Imagine ChaMel 4ª Temporada (Filhos) - Capítulo 10: Vinícius aproveita visita dos pais e amigos a Paris


Depois que a euforia da chegada dos familiares e amigos diminui, Vinícius se acomoda entre Isabela e Yasmin no sofá.
— Por que vocês não me avisaram que viriam? — pergunta olhando de um para o outro. Seu pequeno apartamento nunca esteve tão cheio.
— Se a gente tivesse contado não seria surpresa, né — Isabela responde.
— Caramba, não estou acreditando — ele sorri passando a mão no cabelo. — Vocês chegaram hoje?
— Sim! — diz Mel. — Só passamos no hotel para deixarmos nossas coisas e viemos para cá.
— Vocês vão ficar em um hotel?
— Aqui que não vai ser — ri Felipe.
— Idiota. — Vinícius olha para Graziele e Samuel e sorri. — Até vocês vieram.
— Minha mãe e minha avó quiseram me matar quando eu disse que não passaria o feriado no Rio — conta Samuel sorrindo.
— Meus pais também — ri Graziele —, mas não é todo dia que a gente vem para Paris com todo mundo, não é mesmo? — Eles riem.
— Tenho certeza que vocês vão adorar esses dias aqui — comenta Vinícius.
— Ai, todo parisiense ele — brinca Yasmin entre risos.
— E quando vocês voltam para o Brasil?
— Terça à tarde — informa Thiago e Graziele acrescenta:
— Eu e o Samuel, de manhã.
— Bom — diz Vinícius —, hoje eu trabalho à noite no restaurante escola, mas amanhã eu tenho o dia inteiro livre.
— Então vamos curtir muito! — exclama Yasmin.


No fogão do apartamento de Bernardo e Anelise legumes são cozinhados em uma panela de pressão. O médico descasca um abacaxi na pia ouvindo música e quase não escuta a esposa chamá-lo. Ele deixa a faca ao lado da fruta e vai até seu quarto.
— Suas malas já estão prontas? — pergunta Anelise parada na frente do guarda-roupa.
— Já — ele aponta para uma grande mala ao lado da cama.
— Então leva lá para a sala. A gente vai depois do almoço.
— A comida está quase pronta — diz Bernardo pegando sua mala e saindo do quarto. Instantes depois, Anelise se junta a ele na sala com sua própria mala.
— Não estou acreditando que vamos passar o feriadão em Búzios — comenta sorridente.
— Não estou acreditando que o Reinaldo liberou a casa dele para a gente.
— Ele disse que quase não vai lá.
— Fico feliz que mesmo depois de um tempo que ele e a Mel terminaram ele continua amigo da família.
— Ainda bem, senão como passaríamos o feriadão em Búzios de graça? — brinca Anelise e eles riem.


É noite em Paris e no quarto que divide com Felipe e Thiago, Samuel mexe em seu celular sentado em um sofá. Duas batidas na porta fazem ele se assustar.
— Boa noite — sorri ao ver os rostos de Malu e Graziele.
— Linda noite — responde sua namorada cruzando o batente com a melhor amiga.
— Vocês já estão prontas? — pergunta o rapaz espantado.
— Sim, o combinado era todo mundo estar pronto há quinze minutos.
— Mas vocês sempre se atrasam.
— Vocês não — corrige Graziele. — Isabela e Yasmin.
— Inclusive elas ainda estão se aprontando — diz Malu —, a gente passou no quarto delas antes.
— Cadê os outros? — indaga a ruiva vendo a sala de estar vazia.
— O Felipe está tomando banho e o Thiago se arrumando ali — ele indica com a cabeça a outra parte do quarto.
— Uau! — exclama Malu e os dois olham para ela. — A vista do quarto de vocês é mais bonita que a do nosso. — Ela vai até a sacada, sendo seguida por Samuel.
Graziele analisa os móveis ao seu redor antes de ir para o outro espaço. Thiago está sentado na cama calçando um par de tênis.
— Olá — cumprimenta olhando para a amiga e ex-namorada.
— Oi.
Ele levanta e gira sem sair do lugar.
— Como estou?
— Ótimo.
— Você também está maravilhosa — sorri o rapaz. Graziele dá um leve sorriso e caminha até a cama, sentando perto dele. — As meninas ainda não estão prontas?
— Só eu e a Malu.
— Ah sim. — Eles ficam em silêncio e o barulho da água caindo no banheiro passar a ser audível.
— E aí, como está a faculdade?
— Cansativa — ri Thiago.
— Segundo semestre e já está assim?
— Medicina não tem nenhum semestre fácil — ele brinca olhando para ela. — E a sua?
— Legal.
— Você se encontrou, né?
— Demais! — responde Graziele e seus olhos brilham instantaneamente.
— No futuro seremos dois médicos, já pensou?
Graziele ri.
— É verdade. Você, dos humanos e eu, dos animais.


