quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 184: Marina e Vinícius dão um tempo no namoro



Em uma das mesas da lanchonete, Yasmin, Victor, Felipe e Isabela observam o distanciamento de Marina e Vinícius e Isabela pergunta:
   — Por que eles sentaram em outra mesa? 
Victor é o único que sabe o que está se passando, porém fica em silêncio e Yasmin fala:
   — Não faço a mínima ideia, mas parece que é alguma coisa séria. Olhem as caras deles. 
Depois de engolir um pouco de refrigerante, Victor pede:
   — Vamos deixar eles em paz, deve ser coisa de casal. 
Isabela e Yasmin, que eram as mais interessadas em saber detalhes sobre o assunto, voltam a comer os seus lanches enquanto Felipe mexe despreocupadamente em seu celular. 

Sentindo o suor se acumular em suas mãos, Marina resolve ser clara com o Vinícius e conta a respeito do sonho que teve no dia anterior. O garoto não esconde o espanto quando ela termina e Marina pergunta:
   — O que você acha sobre isso? 
   — E-eu realmente não sei — Vinícius gagueja desorientado. 
   — Eu sei que foi só um sonho, mas e se for aqueles sonhos que não são só sonhos? — Vendo que suas palavras são confusas, ela completa: — Dá pra entender? 
Vinícius confirma com a cabeça. 
   — Dá. Só preciso saber de uma coisa, Marina. 
   — Que coisa? 
   — Você gostou do sonho? 
Marina pisca rapidamente. 
   — Como? 
   — Você gostou do sonho? — repete Vinícius e Marina responde sem hesitar:
   — Não. Quer dizer, não é que eu não queira encontrar o Brian ou voltar para os Estados Unidos, mas eu não quero voltar para ele como namorada. Eu quero ficar com você. 
Vinícius sorri sentindo-se aliviado com a resposta dela. 
   — Então isso basta. 
   — Isso quer dizer o quê? 
   — Quer dizer que eu não me importo. A gente não controla os sonhos, Mari. 
   — Eu sei, é que foi tão real, tão real que... que parece que eu te traí, sabe? 
   — Foi apenas um sonho, Mari — fala Vinícius pegando nas mãos dela sobre a mesa. 
   — Só que quando eu olhei pra você hoje de manhã me senti mal, foi por isso que fiquei longe durante os primeiros tempos. 
   — Acho que você está dando muita importância para esse sonho. 
   — É porque foi muito real! — Marina repete. 
   — Mas foi só um sonho — retorque Vinícius com delicadeza. 
   — Eu preciso de um tempo. — As palavras despejam de sua boca e Vinícius solta as suas mãos como se tivesse sido repelido por um choque elétrico. 
   — Como é? 
   — São só uns dois dias — ela se apressa em explicar. — Não é um tempo de verdade. Eu só preciso esquecer do sonho e parar de achar que te traí. 
   — Você não me traiu, Marina!
   — Eu sei! Só que... eu preciso disso, Vinícius. 
O garoto assente. 
   — Tudo bem. Vou respeitar a sua decisão. 
Marina pega nas mãos dele. 
   — Eu te amo.
   — Eu também te amo. 
Eles dão um leve sorriso e voltam a comer em silêncio. 

Sentados no balcão, Graziele e Thiago dividem um sanduíche. Enquanto mastiga, ela conta com entusiasmo e um pouco de nervosismo:
   — Vou visitar a Malu depois do colégio. 
   — Quero ir visitar ela amanhã, será que rola? 
   — Acho que sim. Agora que o horário de visitas mudou é melhor pra gente.
   — Não foi a Nathália que disse que o horário não mudava? 
   — Mas mudou — retorque Graziele e eles riem. 
Eles retornam para a sala quando o sinal toca e os dois últimos tempos passam praticamente voando.
   Na hora da saída o clima entre os alunos fica mais pesado, pois boa parte deles relembram do que aconteceu dois dias atrás com Malu, Samuel, Jonas e Pedro. Marina olha para os lados, buscando por alguém suspeito. 
   — Está tudo bem — tranquiliza Vinícius parando ao lado dela no lugar da calçada em que eles costumam esperar os carros. 
   — Oi? — Marina olha para ele. 
   — Não tem ninguém estranho por aqui. O que aconteceu não vai se repetir. 
Marina assente. 
   — Você tem razão.

