quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 140: Felipe é pressionado por Isabela e fica sem saber o que dizer



Com uma mão no bolso da calça jeans e a outra na nuca, Felipe fita os olhos castanhos de Isabela.
   — O que você está fazendo aqui? — pergunta a adolescente confusa. 
   — Você não me chamou?
   — Uma hora atrás. Não esperava que você fosse aparecer, depois que disse que ia conversar com o seu pai.
   — Pois é, nós já conversamos. 
Isabela analisa o rosto de Felipe por um momento, em seguida abre espaço para ele entrar.
   — Entra. 
O adolescente passa por Isabela, dando um beijo no topo da cabeça dela, e caminha para o centro da sala, onde senta em um sofá. Após fechar a porta, Isabela se junta a ele.
   — O que o Micael queria falar de tão sério com você? — pergunta com curiosidade. 
   — Queria pedir minha opinião sobre a campanha da Yasmin para a Melphia — mente o moreno. 
   — A sua opinião? — estranha Isabela.
   — Pois é, eu também achei esquisito, mas... — Ele dá de ombros. Isabela assente, desconfiando da postura do namorado. 
   — Felipe — chama e ele vira a cabeça na direção do rosto dela.
   — Hum?
   — Está acontecendo alguma coisa? — pergunta Isabela sem rodeios. 

Samuel acaricia o braço de Malu, dizendo:
   — Não sabia que existia uma pessoa dentro dessa ogra que você é. 
Malu ri, mandando uma lufada de ar que aquece a pele dele, e se afasta.
   — Eu tento ser fofa e é isso que eu recebo?
Ele gargalha.
   — Você estava tentando ser fofa? — pergunta entre os risos.
   — Oh! — exclama a morena levando a mão ao peito de maneira melodramática. — É assim que você me agradece?
A risada de Samuel vai se apagando aos poucos.
   — Obrigada — responde sério. 
   — Precisando. 
O jovem olha para o seu sanduíche quase intacto e fala:
   — Eu não estou com fome.
   — Quer ir embora? 
   — Seria uma ótima ideia. Seu motorista vem te buscar? Eu posso esperar ele com você, como forma de agradecimento.
Malu sorri de maneira terna. 
   — Não precisa, eu estou com a minha mãe.
   — Sério? — Samuel não esconde o espanto.
   — Sim. Quer carona?
   — Com a sua mãe? Não, dispenso.
   — A Dona Nathália não é um bicho de sete cabeças não, ok? 
   — É a sua mãe. 
Malu ri.
   — Então você me considera um bicho de sete cabeças?
   — Não — ele responde com prontidão. — Sete não, nove. 
Os dois riem e a garota fica feliz por ter conseguido arrancar uma risada dele.
   — Palhaço!
   — Como você está em segurança, eu vou indo — diz Samuel afastando a cadeira.
   — Você vai do quê?
   — Meu helicóptero está parado lá no estacionamento — ele brinca, mas não consegue rir da própria piada. 
   — É sério, você vai do quê? — Malu insiste em saber. 
   — Vou pegar um táxi. 
A morena também levanta.
   — Então quer dizer que você prefere pegar um táxi do que aceitar a minha carona?
   — Sim — responde Samuel com um leve sorriso no canto da boca. 
   — Ok então — finaliza Malu fingindo ressentimento. O garoto sorri e dá um abraço apertado nela.
   — Obrigada por esse lanche.
   — Não — diz Malu empurrando ele. — Se você não quer minha carona, eu não quero nem papo.
Samuel ri mais vez. 
   — Tchau, sua birrenta — fala dando um beijo na bochecha dela, próximo demais da boca para apenas amigos. Malu fica sentindo um formigamento na região em que ele a beijou enquanto assiste Samuel se afastar, caminhando para a saída da praça de alimentação. 