Um tempo depois, vários carros param em frente ao restaurante escola que Vinícius estagia. Mel, Chay, Isabela, Felipe, Yasmin, Graziele, Thiago, Malu e Samuel entram e vão até a grande mesa reservada para eles.
— Pena que não tem como a gente saber se o nosso prato foi preparado pelo Vinícius — brinca Felipe.
— Se tiver extremamente gostoso é porque foi preparado por ele — ri Mel e Malu provoca:
— Que mamãe coruja. — Eles riem.
Levam alguns minutos até todos fazerem seus pedidos e então Chay comenta:
— Quanto tempo eu não vejo todos vocês reunidos.
— Desde o Ano Novo que a gente não se reúne — constata Isabela.
— E mais um final de ano está chegando — Felipe observa.
— Quais são os planos de vocês para o ano que vem? — quer saber Mel. Yasmin é a primeira a responder:
— Como estou indo para o penúltimo ano de faculdade quero conseguir um estágio.
— Aproveita que a Mel está aqui e oficializa o pedido — zoa Thiago e a loirinha ri.
— Eu não quero estagiar na MelPhia.
Samuel arqueia as sobrancelhas e diz:
— Pensei que você fosse seguir os passos da sua mãe.
— Eu não quero isso — responde Yasmin e rapidamente olha para Mel. — É claro que eu admiro e respeito toda a trajetória de vocês na moda.
— Mas você quer construir sua própria carreira — completa a empresária e Yasmin assente.
— Exatamente.
— E você já pensou onde quer estagiar?
— Em algum ateliê de noivas — a garota responde rapidamente e Mel sorri.
— Imaginava que seria isso.
Yasmin dá um leve sorriso e ouve Isabela dizer:
— Acho que ano que vem todo mundo vai começar a procurar estágio.
— E no que você quer estagiar, filha? — pergunta Chay.
— Ainda não sei — ri Isabela. — Gosto da redação, do rádio, de televisão.
— De tudo — conclui Felipe e eles gargalham.
— Fala você então o que quer — diz sua namorada.
— Eu quero começar a dar aula.
— Imagina o Felipe ensinando criancinhas — ri Thiago.
— Serei um ótimo professor, ok? Vocês me respeitem. A Malu vai ser professora também, não é?
— Eu não — ri a morena. — Eu estou fazendo bacharelado.
— Sério? Pensei que fosse licenciatura também.
— Não. Eu pretendo continuar nos projetos lá da faculdade mesmo. Estou em um grupo de pesquisa na área de biologia marinha, então pretendo continuar por lá. Agora o ano do Samuel vai ser o mais animado, tenho certeza.
Seu namorado sorri e toma um gole de água.
— Por que o seu ano vai ser o mais animado? — indaga Mel.
— Eu vou me formar.
— O quê? — exclama Yasmin. — Você já se forma ano que vem, Samuel?
— Sim, ciências aeronáuticas tem duração de três anos.
— Caramba! E aí, você vai virar piloto mesmo?
— Pretendo — sorri Samuel.
— Vai viver nas nuvens — brinca Chay. Eles continuam conversando sobre os projetos para o ano seguinte ao longo do jantar.
Quando terminam de comer, ficam na calçada até Vinícius aparecer. O rapaz está com a testa suada e segura em um braço sua dólmã.
— Comeram bem?
— Demais! — responde Mel. — Todos os pratos são preparados por estudantes?
— Sim, sob a orientação de um professor.
— Caramba! Vocês são muito talentosos.
— Estudamos para isso — ri Vinícius.
— Para onde vamos agora? — questiona Isabela abraçada em Felipe.
— Eu costumo jantar quando saio do estágio.
— Vocês não comem aí no restaurante? — espanta-se Graziele.