Em seu escritório, Mel aumenta o ritmo do trabalho antes de ir para o almoço. Um bipe em seu celular faz com que ela deixe os papéis por um tempo. 
   — Adorei o jantar de ontem. Tenha um dia doce, "mel". Reinaldo. — Ela ri. — Você acabou de deixar o meu dia doce, Reinaldo. 
A empresária responde, dizendo: "Também adorei, espero que possamos repetir esta noite adorável." 
   — Ousado — comenta deixando o celular sobre a mesa. Ela respira fundo, tira alguns fios de cabelo do rosto e volta para o trabalho. 

   — Ainda está de pé mais tarde, né? — pergunta Isabela indo para casa com o irmão no carro dirigido por Evaldo. 
   — Sim, Isa — Vinícius responde com monotonia. 
   — Posso te perguntar uma coisa? 
   — Você vai perguntar de qualquer jeito.
Isabela sorri. 
   — O que está rolando entre você e a Marina? 
   — Ela sonhou que voltava para os Estados Unidos e beijava o Brian no aeroporto, falando que o Brasil era passado. 
   — Nossa, que sonho estranho! 
   — Pois é. Agora ela está com a sensação de que me traiu. 
   — Como assim? Foi só um sonho! Um sonho pesado, mas só um sonho. 
   — É, mas ela disse que foi muito real e que ela precisa de um tempo para poder esquecer dele. 
   — Como assim? 
   — Ela pediu um tempo — conta Vinícius e Isabela fica de queixo caído. 
   — Um tempo tipo Yasmin e Victor? 
   — Não, só uns dois dias. Só que mesmo assim é estranho ficar dois dias longe dela. 
Isabela assente. 
   — Posso imaginar. 

