Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 392: Malu despede-se de Graziele e Samuel



— Não — Vinícius sussurra incrédulo.
— Sim — responde Marina com um enorme sorriso e lágrimas nos olhos. — Nós fomos aceitos no MIT! — exclama levantando do sofá em um pulo. — Meu Deus! Meu Deus! Eu vou estudar no MIT! — Ela volta a sentar no sofá e esconde o rosto entre mãos aos prantos.
Vinícius rodeia uma poltrona e se agacha na frente da namorada. Ele apoia as mãos nos joelhos dela e fala:
— Eu estou tão feliz por você.
Marina tira as mãos do rosto e percebe que o namorado está tão emocionado quanto ela.
— Eu fui aceita em uma das melhores universidades do mundo, Vinícius. Eu não consigo acreditar.
— Com seu histórico, suas referências, eu não fico surpreso.
— Eu estou tão feliz! — exclama Marina envolvendo os ombros de Vinícius. Eles ficam chorando abraçados como se Lua, Arthur e Victor não estivessem ali.
O pai da garota cutuca Lua.
— O Vinícius é tão amoroso, né?
Lua assente, mas sua atenção está toda em Victor. Ela caminha até o filho, que continua com o olhar pregado na carta em sua mão.
— Está tudo bem? — pergunta se aproximando dele.
— Não é possível que isso está acontecendo — balbucia Victor. — Mãe, isso é… isso é perfeito!
— Vocês conseguiram, meu amor — fala Lua passando a mão pelo cabelo dele. — Vocês conseguiram.
Aos poucos as fichas de Marina e Victor vão caindo e eles ficam ainda mais animados com a notícia. A garota vai para seu quarto com o namorado e se joga na cama, contemplando o teto.
— Nossa, tem tanta coisa passando pela minha cabeça.
— Estou disposto a ouvir cada uma delas — sorri Vinícius sentando em uma poltrona no canto do cômodo.
— Eu passei tanto tempo idealizando passar aqui no Brasil — fala Marina sentando para enxergar o namorado — que em momento algum eu imaginei como seria ser aceita em uma das universidades que eu demonstrei interesse nos Estados Unidos. E agora eu isso aconteceu, a minha cabeça está surtando.
Eles riem e Vinícius coloca um travesseiro no colo, cruzando as pernas.
— Caramba, você vai estudar no MIT! — ela exclama sorrindo de orelha a orelha. — Isso é tão maravilhoso, amor.
— Sim. Mas estou um pouco apreensiva.
— Por quê?
— O Instituto fica em Cambridge, uma área metropolitana de Boston e eu nunca nem fui para Boston.
— Não fica na região leste também?
— Fica. Eu não terei que cruzar o país, mas ainda assim é um desafio.
— Você já recebeu a resposta da Columbia? — pergunta o rapaz referindo-se a universidade localizada em Nova York.
— Ainda não, mas mesmo que eu passe lá eu não vou abrir mão do MIT. É mais do que um sonho estudar lá.
— Então vai em frente — Vinícius incentiva. — Tenho certeza que você e o Victor vão passar por cima de qualquer dificuldade.
Marina assente e dá um sorriso bobo.
— Meu Deus, é difícil de acreditar.
— Você foi aceita, meu amor! — Vinícius levanta da poltrona e senta no colo dela. — Minha futura engenheira de software. — Eles riem e deitam juntos na cama, um embolado no outro.
— Você já foi para Boston? — pergunta Marina depois de receber um beijo dele.
— Não.
— Então quando você for já terá uma guia.
— A guia mais linda de todas — ele fala mordiscando o queixo dela. — Viu, as coisas estão começando a dar certo para nós.
— Até que o plano B não está sendo tão ruim.
Ele gargalha.
— Chega lá no MIT falando que eles eram o seu plano B.
— Eles me mandam de volta rapidinho — ri Marina.

Depois de conversar por longos minutos com Reinaldo, Mel sai de seu quarto e caminha com os pés descalços para seu escritório. Ao se trancar no cômodo, encaminha-se diretamete para a estante e pega uma pasta preta que estava entre tantas outras. Ela se acomoda em sua poltrona e puxa uma folha sulfite branca de baixo de um caderno de anotações. Rapidamente começa a escrever frases com a primeira caneta que encontrou na mesa.