O carro de Arthur está parado em frente a mansão dos Borges. Dentro do veículo, Victor e Yasmin se beijam. O loiro solta o cinto de segurança de Yasmin e ela tira o casaco pesado e a touca, abraçando-o mais apertado em seguida. Sentindo que a distância entre eles ainda é incômoda, a garota impulsiona o seu corpo para mais perto do dele e Victor a puxa para o seu colo no banco do motorista. Os beijos ganham mais intensidade e Yasmin abre os dois primeiros botões da camiseta xadrez de Victor, deixando exposto o pescoço pálido e quente do jovem. Ela começa a dar beijos na região e Victor aperta suas coxas, que estão cada uma em um lado do corpo dele. As mãos dela abrem o restante dos botões da camisa dele sem que ela interrompa os beijos. 
   Victor leva as mãos até a cintura dela, onde acaricia a pele macia de Yasmin por dentro da blusa. A jovem afasta um pouco o tronco, encostando as costas no volante. 
   — Cansei de ser morena — diz antes de puxar a peruca e solta o elástico que prendia o seu cabelo loiro, deixando que os fios caiam por seus ombros e costas. Victor fica encantado com a cena e não consegue desviar o olhar do rosto de Yasmin, que sorri. — O que foi? — ela pergunta. — O gato começou a sua língua?
   — Não, mas a gata sim. — Victor puxa Yasmin e a beija com voracidade, sendo correspondido imediatamente. 

Felipe permanece impassível ao responder:
   — Não, nada está acontecendo.
   — É que você está estranho — explica Isabela. — Desde a hora em que eu te liguei. 
   — É impressão sua. 
Isabela dá de ombros.
   — É, acho que é mesmo — responde para Felipe, mas não  totalmente convencida. Ela olha para a roupa dele. — Você estava vestido desse jeito em casa? 
Felipe olha para as próprias vestes, arrependido por não ter passado em casa e trocado estas por outras mais simples. 
   — Sim, é que eu pensei que tivesse alguma possibilidade de eu sair com os meus pais.
   — Pra ficar de vela? — pergunta Isabela rindo.
   — Ah, eu também queria comemorar o retorno da minha mãe ao trabalho. 
Isabela sorri, achando meiga a maneira com que ele diz.
   — Tadinho dele  brinca bagunçando o cabelo de Felipe. 
   — Então — ele diz afastando a mão dela de sua cabeça — já que eu estou aqui, a gente poderia assistir um filme, né?
   — Claro, vamos para o meu quarto? 
Um sorriso malicioso passa pelos lábios de Felipe.
   — Opa, só se for agora.
Os dois levantam e caminham rumo à escada. 
   — Pode ir se controlando, porque hoje nós vamos somente assistir filme. 