Depois que almoça, Malu tem os cabelos penteados por uma das suas enfermeiras. 
   — Não precisa disso — fala enquanto a mulher passa um pente em seus fios pretos. — Eu já fiquei dias sem pentear o meu cabelo, estou acostumada. 
   — Você vai receber visitas daqui a pouco. 
   — Deve ser um amigo, eles não vão se importar se o meu cabelo está bagunçado. 
A enfermeira sorri. 
   — Pode ser o Samuel. 
Malu olha espantada para a enfermeira. 
   — Como você sabe que o Samuel não é um amigo comum? Se você disser que eu chamei por ele enquanto dormia, eu juro que me mato.
   — Não, você não chamou por ele — garante a enfermeira rindo para o alívio de Malu. — A sua mãe me contou. 
   — Ah, sim, porque chamar alguém durante o sono é muito gay pra mim. 
A enfermeira termina de pentear o cabelo dela. 
   — Ai, vocês adolescentes. 
Malu sorri e a mulher deixa o quarto. Instantes depois Graziele passa pela mesma porta e sorri levemente ao olhar para a amiga. 
   — Oi — fala timidamente ao se aproximar da cama da morena. 
   — E aí, como está? 
   — Bem, mas vou ficar melhor depois de falar com você. — Graziele é direta e Malu fica surpresa. 
   — Como assim? 
Graziele olha para as próprias mãos, que estão pousadas na beira da cama de Malu, e fala:
   — Eu queria que você me desculpasse. 
   — Hã? Te desculpar pelo o quê? 
   — Se você não tivesse me abraçado, a bala não teria te acertado. 
A boca de Malu se entreabre. 
   — Você não pode estar falando sério.
Graziele ergue o olhar para o rosto dela. 
   — Não era pra você estar aqui. 
   — Grazi, você não pode estar falando sério! Foi até bom eu ter colocado o braço nas suas costas. Se a bala tivesse acertado você teria causado mais estrago. Um tiro nas costas é pior do um no braço. 
   — Você está aqui por minha causa. 
   — Claro que não! Olha, se te faz se sentir melhor saiba que eu coloquei o braço nas suas costas por impulso. Eu não estava com a intenção de te proteger ou algo do gênero, foi inconsciente. 
   — Você só está dizendo isso para me tranquilizar. 
   — Eu estou sendo sincera, você sabe como eu sou. 
Graziele sorri levemente. 
   — Mesmo assim, você me desculpa? 
   — Eu não tenho motivos para te desculpar, você não tem culpa de nada do que aconteceu comigo, Grazi. 
   — Então custa dizer que me desculpa? 
Malu suspira. 
   — Eu te desculpo. 
A ruiva sorri. 
   — Obrigada. 
   — Agora vamos falar de coisas mais importantes. 
   — Tipo o quê? 
   — Anteontem o Samuel veio me visitar e eu ainda estava bastante medicada e acabei falando que a culpa de eu estar aqui era dele, porque se ele tivesse entregado o celular o bandido não iria atirar. 
Graziele fica espantada. 
   — Você falou isso? 
   — Falei, mas não foi do coração, sabe? Foi da boca pra fora, porque eu estava confusa por causa dos remédios. 
   — E como ele reagiu? 
   — Eu acho que ele ficou chateado, por isso queria confirmar com você. Ele foi no colégio ontem ou hoje? Como ele está? 
   — Ontem eu não fui pro colégio e nem ele, mas hoje ele foi e eu também. 
   — E? 
   — E ele estava tranquilo. Tipo, na dele como sempre. 
Malu pensa por um instante. 
   — Tenta verificar pra mim? Eu queria falar diretamente com ele, mas ele não vem me visitar e eu não posso usar celular. 
   — Tá bom, vou tentar ver o que eu consigo arrancar dele. Agora eu preciso te contar uma coisa. 
   — Que coisa? 
   — Ontem eu passei o dia todo com os meus pais!
   — Sério? 
Graziele confirma e conta os detalhes do dia que passou ao lado de Larissa e Henrique. 

Yasmin e Marina vão à casa de Isabela horas mais tarde para escolher as fantasias que irão usar no Carnaval fora de época. Elas conversam e decidem que roupa comprarão.
   — Já estou pronto! — fala Vinícius surgindo no topo da escada. — Ah — deixa escapar ao ver a amiga e namorada no sofá junto com a irmã. — Oi, Yas! Oi, Marina!
   — Oi — respondem as duas e Isabela olha para Marina, que ficou um pouco mais séria do que estava anteriormente. 
   — Já estou pronto — repete o garoto ao se juntar a elas. 
   — Aonde você vai? — indaga Yasmin. 
   — Em uma passagem de som do meu pai. 
   — Eu vou só trocar de roupa — avisa Isabela levantando do sofá. — Meninas, podem fechar as guias das fantasias, eu já salvei nos favoritos. — Ela sobe a escada enquanto Marina pega o seu notebook e atende ao seu pedido. 
Yasmin, que foi alertada por Isabela sobre a atual situação de Marina e Vinícius, observa os dois em silêncio. Marina coloca o notebook sobre a mesinha de centro e fica foleando uma revista que pegou no móvel ao mesmo tempo que Vinícius mexe em seu celular. 