— Alguns sim, eu prefiro comer em outro ambiente, já passo a noite toda aqui.
— Faz sentido.
— Então leva a gente no restaurante que você costuma jantar — pede Yasmin.
— É bem simples — alerta o cozinheiro.
— A gente não se importa — responde Chay. — Queremos conhecer sua rotina aqui em Paris.
— Ok, então vamos. Fica aqui perto. Mas peraí, vocês vão comer de novo? — ele ri.
— A gente vai te fazer companhia — diz Yasmin passando um braço pelos ombros dele.
— E tomar mais um pouco de vinho — ri Mel.
O grande grupo caminha pelas ruas de Paris até o restaurante citado por Vinícius.
— A gente conversou ao longo do jantar sobre os nossos planos para o ano que vem — conta Isabela quando Vinícius começa a comer. — Quais são seus planos, Vini?
— Pretendo continuar estudando e estagiando bastante e vou me formar, né?
— Uhul! — vibra Mel e eles sorriem.
— A pergunta que não quer calar — fala Yasmin. — Você vai voltar para o Brasil?
Vinícius ri e mastiga uma garfada de macarrão.
— Só Deus sabe.
— Eu torço para que você volte — admite Mel.
— Olha a pressão — diz Felipe sorrindo.
— Não, claro que não — gargalha a estilista. — Só seria bom ter o meu filhinho de volta, mas se ele quiser ir para qualquer outro lugar do mundo vou apoiá-lo, é claro.
— Fica tranquila que eu tenho apenas três opções de destino, e não o mundo todo — sorri Vinícius.
— Quais são suas opções? — pergunta Graziele.
— Acho que são óbvias, não?
— Não para mim — ri a ruiva.
— Ficar aqui é uma delas, com certeza. Eu amo Paris e tudo o que ela está me trazendo. A outra opção é o Rio, minha casa.
— Meu voto — ri sua mãe.
— Meu também — apoia Isabela bebericando um gole de suco.
— E a terceira opção? — indaga Thiago.
— A Marina — Vinícius dá um leve sorriso e abaixa o olhar.
— Gostei que “Marina” equivale a um lugar — gargalha Felipe.
— É mais ou menos isso mesmo. A minha terceira opção é o lugar que a Marina estiver, independente de qual for.
— Provavelmente será Cambridge, né — diz Yasmin. — Ela vai continuar fazendo faculdade.
— Exatamente.
— Como vocês andam? — questiona Malu sem rodeios.
O constrangimento de Vinícius fica evidente em seu rosto, mas ele não foge da pergunta.
— Estamos indo. Aos tropeços, às vezes, mas indo.
— Relacionamento à distância não é fácil — diz Yasmin. Ela e Vinícius trocam um olhar expressivo, ambos sabendo exatamente o que o outro está sentindo.
— Tenho certeza que vocês vão conseguir passar por essa fase difícil — opina Isabela e Vinícius assente, levemente envergonhado por seu relacionamento ter se tornado o assunto principal da mesa.
Chay percebe que o filho ficou cabisbaixo e diz com animação:
— Ela vem passar o seu aniversário com você, né?
— Sim — Vinícius sorri. — Ela vai aproveitar o feriado de ação de graças para viajar para cá e passar meu aniversário comigo. No começo eu não fui muito a favor da ideia, porque mesmo sendo o meu aniversário, vou continuar indo para a escola e para o restaurante nos dias que ela vai passar aqui. Só que ao mesmo tempo eu estou com muita saudades dela e ela me fez perceber que isso é melhor do que nada.
— Sem contar que você não vai passar o seu aniversário sozinho — observa Isabela.
— Exatamente. Então estou ansioso para a chegada dela — sorri o cozinheiro.