Com os pés e as canelas submersos na piscina, Victor faz uma chamada de vídeo com Yasmin.
— Oi! — diz a loirinha e Victor sorri ao ver o rosto dela.
— Oi, Yasmin. Como você está?
— Estou bem — responde a garota passando a mão no cabelo confortavelmente sentada na sacada de seu apartamento em São Paulo. — O Iago e a Beth foram ao mercado.
— Você não quis ir com eles?
— Não, estou um pouco cansada. Meu corpo ainda está se adaptando a mudança da rotina.
— Entendi. — Os olhos dele brilham quando ele fala: — Eu tenho uma coisa para te contar.
Yasmin se apruma na poltrona.
— O quê? — indaga com curiosidade.
— Eu descobri o porquê o meu pai queria tanto que eu voltasse para o Rio.
— O que era?
— Chegou a minha resposta do MIT.
Yasmin arregala os olhos e pela expressão de felicidade do namorado consegue imaginar qual foi o retorno da universidade.
— Você foi aceito — adivinha e quando Victor assente ela solta um grito. — Meu Deus, amor, que notícia maravilhosa!
— Eu ainda estou em estado de choque — ele fala observando que os olhos de Yasmin ficaram marejados.
— E a Marina?
— Também foi aceita.
— Isso é incrível! — sorri a garota.
— Eu sei, nem consigo processar direito.
— E aí, como vai ser a partir de agora?
— Como assim?
— O que vocês têm que fazer agora?
— Nós vamos para lá em abril conhecer o campus, até porque nós temos que escolher os nossos dormitórios.
— Vocês vão dormir na universidade?
— Sim, no primeiro ano é obrigatório morar no campus — explica o rapaz. — Depois disso a gente se muda para alguma irmandade, fraternidade, república ou vai morar sozinho.
— Nossa, parece outro mundo.
— Realmente é bem diferente do que acontece aqui, mas a gente está acostumado.
— Óbvio, vocês estudaram praticamente a vida inteira lá.
— Sim, conforme as coisas forem acontecendo eu te explico melhor.
— Assim espero, quero saber de todos os detalhes.
— Pode deixar.
— Se você só vai em abril para lá, isso significa que vai dar para a gente se ver bastante ainda, né?
— Sim — Victor fica ainda mais feliz. — Você vai vir no começo do mês que vem para a despedida do Vinícius, né?
— Claro, eu jamais perderia esse momento. Estou com saudades de vocês!
— Faz, sei lá, umas três horas que eu saí da aí, Yasmin — Victor observa rindo.
— Eu sei, mas você não tem noção de como o apartamento fica vazio sem você.
— Oh my God! — ele exclama. — Você está falando sério? — Para o seu espanto, Yasmin cai no choro e abaixa o celular repentinamente, o que faz com que ele consiga ver apenas partes das coxas dela e o chão da sacada. — Yasmin? — chama preocupado. — Yasmin?
A loirinha aparece novamente, dessa vez com os olhos avermelhados.
— Eu não sei se vou conseguir ficar aqui longe de todo mundo — confessa aos prantos.
— Calma — ele pede tentando fazê-la parar de chorar. — Faz só uma semana que você está aí, amor.
— Logo depois que você foi para o aeroporto — Yasmin conta como se não tivesse ouvido Victor — o Iago e a Beth saíram e eu fiquei sozinha. Estou me sentindo tão solitária! Eu quero a minha casa, os meus pais, o Felipe.
— Ei, Yasmin — ele fala com firmeza. — Você vai se adaptar. Tenha calma, vai ser difícil mesmo no começo. Você já conversou com os seus pais?
— Já.
— E o que eles falaram?
— Sobre o quê? — Ela limpa o nariz com as costas da mão livre.
— Sobre o que você está sentindo.
— Ah, eu não contei isso para eles.
— Por que não?
— Porque eu não quero que eles fiquem preocupados. Eles já estão preocupados, na verdade.
— Você não pode esconder isso deles — fala o rapaz com a voz terna.
— Mas eu não quero que eles fiquem se preocupando comigo ainda mais. Eu sei que isso uma hora vai passar, mas é que às vezes parece que não vai. — Ela dá um sorriso de canto de boca. — Estou me sentindo uma idiota.
— Por quê?
— Por causa dessa ceninha. Desculpa, você me ligou super feliz por ter sido aceito no MIT e eu estraguei o seu momento.
— Você não estragou nada — retorque Victor. — Eu estou aqui para te ouvir.
Yasmin assente.
— Obrigada, já estou melhor. — Ela enxuga o rosto. — Foi só um momento de tristeza mesmo, mas já passou.
— Que bom, não gosto de te ver triste assim. Quando você estiver se sentindo mal, me liga. Não importa a hora, o dia, nada, entendeu?
— Entendi. A Isabela falou a mesma coisa.
— Pois é, você pode até estar sozinha aí, mas você tem muitas pessoas ao seu lado.
— Obrigada, Victor. De verdade.
— Imagina. Mas vamos falar de coisas boas? — Ele abre um sorriso que faz o coração de Yasmin bater mais rápido.
— Vamos — ela responde com os olhos fixos no celular. — Tipo você ter passado no MIT?
Eles riem e o rapaz mexe as pernas dentro da piscina.
— Você pode repetir isso várias vezes? Eu não consigo acreditar!