Assim que termina de se vestir, Samuel desce com a intenção de ir visitar Maria Luíza no hospital. Sua mãe, Ruth, está sentada no sofá assistindo a um telejornal e o analisa antes de perguntar:
   — Vai sair? 
   — Sim, vou visitar a Malu lá no hospital. 
A campainha toca e a empregada se dirige para atender. 
   — Se eu fosse você não faria isso — alerta sua mãe. 
   — Por quê? — indaga Samuel no instante que sua avó cruza a porta. 
   — Samuel, meu filho! — exclama indo de encontro à ele. 
   — Vó? — Ele é abraçado por ela. — O que a senhora está fazendo aqui? 
A senhora segura o rosto dele entre as mãos, tomando cuidado para não tocar no curativo. 
   — Não é claro? Vim cuidar do meu netinho. — Ela abraça ele mais uma vez e Samuel olha para a mãe, lamentando por não poder ir mais visitar Malu. 

Isabela retorna para a sala minutos depois e Marina levanta do sofá, largando a revista por lá. 
   — Só estava esperando você voltar para eu ir embora — fala. 
   — A gente poderia marcar de se reunir mais vezes, né? — Isabela sugere e olha para Yasmin atrás do apoio dela. 
   — Ótima ideia — concorda a loirinha sentindo a pressão da melhor amiga. 
Marina sorri levemente não acreditando na sinceridade de Yasmin e olha para Vinícius.
   — Tchau!
   — Tchau — ele responde sorrindo. 
   — Tchau, Yasmin. 
   — Tchau, Marina. 
Isabela leva a garota até a porta e elas se despedem. 
   — Você não acha que é hora de ir também? — provoca à amiga ao voltar para perto do sofá. 
Yasmin ri ironicamente e levanta. 
   — Eu já estou vazando, Isabela. Pode ficar tranquila. 
Isabela e Vinícius riem. 
   — Fui! — fala a loirinha se encaminhando para a porta. Ao ficarem sozinhos, Isabela e Vinícius vão para a garagem onde entram no carro para ir à passagem de som de Chay. 

Desde a saída de Graziele, Maria Luíza não recebeu visitas de mais ninguém além de sua mãe e as enfermeiras que vão de hora em hora ver como ela está. A funcionária que penteou seus cabelos horas antes entra no quarto com um medicamento nas mãos.
   — Outro remédio? — reclama Malu. 
   — Sim, mas o doutor resolveu mudar a sua medicação. 
   — Isso é bom ou ruim? 
   — Isso é bom, pois é mais leve e tem outros componentes.
   — Então eu estou melhorando?
A enfermeira sorri. 
   — Sim, você está melhorando. 
Malu fica contente e toma o medicamente. 

O local do show de Chay é pequeno, o que proporciona o ar intimista que é a principal característica do novo disco dele. O palco é médio e está bagunçado no momento em que Isabela e Vinícius chegam.
   — Oi, meus pequenos! — fala Chay indo de encontro aos filhos. 
Eles se abraçam e Vinícius diz:
   — A Isa é pequena, pai, eu não. 
Chay ri e Isabela revira os olhos se controlando para não rir também. 
   — Já está tudo pronto, Chay — avisa uma mulher aparecendo atrás dele. 
Isabela e Vinícius olham para ela e a garota se surpreende, pois conhece todo mundo da equipe do pai e a loira que está parada na frente deles é nova para ela. 
   — Quem é ela? — indaga. 

Enquanto fita o teto de seu quarto, Malu começa a sentir sensações estranhas em seu corpo. Seu pulso começa a ficar mais rápido enquanto sua garganta começa a se fechar, o que dificulta sua respiração. Ela leva uma mão ao pescoço e constata que a região está inchada. 
   — O que está acontecendo? — se pergunta com dificuldade em falar e com cada vez mais problemas ao tentar respirar. Ela tenta pegar o botão para pedir ajuda às enfermeiras, porém não encontra forças para fazer isso e começa a ficar ainda mais assustada. 
   Maria Luíza abre a boca tentando puxar ar para os pulmões e sente sua cabeça rodopiar e os cantos de sua visão escurecer. 
   — Eu... eu preciso — ela arqueja — eu preciso de... ajuda. 
Reunindo o pouco de forças que ainda tem, ela busca pelo botão mais uma vez. Com o dedo indicador aperta o botão e uma fração de segundos depois perde a consciência, desmaiando. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 183: Felipe e Victor ficam mordidos por ciúmes