— Ele está diferente, não está? — comenta Yasmin uma hora depois em seu quarto com Isabela. Ela está diante do espelho no banheiro removendo a maquiagem enquanto sua amiga troca de roupa no quarto.
— Ah, um pouco — concorda a morena. — Parece que o Vinícius perdeu um pouco da ingenuidade dele depois que veio morar sozinho aqui.
— Acho que todos nós que nos mudamos para estudar passamos por isso. A diferença é que como eu moro no Brasil e encontro vocês com mais frequência essa mudança não fica tão evidente.
— Será que quando eu reencontrar a Marina e o Victor vou sentir isso também?
— É bem provável que sim. Eu mesma já percebi que o Victor amadureceu bastante desde que voltou para os Estados Unidos.
— Tava precisando — comenta Isabela entrando no banheiro de pijama e elas riem.


No quarto ao lado, Graziele e Malu planejam o dia seguinte.
— O Vinícius disse que vai levar a gente para conhecer alguns lugares à tarde — diz a ruiva. — Nós poderíamos fazer um piquenique de café da manhã.
— Acho uma boa ideia. — Elas ouvem uma batida na porta e se olham. — Você pediu alguma coisa?
— Não — responde Graziele indo até a porta. — Quem será? — Ela abre a porta e sorri. — É pra você! — fala por sobre o ombro.
Malu levanta da cama e vai ver de quem é a visita.
— Ué, o que você quer?
— Te sequestrar — sorri Samuel.
— Depois do que aconteceu com as meninas isso não tem mais graça — diz Graziele de dentro do quarto.
— Nossa, verdade. Desculpa. Enfim — ele se volta para Malu —, você vem comigo?
— Para onde?
— Você não vai se arrepender — ele garante.
— Preciso trocar de roupa? — questiona a garota olhando para o próprio pijama.
— Assim está ótimo.
— Espera só um instante. — Malu volta para o interior do quarto, pega o seu celular e diz para Graziele: — Tchau.
— Aproveite Paris — brinca a jovem.
Samuel e Malu saem e ele a guia até um outro quarto no mesmo andar.
— Pensei que você fosse dividir quarto com o Felipe e o Thiago — comenta Malu surpresa.
— Reservei esse para ficar com a minha namorada.
— Ui! — exclama a morena e eles riem.


Sozinha no quarto, Graziele começa a assistir um filme de ação. Passado uns minutos, uma ideia vem à sua mente e ela pega seu celular.
— Deu a louca em você? — pergunta Thiago entrando no quarto instantes depois.
— A Malu foi dormir com o Samuel e eu fiquei sozinha — explica a ruiva indo para a cama, onde assiste ao filme.
— Por que você não chamou a Isa e a Yas?
— Porque eu quis chamar você — ela responde com simplicidade e eles riem. — Tenho pipoca aqui — diz mostrando o balde para ele. — Vai recusar?
Thiago se joga na cama e coloca as mãos atrás da cabeça, sorrindo.
— Claro que não.


O relógio na parede da sala do apartamento de Vinícius marca duas horas da manhã. O cozinheiro caminha pelo espaço escovando os dentes, ainda agitado com a chegada dos pais e amigos. Ele retorna ao banheiro, onde também lava o rosto e passa um hidratante labial. Em seguida, vai até seu quarto, deita na cama e liga para Marina.
— Oi, amor — ela atende.
— Você não sabe quem veio para Paris.
— Eu sei sim — ri Marina. — Todo mundo.
— Como você sabe?
— A surpresa era para você, não para mim — sorri a jovem. — Gostou da surpresa deles?
— Muito! Nem estou acreditando que eles estão aqui.
— Que bom.
Vinícius vira na cama.
— Em breve vai ser você que estará aqui.
— Sim.
— Estou com saudades — sussurra o rapaz.
— Eu também. Quero aproveitar muito esses dias que vou passar aí em Paris com você.
— A gente vai aproveitar muito, mas você está lembrando que eu vou continuar indo…
— Para a Ferrandi e para o estágio — completa Marina com a voz arrastada. — Estou lembrada. Estou tentando não desanimar por causa disso.
— Por favor, não desanima, amor.
— Estou tentando — Marina dá um leve sorriso.
— Foca no fato de que a gente vai se ver.
— É. — Marina sente seu estômago se agitar ao pensar no reencontro com o namorado.
— O que você tem feito?
— Estudando. Bastante — ri a jovem. — Eu comecei a fazer yoga, sabia?
— Sério? Que legal!
— Uma das meninas aqui da irmandade faz e me convidou para participar de uma aula, eu aceitei e estou adorando.
— Tenho certeza que vai te fazer muito bem.
— Já está fazendo. — Eles conversam por mais um tempo e se despedem. Vinícius deixa o celular na mesinha de cabeceira, apaga as luzes e deita para dormir.