Embaixo do chuveiro, Marina e Vinícius brincam e se beijam. Enquanto isso, o irmão gêmeo dela continua trocando carícias com Yasmin no carro do pai deles. A loirinha sai do colo de Victor e vai para o banco de trás. Ele faz o mesmo e passa por entre o banco do passageiro e carona. Eles voltam a se beijar e Victor deita Yasmin no banco. Ela tira a jaqueta de couro dele e depois a camiseta xadrez, que já estava aberta. Ao ver o peitoral dele, a loirinha solta um suspiro e volta a beijá-lo. Victor, entre o beijo, ergue poucos centímetros da blusa de Yasmin e ao notar que ela não se opôs, continua o movimento até retirar a peça do corpo dela. O sutiã bralette vermelho fica a mostra e Victor sorri ao lembrar da última vez em que viu Yasmin usando apenas essa peça, quando eles quase dormiram juntos na barraca nos fundos da mansão dos pais dele. 
   — Tinha me esquecido o quanto você é linda — comenta Victor e Yasmin sorri. 
   — Você é único que se esquece disso. 
   — Convencida — ele fala no ouvido dela e dá uma mordida no lóbulo, fazendo Yasmin arrepiar. 
   — Babaca — ela responde raspando as unhas pelas costas dele. Victor suspira no ouvido dela, a deixando ainda mais atraída. A garota busca a boca dele com desejo e eles voltam a se beijar. Com uma perna cruzada na de Victor e a outra flexionada ao lado do corpo dele, Yasmin sente as mãos do loiro descerem até o seu quadril e abaixarem um pouco a sua calça. Desta vez, ela intervém e puxa as mãos dele para cima, deixando-as em sua cintura. Victor entende o recado e não insiste, massageando a pele dela com os polegares. 
   — I want you — ele sussurra com os lábios nos dela. Yasmin não responde, apenas passa a língua suavemente pelos lábios dele e acaricia a barriga dele com uma das mãos. Victor abre o zíper de sua calça e Yasmin deixa a sua mão descer até o cós do jeans dele, o empurrando para baixo. Victor tira a calça jeans junto com os sapatos e Yasmin aproveita para inverter as posições. 
   Sentada no quadril dele, ela passa a unha do indicador de uma das suas mãos pelo abdômen dele e observa a reação de Victor, vendo o prazer passar pelo rosto dele. Com um sorriso malicioso e perverso, ela morde um dos lábios e se inclina na direção da barriga dele. Victor assiste Yasmin dar uma sequência de beijos em seu tórax, subindo lentamente. Ele fecha os olhos, sentindo o toque dos lábios dela em sua pele. A loirinha dá o último beijo no queixo dele e diz:
   — Eu também te quero, mas não hoje. 
Victor abre os olhos.
   — Oi? 
Yasmin sorri e dá um selinho nele antes de sentar nas coxas dele.
   — A minha primeira vez não vai ser no banco de trás de um carro — ela explica com tranquilidade. Victor levanta o tronco, ficando com o rosto a poucos centímetros do dela.
   — Você vai mesmo me deixar nesse estado?
A garota percorre todo o corpo dele com o olhar.
   — É preciso muita força de vontade para fazer isso, mas sim. 
Victor sorri e segura com as duas mãos o rosto dela. 
   — Eu devo estar muito louco.
   — Por quê? — ela pergunta colocando as mãos na cintura dele.
   — Porque desde que eu cheguei no Brasil não saí dos beijos com ninguém... por sua causa.
   — Eu não estou te obrigando — responde Yasmin dando um leve sorriso.
   — Você sabe muito bem o porquê. 
   — Sei? — ela se faz de inocente. 
   — Sabe. 
   — Acho que não, por que você não me diz?
Victor gargalha, jogando a cabeça para trás.
   — Você quer mesmo ouvir da minha boca, né? — ele pergunta olhando novamente para ela.
   — Yes.
   — Porque eu não quero as outras, eu quero você — responde o loiro com o olhar fixo no dela.
   — Por quê?
   — Você quer que eu diga aquelas três palavras, né? — indaga Victor rindo.
   — É tudo o que eu quero ouvir nessa noite — confessa Yasmin. Victor acaricia a bochecha dela com o dedo e a beija lentamente, sem nenhuma pressa ou angústia por mais, apenas com carinho, tranquilidade e admiração. 
   — Porque eu te amo — diz em um sussurro. Yasmin fica olhando para os olhos dele por alguns segundos. 
   — Obrigada — fala em resposta. Victor ri.
   — Obrigada? Cadê o meu "Eu também te amo"?
Yasmin pega sua blusa e a veste. 
   — Acho melhor você colocar sua calça — fala abrindo a porta do carro. Victor fica estarrecido quando ela salta do veículo. Ele se endireita no centro do banco e observa Yasmin abrir a porta da frente e pegar seus pertences. 
   — Yas? — ele chama. A loirinha sorri para ele, falando:
   — Esqueci de dizer que você fica um pecado com cueca preta. — Ela bate a porta do carro e caminha até o portão da mansão de seus pais. Victor acompanha os movimentos dela e quando a loirinha entra na mansão, ele balança a cabeça, dizendo:
   — Que loucura!