Victor continua inexpressível e prefere ficar calado,  mas Felipe responde:
   — Não é questão de criar caso, Yasmin, só não acho bacana vocês terem chamado eles dois. 
   — Por que não? — retorque a loirinha tentando não ficar irritada com a inércia do namorado.
   — Preciso mesmo dizer?
Isabela coloca uma mão no braço dele. 
   — Deixa isso pra lá, Felipe.
O adolescente assente e cruza os braços com a cara emburrada, fazendo Isabela revirar os olhos. Marina e Vinícius apenas observam e a garota aproveita para se distanciar um pouco do namorado. Yasmin olha para Victor ao seu lado e ele também olha para ela. Eles ficam se encarando em silêncio por alguns segundos e só desviam o olhar quando Isabela fala:
   — Então, quando será que a Malu vai receber alta? 
   — Não sei — responde Yasmin e ninguém fala mais nada. Vinícius até se disponibilizaria a deixar o clima mais leve, mas está mais interessado em saber porquê Marina se afastou dele e agora fita os próprios pés perdida em pensamentos. Isabela sacode a cabeça e se afasta dos amigos, indo até as carteiras próximas a porta para conversar com Laís e Maísa. 
   — Oi, meninas — fala ao se juntar à elas. 
   — Oi — as duas respondem e Laís pergunta: — Está tudo bem com você? 
   — Está — mente Isabela. 
   — Hum. — Laís não acredita nela, porém não insiste. Maísa fica observando Isabela, achando estranho o fato dela já ter namorado Jonas. 
   — Algum problema? — indaga Isabela com curiosidade e Maísa percebe que não estava disfarçando. 
   — Ah, não — se apressa em dizer e olha para Laís. 
   — Ontem a Maísa assistiu filme sozinha com o Jonas na casa dele — conta a garota e Isabela fica surpresa. 
   — Como? 
Maísa se espanta pois acha que ela ficou enciumada. 
   — Eles assistiram a um filme juntos — repete Laís. 
   — Sério? — Isabela olha para Maísa. — Como foi? 
   — Legal — a loira poupa palavras, porque continua desconfiada dos sentimentos de Isabela. 
   — Vocês ficaram?
   — Não. 
   — E você pretende ficar com ele? 
   — Não sei, talvez. 
Isabela assente. 
   — Você conhece o Jonas o suficiente pra ver em que barco está entrando, né? 
   — Relaxa, Isa, ele não vai fazer comigo o que fez com você. — As duas menores ficam espantadas e Maísa acrescenta: — Eu não quis ser grosseira. 
   — Não, está tudo bem — garante Isabela. — E espero que continue assim. 
Felipe se aproxima delas e coloca uma mão nas costas da namorada, chamando:
   — Vamos conversar lá fora? 
   — Vamos — responde Isabela repentinamente séria. Laís e Maísa ficam atentas aos dois em silêncio. — Depois a gente se fala — diz a morena para elas e sai da sala com Felipe. 
   — Uau, que climão — comenta Laís.
   — O que será que houve entre eles? — Maísa pergunta. 
   — Sei lá, mas parece que foi sério. Você viu? O Felipe nem olhou pra gente. 
   — Aham e ele costuma ser simpático. 
   — Pois é — concorda Laísa. 