Vários ex-alunos do colégio Otávio Mendes reúnem-se no casarão de Laís na tarde seguinte para comemorar seus resultados nos vestibulares. A filha dos donos da casa, sua prima Maísa, Isabela, Marina, Graziele, Malu e Aline conversam em uma rodinha sob um guarda-sol enquanto outros grupos se divertem na piscina e no gramado.
— Está só faltando a Yasmin aqui — comenta Maísa.
— Ela faz falta — diz Isabela.
— E como faz — Marina concorda tomando um suco de pitanga com canudinho.
— Eu vivi para ver a Marina falando que sente falta da Yasmin — ri Graziele.
— Ela está se adaptando bem lá em São Paulo? — indaga Laís.
— Ah, está sendo complicado — responde Isabela.
— O Iago está sofrendo também — Aline comenta. — Ainda mais agora que a Beth voltou para o Rio.
— A mãe dele já foi embora? — Maísa questiona ajustando a parte de cima de seu biquíni.
— Foi hoje de manhã. Agora estão só os dois.
— Como será nos próximos quatro anos — analisa Malu.
— Pelo menos eles estão estudando no mesmo campus, né? — Laís comenta. — Sempre vão ter o outro por perto.
— Assim como a gente — Aline sorri para a prima, Malu e Graziele.
— Esfrega na minha cara que eu não vou fazer parte do rolê — brinca Maísa.
— Seu campus é qual? — indaga Isabela.
— No centro, direito tem um campus só para o curso.
— Ah, que legal!
— Bizarro isso da UFRJ estar dividida em vários campus — Graziele comenta.
— Eu acho é bom! — exclama Malu mastigando alguns dos petiscos. — Um monte de gente lá do colégio passou na federal, imagina ter que ficar cruzando com todo mundo? Deus me livre encontrar com o Jonas ou o Pedro. Não leva para o lado pessoal — acrescenta piscando para Maísa, que ri. Isabela franze a testa e olha para Aline.
— Ué, você não passou para engenharia civil? — A namorada de Iago confirma com a cabeça. — Então o Jonas vai estudar no mesmo campus que vocês, não é?
— Mas o Jonas não passou para engenharia civil — responde Aline e Maísa esclarece:
— O Jonas vai fazer economia.
— O quê? — Isabela praticamente grita e todas as suas amigas olham com curiosidade para ela.
— Por que o espanto? — pergunta Marina ao seu lado.
Isabela dá um sorriso constrangido e dá de ombros.
— Por nada — responde bebericando seu suco. — É que eu tinha certeza que ele ia fazer engenharia civil.
— Ah. — Todas continuam intrigadas, porém ninguém comenta mais nada sobre o assunto.
— E você, Marina? — fala Aline para romper o silêncio — Fiquei sabendo que você passou no MIT.
— Sim, ficamos sabendo ontem a noite a resposta.
— Nossa, parabéns!
— Obrigada — ela sorri orgulhosa de si mesma.
— Temos que aproveitar a sua presença antes de você ir embora então — fala Laís.
— Eu ainda não sei quando vou definitivamente para lá, as minhas aulas só começam em agosto.
— Ah, então tem muito chão pela frente!
— Temos que aproveitar mesmo é a presença dessa aqui — diz Malu abraçando Graziele.
— Quando você vai para Minas, Grazi? — Aline indaga.
— Quarta-feira — informa a ruiva.
— Já?
— Estou indo tarde até, vou ter menos de uma semana antes das aulas começarem.
— Você está sabendo que o Danilo vai ser seu colega de classe? — Laís comenta e Graziele se assusta.
— Como assim?
— Ele também vai cursar medicina veterinária na UFMG.
— Nossa, eu não sabia!
— Perdeu a oportunidade de dividir apartamento igual a Yasmin e o Iago fizeram — brinca a prima de Maísa, fazendo Graziele sorrir.
— Não, eu não dividiria apartamento nem se soubesse que ele também vai estudar lá. Quero ter o meu próprio espacinho.
— Ui, que independente! — exclama Maísa e elas todas riem, exceto Isabela que parece perdida em seus pensamentos.
Enquanto ri com as amigas, Marina vê Vinícius se afastar dos amigos e tomar a direção da mesa com bebidas.
— Já volto — ela fala ao se levantar da mesa. — Oi — diz parando ao lado do namorado.
— Oi, meu amor — sorri Vinícius. — Vai querer o quê? — indaga colocando gelo em seu copo.
— Não quero beber nada, na verdade eu vim falar com você.
— O que foi? — ele pergunta olhando para ela.
— Eu estava conversando com as meninas e uma ideia veio a minha mente.
— Que ideia?
Marina aguarda ele se servir com um suco e voltar a olhar para ela para dizer:
— O que você acha de eu ir com você para Paris?
— O quê? — Vinícius quase derruba seu copo.
— Calma — Marina ri pegando no braço dele.
— Nossa, você me pegou de surpresa.
— Você não gostou da ideia? — ela pergunta com um tom de insegurança na voz.
— Claro que eu gostei — ele responde de imediato. — Eu só não entendi direito como seria.
— Eu só tenho que ir para Boston em abril, então eu pensei em ir com você para Paris e passar alguns dias por lá, nem que seja uma semana.
— Ah, sim! Tipo o que o Victor fez com a Yasmin?
— Exatamente.
Vinícius sorri e chega mais perto dela.
— Eu acho uma ideia genial.
— Nós temos que conversar com os nossos pais antes.
— Sim, mas eu não vejo motivos para eles impedirem.
— Eu não vou te atrapalhar?
— Marina? — ele olha para ela com descrença.
— É sério, eu sei que vai ser super corrido para você, não quero ficar te incomodando.
— Você nunca me incomoda, amor. — Ele dá um selinho nela. — Fiquei até mais feliz agora, estava um pouco chateado por ter que me despedir de você já nas próximas semanas.
— Eu também. Tomara que dê certo.
— Já deu — sorri Vinícius antes de abraçá-la carinhosamente. Quando retorna para a mesa sob o guarda-sol, Marina constata que Graziele não está mais ali.
— Cadê a Grazi? — pergunta para Isabela.
— Ela acabou de ir, deixou um beijo pra você.
— Por que ela já foi?
— Tinha um compromisso, não explicou direito.
— Hum.
A ruiva passa pelo portão do casarão dos pais de Laís e entra no carro que está parado em frente à calçada. Ela cumprimenta o motorista com um beijo no rosto e pergunta enquanto joga sua bolsa para o banco de trás:
— Para onde iremos?
— Pensei em darmos uma volta na praia.
— Eu acabei de sair da piscina e você quer me levar pra praia?
Douglas sorri e dá partida no veículo.
— Eu pensei que poderia ser uma maneira de você se despedir do mar também.
— É verdade, não tinha parado para pensar por esse lado. Até que a sua ideia não é tão ruim.
— Claro que não — ri o rapaz. Minutos depois ele está estacionando próxima a praia de Copacabana. Eles descem e vão caminhando até a areia. O Sol está começando a se pôr, colorindo o horizonte de um tom alaranjado. — E então, está ansiosa?
— Bastante — responde Graziele andando ao lado dele. — Chegou o meu momento de deixar o ninho.
— Chegou a hora do passarinho voar — sorri Douglas.
— Sim. Que dicas você tem para me dar?
— Dicas sobre o quê?
— Sobre morar sozinho.
— Sempre reponha o papel higiênico. Sempre — ele aconselha e Graziele cai na gargalhada.
— Essa é a dica mais importante que você tem para me dar?
— Acredite, você não vai querer ficar sem papel higiênico estando sozinha em casa.
— Ok.
— Tirando isso — fala Douglas —, tenta ser o mais organizada possível com as suas coisas, desde suas roupas até as suas contas. É muito importante pra você não perder o controle das paradas.
— Entendi. Vamos sentar aqui? — fala apontando para a região mais deserta da praia. Eles sentam juntos na areia e a garota deixa seus olhos correrem pelas tatuagens do pescoço dele.
— Por que você escolheu veterinária? — pergunta o rapaz e ela volta a encarar seu rosto.
— Não sei — sorri. — Eu não me vejo fazendo outra coisa.
— Será que é genético? Seu pai é veterinário também, não é?
— Sim.
— Você quer trabalhar com ele depois de formada?