Abraçados na cama, Isabela e Felipe assistem ao filme À procura da felicidade. Ele percebe que Isabela está quieta demais e ao olhar para ela, nota que a morena está chorando silenciosamente.
   — Isa, o que foi? — ele pergunta apertando ela em seus braços. 
   — É o filme.
   — Mas ainda está no começo.
   — Eu sei — ela funga e ergue a cabeça para olhar para ele. — Acontece que eu já sei o que vai acontecer e... e é tão lindo o amor entre o pai e o filho. 
   — É mesmo — confirma Felipe. 
   — Eu... eu tenho medo de me afastar do meu pai com a separação — confessa Isabela baixinho. Só então o choro excessivo passa a fazer sentido para o seu namorado.
   — Amor, isso não vai acontecer.
   — Eu sei que não — diz Isabela com vergonha dos próprios sentimentos —, mas eu tenho medo.
   — Não precisa temer, meu anjo. O Chay sempre vai estar do seu lado, assim como, a Mel e eu. 
Isabela chora por mais um tempinho com o rosto apoiado no peito dele, mas depois respira fundo e se controla.
   — Eu me sinto tão boba — fala enxugando as lágrimas. 
   — Os seus sentimentos nunca serão bobagens. Não pra mim. 
Isabela dá um leve sorriso, assentindo.
   — Obrigada.
   — Não precisa me agradecer — ele diz dando um beijo na testa dela. Sendo tomado pela culpa de ter mentido para ela, Felipe completa: — Eu só quero que você saiba que eu te amo muito e tudo o que eu faço é pensando no nosso bem. 
Isabela, enxugando as lágrimas, se afasta dele para enxergar o seu rosto.
   — Felipe, eu vou te perguntar mais uma vez. Está acontecendo alguma coisa?
   — Não — ele volta a dizer. 
   — Então por que eu estou com a sensação de que você está escondendo algo de mim? — ela pergunta tentando entender o que está sentindo. Felipe morde um lábio, pesando as suas opções: Contar a verdade para Isabela ou permanecer escondendo dela o seu plano de vingança contra Jonas. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 139: Chay se desculpa com Mel por causa de beijo



Mel coloca uma mão no peito de Chay e o afasta.
    O que o Rogério falou e isso que aconteceu agora não muda os fatos.
Chay fita a morena por um momento, depois assente e se endireita no banco do motorista.
   — Certo — fala ligando o motor. Mel vira a cabeça para o outro lado, fitando a rua entrar em movimento quando Chay dá partida no carro. Ela fecha os olhos e empurra o choro para o final de sua garganta, provocando dor na região.

