu, e ele pegou na minha mão e disse que... ele disse...
   — Disse o quê, Malu?
   — Disse que estava gostando cada vez mais de mim e eu acho que ele ia dizer que estava apaixonado, mas mudou de ideia. 
   — E o que você respondeu?
   — Sei lá, eu fiquei chocada que ele ia dizer que estava apaixonado por mim e não consegui dizer nada. 
Graziele quase cai do banco. 
   — Você não disse nada?
   — Eu dei um beijo nele e depois disse que também estava gostando muito dele. 
   — Menos mal. 
   — Acontece que eu... eu acho que...
   — Você acha que?
   — Eu que eu estou apaixonada pelo Samuel. 
   — Ai, que fofo!
   — Cala a boca! — Malu dá um tapa no braço da amiga, que ri.

A campainha da mansão de Chay e Mel toca e Vera atende.
   — Seu Chay! — exclama sorrindo. — Que saudades. 
Chay dá um abraço na governanta.
   — Também estava com saudades de você, Verinha. 
   — Estava com saudades de mim também? — pergunta Isabela sorrindo. Ela está deslumbrante em um vestido vermelho rodado, porém seus machucados no joelho e na testa a deixam com uma aparência fragilizada. 
   — Claro, Senhorita Isabela. 
Ela sorri para a governanta e entra na sua casa. 
   — Chegamos — fala para Vinícius e Mel, que estão conversando no sofá da sala de estar.
   — Boa noite — cumprimenta Chay sorrindo charmosamente. 
Mel levanta do sofá e exibe a produção de tirar o fôlego. Ela está elegantemente vestida com um vestido longo da cor preta com decote cavado e uma corrente de ouro completa o look. 
   — Boa noite — sorri para a filha e o ex-marido. 
   — Mãe, a senhora está linda — elogia Isabela. — Não está, pai?
Chay e Mel se olham e ele fala quase em um sussurro:
   — Está, está muito linda.