— Sinceramente, acho que não — Graziele responde. — Eu quero seguir o meu próprio caminho, construir minha própria trajetória.
— Você está certa, mas também não vejo problema em você seguir os passos do seu pai.
— Não tem problema nisso, eu apenas não quero mesmo — ri Graziele. — Mas não é definitivo.
— E alguma coisa na vida é definitiva?
— É verdade. Mas apesar de todo o medo, eu estou empolgada — vibra a ruiva tocando no joelho dele com o seu.
— Vai ser uma mudança e tanto.
— Demais. Poderia dizer que é uma vida nova. Nova cidade, novas pessoas, novo lar.
— Admiro a sua coragem — fala Douglas acariciando o braço dela. — De verdade, você é tão novinha e já está toda decidida do que quer.
— Eu deveria dizer obrigada? — pergunta Graziele e eles gargalham. Ela aproxima o rosto do dele e dá um beijo suave em seus lábios. Douglas segura na nuca dela e intensifica o beijo.
— Com certeza eu tenho que dizer obrigado por isso — ele fala após o afeto.
— Só fiz o que me deu vontade.
— Se quiser fazer de novo, estamos aí. — Eles sorriem e voltam a se beijar. Ao longo do beijo, Douglas traz Graziele para o seu colo e ela rodeia o corpo dele com suas pernas. As mãos do rapaz apertam com firmeza a cintura dela, deixando seus troncos unidos assim como seus lábios. A ruiva beija o canto da boca dele e vai descendo pelo pescoço e ombro. Douglas morde a orelha dela antes de suas bocas se encontrarem mais uma vez.
— Vamos sair daqui — ela pede olhando nos olhos dele.
— Vamos. — Eles levantam e vão abraçados para o carro dele, onde trocam vários beijos e carícias antes de partirem para o apartamento dele.
Graziele sorri ao passar pela porta do imóvel luxuoso.
— Foi aqui que a gente transou pela primeira vez. — A recordação invade a cabeça dela rapidamente:
Douglas joga Graziele na cama da suíte principal do apartamento e ela tira o casaco de paetê que cobria seu vestido vermelho.
— Você está tão linda com essa roupa — elogia Douglas deitando sobre ela.
— Isso porque você nunca me viu sem — provoca Graziele.
— Uau, que perigosa! — brinca o rapaz dando mordidinhas no pescoço dela.
Eles riem e se beijam com volúpia. Durante a carícia, Douglas tira o casaco e também a camisa, revelando um abdômen cheio de tatuagens. Graziele passa a mão pela pele dele e comenta:
— Lembro que na primeira vez que a gente se viu, você disse que tinha tatuagens em lugares muito pessoais. — Ela morde o lóbulo da orelha dele. — Hoje eu quero vê-las.
Douglas sussurra no ouvido dela:
— Eu posso te mostrar tudo.
Ela morde o ombro dele e eles voltam a se beijar com a mesma intensidade. Douglas desliza uma das mãos pela perna dela, erguendo seu vestido, e aperta sua coxa. Graziele envolve o quadril dele com a perna, trazendo o seu corpo ainda mais para si.
A voz de Douglas a traz de volta para o presente.
— Lembra do que eu te disse naquele dia? — ele pergunta trancando a porta principal do apartamento. Ela se joga no sofá, dizendo:
— Você me disse tantas coisas aquele dia.
— Eu disse que você era a primeira mulher a entrar aqui.
— Ah sim, lembro disso.
— Você continua sendo a única.
— Nossa, que honra a minha — ri Graziele vendo Douglas se sentar em sua frente.
Eles sorriem e ficam se observando em silêncio. A garota estica a mão e começa a passar a ponta dos dedos pela pele de Douglas, tentando guardar a textura do corpo dele. O rapaz fecha os olhos, apenas se concentrando no toque dela. Quando sua mão chega no cabelo dele, Graziele rapidamente se arrasta até ele e senta em seu colo. Douglas abre os olhos e sorri com a visão de Graziele tão perto de si. Eles se beijam e as mãos dele vão percorrendo cada parte do corpo dela. Os dois deitam no sofá e se entrelaçam entre beijos e carícias muito íntimas e cheias de sentimento.
— Te conhecer melhor foi a coisa mais incrível que me aconteceu ano passado — admite Douglas. Ele e Graziele estão abraçados no sofá e suas roupas formam um amontoado caótico no tapete. Como está com a cabeça no peito dele, a ruiva escuta cada batimento de seu coração, que agora já voltou ao ritmo normal. A tarde já foi embora há algum tempo e agora o céu é iluminado pela lua e as estrelas.
— Eu também amei conhecer quem você realmente é — ela fala passando a mão pelo abdômen tatuado dele.
— Vou sentir sua falta.
— A gente vai continuar conversando.
— Eu estou falando disso. — Ele aperta o corpo dela contra o seu para tornar ainda mais claro ao que se refere.
— A gente nunca teve certeza de nada quanto a isso. Se eu continuasse aqui talvez a gente não tivesse mais isso, não tem como saber.
— É por isso que eu gosto tanto de estar com você. É sempre imprevisível. Eu nunca espero e quando acontece é uma coisa de outro mundo. Eu gosto de verdade de você, ruivinha.
— Douglas — ela o censura.
— Não estou falando de um gostar amoroso, calma. Estou falando de gostar da pessoa que você é. Durante muito tempo eu tentei abafar o que eu sentia por você, porque eu achava que era errado. Me sentia mal por você já ter sido mina de um dos meus amigos, tinha medo da gente se envolver pra valer e você querer mudar o meu jeito de ser, só que agora para mim é bem claro que o meu sentimento por você é algo independente se a gente transa ou não. Eu gosto de você. Isso que acontece de vez em quando é só um bônus, mas o que é realmente importante para mim é o que você é. — Ao sentir sua pele molhada, pergunta: — Ei, você está chorando?
Graziele assente e se senta no sofá.
— É que foi muito difícil tudo o que a gente passou para chegar até aqui. — Ela se estica e alcança sua calcinha no tapete. — Eu me senti a pior pessoa do mundo quando me dei conta de que estava atraída você. Todo mundo me encheu de críticas, todos ficavam me lembrando toda hora o que você costuma usar e todas essas paradas e falavam que por muito menos eu terminei com o Thiago.
— O que você tem com o Thiago é algo completamente diferente.
— Exato! Só que foi difícil para as pessoas aceitarem isso — diz pegando seu sutiã. — Eu não vou mentir que passou pela minha cabeça inúmeras vezes tentar te convencer a largar tudo isso, mas em todas as vezes eu mesma percebia que isso é impossível. Você é isso que você é, você sabe as consequências disso tudo. Você e o Thiago são pessoas completamente diferentes, que levam vidas muito diferentes e o que eu sinto por vocês também é diferente. Até eu entender tudo isso muita coisa passou pela minha cabeça. Só que hoje eu estou me sentindo muito bem com relação a tudo.
— É isso que importa — fala Douglas também sentando no sofá. Ele veste sua cueca e volta a olhar para Graziele.
— Eu e o Thiago estamos tentando nos acertar, tentando ser amigos novamente e eu me sinto muito confortável com essa coisa entre eu e você.
— Eu também — concorda Douglas fazendo um carinho no joelho dela. — A gente não precisa se preocupar com o futuro. Você vai para Belo Horizonte fazer sua faculdade e inúmeras novidades vão surgir na sua vida. Vai de peito aberto, sem amarração nenhuma aqui no Rio de Janeiro.
— É isso o que eu vou fazer. Eu vou viver minha vida do meu jeito.
— Não tem como dar errado.
Graziele assente e se aproxima dele, envolvendo seus ombros com os braços.
— Você sempre vai ter um lugar especial no meu coração.
— Você também — responde Douglas retribuindo o abraço. — No meu coração e na minha cama.
A garota gargalha e se afasta dele.
— Você é idiota demais.
Douglas sorri e levanta do sofá, recolhendo as roupas de Graziele e jogando para ela.
— E aí, vamos pedir uma pizza? — pergunta segurando as próprias roupas.
— É uma ótima ideia.