Com a cabeça apoiada no encosto do banco, Felipe luta contro o sono no carro de Arthur. Nos bancos da frente, Yasmin e Victor estão entusiasmados seguindo o carro que Jonas está com Anabela. A loira coloca para tocar no som do carro a música Máximo Respeito do grupo Oriente. 
   — Eu nunca ouvi rap brasileiro — comenta Victor sem tirar os olhos do carro de Jonas, que está a dois automóveis de distância deles.
    Máximo respeito, do Oriente.
    Até que não é muito ruim.
    Até que não é muito ruim?  repete Yasmin.  O que é f*dão pra você?
    Sei lá, eu ouço Wiz Khalifa, Drake, Eminem, 50 cent...
    50 cent, Victor? Nossa!  interrompe a loira. 
    O que é que tem?  ele pergunta olhando de relance pra ela.
    É uma merda.
    Igual esse seu Oriente aí, rap pra moça.
    Rap pra moça é a sua bunda.
    Ok, e o resto do que eu falei, você curte, né? Eu lembro que a gente já ouviu Eminem juntos. 
    É os outros são bons. 
    Pelo menos nisso a gente concorda.
Yasmin troca a música do Oriente por uma do Drake, a Started from the bottom.
    Started from the bottom now we're here, started from the bottom now my whole team fucking here — canta Victor. O casal começa a cantar e Felipe revira os olhos.
    Vocês podem parar com isso?  pede. 
    Não!  respondem os dois ao mesmo tempo.
    Eu não menti pro amor da minha vida pra passar por isso. 
    Oh  exclama Yasmin olhando para trás.  Que lindinho! Vou gravar isso pra quando a Isabela descobrir a verdade, não ficar tão p*ta com você.
    Vai se ferrar, Yasmin!
Yasmin e Victor riem.
    Cara, pra onde será que eles vão?  pergunta Victor mudando a marcha.
    Jura que você não sabe? Até eu que sou virgem, posso fazer uma ideia.
    Ele é loiro, não vai entender  diz Felipe coçando o olho e Victor finge não ouvir enquanto Yasmin realmente não ouve, pois está escolhendo uma música. Quando Ela me faz bem do Rael da Rima começa a tocar, a loirinha explica em uma palavra o que quis dizer:
    Motel.
    Ah, entendi. Com relação você ainda ser virgem, você sabe que eu posso te ajudar a mudar isso.
Felipe coloca as mãos nos ouvidos de maneira dramática.
    Se vocês forem falar de sexo me avisem que eu pulo do carro.
    Virjão  brinca Victor.
    Quem ainda não pegou a namorada aqui é você, meu caro amigo Victor.
    A sua irmã não é minha namorada.
    Já foi e você não saiu do zero a zero com ela.
    Ei!  fala Yasmin aumentando o tom da voz.  Eu tô aqui, ok?
Victor coloca uma mão na coxa dela.
    Desculpa, meu amor.
    "Cê" tira sua mão de mim  pede Yasmin empurrando a mão dele, segurando uma risada.  Você quer tirar a minha pureza.
    A única coisa sua que eu quero tirar nesse momento é a roupa.
    Pra mim já deu essa vida!  exclama Felipe do banco de trás. Yasmin gargalha e acaricia a nuca de Victor.
    Acho que eu sei pra onde eles estão indo  fala Felipe olhando para fora do carro.  Tem um motel que fica aqui perto.
    Hum... Ele sabe  fala Victor virando em uma rua escura atrás de Jonas.
    Mantém distância  lembra Yasmin.
    É, sério, tem um motel a uma quadra daqui  garante Felipe.
Como dito pelo jovem, o carro de Jonas para na recepção de um motel. Victor para o veículo de seu pai do outro lado da rua sob a sombra de uma árvore. Yasmin abre um pouco do vidro fumê do carro e fotografa a entrada de Jonas e Anabela no motel.
    Eles não perdem tempo  comenta a loira.
    Não mesmo!  concorda Felipe mais desperto. Após tirar cerca de cinco fotos, Yasmin fecha a janela e fala para Victor:
    Missão cumprida! Vamos pra casa.

Malu está caminhando pelo shopping quando visualiza Samuel saindo de uma livraria.
   — Samuel! — chama acelerando o passo. — Samuel!
O jovem revira os olhos e olha por sobre o ombro. 
   — Oi, Malu — cumprimenta com a voz arrastada. 
   — Que surpresa te ver aqui. 
   — É.
Malu franze levemente a testa, percebendo que Samuel não está muito para papo. Mesmo assim, pergunta:
   — O que estava fazendo na livraria?
   — Comprando livros — ele responde de maneira óbvia. 
A morena assente. 
   — Quer comer alguma coisa comigo? Está tarde, mas eu acho que você tem um tempinho, né?
Samuel pensa por um momento, tempo o suficiente para Malu se arrepender do convite. 
   — Pode ser — ele responde por fim. 
   — Então vamos.

