quinta-feira, 30 de julho de 2015

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 237: Surpresa de Chay choca e emociona


Os quatro adolescentes, Isabela, Felipe, Vinícius e Marina, erguem as cabeças ao mesmo tempo, sobressaltados, porém não olham para Chay e Mel, e sim para a porta do camarim que foi aberta de repente.
   — Desculpa se eu assustei — fala a assessora de Chay diante das expressões de todos no recinto. O cantor e Mel afastam-se discretamente. — Chay — continua olhando para ele —, têm repórteres querendo falar com você. Posso deixá-los entrar?
Chay olha para Mel e lê a resposta dela em seu olhar.
   — Eu converso com eles na sala ao lado — informa pegando um copo de água sobre a mesa. — Já estou indo. 
   — Tudo bem. — A mulher sorri e sai, fechando a porta. Chay olha para o quarteto no sofá e indaga:
   — Os bonitões podem devolver o meu celular? 
Vinícius, rindo, estica a mão com o iphone do pai.
   — Toma.
   — Pelo o que a gente leu — diz Felipe —, os seus fãs estão bem alvoroçados com a sua volta aos palcos.
   — Também pudera! — Chay caminha até a porta e completa antes de sair: — Eu sou irresistível. 

Encostada no limite da proa, Yasmin observa a imensidão negra a sua frente com admiração. Um calafrio passa por seu corpo ao sentir dois braços firmes rodearem sua cintura por trás. Mesmo que não estivesse sozinha com Victor, não precisaria olhar para saber que é ele. Ela apoia suas costas no peito dele e diz ainda com os olhos fixos no mar:
   — Tudo é tão grande e lindo. 
   — Sim. É encantador, né? — Ele pergunta com os lábios roçando na orelha dela.
   — Muito. — Yasmin vira a cabeça levemente para o lado, ficando com a lateral da testa apoiada no nariz dele. — Olhando assim, a gente tem a consciência do quanto somos pequenos. 
   — É verdade. Só que mesmo sendo tão pequenos, nós podemos fazer tanta diferença no mundo. 
   — Sim. — Ela coloca as suas mãos sobre as deles que estão em sua barriga. — Eu tenho essa vontade, sabe? De mudar o mundo, de transformar as pessoas, para a melhor, é claro.
Victor sorri, vestido com um roupão branco assim como ela, e dá um beijo em sua bochecha. 
   — Você já está mudando o mundo. Ou você acha que a campanha que fez para a MelPhia não foi nada? E essa outra de aceitação do corpo que vocês estão prestes a fazer, quer coisa maior do que isso? 
   — Você tem razão. 
Yasmin deixa de admirar o mar para admirar a beleza de Victor, virando-se de frente para ele.
   — Teve uma época, algum tempo atrás, que eu me questionei sobre quem eu estava me tornando, porque você sabe, querendo ou não, o nosso mundo se resume a riqueza, luxo, festas e compras. E não precisa ser tão bom em cálculo como você pra saber que com a fortuna da nossa família, conseguiríamos viver muitíssimo bem até morrer.
   — Mas nós não iremos precisar da fortuna da nossa família por muito tempo. A gente está estudando, a gente quer fazer uma faculdade e ser alguém na vida. 
   — Sim, mas, sei lá. Eu não quero me tornar uma pessoa vazia por dentro.
Victor sorri.
   — Você jamais será vazia, Yas! 
   — Eu sei. — Ela passa a mão pelos ombros dele. — Eu tenho o seu amor que me completa. 
Eles se olham intensamente por poucos segundos e começam a gargalhar.
   — Mais uma melosidade e eu te jogo no mar — avisa Victor gargalhando.
   — Não será preciso, eu mesma me jogo. — Os dois continuam rindo. 

Minutos depois, já posicionados em um lugar privilegiado no camarote, Mel, os filhos, Marina e Felipe aguardam o início do show de Chay. O palco permanece com as luzes apagadas por um tempo, até que o telão acende-se e começa uma contagem regressiva com números vermelhos. Os fãs gritam e contam juntamente com a imagem.