Com duas garrafas de vinho e queijos sobre uma mesinha, Luíza, Mel e Anelise conversam na cobertura que a psicóloga mora com o marido e o filho.
— Eu não sei o que está acontecendo — fala Mel servindo sua taça com mais vinho. — Querem?
— Eu quero — fala Anelise esticando sua taça para a ex-cunhada.
— Não — Luíza responde passando a mão na sua barriga, que está começando a apontar.
— Ah, claro — ri Mel.
— Continua — incentiva Anelise cruzando as pernas.
— Então, eu não consigo entender o que eu estou sentindo agora.
— Por causa do que a Sophia disse?
— Não, não é isso — responde a empresária. — Na hora que a Sophia comentou sobre a minha relação com o Reinaldo, eu fiquei tranquila, porque para mim ela estava viajando.
— Em comentar que vocês são mais amigos do que qualquer coisa? — Luíza tenta se situar.
— Exatamente.
— E por que agora você acha que ela está certa? — questiona Anelise.
— Eu não sei se ela está certa, eu apenas não acho mais que ela está errada. Vocês estão entendendo? — Mel indaga diante das expressões de confusão das duas.
— Estou — respondem Luíza e Anelise.
— É que da última vez que eu e o Reinaldo conversamos, foi um papo agradável e tranquilo como em todas as vezes — conta Mel —, só que quando eu desliguei veio a voz da Sophia falando que amigos também se gostam. E parando para analisar, não vejo muitas diferenças das minhas conversas com o Reinaldo para as minhas conversas com o Arthur, por exemplo.
— Sério? — espanta-se Anelise.
— É claro que tem momentos que a gente conversa coisas de namorados, mas na maior parte é como se eu estivesse conversando com um amigo qualquer.
— Mas isso não é necessariamente uma coisa ruim — opina Luíza. — É muito importante amizade em um relacionamento amoroso.
— É claro que é — Mel concorda. — Mas e se o meu namoro tiver virado só um relacionamento de amigos?
— Isso só você pode dizer.
— Mas eu não consigo!
— Porque você ainda não está pronta — diz Anelise. — Tenta não ficar reparando nas coisas, apenas viva a sua relação com o Reinaldo. Se as coisas tiverem realmente esfriado entre vocês uma hora você vai sentir e não terá mais dúvida nenhuma.
— Eu também acho — Luíza apoia. Sua irmã passa a mão no cabelo e olha para a piscina.
— Não gosto de me sentir confusa.