Quando o dia amanhece em Paris, Graziele desperta. Ela olha para o lado e se espanta ao ver Thiago adormecido. Mesmo tendo dormido inúmeras vezes com o rapaz, a ruiva estranha estar dividindo a cama novamente com ele. Sem que tenha controle, o sonho quente que teve com Thiago invade sua mente e ela se agita.
Graziele joga as cobertas para o lado e se senta de costas para o corpo de Thiago. No momento em que seus olhos se afastam dele, o sonho desaparece de sua mente. A acadêmica de medicina veterinária fica parada e pensativa.
— Bom dia.
Ela se assusta ainda mais e leva uma mão ao peito.
— Meu Deus.
Thiago sorri e coça os olhos.
— Desculpa — pede voltando a mirá-la. — Não percebi que você estava distraída.
— Tudo bem.
Os olhos do jovem correm pela cama e ele chega à mesma conclusão que Graziele. Envergonhado, tenta brincar:
— Espero que eu não tenha roncado.
— Você quase nunca ronca e quando ronca é baixinho — responde Graziele sem pensar e ambos ficam constrangidos.  — Vou escovar os dentes. — Ela levanta da cama e corre para o banheiro. Thiago esconde o rosto no travesseiro e suspira. Assim que ela deixa o banheiro, Thiago se encaminha para lá.
— Sabe o que eu estava pensando? — pergunta Graziele quando ele chega no outro cômodo minutos depois.
— O quê? — Thiago indaga e percebe que ela está relaxada novamente.
— Eu combinei de fazer um piquenique com a Malu, mas acredito que ela não vá voltar tão cedo. Então eu pensei em fazer o piquenique com você. — Ela sorri e Thiago arqueia as sobrancelhas.
— Comigo?
— Por quê? Você tem algum outro compromisso?
— Não.
— Então vamos!
Thiago hesita, mas acaba cedendo.
— Ok, vamos. Eu só tenho que passar no meu quarto para trocar de roupa.
— Tá bom. A gente se encontra no hall do hotel.


Cerca de uma hora depois, Vinícius chega no restaurante do hotel em que todos estão hospedados e se encontra com a única pessoa que está no local.
— Cadê o resto do pessoal?
— Daqui a pouco estão aí — responde Yasmin. Vinícius se senta ao lado dela.
— E aí, o que achou da noite parisiense?
— Do pouco que a gente conheceu eu gostei.
— Hoje a gente pode andar mais um pouco pela cidade. Paris é ainda mais linda quando anoitece.
— Posso imaginar, mas eu continuo com receio de sair à noite.
— É?
— Sim. Prefiro ficar em casa ou quando preciso sair, eu desço na frente do lugar que vou ficar e na saída vou direto para o carro também. Não consigo caminhar pela cidade.
— Como foi para você ir andando até o restaurante ontem?
— Desconfortável. Só que quando eu estou com vocês é menos pior. Quando eu estava em Boston com o Victor também foi assim.
— A gente sempre soube que não ia ser fácil superar tudo aquilo.
— Não mesmo, ainda mais de uma hora para a outra. A minha psicóloga disse que eu estou indo bem.
— Como está sendo fazer análise?
— Interessante. Acho que todo mundo deveria fazer, não só por causa de um motivo específico.
— Também acho.
— Então comece a fazer também — ri a loirinha.
— Vou realmente tentar ano que vem.
— Tenho certeza que você não vai se arrepender.