   Dez. Nove. Oito. Sete. Seis. Cinco. Quatro. Três. Dois. Um.
Ao invés de surgir a banda e Chay para o início do show, um vídeo caseiro de Chay com cinco anos de idade surge na tela, provocando exclamações entre o público. O cantor, ainda criança, canta Parabéns pra você em cima de uma mesa com um mini violão nos braços. 
   — Chayzinho.
A maioria presente grita ao ouvir o som da voz de Hérica, mãe do cantor, no vídeo. O pequeno Chay olha para a câmera, sorri e manda um beijo. 
   A imagem é cortada e em seguida aparece um outro vídeo amador, dessa vez mostrando Chay com quinze anos tocando guitarra juntamente com o seu pai. 
   No camarote, Isabela vira-se para Felipe chocada e comenta:
   — Eu nunca tinha visto essas imagens. 
Felipe sorri e eles voltam a mirar o telão no instante que outra cena surge: Chay tocando violão, Micael sentado em um carron e Arthur em seu lado com uma guitarra. Gritos ensurdecedores invadem o local do show, o que não impede que as risadas de Mel e Sophia apareçam ao fundo do vídeo, nem o comentário de Lua:
   — Registro para a eternidade. 
Micael ergue a cabeça para olhar para ela enquanto Chay e Arthur apenas riem. 
   A próxima sequência são com melhores definições, exibindo uma imagem dos seis integrantes da banda Rebeldes e sua equipe em círculo com as mãos unidas ao centro. Entre eles, Chay pergunta:
   — O que nós somos?
   REBELDES! — respondem todos em um uníssono forte e vibrante, erguendo os braços acima da cabeça. Rapidamente, o próximo vídeo aparece mostrando Chay sentado sozinho em uma van escrevendo em um caderninho com as folhas amassadas. 
   — O que você está fazendo, Chay? — Uma voz pergunta e a plateia do show grita ao reconhecer a voz de Arthur. Com a expressão relaxada, Chay ergue o rosto e responde olhando para a câmera:
   — O nosso próximo sucesso!
Em seguida, Chay aparece cantando, já em carreira solo para um grande público. Esse é a abertura para diversos outros vídeos dos shows solos dele. O mix foi feito exibindo cerca de dois segundos de cada show, entre eles o de maior público em São Paulo, um na Times Square, em Minas Gerais, em Manaus, em Salvador, um Pocket Show em Porto Alegre, um show intimista em Goiás e por último, um show na virada de ano do Rio de Janeiro. 
   Logo em seguida, uma imagem de Chay recentemente em um quarto de hotel aparece. No vídeo, o cantor parece cansado, sentado em um sofá com um violão ao lado, uma caneta na mão direita e um outro caderninho surrado apoiado na coxa esquerda.
   — Cansado, Chay? — pergunta uma voz.
O cantor ergue o olhar acima da lente da câmera, fitando a pessoa.
   — Sim. — Ele balança suavemente a cabeça enquanto passa a mão no cabelo bagunçado e sorri. Em seguida fita diretamente a câmera e completa: — Mas faria tudo de novo. 
   O telão volta a ficar a se apagar e os fãs berram e alguns choram. Segundos depois, um anúncio aparece na tela com os dizeres: "Chay Suede como você nunca viu. Em breve." Uma foto de Chay em preto e branco estampa o fundo do anúncio com o logo de uma famosa empresa de TV online abaixo. 
   A perplexidade é evidente em todos os fãs, que gritam ainda mais após alguns segundos. 
   — Boa noite, Rio de Janeiro! — Chay fala pisando no palco. A primeira música começa, mas no camarote, Mel e os adolescentes não prestam a atenção.
   — O que foi isso? — indaga Marina atônita. 
   — Genial! — exclama Felipe.
   — O que ele vai ter no Netflix? — pergunta Isabela. — É alguma tipo de documentário, reality show da vida dele?
   — O pai nunca participaria de um reality show — descarta Vinícius em estado de choque. — Ele pegou todo mundo de surpresa.