Na quarta-feira, Graziele desce do carro de Larissa e cruza a porta da garagem que dá acesso à cozinha de sua casa.
— Oi, filha — sorri Henrique que lava as mãos na pia. — Vocês demoraram, hein?
Graziele olha para o relógio de parede que marca duas horas e quinze minutos.
— Ah, não queria ter que dizer tchau para os meus avós. Por isso nós ficamos conversando, conversando, conversando — ela ri. Phil, o cachorrinho já bem velhinho da família, entra no espaço e caminha até a adolescente. — Ele está eufórico parece.
— Está mesmo — fala Henrique também olhando para o animal. — É que eu comprei um brinquedinho novo para ele.
— É? Cadê?
— Está lá na sala de jantar. Vai lá ver, acho que você vai gostar.
Graziele sorri e olha para Phil.
— Vamos lá ver o seu brinquedinho, meu amor? — diz afinando a voz. Ela sai da cozinha seguida por Phil. — Não! — exclama ao chegar na sala de jantar. A ruiva leva as mãos à boca, espantada com a presença de todos os seus amigos mais próximos ao redor da mesa, que está montada com várias de suas comidas favoritas.
— Você não achou que a gente ia deixar você ir para Minas sem fazer nada, achou? — sorri Isabela.
— Ai, gente! — Graziele abraça cada um deles e se senta na cabeceira da mesa. — Eu não desconfiei de nada.
— Nós somos f*das — ri Felipe.
— Desde quando vocês estão aqui me esperando?
— Desde meio dia — conta Isabela.
— Nossa, gente!
— Pra você ver o quanto você é especial para nós — fala Vinícius e eles trocam um olhar carinhoso.
— Então vamos comer de uma vez, né? — Graziele sorri e todos eles se acomodam na mesa. Ao longo dos minutos seguintes degustam dos pratos e conversam sobre assuntos variados.
Quando terminam a refeição partem para a sala de jogos do primeiro andar. Eles se espalham pelo cômodo e começam a se entreter.
— Grazi — chama Thiago. A garota, que ria com Isabela e Malu olha para ele.
— O que foi?
— Será que a gente pode conversar a sós rapidinho?
Graziele fica receosa, mas acaba cedendo e levando Thiago para o seu quarto que fica no mesmo corredor.
— Pode falar — diz sentando-se diante dele em sua cama.
— Eu queria me despedir de você e te desejar boa sorte nessa nova fase da sua vida. — Thiago pega em suas mãos e Graziele se arrepia.
— Obrigada.
— Desculpa pelo o que eu te fiz sofrer ano passado.
— Eu não gosto de falar sobre isso, Thiago — ela interrompe incomodada.
— É que até hoje eu me sinto mal por ter estragado a nossa história.
— Não adianta nada pensar nessas coisas, o que já foi, já foi. E outra, a nossa história não acabou — fala apertando os dedos dele. — A gente vai fazer parte da vida um do outro para sempre.
— Você sempre vai ter um espaço no meu coração — diz Thiago e Graziele lembra que falou exatamente o mesmo para Douglas dias atrás.
— Você também. Eu me sinto muito melhor agora que nós voltamos a ser amigos. E não fica falando em despedida — pede —, isso é só um até logo. A gente ainda vai se reencontrar muito nessa vida.
— Assim espero — sorri Thiago.
— Pode ter certeza. Eu não quero que você saia da minha vida nunca — assume Graziele.
— Fico feliz em ouvir isso depois de tudo o que aconteceu.
— Esquece o passado. O importante é que nós estamos aqui agora, juntos. — Ela olha para as mãos deles unidas. — Eu te amo.
Thiago dá um leve sorriso e assente.
— Eu também te amo. — Eles se abraçam com força e ficam assim por alguns instantes.
— Vamos voltar pra lá? — chama Graziele ficando em pé.
— Claro. — Os dois retornam para a sala de jogos e passam por Marina e Vinícius, que conversam sentados em um sofá.
— Os meus pais permitiram que você vá comigo para Paris semana que vem — conta o jovem e Marina sorri.
— Fico feliz, hoje eu vou pedir para os meus.
— Tenho certeza que eles vão deixar — responde Vinícius com confiança.
Henrique coloca a cabeça dentro da sala.
— Filha — chama e Graziele olha para ele. — A gente tem que sair em quinze minutos.
— Já? — espanta-se a ruiva.
— Sim.
— Ok, já vou. — Quando Henrique sai, ela se volta para os amigos. — Vocês ouviram, né?
— Não vou deixar você ir! — Isabela abraça Graziele, que ri sentindo o coração apertar.
— Vou sentir falta de você, amiga — diz olhando para a morena.
— E eu que perdi a Yasmin e agora vou perder você?
— Ninguém vai perder ninguém.
— Diz isso para o meu coração — brinca Isabela e elas se abraçam mais uma vez. — Boa viagem, amiga. Belo Horizonte te espera e eu tenho certeza que você vai ser muito feliz lá. Em breve eu vou te visitar.
— Vou ficar esperando — responde a ruiva sentindo a mão de Felipe em suas costas.
— Se cuida, Grazi — pede o rapaz quando Isabela se afasta. — Estuda bastante para ser uma veterinária incrível para os cachorrinhos que eu vou adotar futuramente.
— Veterinário não ser só para cuidar de cachorro, você sabe né?
— Se não for para cuidar dos meus cachorros, por que vou querer ter uma amiga veterinária? — brinca Felipe e eles riem se abraçando.
— Prometi para mim mesmo que não iria chorar — conta Vinícius ao parar em frente à ruiva.
— Não está adiantando, né? — ri Graziele vendo os olhos dele marejados.
— Não gosto de imaginar que a gente não vai se encontrar todos os dias pelo condomínio ou em qualquer outro lugar. — Ele passa os braços pela cintura dela, falando em seu ouvido: — Você sabe o quanto eu gosto de você, não sabe?
— Sei. E você também sabe o quanto é importante para mim também, né?
— Acho que sim — sorri Vinícius.
— Boa sorte para você em Paris, meu cozinheiro.
Vinícius enxuga uma lágrima que escapa dos olhos dela.
— Obrigado. Sucesso para você em Belo Horizonte. Nós vamos sofrer com uma diferença de algumas horas de fuso horário, mas qualquer coisa pode me mandar mensagem, ok?
— Ok, sei que posso contar com você para qualquer coisa.
— Que bom! — Vinícius dá um beijo na bochecha dela e deixa que Victor se aproxime.
— Boa viagem, Graziele — deseja o rapaz dando um abraço nela. — Toma cuidado quando for escolher o cabeleireiro para pintar seu cabelo, não quero que mude o tom do seu laranja. — Eles gargalham.
— Palhaço! Que você não esqueça da gente aqui do Brasil quando for para os Estados Unidos, tá?
— Jamais vou esquecer de vocês nem de tudo o que a gente passou junto nesse ano que se foi. Boa sorte!
— Obrigada, você também vai precisar. — Eles sorriem e Marina pega nas mãos de Graziele.
— Não acredito que você vai morar sozinha.
— Nem eu — ri a ruiva.
— Cuidado, tá bom? E obrigada por ter sido tão incrível comigo desde o começo.
— Imagina, Marina. Sempre soube que por baixo daquela gringa metida havia uma menina super de boa. — Elas riem.
— Boa viagem! — deseja Marina abraçando Graziele, que recebe um beijo de Thiago em sua testa no momento seguinte.
— O que eu tinha para dizer já te disse. Vai com Deus, Grazi. Assim que chegar lá manda fotos do seu apartamento para a gente ver.
Ela ri.
— Farei isso, mas vou ficar te esperando para você conhecer pessoalmente.
— Pode ter certeza que eu vou. — Os dois se abraçam e quando ele se afasta Graziele olha para Malu. Assim que seus olhos encontram sua melhor amiga, ela cai no choro. Malu vai até ela e as duas se abraçam com força. Os outros ficam emocionados e se distanciam ainda mais delas para lhes darem mais espaço.
— Eu vou sentir tanta a sua falta! — fala Malu chorando intensamente.
— Eu também.
— Promete que não vai esquecer de mim?
— Óbvio que não, Maria Luíza. Desde que eu me entendo por gente você é a minha melhor amiga, nada vai mudar isso.
— Não esquece de me contar tudo, tá? Quero continuar sabendo da sua vida.
— Claro e você também, viu? Assim que você tiver um tempo livre depois que começar as aulas vai me visitar.
— Vou, já conversei com os meus pais sobre isso.
— Se eu perceber que você está indo mais para Porto Alegre do que para BH, você vai se ver comigo, entendeu?
Malu ri.
— Sim, senhora. — Elas ficam abraçadas por mais minutos. — Te amo, amiga.
— Também te amo. Demais!
— Antes de você ir — diz Malu soltando Graziele. — Tem alguém que gostaria de falar com você.
— Quem? — pergunta a ruiva correndo os olhos pela sala, constatando que já se despediu de todos os amigos que estão ali.
— Eu! — Graziele se assusta ao ouvir a voz de Yasmin. Isabela vira a tela de seu celular e ela enxerga a loirinha. — Você achou que eu não ia te dar tchau também?
A filha de Larissa e Henrique sorri e enxuga as lágrimas de seu rosto.
— Oi, Yas!
— Boa sorte, Grazi. Sucesso no seu curso, faça bastante amigos, explore bastante a cidade, se divirta bastante. Quando você for para o Rio me avisa que eu tento ir também para a gente se reunir.
— Ok. Quando eu me sentir perdida com cuidados domésticos vou te ligar para compartilhar o sofrimento.
— Nossa, pode ligar porque desse sofrimento estou entendendo — ri Yasmin. — Boa viagem, Grazi!
— Obrigada — sorri a ruiva.
— Isabela, pode desligar — ri a loirinha.
Os sete ajudam Graziele a levar suas malas para o carro. A garota passa mais alguns minutos se despedindo de seu cachorro e entra no veículo com seus pais.
— Tchau, gente! — grita de dentro do carro.
— Tchau! — eles acenam para ela.
Graziele olha para cada um deles, demorando-se em Malu, Thiago e Isabela. Chorando bastante, ela deixa o condomínio e parte rumo ao aeroporto.