Chay desliga o motor do carro na garagem da mansão em que mora com a esposa e os filhos. Mel desce silenciosamente e caminha pelo acesso para o interior da casa sem dizer nenhuma palavra.
   — Mel — chama Chay seguindo ela. Os dois param no pé da escada.
   — O que foi?
   — Desculpa por ter te beijado — pede Chay. — Não que eu me arrependa, mas foi um erro. 
   — Tudo bem. Eu retribui o beijo, o erro não foi somente seu. 
Ele suspira.
   — É que eu ainda te amo, mas sei que não tem como a gente continuar casado.
   — É exatamente isso. 
   — Ok, desculpa mais uma vez.
Mel dá um leve sorriso e beija a bochecha dele.
   — Boa noite — se despede e sobe a escada. Chay fica observando ela se afastar e depois caminha para o centro da sala, só então notando a presença da filha deitada no sofá.
   — Eu não tive culpa de ouvir — fala a jovem se sentando. — Vocês se beijaram?
   — Sim — confirma Chay sentando onde estava as pernas dela. — Ai, filha, isso é tão complexo.
   — Estou percebendo. — Isabela pega na mão de Chay. — Pai, eu tenho pensado em como vai ficar minha vida com a separação, mas esqueci de pensar em como irão ficar a vida de vocês. Com certeza isso está sendo muito difícil e eu gostaria que o senhor soubesse que nós estamos do lado de vocês, tá? Pra qualquer coisa. 
Chay sorri e passa um braço pelos ombros da filha.
   — Obrigada, meu anjo. 

Malu e Samuel sentam em uma mesa da praça de alimentação com sanduíches e batatas fritas. Eles começam a comer silenciosamente e Malu tenta puxar papo, mas Samuel responde apenas com "É", "Uhum" e "Aham". Em um certo momento, a morena larga o sanduíche na bandeja e pergunta:
   — O que está pegando, Samuel? Você tá desse jeito deste que eu te encontrei. Você não queria ter cruzado comigo? Porque se for isso, era só não ter aceitado o meu convite pra comer, porque se é pra ficar com essa cara de bunda e nem falar comigo, eu prefiro comer sozinha. 
Samuel ergue o olhar lentamente até focalizar o rosto de Malu.
   — O mundo não gira em torno do seu umbigo. 
   — Como é?
   — Essa noite eu não queria encontrar ninguém — ele confessa. — Só vim pra cá porque não queria ficar em casa. 
    O que aconteceu? — pergunta Malu com curiosidade. 
   — Não quero falar sobre isso.
Malu se sente culpada por ter falado daquele modo com Samuel e pega na mão dele sobre a mesa.
   — Ei, desabafar as vezes faz bem. O que está acontecendo na sua casa que você não quer ficar lá?
   — Problemas familiares.
   — Que problemas? Seus pais estão pegando no seu pé? — ela tenta adivinhar.
   — Quem dera fosse — responde Samuel dando um sorriso entristecido. Malu fica preocupada, pois nunca viu o jovem dessa forma, tão abalado. Ela solta a mão dele, levanta e contorna a mesa, se sentando na cadeira ao lado da dele.
   — Me fala. O que aconteceu?
   — O meu pai tem outro filho — ele conta baixinho. 
   — Como é!? 
   — Uma ex-amante dele apareceu lá em casa hoje com a foto de um moleque dizendo que ele é filho do meu pai. 
   — Seu pai tinha uma amante? Sua mãe sabia?
   — Não. Imagina como ela está agora? Como se não fosse suficiente saber que o meu pai traiu ela, agora ele tem um filho fora do casamento. 
   — Meu Deus! — Malu não consegue esconder a perplexidade. — Quantos anos tem o garoto?
   — Dezesseis. 
   — A sua idade — ela constata. — Isso quer dizer que...
   — Que quando a minha mãe engravidou de mim, o meu pai tinha uma amante — completa Samuel olhando para o próprio sanduíche. — Eu tenho um irmão — diz virando a cabeça para olhar Malu. Ela está de queixo caído e aperta o braço dele.
   — Isso não é o fim do mundo. 
Samuel ri sem nenhum humor. 
   — Você só está dizendo isso pra me consolar. 
   — É verdade — confessa a garota. — É que eu não sei o que dizer. 
   — Então não fala nada. 
Malu suspira e abraça Samuel.
   — Por favor, não fica assim — pede com o rosto no pescoço dele. 

Minutos depois a campainha da mansão de Chay e Mel toca. Isabela, que voltou a ficar sozinha na sala, levanta para atender a porta. 
   — Felipe? — se surpreende ao ver o namorado do lado de fora.