Os quatro olham para Mel, querendo saber a opinião dela, porém a empresária apenas dá de ombros com os olhos marejados. Em sua mente, um filme da maioria das cenas que foram apresentadas se passa. Ela se recorda em uma fração de segundos da noite em que cantou com os outros cinco amigos na casa de Lua, da reunião que eles fizeram com toda a equipe antes de gravar o primeiro DVD da banda e de todos os shows solos de Chay em que esteve presente, fosse nos bastidores ou na plateia.
   — Jamais esperaria por isso — sussurra após alguns segundos. 

Na festa julina de Jaqueline, Iago e Aline conversam comendo tapiocas próximos à pista de dança. 
   — Até que está legal a festa dela — opina Aline. 
   — É, obrigada por me convencer a vir — ri Iago.
   — Não precisa me agradecer. — Ela sorri de forma carinhosa e acrescenta no ouvido dele: — Basta ficar a noite toda comigo. 
Iago sorri e não encontra palavras para dizer, por isso dá um beijo curto nela.
   — Sabe que eu não esperava o convite dela — conta Aline após o afeto. — Ela nem fala com a gente.
   — Isso é verdade. Só que a Laís me contou que a Jaqueline sempre chama as pessoas para as festas, porque ela não quer ficar causando mal estar na sala. 
   — A Jaqueline? — repete Aline com um sorriso incrédulo. — Não querendo causar mal estar na sala?
Iago dá de ombros e coloca uma mão na cintura dela.
   — Esse lance de chamar uns, mas não chamar outros. Foi o que a Laís disse, pelo menos. 
   — Essa garota é bipolar, só pode. — Eles riem e dão mais um beijo.
   Não muito distante deles, Maísa conversa com Jonas que insiste em diversos momentos da conversa beijá-la.
   — Ainda bem que a noite está bonita, né? — comenta Maísa virando o rosto propositalmente. — Imagina se chovesse aqui, que é tudo aberto?
   — Ia estragar com a festa — Jonas responde tentando se controlar. — Lugar aberto assim é bom para dar festas como essa.
   — É mesmo — concorda Maísa e somente para instigá-lo ainda mais, acaricia o cabelo dele. 
Jonas coloca as mãos nos bolsos para garantir que não irá agarrá-la na frente de todos.
   — Isso é porque você não viu as pool parties que a Jaqueline dá. 
   — É? Pensei que esse lance fosse só da Luciana.
   — Não, as duas costumam fazer — esclarece Jonas.
   — E você costuma vir a todas? — pergunta Maísa tentando adotar um tom de voz curioso, e não ciumento.
   — Costumo. Nós somos bastante amigos. — Ele dá de ombros, recordando que na última pool party feita por Luciana, eles só não transaram pois não tinham preservativos. No entanto, prefere deixar Maísa alheia a esse fato.
   — Sei — ela diz em um tom nada convencido. Seu olhar afasta-se do rosto de Jonas e vê Lorenzo caminhando até Iago e Aline. Uma ideia surge em sua mente e ela diz pegando no pulso dele: — Vem cá. 
A loira arrasta Jonas até o trio, que não esconde a surpresa ao ver ela chegar justamente com o rapaz que mais inferniza a vida de Iago e Lorenzo no colégio. 
   — E aí, gente? — Maísa ignora as expressões deles.
   — Oi — responde Aline sem olhar para Jonas. 
Maísa nota que Lorenzo encolhe-se com a chega de Jonas e só não dá um abraço nele, pois sabe que se soltar o pulso de Jonas, ele dará um jeito de escapar dali. 
   — Eu estava comentando com o Jonas que a festa está legal. Principalmente por ser da Jaqueline — acrescenta rindo com os amigos.
   — E aí, povo bonito? — Mayara chega pulando e passa um braço em torno dos ombros de Lorenzo. — Quanta gente bonita e bem arrumada — comenta olhando de um para o outro e quando seu olhar cruza com o acompanhante de Maísa, acrescenta: — E o Jonas. 