Isabela e Felipe vão até as escadas que ligam o primeiro andar com o segundo. Eles se encostam no corrimão, Isabela ficando um degrau acima dele, e Felipe pergunta:
   — Você está brava? 
   — Brava não seria a descrição correta. 
   — E qual seria? 
   — Chateada. 
   — Chateada? Por quê? 
Isabela coloca uma mecha do cabelo atrás da orelha. 
   — Porque eu não gostei da reação de vocês. 
   — Por quê? 
   — Porque não tem necessidade disso. 
   — Você acha? 
   — Eu tenho certeza. Não tem motivo pra vocês ficaram com ciúmes da gente. 
   — Ah não? — pergunta Felipe. — Você já ficou balançada pelo Iago e eu não tenho motivos para ter ciúmes, né? 
   — Eu fiquei balançada mesmo pelo Iago — Isabela assume —, mas com quem eu estou? Se eu estou com você, Felipe, é porque eu quero ficar com você. 
   — Mesmo assim, Isabela, é complicado não ficar incomodado ao imaginar que você chamou o Iago pra ir com a gente. 
   — Nós somos amigos, sem contar que ele iria de qualquer jeito porque estudava lá no 21 e tem amigos lá. 
   — Ah, pelo menos uma notícia boa. Que ele passe a festa toda com os amigos dele. 
Isabela ri e passa a mão pelo cabelo dele. 
   — Para de ser bobo. 
   — Não é bobagem. 
A garota continua rindo e dá um beijo na bochecha dele, aproveitando que não precisa ficar na ponta dos pés para alcançar o rosto dele. 
   — Eu quero que você e o Iago convivam bem. Vocês dois são importantes pra mim. 
   — Nossa, meu estômago até embrulhou de ouvir isso. 
   — Para, Fê! — Isabela ri e dá um selinho nele. 
   — Vou me controlar, tá? 
   — Tá bom. 
Felipe coloca as mãos na cintura dela e a beija. 
   — Será que o Victor e a Yas vão brigar? — indaga Isabela após sair do beijo. 
   — Não sei, eles são mais cabeça dura do que a gente. 
   — Muito mais!

Dentro da sala, Yasmin e Victor permanecem quietos, cada um em seu lugar, Vinícius lê um livro e Marina conversa com Alexandre e Danilo. Yasmin cutuca Victor, que se vira para trás e ouve ela perguntar:
   — Até quando você vai ficar assim? 
   — Assim como? 
   — Com cara de bosta. 
   — Eu estou com cara de bosta? 
   — Está e eu estou com vontade de esfregá-la no chão para ver se melhora. 
Victor revira os olhos e se volta para a frente novamente. 
   — Ei! — chama Yasmin puxando o uniforme dele. 
   — O que é, caramba? — indaga Victor olhando pra ela. 
   — Você vai ficar bravo por causa de uma besteira dessa? 
   — Eu já estou de saco cheio desse moleque e você continua insistindo em trazer ele pro nosso meio. 
   — Victor, acorda! Eu só convidei ele pro carnaval fora de época, isso não tem nada a ver. 
   — Então tá, vou ali convidar a Jaqueline. 
   — Não ouse — ameaça Yasmin fechando a cara. 
   — Duvida? 
   — Victor Aguiar, se você fizer isso pode esquecer que eu existo. 
   — Você pode convidar o Lorenzo e eu não posso convidar a Jaqueline? Direitos iguais. 
Yasmin se controla para não elevar a voz, o que chamaria a atenção dos seus colegas de classe. 
   — Quer chamar ela? Chama. Daí aproveita e vai buscá-la em casa, curte o carnaval com ela, depois leva pizza e Coca-Cola pra casa dela. 
   — Está bravinha, é? Viu como é bom? 
Yasmin fuzila o namorado com o olhar. 
   — Eu quero te matar. 
   — Olha a violência. 
   — Para com isso, Victor! A gente vai ficar discutindo toda vez que eu envolver o Lorenzo? 
   — Você sabe que eu não suporto esse garoto e resolve convidá-lo sem me avisar? 
Yasmin ri ironicamente. 
   — Opa, então agora eu tenho que te avisar quando for fazer alguma coisa? 
   — Não foi nesse sentido que eu quis dizer. 
   — Tá bom, Victor, eu não quero saber o sentido que você falou e também não quero ficar brigada, então dá pra parar de frescura e esquecer isso? 
Victor encara a loirinha por alguns instantes e por fim fala:
   — Tudo bem, deixa isso pra lá. 
Yasmin sorri levemente. 
   — Você é tão babaca. 