O carro de Henrique passa em frente ao restaurante em que Samuel confraterniza com Jonas, Pedro, Jaqueline e Luciana.
— Um brinde ao nosso guri — propõe Jaqueline forçando um sotaque gaúcho. Eles unem seus copos e Samuel fala:
— Vou sentir saudades de vocês enchendo o meu saco diariamente.
— Nós é que vamos sentir saudades de você — fala Jonas sorrindo para o amigo.
No dia seguinte, Samuel vai para o aeroporto com sua mãe e sua avó materna. Ao despachar sua mala, caminha com as duas até a área de embarque.
— Se cuida, Samuel — diz Ruth segurando no ombro do filho. — Quando você chegar lá, nos avise.
— Tá bom.
— Amanhã mesmo eu vou transferir para a sua conta o dinheiro para você comprar seu carro lá, ok?
— Tá. Eu já andei pesquisando algumas concessionárias e tudo o mais, então vai ser fácil.
— Se cuida mesmo, filho! Não vai ficar saindo, bebendo, você está se mudando para Porto Alegre para estudar, nunca se esqueça disso.
— Pode deixar, mãe — ri Samuel olhando para a sua avó, que gargalha atrás da filha. — Eu vou muito mais tranquilo sabendo que a senhora está se mudando para a casa da vó. Foi a melhor decisão que a senhora poderia ter tomado.
— Eu jamais ia ficar sozinha naquela casa.
— Essa mudança vai ser boa para vocês duas. E qualquer mudança no estado de saúde do Elias me avisa, tá?
— Claro, filho.
— Tchau, vó! — Samuel sorri para Carmem.
— Tchau, meu querido.
— Muito obrigado por toda a ajuda para escolher a mobília do meu apartamento.
— Imagina. Quando tudo já tiver chegado e montado você grava um vídeo e manda para a gente.
— Tá bom. — Ele abraça a senhora e olha ao redor. Carmem estreita os olhos, sentindo o neto apreensivo.
— Está tudo bem?
Samuel volta a fitá-la.
— Oi?
— Você parece nervoso.
— Ah — solta Samuel, pois pensou que estivesse disfarçando bem. — É que eu falei para a Malu que nós estaríamos aqui e ela disse que viria se despedir de mim.
— Vindo daquela garota não me surpreende — resmunga Ruth e tanto Samuel quanto Carmem fingem não ouvir.
— Ela vai aparecer — diz Carmem com convicção.
— É que já está quase na hora de eu embarcar — fala o rapaz ansioso. Sua avó assente.
— Calma. — Ela olha por sobre o ombro do neto e sorri. — Não disse?
Samuel segue o olhar da avó e seu rosto ilumina-se instantaneamente.
— Pensei que você não fosse vir — admite quando Malu para em sua frente.
— Ah claro — ela ironiza, tentando adotar uma postura brincalhona, no entanto sua voz sai embargada e Samuel nota. Após um suspiro, diz: — Não pensei que fosse ser tão difícil assim te ver indo embora.
Samuel assente e olha para baixo.
— Eu também pensei que fosse ser mais fácil me despedir de todo mundo.
Malu começa a chorar.
— A verdade é que eu não quero que você vá. — Samuel segura no pulso dela e a puxa para um abraço apertado. — Ontem eu já tive que me despedir da minha melhor amiga e agora de você — fala a garota segurando na camisa dele. — Eu estou triste de verdade.
— Não precisa ficar assim — diz Samuel chorando tanto quanto ela.
— Como a gente vai passar semanas sem se tocar? — indaga a garota afastando-se para encarar o rosto dele. — Eu vou sentir falta de poder te abraçar, te beijar.
— A gente vai conseguir passar por isso.
— Como você tem tanta certeza?
— Porque eu te amo. — Os dois paralisam e se observam. — Desculpa.
— Não, não precisa se desculpar — Malu responde. — Você realmente sente isso por mim?
— Acho que sim, eu não esperava dizer isso. Apenas saiu. — A garota assente e dá um beijo intenso e cheio de paixão nele.
— Quem ama espera — Malu fala em seguida — e daqui a três anos eu vou estar aqui neste mesmo lugar te esperando passar pela porta de desembarque — promete com lágrimas nos olhos.
— E eu vou voltar para você, minha futura esposa.
— Ah é, tinha esquecido disso — ela sorri e funga o nariz.
— Você não acredita, mas eu estou falando sério.
— Eu quero passar muitos anos da minha vida com você — confessa Malu. — Se para isso for preciso a gente casar, eu caso quantas vezes você quiser. — Samuel sorri e a beija. Após o afeto Malu o abraça e com os lábios roçando a orelha dele, pergunta: — Quer namorar comigo?
Samuel se afasta surpreso.
— Você está falando sério?
— Eu não quero que você chegue em Porto Alegre solteiro — Malu sorri.
— Eu vou chegar lá comprometido — ele fala colocando as mãos na cintura dela —, porque é claro que eu aceito namorar com você. — Eles sorriem e se beijam mais uma vez.
— Boa viagem — diz Malu quando o voo dele é anunciado pela última vez.
— Obrigado. Te amo — Samuel repete agora com bastante consciência de sua fala. Ele e Malu dão um selinho antes do rapaz abraçar Ruth e Carmem novamente.
— Vai com Deus, meu amor! — acena Ruth vendo o filho se distanciar. Carmem abraça Malu, que volta a chorar.
— Ei, calma, minha querida — fala afagando o ombro dela. — Vocês vão se encontrar muito mais vezes.
— Eu amo o seu neto — diz Malu aos prantos. — Eu o amo com todo o meu coração.
— Você não precisa me dizer isso — responde Carmem emocionada. — Basta olhar para vocês dois para perceber que vocês se amam muito. — Ela puxa sua filha e as três choram juntas a partida de Samuel.