Aline ri e Maísa não se controla e faz o mesmo, mas para não deixar Jonas tão desconfortável, apoia as duas mãos no ombro esquerdo dele, ficando com o corpo bem próximo ao dele. Mesmo borbulhando de raiva por dentro, o ex de Isabela não perde a oportunidade e coloca a mão em torno da cintura dela.
   — Do que vocês estavam falando? — pergunta Mayara fingindo não ver a aproximação dos dois.
   — A Maísa tava dizendo que a festa está legal — conta Iago. 
   — Ah, sim, é verdade! Nem parece que é a Jaqueline que é responsável, né? — Ela, Maísa, Aline e Iago riem. Lorenzo permanece tomando seu refrigerante imóvel e Jonas morde um lábio para controlar a raiva.
   — A gente vai dançar mais tarde, né? — diz Maísa para os amigos.
   — Claro, kirida — responde Mayara e elas riem. 
Em uma tentativa de integrar Jonas na conversa, a prima de Laís pergunta para ele:
   — Você sabe que tipo de música vai tocar?
Jonas dá de ombros.
   — Acho que de tudo.
   — Duvido tocar axé — palpita Mayara rindo. 
   — Você nem gosta de axé — Maísa corta rindo.
   — Quem gosta? — fala Jonas e todos ficam espantados com a participação dele. Mayara continua tagarelando com eles enquanto Maísa sorri, orgulhosa de seu feito.

Em um determinado momento do show, Chay toca o cover de Thinking Out Loud do Ed Sheeran e a plateia suspira apaixonada. No camarote, Marina passa os braços pelos ombros de Vinícius e começa a dançar lentamente com ele, ignorando alguns eventuais flashes que ela fica sem saber se é voltado para o show ou para eles. 
   — Adoro essa música — Vinícius diz no ouvido dela.
   — Adoro dançar essa música — fala Marina. — Ainda mais se for com você.
Eles sorriem e dão um beijo curto. Ao lado deles, Mel tenta controlar suas emoções, que estão bem alteradas nessa noite, e se esforça para não lembrar do olhar que trocou com Chay no show intimista que ele fez e ela foi disfarçada. Suas barreiras fraquejam quando o cantor olha na direção do camarote que eles estão e ela praticamente jura que ele olhou para ela. 

Ainda na proa do iate, Yasmin e Victor conversam sobre estrelas deitados em um local almofadado. No entanto, ela interrompe a conversa, levantando em um pulo.
   — Meu celular! — exclama correndo para dentro do iate.
   — O que você falou? — Victor indaga confuso e segue a namorada até a suíte principal em que eles estão. — O que foi, Yasmin? — insiste em saber ao vê-la revirando sua bolsa.
   — Meu celular, eu não lembro de ter entrado no iate com ele — conta a loirinha desesperada.
   — Ah! — Victor exclama despreocupado. — Deve estar em algum lugar.
   — Aonde? 
   — Não sei. — Ele dá de ombros. — Você não deixou lá na sala?
Yasmin fecha a bolsa violentamente e passa a analisar uma de suas malas.
   — Não, eu nem lembro de ter saído do carro com ele. 
   — Qual foi a última vez que você viu ele? — pergunta o loiro sentando confortavelmente na cama.
   — No caminho para o porto. — Ela para de procurar e exclama alto: — Depois eu coloquei ele do meu lado no banco, mas quando saí do carro tava com as mãos livres! Ai meu Deus! Não acredito que eu esqueci meu celular. — Ela começa a andar de um lado para o outro do quarto e passa a mão pelo cabelo ainda molhado da Jacuzzi. — E agora? Você tem o número do motorista que trouxe a gente aqui?
   — Tenho. 
   — Então liga para ele.
   — Pra quê?
   — Victor, acorda! — pede Yasmin com impaciência. — Eu preciso do meu celular.
O rapaz sorri.
   — Peraí, você quer que eu peça para ele trazer o celular aqui? No meio do mar?