Como sabe que não encontrará Sophia na sede da Melphia, Mel resolve ligar para ela antes de sair para o trabalho. 
   — Oi, Melzita — atende Sophia. 
   — Olá!
Sophia fica quieta por um instante. 
   —  Estou esperando, vai demorar pra me contar como foi ontem? — pergunta aos risos.
Mel também ri e responde:
   — Foi maravilhoso! O Reinaldo é um homem encantador. 
   — Quero detalhes, quero detalhes. 
   — Ai, Sophia. — Mel suspira. — Ele é extremamente charmoso, inteligente e é tão lindo. 
   — Mel, você está caidinha por ele — constata Sophia aos risos. 
   — Pode ser que você esteja certa. Depois de ontem o Reinaldo subiu muito no meu conceito. 
   — Vocês se beijaram? 
   — Não, ainda não. 
   — Ainda? 
As duas riem. 
   — Ah, sei lá, vou deixar acontecer. 
   — E se acontecer? — indaga a loira. — Como vai ser? 
Mel fica séria. 
   — Não sei, por isso não quero pensar muito no futuro. 
   — A Isa e o Vini sabem da existência do Reinaldo? 
   — Não. 
   — Quando você pretende contar? 
   — Também não sei. — Ela coça a sobrancelha. — Não faço ideia de como contar isso para eles e nem sei se já está na hora. Quem sabe o Chay não tenha que tocar nesse ponto antes de mim? 
   — Como assim? — indaga Sophia e a morena conta que viu Chay sair do restaurante com uma loira. — Isso não quer dizer nada — fala Sophia ao fim. 
   — Se não é nada demais, por que ele falou pra mim que era uma reunião de negócios? 
   — Porque talvez fosse. 
Mel ri. 
   — Com aquela loira gostosona? 
   — Ela era gostosa? 
   — Muito — conta Mel com pesar. 
   — Isso não quer dizer nada — Sophia continua argumentando. — A gente não pode se deixar levar por estereótipos. 
   — Mesmo assim, eu sinto algo diferente vindo dessa história. 
   — Será que essa sensação não é ciúmes? 
   — Sophia, não me deixa confusa. 
A loira ri. 
   — Tudo bem, não está mais aqui quem falou. Tenho que desligar agora, vou sair com o Micael. 
   — Ok, até depois. Beijos!
   — Beijos!
As desligam e Mel fica pensando nas palavras de Sophia, porém logo volta a lembrar da noite anterior. 

Durante os três primeiros tempos os alunos prestam atenção nas aulas e no meio da manhã saem para o intervalo. Vinícius, que não trocou uma só palavra com Marina, resolve esclarecer as coisas com ela de uma vez. 
   — Mari, vamos comer em uma mesa só nós dois — ele chama quando ela caminha para a lanchonete junto com os outros quatro. 
   — Por quê? — indaga Marina tentando evitar ficar sozinha com Vinícius. 
   — Porque eu quero conversar com você — ele conta com suavidade e Marina engole em seco antes de perceber que não adianta ficar adiando a conversa, pois em um momento ela terá que acontecer. 
   — Ok. 
Eles se separam dos amigos e vão para uma outra mesa. 
   — O que você vai querer? — pergunta Vinícius. 
   — Um suco de melancia. 
   — Só? 
   — Sim. 
   — Tudo bem.
Marina se senta enquanto Vinícius vai até o balcão pegar os lanches dele. Ela esfrega as mãos, ansiosa pela conversa. O garoto retorna com dois sucos e um salgado. Ele entrega o suco para Marina e se senta na frente dela.
   — Então — fala olhando para a garota —, o que está acontecendo?