— Eu chamei vocês aqui porque gostaria de pedir uma coisa — fala Marina reunida com seus pais na sala de estar.
— Que coisa? — pergunta Arthur enquanto Lua olha com curiosidade para a filha.
A garota respira fundo e diz:
— Eu quero ir para Paris com o Vinícius.
Arthur arqueia as sobrancelhas, mas é Lua quem responde primeiro.
— De jeito nenhum — fala a produtora musical.
Marina não esconde a perplexidade.
— Como é que é?


Comentários

  1. Yasmin chorando acabou comigo, Deus agindo pra Mel terminar com o embuste do Reinaldo.
    Triste com o Samuel e a Malu se despedindo.
    Lua, sua embuste não atrapalha a viagem de marinicius

    ResponderExcluir
  2. Capítulo do jeito que a gente gosta, grande e cheio de emoção. Ficou muito bom esse capítulo!

    ResponderExcluir
  3. Malu se despedindo da Grazi partiu meu coração, tô na mesma situação que elas. Tinha minhas teorias que seria ela a pedir o Samuel em namoro, são perfeitos e já tô com saudades.
    Marina e Vinícius estavam muito convictos, já sabia que ia dar rolo

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Veja mais

Mostrar mais

Postagens mais visitadas deste blog

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - 1º Capítulo: Os rebeldes se reencontram

Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 85: Isabela reencontra Jonas no primeiro dia de aula