   — É óbvio! Eu não posso passar o final de semana sem o meu celular — fala Yasmin cada vez mais nervosa.
   — Hoje já é sábado a noite, Yas. Eu ligo para ele, ele guarda o seu celular e na segunda, depois do colégio, você pega.
Yasmin ri tanto de nervosismo quanto de incredulidade.
   — Você acha que eu vou ficar sem meu celular até lá?
   — Você acha que o cara vai vir até aqui? Como? Ainda mais só por causa de um celular.
   — Não é qualquer celular — retorque a loirinha. — É o meu celular! E, sei lá, ele vem de lancha ou jet ski até aqui. 
   — Rimou — observa Victor sorrindo.
   — Victor! — grita Yasmin. — É, sério, é o meu celular. 
Vendo que a namorada está a ponto de se jogar no mar, Victor levanta e caminha até a sua calça jeans, que está pendurada em um suporte atrás da porta. Com calma, ele tira um iphone do bolso e entrega para Yasmin, que fica perplexa.
   — Estava com você? — questiona a loirinha olhando para o seu celular.
   — Sim. Você realmente deixou ele no carro, eu peguei antes de sair e guardei.
   — Por que você não me devolveu logo de cara? — ela indaga e Victor começa a recear que ela fique brava com ele.
   — Porque eu queria ver até quando você ia ficar sem notar a ausência dele. E também para a gente aproveitar o tempo juntos.
   — Meu filho! — exclama a loirinha abraçando o aparelho. — E você — diz apontando o dedo indicador para ele —, se livrou da minha raiva.
   — Ah é? — provoca Victor abraçando a cintura dela.
   — Sim, só vou deixar passar porque você me trouxe até aqui.
O rapaz sorri e dá um selinho nela.
   — Você fica tão lindinha toda bravinha!
   — Vai se ferrar. — Eles riem e Victor rouba um beijo dela.

Entre risos e beijos, Jaqueline e Brian saem da pista de dança. Eles caminham de mãos dadas até uma barraquinha de doce de milho e se servem.
   — Prova — ela diz colocando uma colherinha com o doce na boca dele. — É uma delícia.
Um pouco desconfiado, Brian come o doce e seu rosto fica mais leve após engolir. 
   — É gostoso.
   — Não disse? — Jaqueline dá um selinho nele. — Eu manjo dos paranauê — completa em português.
   — Hã?
Ela apenas dá de ombros.
   — Nada demais. Então, o que você vai querer experimentar agora? — Ela analisa a barraquinha. — Que tal uma pamonha? 
   — Eu quero uma coisa que eu já experimentei e gostei — fala Brian agarrando ela por trás.
Jaqueline ri e fica de frente para ele.
   — Que coisa? — pergunta sorrindo.
   — O seu beijo — Brian responde diretamente e dá um beijo de tirar o fôlego nela. No entanto, a carícia é interrompida pois ele sente algo se chocar contra a sua perna. — Oi! — diz vendo um garotinho. 
   — Enzo — fala Jaqueline com a voz arrastada. — O que você está fazendo aqui?
   — Vim comer — responde o seu irmão, que tem um cabelo castanho claro, mas não loiro como o dela.
   — Tem várias outras barracas — corta Jaqueline.
   — Mas eu queria ver o gringo que você está ficando. 
Jaqueline arregala os olhos e Brian vai ficando cada vez mais curioso para saber sobre o que eles conversam.
   — Enzo, sai daqui — pede Jaqueline com educação.
   — Qual é o nome dele? — insiste o garotinho de dez anos.
   — Meu nome é Brian — responde Brian em português, pois conhece essa frase. 
   — Você fala português? — Os olhos de Enzo brilham e Jaqueline censura ele com o olhar.
   — Não — Brian diz, pois também conhece essa frase. 
   — Então como você está falando comigo? — questiona o garoto. O americano busca Jaqueline com o olhar.
   — O que ele disse? 