Às margens do Rio Sena, Graziele e Thiago tomam café da manhã.
— Não vou dizer que é fácil, porque não é — responde a jovem ao ser questionada sobre como é morar sozinha. — Quantas vezes eu já não cheguei em casa exausta e só queria encontrar com os meus pais e não tinha ninguém. Eu nem comento sobre isso com eles.
— Por que não? — questiona Thiago mordendo um croissant.
— Para não preocupá-los. Não há nada que eles possam fazer mesmo. Mas eu não quero ficar falando sobre os meus dramas — ela ri. — Me fala sobre você. Como está sendo o primeiro ano de faculdade?
— Eu estou amando! Depois de um ano inteiro de cursinho eu estou finalmente cursando o que eu sempre quis.
— Um ano de cursinho para medicina é até pouco. Tem gente que fica cinco anos para conseguir passar.
— Verdade.
— E você está aproveitando bastante a faculdade, né? As meninas me contaram que você vai em várias festas e tudo o mais — comenta a ruiva tomando um gole de suco.
— A gente se mata de estudar, tem que aproveitar também — ri Thiago.
— E você está aproveitando bastante com a Luciana?
Thiago gargalha e se engasga com o croissant. Graziele dá tapinhas nas costas dele.
— Eu não estou “aproveitando bastante” com a Luciana — responde por fim.
— Sei — diz a jovem com desconfiança.
— É sério, nós somos da mesma turma, mas não somos amigos.
— Eu e o Danilo nos aproximamos muito depois que a gente começou a fazer faculdade juntos.
— Nós não somos vocês.
— Ok, se você diz — sorri Graziele.
— Mas se eu tivesse me aproximado da Luciana, qual seria o problema? — pergunta Thiago para provocá-la.
— Porque é a Luciana, né!
— Ela me parece ser uma pessoa legal.
— Thiago!?
— É sério — ele responde. — As pessoas amadurecem quando entram na faculdade.
— Não consigo imaginar a Luciana como uma pessoa madura.
Thiago dá de ombros e limpa os farelos do croissant de sua calça. Em seguida, alcança um cacho de uva na cesta de palha que eles trouxeram.
— Sabe o que isso está me parecendo?
Graziele, que contemplava um casal de pombos próximo a eles, indaga:
— O quê?
— Você tem ciúmes da Luciana.
Primeiramente o rosto de Graziele demonstra surpresa, na sequência ela rebate:
— E se for?
— Seria loucura — ri o rapaz. — Eu não tenho nada com a Luciana e, principalmente, eu e você não estamos juntos há muito tempo.
Ela dá de ombros.
— Amigos também sentem ciúmes.
— Mas será que isso é ciúmes de amigo?
— Ai, Thiago, para! — exclama Graziele e eles riem. — Eu não gosto de imaginar você com a Luciana, ponto. Mas a vida é sua, você faz o que quiser.
— Ficou bravinha, foi? — ele atiça sacudindo as uvas diante do rosto dela.
— Para com isso — pede a ruiva empurrando a mão dele. — É que você me irrita às vezes.
— Eu gosto de te irritar.
— Sério? — ela questiona em tom de ironia. — Nunca percebi.
Thiago ri e arranca uma uva do cacho.
— Toma. — Graziele tenta pegar a uva com a mão, mas ele afasta. — Não. — A ruiva lança um olhar de descrença para ele, que sorri com leveza. Thiago leva a uva até a boca dela e Graziele morde o dedo dele propositalmente. — Palhaça — ri o rapaz.
— Eu gosto de te morder — ela imita o tom de voz dele.
— Eu lembro — responde Thiago e ela desvia o olhar.
— Enfim, vamos mudar de assunto — fala endireitando-se sobre o pano em que eles estão sentados.
— Por quê?
— A conversa está tomando um outro rumo.
— Foi você quem começou falando da Luciana.
— E agora eu não quero mais falar disso.
— Ok, vamos fazer do jeito que você quer. Como sempre.
— Thiago?
Ele sorri.
— Estou só brincando.
— Não gosto desse tipo de brincadeira.
— Relaxa, Grazi — pede Thiago. — Estamos em Paris, lembra? Faz tanto tempo que a gente não fica sozinho assim, vamos aproveitar.
— Você tem razão — ela concorda pegando mais uma uva do cacho que ele segura.
— Só pra encerrar, você sabe por que você fica incomodada com esse tipo de assunto, né? — desafia Thiago e Graziele estreita os olhos.
— Como assim?
— Você se incomoda porque ainda temos assuntos mal resolvidos.
— Ah pronto! Thiago, nós estamos voltando a ser amigos, não vamos estragar as coisas de novo.
Ele assente.
— Ok. Vamos mudar de assunto então. Como está sua vida amorosa?
Graziele gargalha e dá um cutucão nele.
— Cala a boca, Thiago.