   — Nada demais — responde a loirinha no mesmo idioma que ele. Ela coloca as mãos nos ombros do irmão, tentando parecer gentil, mas dando um leve aperto. — A mãe disse para você não sair de dentro de casa — lembra falando em seu idioma local.
   — Mas eu queria conhecer o seu namorado. 
Brian, que já ouviu a palavra namorado algumas vezes, franze a testa mas não consegue se lembrar a tradução em inglês.
   — Ele não é meu namorado, agora dá um fora, Enzo.
   — Como ele não fala inglês e me entende?
   — Ele entende algumas coisas, mas não é tudo, sacou? Agora, sai!
   — Então vocês sempre falam em inglês? Que legal! 
   — Enzo, chega! — pede Jaqueline perdendo a compostura. Ela avista sua mãe à distância e fica aliviada. — Mãe! — chama.
Cleuza vai até os filhos e Brian.
   — O que foi?
   — O que foi? — repete a loirinha irritada. — Eu falei para a senhora deixar o Enzo dentro de casa.
   — Quem mandou você sair? — Cleuza pergunta para o filho.
   — Eu mesmo.
A empresária do ramo da beleza segura no braço do filho.
   — Vem, vamos deixar sua irmã em paz.
   — Mas eu quero conversar com ele, mãe.
   — Outra hora, filho. — Cleuza sorri para Brian e arrasta o filho para longe. 
Jaqueline respira fundo e olha para o americano, envergonhada pela situação. Para o seu espanto, ele está com uma expressão divertida e um sorriso no rosto.
   — Seu irmão parece legal — opina colocando as mãos na cintura dela.
Jaqueline ri ironicamente.
   — Só parece, né? Ele é uma peste!
   — Eu era assim quando era pequeno. Terrível!
Eles riem e Jaqueline fica mais relaxada.
   — As vezes eu acho que ele vai me deixar louca.
   — Um pouco de loucura as vezes faz bem — pondera Brian e volta a beijá-la. 

Durante uma música lenta e romântica, Mel deixa os filhos dançando com os namorados para ir até o bar do camarote. Enquanto aguarda o seu drink ficar pronto, é abordada por uma moça.
   — Boa noite, Mel!
   — Boa noite — responde a empresária dando em leve sorriso.
   — Eu sou a Ingrid, tenho um programa na rádio local, eu posso fazer uma pequena entrevista com você? — Mel coça a cabeça, sem nem um pingo de vontade de dar alguma entrevista no momento. — Por favor — insiste a jornalista e diante de seu olhar meigo, Mel assente.
   — Tudo bem. 
Ingrid ativa o gravador de seu celular.
   — Então, Mel, o que fez você vir ao show hoje? 
   — Eu adoro música, ainda mais música boa. Então quando recebi o convite do Chay, não pude recusar.
   — Você veio à convite do Chay?
   — Sim, ele chamou a mim e aos nossos filhos para assistirmos ao show de reestreia da turnê. 
   — Assistindo ao show dele, Mel, você não sente vontade de voltar aos palcos? 
Mel sorri e se remexe em sua banqueta.
   — O tempo em que eu cantava com a banda foi maravilhoso, mas ficou no passado. Eu não pretendo voltar a cantar profissionalmente.
   — E a compor? Você era uma das compositoras da banda, você continua compondo?
   — Eu acredito que quando você realmente compõem, coloca a sua alma na música, é impossível você parar de compor, pois acaba sendo uma válvula de escape para todas as suas emoções.
   — Isso quer dizer que você ainda compõem?
   — Sim, mas nem um pouco profissional. 
   — Falando em profissão, a MelPhia é uma das marcas mais compradas no país. Como você se sente com relação a isso?
    — Eu fico extremamente feliz, porque é o resultado do trabalho de milhares de pessoas. Então é muio bom saber que as pessoas que fazem os modelos, agradam o consumidor.
   — Voltando um pouco para a questão da música. Você subiria ao palco caso o Chay te chamasse para uma participação especial?
Mel dá um leve sorriso, tamborila os dedos no tampo do balcão a e pensa lentamente, escolhendo as palavras com cuidado.