— A sensação que eu tenho é que estou vivendo um sonho — diz Samuel ao acordar no quarto do hotel com Malu. — Se alguém me dissesse há três anos que eu estaria um dia em Paris dormindo com você, eu ia achar que a pessoa enlouqueceu.
— E cá estamos nós — responde Malu se mexendo na cama para ficar mais perto dele.
— Obrigado pela noite maravilhosa. — Ele dá um beijinho no queixo dela, que sorri.
— Eu que tenho que agradecer por você ter reservado esse quarto para gente.
— Achei que a gente precisava para compensar todos os meses que a gente passa longe.
— Verdade, mas ano que vem isso vai acabar.
— Nem acredito que vou voltar para o Rio — sorri Samuel.
— Nem eu! Parece tão bom para ser verdade — ri Malu abraçando-o por baixo das cobertas.
— A Jaqueline disse que já está começando a pensar em uma festa para me recepcionar.
— Caramba! — exclama Malu rindo. — Ela não acha que está muito cedo para isso, não?
— Já viu alguém mais engajada em promover festas do que a Jaqueline?
— Não mesmo. — Eles riem.
— Sabe o que eu estava pensando?
— Ainda não leio pensamentos — ri Malu.
— Eu moro sozinho lá em POA, quando eu voltar para o Rio acho que não quero voltar a morar com a minha mãe e minha avó.
— Então você vai montar um apartamento para você no Rio também?
— Pretendo — responde Samuel —, mas eu estava pensando em não morar sozinho.
— Vai dividir apartamento com quem?
Samuel beija demoradamente o pescoço dela e pergunta:
— Você não faz ideia?
Malu afasta-se de Samuel suficientemente para ver com clareza seu rosto.
— O que você quer dizer?
— Eu estou querendo te chamar para morar comigo quando eu voltar para o Rio de Janeiro.
— Morar junto? Você não acha que nós somos muito novos para isso?
— Vou ter vinte e um, já vou estar formado…
— Mas eu não — rebate a jovem. — Eu ainda vou estar no meu terceiro ano de faculdade.
Samuel analisa a expressão dela e faz esforço para reprimir a frustração que ameaça tomar conta de seu peito. Ele se senta na cama, dizendo:
— Acho que você me entendeu errado, Malu.
— Eu entendi que você quer que a gente more junto.
— Sim, mas isso não significa que a gente vai casar ou algo assim.
— Em teoria, não, mas na prática é a mesma coisa — retorque Malu apoiando as costas na cabeceira assim como ele.
— Ok, acho que eu me precipitei. Desculpa por ter tocado nesse assunto.
— Não precisa se desculpar.
Samuel força um sorriso e dá um selinho nela.
— Vou escovar os dentes. — Ele levanta da cama e Malu volta a deitar, escondendo o rosto sob as cobertas.
Assim que entra no banheiro, Samuel encara o próprio reflexo no espelho. O sentimento de arrependimento o invade e ele fica com vontade de voltar no tempo e não fazer sua proposta para Malu. Ele escova os dentes de olhos fechados e se sobressai ao sentir os braços da namorada rodearem sua cintura.
— Eu quero esclarecer umas coisas — fala Malu acariciando a pele dele.
Samuel cospe a pasta de dente e diz:
— Não tem nada para esclarecer.
A morena se afasta e fica encostada em uma das paredes do banheiro, aguardando-o terminar de escovar os dentes. Samuel fecha a torneira e enxugando o rosto em uma toalha, vira-se para ela.
— Eu não quero que você pense que eu não quero morar com você — diz Malu.
— Eu não estou pensando isso — mente Samuel e ela sorri.
— A gente está junto há tempo suficiente para eu reconhecer quando você mente. — Ela se aproxima dele. — Antes de ficar com você eu jamais pensei em me casar e hoje essa ideia já passa pela minha cabeça. Eu quero muito viver sob o mesmo teto que você um dia, mas ainda é muito cedo para isso. Você mora sozinho há dois anos, vai se formar ano que vem, mas eu continuo sendo uma universitária que mora com os pais, Samuel. Não vamos apressar as coisas.
O rapaz assente e pega nas mãos dela.
— Eu momento algum eu quis apressar alguma coisa, desculpa se deu a entender isso. — Ele sorri e a abraça. — O convite estará sempre de pé.
— E na hora certa eu vou aceitar — ri Malu antes de beijá-lo. — Aliás — fala interrompendo o afeto —, já era para você saber que sou eu quem faço os pedidos nesse relacionamento, não?
Samuel se recorda do pedido de namoro no aeroporto e sorri.
— É verdade.
— Pois então, quando você menos esperar eu te peço em casamento — brinca Malu e eles riem.


Após passarem o dia explorando a cidade de Paris, Vinícius, Isabela, Mel e Chay vão para o apartamento do cozinheiro. O jovem prepara um jantar com pratos típicos da capital francesa enquanto seus pais conversam na sala integrada.
— Onde foi que você comprou isso aqui, filho? — questiona Mel com um afoxé nas mãos.
— Em Salvador — responde Vinícius da pequena cozinha —, naquele cruzeiro de formatura.
— Que graça! Olha, Chay — ela toca o instrumento e o cantor, que está sentado diante do piano, sorri.
— Seus vizinhos devem ficar loucos com você e todos esses instrumentos aqui, né? — comenta apontando para o piano, o afoxé e o violão e o ukulele, que estão encostados em um canto.
— Eu quase não tenho tempo para tocar nada — sorri Vinícius. — O que eu mais toco é o violão mesmo, que eu não consigo passar muito tempo longe.
— É triste ser a única sem talento musical nessa família — brinca Isabela saindo do corredor com seu celular nas mãos.
— Você tem outros talentos, filha — sorri Mel.
— Como está a Nina? — pergunta Vinícius.
— A Vera disse que está bem — responde a garota sentando ao lado da mãe no sofá. — Estou com saudades da minha filha.
— Se eu fico longe do meu filho por meses, você consegue ficar longe da sua por alguns dias — ri Mel.
Um pouco depois, os quatro estão reunidos ao redor da mesinha de centro jantando. Mel e Isabela riem de uma piada feita por Chay e Vinícius observa os três com os olhos brilhantes.
— Pessoal — fala chamando a atenção deles. — Eu queria dizer umas coisinhas.
— Ué, discurso? — ri Isabela.
— Pode-se dizer que sim.
— Então faça seu discurso, meu amor — sorri Chay.
— Eu quero dizer que eu estou muito feliz por vocês estarem aqui comigo. Parece até um sonho estar aqui na cidade que me acolheu com a minha família. É só isso, eu só quero que vocês saibam que eu estou extremamente feliz por vocês terem feito essa surpresa para mim. Eu amo vocês.
— Ai, que lindo! — exclama Isabela sorridente.
— A gente também te ama — responde Mel emocionada e Chay diz:
— Abraço coletivo no Vinícius!
Entre gargalhadas, Isabela, Chay e Mel rodeiam Vinícius.



Comentários

  1. só gostaria de dizer que amo uma família!

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  2. Ahh que lindo, abraço coletivo,amei o capítulo,estava ansiosa por ele,e agora estou mais ainda pela volta do Chay e Mel.

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  3. aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah sobre eu amar uma família
    ansiosa para chata da marina chegar.
    pro muso do Victor encontrar a Yasmin
    pra Chamel voltar, diz que é agora ?

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  4. O cap todo estava maravilhosoo,mas Grazi e Thiago são muito lindoos!!

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  5. A voz dos leitores é a voz de Deus, Renata! E a maioria quer ChaMel de volta e Yasvi forever

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  6. Eu só quero a volta da Mel e do Chay, só isso hahah

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  7. Doidinha pelo próximo capítulo....

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  8. muito ansiosa pelo próximo capítulo

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